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Showing posts with the label Rir Para Não Chorar

O que podemos reconhecer e aprender com o cruel mundo dos palhaços

O mundo dos palhaços não é um nunca mundo gentil e pacífico. Na base das relações entre os diversos palhaços [cada um executando a sua função específica no picadeiro] frequentemente aparece a questão do subjugamento violento de um ser humano por outro e também da instabilidade precária nessa relação de dominação, já que o dominado pode de repente levantar-se e transformar-se no dominador. Tudo no mundo dos palhaços é mediado pela lógica da caricatura, do exagero, mas uma vez que se compreenda que se trata de uma convenção grotesca, a crueldade constante do mundo do picadeiro fica clara. No seu manual mínimo do ator, Dario Fo explica que todos os palhaços "lidam com o mesmo problema, com a fome: fome de comida, fome de sexo, mas também fome de dignidade, de identidade, fome de poder" [ I clown, come i giullari e i «comici», trattano sempre dello stesso problema, della fame: fame di cibo, fame di sesso, ma anche fame di dignità, di identità, fame di potere ...

Burrice e fascismo ou esperteza e fundamentalismo?

Li há pouco tempo um artigo de Eliane Brum sobre a suposta “burrice” nacional , em parte uma resenha bastante positiva do livro de Márcia Tilburi Como conversar com um fascista – reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro . Achei interessante e gostaria mesmo de ler o livro quando puder, mas tenho objeções com o uso de termos como burrice e fascismo. Tenho muita simpatia por tudo o que ela disse, mas acho que chamar o que está acontecendo no Brasil de resultado de "burrice" ou até mesmo de "fascismo" pode ser tentador mas, em última instância, é dar um rótulo meio fácil e antigo a um fenômeno bem mais complexo. Burrice é um termo que subtrai do burro a responsabilidade pelo que diz ou faz, já que o que fala e age é a falta de conhecimento ou de capacidade cognitiva do pobre coitado. Há muita esperteza nessa tal burrice que trata de garantir um debate-boca sempre curto e grosso em torno das mesmas cortinas de fumaça [kit-gay, foro de s...

Prosa minha: Certificado de Impunidade®

Certificado de Impunidade ® “Nós não medimos nem pesamos esforços no sentido de promover um ambiente o mais propício possível ao desenvolvimento aqui do nosso município. É justamente com esse intuito que temos lançado uma série de políticas públicas e medidas administrativas para simplificar, agilizar, otimizar e desburocratizar os nossos processos, sempre priorizando a eficiência e a transparência em um ambiente propício ao fomento dos mais diversos empreendimentos, buscando uma máxima diversificação dentro das nossas potencialidades e das nossas vocações naturais. E agora, embuídos desse espírito, estamos aqui hoje para anunciar que a administração municipal do prefeito Lair Lara e da vice-prefeita Santuza Vasconcelos mais uma vez sai na frente e tem o orgulho de ser a pioneira na aplicação de uma idéia que, com toda a certeza, logo se espalhará por todo o país: o Certificado de Impunidade®. Como quase todas as grandes idéias que vêm para mudar, o nosso ...

Aventuras no lixão e desvarios da imaginacão

1. Ando trabalhando demais, num ritmo intenso, conjugando umas poucas horas dedicadas ao meu ofício propriamente dito e umas muitas e longas horas dedicadas a coisas chatérrimas que meu ofício agora parece exigir de mim. 2. Para respirar assisti há dois dias atrás a um episódio de uma série americana dessas famosas. Um lixo. Como McDonald's é um lixo. Um lixo que eu, de vez em quando, me permito consumir. Clarice Lispector declarou uma vez num texto curtinho, com aquela ironia séria e intensa dela, que tinha hora para tudo e que aquela era hora de lixo. Pois então. Vamos ao lixão. Com parcimônia, sem passar lá todos os dias. Mas vamos. 3. Caso policial de assassinato envolvendo múltiplas gangues em Washington DC. Uma era de negros com cara de malvado, uma de chineses com cara de malvado, uma de russos com cara de malvado e uma de latinos com cara de malvado. Duzentos profissionais altamente qualificados trabalhando sem medir horas extras ou equipamento de alta tecnologia na i...

