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Edgar Morin

Desenho Meu Mistério  [Edgar Morin] A Realidade se esconde atrás de nossas realidades.  O espírito humano se encontra às portas do Mistério.   

Minhas leituras: Os anos de Annie Ernaux

Acabei de ler o livro ao lado, de uma das memorialistas mais reconhecidas hoje em dia na França. Nunca vi alguém escrever uma prosa assim - uma pena eu não ter tempo de ler em francês - misturando o pessoal e a história do seu país/geração tão consistentemente. Isso porque ela evita o uso da primeira pessoa no livro. A protagonista é ou "ela" ou um impessoal "a gente" [o "on" do francês], que é traduzido frequentemente na voz passiva em inglês.   Os anos é estranhamente pessoal/específico e impessoal/vago ao mesmo tempo. Para mim, é a radiografia do apodrecimento da França [e da Europa] no consumismo totalitário que invadiu todos os espaços da existência e vou invadindo o mundo inteiro. Mas é também uma radiografia desse novo complexo de superioridade da Europa com relação ao resto do mundo, apagando as burradas e loucuras das guerras mundiais e renovando o racismo que levantou Le Pens e suas versões atenuadas [como Sarkozy, por exemplo].

Obituário: Manu Dibango

100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial

“(...) the old 19 th century doctrines –  Romantic humanism, liberal individualism,  dreams of social progress –  had all failed to survive the Somme ”.  [Figures of Dissent, 79] “[…] as velhas doutrinas do século xix –  o humanismo romântico, o individualismo liberal,  os sonhos de progresso social – f oram todos incapazes de sobreviver ao Somme ”. Amanhã comemora-se 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial. A batalha de Somme, que começou no verão de 1916, consumiu quase 20.000 soldados britânicos apenas no seu primeiro dia. Depois de quatro meses 300.000 pessoas morreram num batalha que resultou, em alguns pontos da linha que dividia os dois lados, num avanço de no máximo 5 milhas na posição das trincheiras. A escala é tão monumental que os seres humanos chafurdados na lama do Somme viraram insetos insignificantes. A carnificina fútil da Batalha de Somme é símbolo da Primeira Guerra Mundial, resu...

O dia em que o terrorismo nasceu

Adoramos imaginar nascimentos e mortes para as coisas da cultura, encontrar ali na linha do tempo na num momento certo o aparecimento de uma novidade ou o desaparecimento do passado na história. Na verdade a cultura é sempre coletiva e as coisas dela nunca propriamente terminam nem começam. Imaginemos, mesmo assim. 22 de abril de 1915, começa a segunda série de batalhas entre forças francesas/britânicas e alemãs pelo controle da cidade de Ypres na Bélgica, perto da França. No ano interior já 100 mil soldados dos dois lados tinham morrido futilmente disputando o mesmo lugar na mesma fronteira. Dessa segunda vez as forças alemãs inovam e lançam de seus aviões cloro em gás para forçar o inimigo para fora das suas trincheiras. Mais ou menos seis mil soldados franceses, marroquinos e argelinos morreram por causa do gás ou na carnificina que se seguiu no campo de batalha. Os inimigos dos alemães não demorariam muito em também usar o mesmo expediente de guerra: gases venenosos lançado...