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Showing posts with the label Augusto Monterroso

Commonplace Book 2

"A cada ano que passa eu espero que minha morte venha com o próximo, e até agora eu tenho me decepcionado mas eu não perco essa esperança, que é a única que me resta." John Berryman [que acabou se suicidando] "... um das coisas mais significativas sobre nós talvez seja o fato de que todos começamos com o equipamento natural para viver mil tipos diferentes de vida mas terminamos tendo vivido apenas uma no fim." Clifford Geertz "Nós vamos ser limitados a contar os mesmos tipos de histórias para sempre? Dados a violência e o poder que traçou esses limites, por que teríamos que ser fiéis a esses limites? Por que teríamos que respeitar isso?" Saidiya Hartman "... o conhecimento não se adquire através das palavras, mas pela carne." Alejandro Jodorowsky "A biblioteca era tão pobre que só contava com bons livros." Augusto Monterroso "Eu sei que nós somos o povo escolhido, mas será que não dava para Você escolher um outro de vez em quando?...

Sobre a importância de não-saber e a escrita de contos

Desenho meu:  "A verdade é que ninguém sabe como deve ser um conto. O escritor que o sabe é um mau contista, e no segundo conto já se nota que ele sabe, e então tudo soa falso e aborrecido e fuleiro. Há que ser muito sábio para não se deixar tentar pelo saber e a segurança." Trecho de Augusto Monterroso em "La mano de Onetti"

Decálogo del escritor - Augusto monterroso

Decálogo del escritor Augusto Monterroso Primero. Cuando tengas algo que decir, dilo; cuando no, también. Escribe siempre. Segundo. No escribas nunca para tus contemporáneos, ni mucho menos, como hacen tantos, para tus antepasados. Hazlo para la posteridad, en la cual sin duda serás famoso, pues es bien sabido que la posteridad siempre hace justicia. Tercero. En ninguna circunstancia olvides el célebre díctum: “En literatura no hay nada escrito”. Cuarto. Lo que puedas decir con cien palabras dilo con cien palabras; lo que con una, con una. No emplees nunca el término medio; así, jamás escribas nada con cincuenta palabras. Quinto. Aunque no lo parezca, escribir es un arte; ser escritor es ser un artista, como el artista del trapecio, o el luchador por antonomasia, que es el que lucha con el lenguaje; para esta lucha ejercítate de día y de noche. Sexto. Aprovecha todas las desventajas, como el insomnio, la prisión, o la pobreza; el primero hizo a Baudelaire, la segunda a...

Traduzindo Augusto Monterroso

  Jan de Bray (1627-1697) Ulisses e Penélope O tecido de Penélope ou quem engana a quem Augusto Monterroso   Há muitos anos atrás vivia na Grécia um homem chamado Ulisses que, apesar de ser bastante sábio, era também muito astuto. Ulisses era casado com Penélope, mulher bela e singularmente dotada cujo único defeito era sua desmedida afeição por tecer, costume graças ao qual conseguia passar longas temporadas sozinha. Diz a lenda que cada vez que o astucioso Ulises observava que, apesar de suas proibições, Penélope se preparava para começar outro de seus intermináveis tecidos, podia-se vê-lo à noite arrumando às escondidas suas botas e uma boa barca até que, sem dizer nada à sua esposa, ele saía a percorrer o mundo em busca de si mesmo. Dessa forma ela conseguia mantê-lo longe enquanto flertava com seus pretendentes, fazendo com que eles acreditassem que ela tecia enquanto Ulisses viajava, quando, na verdade, Ulisses viajava enquant...

Traduzindo: "Cavalo Imaginando Deus" de Augusto Monterroso

--> Cavalo Imaginando Deus Augusto Monterroso Digam o que for, a ideia de um céu habitado por Cavalos e presidido por um Deus com aparência equina é um atentado ao bom gosto e à logica mais elementar, raciocinava outro   dia o Cavalo. Todo mundo sabe – continuava em seu raciocínio – que se nós Cavalos fóssemos capazes de imaginar Deus o imaginaríamos na forma de um Cavaleiro.  [ Lauro Marques fez uma tradução um pouquinho diferente para a revista Bula em 2008.]