Relembrando um passado interessante sem o menor saudosismo

Detesto o clichê retórico da nostalgia e da desilusão que acompanha o tipo de comparação que é feita frequentemente entre os bons tempos a época de ouro e a decadência cultural de hoje em dia. Não é essa a minha intenção com essa rápida lista tirada da minha cabeça sem grandes ambições de coisas que foram feitas no período entre 1945 e 1964 no Brasil: Rio 40 Graus e Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos O cangaceiro de Lima Barreto Nem Sansão, nem Dalila e Matar ou Correr de Carlos Manga, Oscarito e Grande Otelo no segundo O Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento O Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues O Teatro Arena e Augusto Boal O projeto e construção de Brasília de Lúcio Costa, Niemeyer e JK O projeto e construção da Cruzada São Sebastião no Rio de Janeiro A criação da Petrobrás por Getúlio Vargas A criação do Instituto de Estudos Brasileiros [ISEB] Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado Visão do Paraíso e a versão revisada de Raízes do Brasi...

São Joaquim de Bicas, miniatura do Brasil

Carlinhos da Funerária De acordo com o ministério público os vereadores de São Joaquim de Bicas Carlinhos da Funerária (PSB), Marcão (PT) e Nenem da Horta (PMDB), além de Fabinho do Bar (PSDB), Niltinho (PPS) e Balança (PMDB) recebam 1.2 milhão em propinas para avacalhar com o plano diretor da cidade. Na casa de Carlinhos da Funerária e de Fabinho do Bar também foram encontrados revólveres e munição não registrados – curiosamente os dois [601 e 581 votos respectivamente] são os campeões do voto para vereador na cidade. Os outros quatro tiveram as seguintes votações: Niltinho 361 votos Marcão 345 votos Balança 325 votos [era suplente] Carlinhos da Funerária 301 votos Marcão Já sei que os petistas vão apontar o dedo para o Fabinho do Bar e Niltinho e os Tucanos contra-atacarão citando Marcão como um típico “petralha” e seu acólito Carlinhos da Funerária [será que ele apoiou a Marina?] de esquerdopata corrupto. Ambos os lados também vão chamar a atenção para a presença ...

O "sistema não-se-sabe" e os engraçadinhos

Noor Berham começou em 2007 a tirar fotografias depois de ataques com aviões não tripulados [drones] no Paquistão. Entre 2007 e 2014 ele documentou aproximadamente 100 locais que sofreram bombardeios desse tipo na província onde ele vive, o Waziristão do Norte. Logo que sabia da notícia de um novo ataque, Berham tentava chegar o mais rápido possível ao local do acontecimento e documentar tudo. Quando disseram a ele que se ele tirasse fotos de vítimas que fossem homens barbudos e cabeludos, mesmo que eles fossem verdureiros ou vendedores de pastel, suas imagens seriam usadas para apontar a morte de militantes muçulmanos perigosos, Berham decidiu centrar foco nas vítimas que fossem crianças. Os drones não precisam de pilotos e por isso não precisam ser operados pela força aérea dos Estados Unidos. São responsabilidade da CIA, uma instituição que facilmente não precisa dar satisfação de nada a ninguém. Desde a primeira Guerra do Iraque que a mídia dos Estados Unidos [e por tabe...

Explicando o colonialismo

Passado e presente, vida e arte no Grande Sertão: Veredas [parte 4]

Pois bem: “Seo Giovanni” foi condenado em 2012 a pagar R$6.000 por danos ambientais com o assoreamento do rio Abaeté [possivelmente para exercer a mais tradicional das atividades do estado, a mineração, eu diria] [http://www.otempo.com.br/cidades/feam-aponta-irregularidades-na-minera%C3%A7%C3%A3o-no-rio-abaet%C3%A9-1.327086]. Ele também foi condenado a um ano e dois meses de detenção mas, no dizer dajuíza do caso , “Seo Giovanni” é gente de bem e não merece isso: Considerando que o crime não foi praticado mediante violência ou grave ameaça, tendo em conta a primariedade do réu, a culpabilidade da infração, os antecedentes imaculados, a conduta social favorável e sua personalidade, a qual, a princípio, não demonstra periculosidade, atentando-se ainda para a suficiência da medida diante dos motivos e circunstâncias, substituo a pena privativa de liberdade … Nosso Seo Habão do século XXI não ficou de todo impune pelo assoreamento do rio Abaeté: ele tem que prestar por nove mese...