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Obituário - Elza Soares

Elza Soares em 1960 gravou um samba antigo de 1938, que tinha sido gravado por Aracy de Almeida. A gravação abre "A Bossa Negra", na qual a cantora canta sambas com arranjos modernos com metais e brinca de quando em quando com o scatting do jazz americano. O refrão anuncia: " Ai, ai, meu Deus, Tenha pena de mim! Todos vivem muito bem Só eu que vivo assim: Trabalho e não tenho nada, Não saio do miserê. Ai, ai, meu Deus! Isso é pra lá de sofrer."  Seu reconhecimento maior demorou quase 50 anos. Mas ainda bem que veio antes de Elza Soares morrer! A versão de Aracy de Almeida é linda, mas é mais lenta, mais delicada [o compacto inclui "Marido da Orgia", sobre a violência doméstica]: Elza Soares volta ao clássico no meio da onda da Bossa Nova impondo aquela combinação de vigor animado e afinação perfeita. Seu reconhecimento maior demorou quase 50 anos para acontecer.  Mas ainda bem que veio antes de Elza Soares morrer!
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A melhor banda dessa semana: Big Thief com "Not"

It's not the energy reeling, Nor the lines in your face, Nor the clouds on the ceiling, Nor the clouds in space. It's not the phone on the table, Nor the bed in the earth, Nor the bed in the stable, Nor your stable words. It's not the formless being, Nor the cry in the air, Nor the boy I'm seeing, With her long black hair. It's not the open weaving, Nor the furnace glow, Nor the blood of you bleeding, As you try to let go. It's not the room, Not beginning, Not the crowd, Not winning, Not the planet, Not spinning, Not a rouse, Not heat, Not the fire lapping up the creek, Not food, Not to eat. Not the meat of your thigh, Nor your spine tattoo, Nor your shimmery eye, Nor the wet of the dew. It's not the warm illusion, Nor the crack in the plate, Nor the breath of confusion, Nor the starkness of slate. It's not the room, Not beginning, Not the crowd, Not winning, Not the planet, Not spinning, Not a rouse, Not heat, Not the fire lapping up the creek, Not food

O que o barranco destruiu com a ajuda de governos omissos

Chamar de fatalidade ou de acidente a queda do barranco em Ouro Preto neste janeiro é muito enganoso. O barranco que destruiu o solar Baeta Neves estava condenado há pelo menos dez anos e ninguém fez nada para contê-lo. Só interditaram a ocupação do imóvel - e já é extraordinário que o tenham feito - e sentaram esperando pelo que acabou acontecendo.  O Brasil não tem desastres naturais como terremotos, tsunamis ou furacões como tantos outros lugares do mundo. Essas chuvas intensas são o normal em Minas Gerais todos os anos do período de dezembro e janeiro. O patrimônio de Ouro Preto sofreu essa perda por culpa de omissão dos governos. Não sei quem tem mais culpa, se o municipal, o estadual ou o federal. Espero que algum jornalista investigue, mas não sei se vai interessar a algum jornal apontar responsabilidades. Talvez baste a audiência com a filmagem impressionante do barranco devorando as casas em tempo real.  As fotos são do acervo pessoal do meu irmão Pedro da Luz Moreira.    

Música e adolescência - 5 princípios básicos

1. Perder tempo sem conta discutindo obsessivamente sobre música; 2. Dar a essas discussões sobre gosto musical o peso de questões de grande significado moral; 3. Considerar certos tipo de música não apenas piores, mas um "erro" que não deveria existir; 4. Quando mais "transgressor" o seu estilo preferido, mais cheio de regras rígidas; 5. Acreditar piamente que tudo o que é bom está necessariamente escondido em algum lugar muito marginal porque tudo o que é promovido por gravadoras é uma porcaria.  

O Paradigma da Honestidade é um Império da Lavagem de Dinheiro e da Sonegação de Impostos

 Delaware é o segundo menor estado dos Estados Unidos. Com uma população de 960.000 pessoas, Delaware tem 1.3 milhão de corporações. Praticamente a metade das corporações estadunidenses tem sede registrada lá. 68% das 500 maiores empresas. Como a questão das leis corporativas é estadual, Delaware não cobra imposto de renda das empresas que, apesar de instaladas por lá, não tem negócios no estado. Escândalos mundiais envolvendo bilhões de dólares, da Malasia ao Equador e Rússia contam com a participação de corporações do estado, ajudando picaretas de todos os tipos, da Goldman Sachs até a Odebrecht. As autoridades financeiras do Brasil decidiram que qualquer corporação financeira listada em Delaware está na sua lista negra, tal a má fama do estado. Já a especialidade da Dakota do Norte, com seus 760.000 habitantes, é outra. Lá os juros são liberados e as empresas de cartões de crédito operam de lá, depenando seus clientes que se endividam com taxas escorchantes. Além de abolir o conceit

Diário Visual de Babylon

Esse é o lago Thunderbird, antiga refúgio dos Shawnees alagado no começo dos anos 70. Dois irmãos Shawnees, líderes indígenas memoráveis, um de natureza espiritual e o outro de natureza política e militar. Tenskwatawa teve uma visão mística em 1805: os indígenas deveriam refutar a forma de vida dos brancos e fazer paz entre eles para enfrentar "os filhos do espírito do Mal". Tecumseh, que é nome de avenida aqui em Norman, ao defender uma união de todos os povos indígenas para enfrentar os Estados Unidos, declarou: "todos os homens vermelhos [red men] tem que se unir em reivindicar seu direito comum, igual à terra, como foi no começo e ainda deverá ser de novo; porque a terra nunca foi dividida, pois pertence a todos para o uso de cada um". Essa é entrada do novo museu aqui de  Oklahoma, o museu dos primeiros americanos [First American Museum], um acontecimento cultural e arquitetônico. As imagens de Tenskwatana e Tecumseh são do museu.  Aqui está a admissão pura e s

Literatura minimalista

 Mo Willems é um escritor/ilustrador dos Estados Unidos. Ele criou vários livros para crianças com uma dupla de amigos, Porquinho e Geraldo [um elefante]. Literatura de altíssima qualidade com um vocabulário de 40 palavras para crianças que são introduzidas à leitura. Uma maravilha de contenção e arte no texto e no traço [para um brasileiro] levemente sugestivo ao desenho do Ziraldo. Pouco mais do diálogo entre um elefante de óculos e um porquinho flutuando na página branca, o desenho segue a contenção do vocabulário, tirando o máximo do mínimo de linhas.  Entre os dois amigos tão diferentes uma amizade linda, destrambelhadamente cômica e cheia de ternuras e crises, no espírito anárquico da primeira infância. Medos, inseguranças, egoísmos e paixões da infância à flor da pele em pequenos dramas, para os adultos, desimportantes.  Lendo um artigo numa revista há uns anos atrás, descobri que Mo Willems não fala com os pais há uns 15 anos. Eles ameaçavam o jovem pretendente a artista: se el