Sinceramente personalizar a natureza é um ato grosseiro de vaidade humana, comparável com aquele velho hábito de personalizar os Deuses. A natureza (ou deus, se você preferir) não é uma pessoa e não precisa atuar de acordo com parâmetros humanos de necessidade e satisfação. Acabei de ler, por necessidade de trabalho, o livro Verde brillante: Sensibilità e intelligenza del mondo vegetale de Alessandra Viola e Stefano Mancuso. Interessantíssimo o assunto, mas a linguagem do livro está cheia desse vício de linguagem. A natureza personalizada que Viola e Mancuso imaginam atua como um executivo de uma empresa, seguindo a cartilha neoliberal de cortar gastos inúteis e aumentar a produtividade, em busca de agradar a um suposto código de leis que eles chamam de Evolução, mas que sinceramente parecem os mandamentos do Senhor Mercado.
Basicamente, mas não exclusivamente literatura: prosa e poesia.