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Leituras da semana - Bello

Leituras da Semana 1. Ando lendo muito Andrés Bello e lendo bastante sobre ele também. Junto com as leituras que ando fazendo de e sobre José Bonifácio de Andrada, ando vivendo no começo do século XIX por esses dias. Tendo vivido o mundo colonial, as independências e depois a dura luta pela consolidação dos novos países latino-americanos, Andrés Bello talvez seja o intelectual mais importante da época. Era um conservador, como Bonifácio. Se não foi protagonista de qualquer independência (trabalhou no serviço diplomático de Venezuela, Colômbia e Chile), teve longa carreira no governo do Chile, onde morreu consagrado como patrono da universidade e senador da república. Acreditava que a ordem era o aspecto mais importante para a consolidação dos estados nacionais e a paz na América Latina. E a ordem para ele só poderia vir com um governo forte e centralizador – capaz de atuar sem muita interferência do legislativo ou mesmo do judiciário. Simpatizava com a monarqu...

Leituras da semana

1. Ainda as crônicas de um jovem Machado de Assis editadas com notas por Lúcia Granja e Jefferson Cano, livro que terminei de ler: Ainda no quesito das críticas políticas incisivas que contradizem a versão do personagem público absenteísta e mesmo indiferente aos acontecimentos. No dia 24 de março de 1862 Machado de Assis bate duro no governo que levantava notícias falsas de uma revolta liberal. Seria aquilo que hoje se chama, por modismo, de fake news , como se isso não fosse parte do dia-a-dia político brasileiro desde o império, ou factoide, se preferirem. Apontando a absoluta falta de fontes e ainda no uso de uma apreensão de rotina de pólvora numa fabriqueta de fósforos, Machado de Assis não mede palavras: Insisto na minha apreciação: o ministério estéril, tacanho, rameraneiro, como é, busca a confiança imperial na prevenção de revoltas imaginárias. E o jogo é bonito e fino. Passando, como há de passar, o dia 25 sem demonstração alguma, é ao terror...

Leituras da semana

1. Crônicas de um jovem Machado de Assis: Impressiona a contundência dos comentários políticos, particularmente com os Conservadores então no poder. A ironia de Machado frequentemente deságua em ácido sarcasmo quando se refere a distribuição de prêmios e mordomias a nulidades no governo e no parlamento: O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco. A sátira de Swift nas suas engenhosas viagens cabe-nos perfeitamente. No que respeita à política nada temos a invejar ao reino de Liliput. (142) Impressiona também o relativo convencionalismo dos comentários sobre teatro e mesmo sobre outros eventos culturais do Rio de Janeiro de 1861. Apesar desse relativo convencionalismo que elogia o quão bem feito esse ou aquele aspecto de uma peça lhe pareceu, me chamou a atenção a defesa que Machado de Assis faz do apoio governamental ao teatro com a criação de uma Escola Normal de Teatro. Nos seus comentários da s...