Para tentar ler alguma coisa por pura diversão resolvi pegar um audio-livro [em um punhado de CDs] e colocar no i-pod de Letícia e "escutar" um livro nos momentos em que caminho sozinho [geralmente depois de deixar meu filho na escola]. O livro que escolhi foi Musicophilia de Oliver Sacks - já tinha lido "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu" no meu curso de graduação. Oliver Sacks é neurologista mas escreve muito bem, seus casos médicos são verdadeiros contos. Retardados que sabem de cor as melodias e harmonias de mais de 200 óperas, um sujeito que é atingido por um raio e fica absolutamente louco com música, um músico que sofre um derrame e não consegue mais reconhecer um piano afinado de um completamente desafinado, etc. No livro ele se concentra na audição, particularmente a relação que nós humanos temos com a mais abstrata das artes.
Todas as cartas de amor são Ridículas. Álvaro Campos O Tietê é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia, mas o Tietê não é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia porque não corre minha aldeia. Poucos sabem para onde vai e donde vem o ribeirão da minha aldeia,
que pertence a menos gente
mas nem por isso é mais livre ou menos sujo. O ribeirão da minha aldeia
foi sepultado num túmulo de pedra para não ferir os olhos nem molhar os inventários da implacável boa gente da minha aldeia, mas, para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
a memória é o que há para além do riberão da minha aldeia e é a fortuna daqueles que a sabem encontrar. Não penso em mais nada na miséria desse inverno gelado estou agora de novo em pé sobre o ribeirão da minha aldeia.
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