João Adolfo Hansen dando um pouco de rigor ao renascimento de Gregório de Matos no Brasil a partir do fim dos anos 60 em trecho do seu livro Sátira e Engenho (1989), criticando o que ele chama de "anacronismo de noções interessadas":
Categorias como “pessimismo”, “ressentimento”, “plágio”, “imoralidade”, “realismo”, “oposição nativista crítica”, “antropofagia”, “libertinagem”, “revolução”, que vêm sendo aplicadas por várias críticas desde o século XIX aos poemas dittos da autoria de Gregório de Matos, podem ter algum valor metafórico de descrição de um efeito particular de sentido produzido pela recepção. Não dão conta historicamente, contudo, do seu funcionamento como prática discursivo de uma época que, desde a obra de Heinrich Wölfflin, o século XX constitui neokantianamente como “barroca”: como categorias analíticas, são apropriadas antes para o desejo e o interesse do lugar institucional da apropriação do que propriamente para o objeto dela. (33)
Em outras palavras, aquilo que se apresenta como resgate frequentemente se afigura como sequestro do passado.
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