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Luz, más luz!

Es terrible Pero Cada día Son más claros Los intereses Más oscuros Esse poema de Efraín Huerta parece ter sido feito na medida para esse momento da política brasileira. Chama-se "Luz, más luz"

Entendendo Bob Dylan

Muitas canções de Bob Dylan, como muitas de Chico Buarque, usam com destreza e fidelidade uma forma de canção popular bem fixada e tradicional [neste caso, o blues] e integra nessa canção uma letra circular, que roda e roda batendo basicamente na mesma tecla, mas cada vez de um jeito diferente. Acho que é por isso que, para quem não entende ou não presta atenção à letra, os dois parecem meio anacrônicos. Everything Is Broken Bob Dylan Broken lines, broken strings Broken threads, broken springs Broken idols, broken heads People sleeping in broken beds Ain’t no use jiving Ain’t no use joking Everything is broken Broken bottles, broken plates Broken switches, broken gates Broken dishes, broken parts Streets are filled with broken hearts Broken words never meant to be spoken Everything is broken Seem like every time you stop and turn around Something else just hit the ground Broken cutters, broken saws Broken buckles, broken laws Broken ...

Fernando Pessoa e Lima Barreto - Ser outro, ser decadente

João Villaverde [http://joaovillaverde.blogspot.com/] postou no seu blogue o seguinte trecho de Cemitério dos Vivos/Diário do Hospício de Lima Barreto: “Arrependo-me de tudo, de não ter sido um outro, de não seguir os caminhos batidos e esperar que eu tivesse sucesso, onde todos fracassaram. Tenho orgulho de me ter esforçado muito para realizar o meu ideal; mas me aborrece não ter sabido concomitantemente arranjar dinheiro ou posições rendosas que me fizessem respeitar. Sonhei Spinoza, mas não tive força para realizar a vida dele; sonhei Dostoiésvski, mas me faltou a sua névoa.” Esse trecho me lembrou o Fernando Pessoa de "Livro do Desassossego" [http://fragmentosdodesassossego.blogspot.com/2005_12_01_archive.html]: Fragmento 1 – Autobiografia sem factos “Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido - sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para ...

Volcker, Scott Brown e as eleições no Brasil

[imagens: De um lado a cara de quem comeu e não gostou do Volcker depois que o remédio forte que ele receitava virou um cházinho ralo. Do outro o sorriso pimpão do galã Scott Brown, o homem que faz os bancos gemerem sem sentir dor.] Paul Volcker foi presidente do Banco Central americano até 1987, quando assumiu o ultra-liberal Greenspan, que muita gente, inclusive o próprio achava um gênio até 2008. Do alto dos seus 82 anos, o velho Volcker voltou aos holofotes para servir de conselheiro do presidente Obama no assunto da reforma do sistema financeiro e defendeu eloquentemente a separação entre bancos que tratam de consumidores como eu, você e o padeiro da esquina e as financeiras que passeiam pelas bolsas do mundo com os milhões que nem eu [e presumo nem você] vai ver na sua vida. Essa divisão entre bancos comerciais e especuladores financeiros vigorou desde a Grande Depressão nos anos 30 até 1999. Faça agora uma pausa e imagine os conservadores da época espumando de...

Piauí Herald

Piauí Herald é muito engraçado!

Música que fez minha cabeça

Eu era adolescente quando fui passar uma temporada na Inglaterra e conheci o ska/rock steady inglês, que me salvou do baixo astral deprê que sempre me atraiu para outras tipos de música. E, por outro lado, essas bandas não eram "alegrinhas" nem eram toscas como muito dos punks, que tocavam mal demais para o meu gosto. Durante muito tempo não queria outra coisa na minha vida que não tocar esse tipo de música 24 horas por dia. Passei 5 anos "estudando" arquitetura e não passei da metade do curso por "culpa" desses sujeitos que ninguém à minha volta conhecia. Gangsters Why must you record my phone calls? Are you planning a bootleg LP? Said you've been threatened by gangsters Now it's you, that's threatening me Can't fight corruption with con tricks They use the law to commit crime And I dread, dread to think what the future will bring When we're living in gangster time Don't call me scar face ...
CUARTA VEZ … y el cielo era una enorme mirada suspendida por el ruido sutil de los planetas. El avión delirante sacó al vuelo las cosas estupendas, y las cosas de la tierra y el mar vieron al cielo. La luz, rota en el ritmo de la hélice, humeaba de furor entre mis ojos y se oía pasar. Cual un cometa el avión en la órbita del día zumbaba en los oídos de la tierra. El fabuloso juego de los aires echó fuera del tiempo al avión que era un poco de catástrofe. Y era un nuevo sentido hecho de sol azul, un presentido desorden del recuerdo y del olvido. Una nube peinó de sombra suave la bahía, que alzaba en un peñasco un súbito pretexto del paisaje. Una alegría enorme, una alegría como la de las nubes y las olas me aumentaba en terrible sinfonía. Profundamente oblicuo, el aeroplano se retorcía y el paisaje entero era un acto glorioso de mis manos. Sin un solo re...
TERCERA VEZ Desde el avión, la orquestra panorámica de Río de Janeiro se escucha en mi corazón. Desde la cumbre del Corcovado hasta las olas de Copacabana, la dicha es una simple distancia que ha pasado borrando fechas próximas con sus manos plateadas. Ataré mi existencia sideral a la divina roca del Pao de Assucar que ve nacer la aurora antes que el agua mar. El mar de Río de Janeiro es una antigua barcarola que está aprendiendo la ola leve de mi pensamiento. Guanabara su nombre. Guanabara, como una estrella que se alargara sobre le ritmo del momento. Ciudad naval, tus avenidas de orohidrográficos prodigios anclan mis ojos en un aire de eternidades sin abismos. Tu mar y tu montaña - un puñadito de Andes y mil litros de Atlántico - , pasan bajo las alas del avión, como síntesis del continente amado. ...

