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Poema meu

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Leituras: Doze pepitas de ouro nas cartas de Mário de Andrade pra Câmara Cascudo

Desenho de Anitta Malfatti 1. 1924: Uns imitam por incapacidade. Outros, para ensaiar asas. [32] 2. 1925: Não misturo amizade com valor. [37] 3. 1925: [sobre Oswald de Andrade] ... é o sujeito mais atabalhoado do mundo. Promete tudo de coração, se esquece e tem dez milhões de negócios complicadíssimos vai-se embora pra Europa sem a gente saber. [...] também ele é um pouco malabarista das vicissitudes. Brinca com elas e se diverte. [40-1] 4. 1926: [sobre Menotti del Picchia et caverna] "Esse homem está cada vez ficando mais pedante e como arranjou um grupinho de sequazes como ele deram pra patriotas por não poderem compreender a elevação de idea em que estamos alguns fazendo brasileirismo sem nacionalismo... [...] ... não me confundam com essa corja de nacionalisteiros de última hora que por aqui andam ganindo."[50] 5. 1926: [sobre Marinetti] Nunca me interessei pela obra dele que acho pau e besta porém esperava um sujeito vivo e mais interessante. Me deu a impressão dum sujei

Escrito meu: Seis proposições sobre a dor

Um carrapicho na grama 1. há um abismo intransponível  entre quem sente e quem não sente a dor e nunca conheci alguém mais solitário do que alguém sofrendo com a própria dor 2. sempre duvidam da dor do outro e preferem que o outro sofra em silêncio 3. a dor pode mentir quanto à sua causa e à sua casa  porque os sintomas não lêem os manuais de medicina e a dor se espraia por uma raiz comprida que vai da ponta dos pelos ao calabouço da mente 4. não há existência mais concreta  que a da eletricidade que descarrega a dor aguda  e a do torniquete que provoca a dor crônica  5. a dor aguda reduz o ser a um grito de um porco no talho de um punhal e a dor crônica é como uma infestação de ratos nas paredes podres da casa 6.  La lingua batte dove il dente duole

Poema meu - Sem Título

Subindo a Rua da Bahia em outra encarnação ir do pesadelo a uma experiência luminosa -  contra o silêncio contra o barulho -  de um futuro  que nunca existiu e uma liberdade que só diz não

Poema meu - Chuva

 

Música argentina: Liliana Herrero

Confesión del Viento   [Juan Falú / Roberto Yacomuzzi] El viento me confió cosas Que siempre llevo conmigo. Me dijo que recordaba: Un barrilete y tres niños, [barrilete: pipa, papagaio] Que el sauce estaba muy débil,     [sauce: salgueiro] Que en realidad él no quiso, Que fue uno de esos días Que todo es un estropicio. Me dijo que los pichones [pichón: pombo] A veces de apresurados Caen al suelo indefensos Y él no consigue evitarlo. Me habló de arenas de agosto, De cartas de enamorados, Del humo en las chimeneas, Del fuego abrazando el árbol. Iba quebrado de culpa Y seguía confesando En su lomo de distancias [lomo: lombo] No cabalgaba ni un pájaro. Era un fantasma ese viento, Un alma en pena penando Y en ese telar de angustias [telar=tear para fazer tecido] Tejió sus babas el diablo.  ["os babados do diabo", as teias de aranha quase soltas ao vento] Me dijo que recordaba, Que en realidad él no quiso. A veces de apresurados... Un barrilete y tres niños... Me habló de arenas al