Anne Enright é uma escritora irlandesa contemporânea e não deve nada aos grandes escritores dessa tradição tão rica e tão viva da lingua inglesa. Li uma série curta de ensaios dela que ela escreveu sob o impacto da gravidez e do nascimento da sua primeira filha. A série chamada Babies [na verdade fragmentos de um livro dela chamado Making Babiesi ] me tocou profundamente pela maneira sensível e ao mesmo tempo avessa aos clichês cafonas ou engraçadinhos que costumam proliferar nesse tipo de texto sobre paternidade. Abro um parêntesis necessário. Meu convívio com pessoas que optaram por não ter filhos foi muito positivo para me alertar sobre a tolice de sair empilhando superlativos para descrever uma experiência pessoal e intransferível, falsificando uma ideia de que a paternidade é boa para todo mundo em qualquer situação o tempo todo. Claro que isso não impede que alguém escreva sobre suas experiências e consiga compartilhá-las sem fazer cabotinismo. Não se trata de qualquer tipo de ...
Basicamente, mas não exclusivamente literatura: prosa e poesia.