Suite - Parte 2

SEGUNDA VEZ Lo que me importa el mundo desde de la sombra eléctrica de un aeroplano. - Soy un poco de sol desnudo libre de los pies y de las manos. Estoy, solamente, estoy, nada más. El cielo en mi frente cambiándome el mar. El motor que perfora el aire espeso Algo tiene de bólido y de toro. Pasamos muy cerca del queso de la luna matinal, leche y oro. Bajo las alas tensas, plásticas, la naturaleza es un proyecto aceptable, las mujeres nunca han sido románticas y la patria es continentizable. El mundo es una pobre cosa llena de gustos yanquis y consideraciones. Mas desde el aeroplano se medita en la Gloria de unir banderas y cantar canciones. Se ve hasta el Polo Sur. (Naturalmente, con los anteojos de mis ojos.) En el idioma quedan lo rápido y lo azul dominando un mapa incoloro. Abajo están las viudas y los juris...

Carlos Pellicer sobrevoa o Rio de Janeiro - em três partes

SUITE BRASILEIRA – Poemas aéreos A Francisco S. Espejel A Julián Nava Salinas PRIMERA VEZ Desde el avión, vi hacer piruetas a Río de Janeiro arriesgando el porvenir de sus puestas de sol. Se ponía de cabeza sin derramar su bahía. Y en la lotería de sus isletas ganaba y perdía. El cielo se llenaba de automóviles y de sombra a las 12 del día. El Pão de Açúcar era un espantapájaros soberbio, de lógica y fantasía. Las palmeras desnudas andaban de compras por la Rúa D'Ouvidor. De pronto la ciudad entró en espiral junto con el avión, lo mismo que 300 kilates de diamantes en el embudo de un buen corazón. Al bajar, tenía yo los ojos azules y agua de mar dentro del corazón.

Recordar é viver - O Fantasma de Filinto Müller

José Murilo de Carvalho nos informa que “a tortura de presos [durante o Estado Novo] foi investigada e descrita pelo jornalista David Nasser (1917-1980), inicialmente em seis reportagens publicadas na revista O Cruzeiro – a primeira delas em 29 de outubro de 1946 – e, depois, em livro de 1947. As publicações foram intituladas Falta alguém em Nuremberg. Esse alguém era o capitão do Exército Filinto Müller (1900-1973), chefe de Polícia da capital de 1933 e 1942. Os principais instrumentos de tortura mencionados em depoimentos no Congresso e registrados por David Nasser eram: o maçarico, que queimava e arrancava pedaços de carne; os ‘adelfis’, estiletes de madeira que eram enfiados por baixo das unhas; os ‘anjinhos’, espécie de alicate para apertar e esmagar testículos e pontas de seios; a ‘cadeira americana’, que não permitia que o preso dormisse; e a máscara de couro.” Em entrevista à Folha de São Paulo, Joel Silveira acrescenta, “A tortura no Brasil começou depois de 35, depois da repr...

Meu Pitado - Parte 4

IV Então você me pergunta: Porque não votar, por exemplo, no farmacêutico do meu bairro, um sujeito que eu conheço há anos, que nunca me deu troco errado, que nunca roubou nas partidas de dominó na praça e que ainda por cima é simpático e generoso, sempre oferecendo um pirulito ao meu filho quando vamos à farmácia? Antes de responder eu digo o seguinte: pense primeiro nas questões que te interessam mais: pode ser a aposentadoria, o SUS, a pena de morte, política econômica, educação primária, educação em geral, as quotas, a união das polícias civil e militar, a CPMF, o dinheiro do pré-sal, a busca de justiça contra torturadores, a criminalidade, o aborto, as drogas, o casamento entre homossexuais, as verbas para a cultura, os direitos autorais, a censura na internet, a duplicação da rodovia federal que liga Caxangá a Nossa Senhora de Não-me-toques ou seja lá o que o que for que realmente seja importante para você. Bom, e se o nosso farmacêutico honesto achar uma ótima ...

Meu Pitado - Parte 3

[ Imagens : à sua esquerda Washington Luís espana a casaca e faz cara de mau enquanto chama o MST de “ caso de polícia ” e à sua direita Carlos Lacerda faz biquinho contra o “mar de lama” e a “ república sindicalista ”. Ambos acabaram caindo do cavalo ...] Estamos longe do suficiente principalmente porque grande parte da conversa sobre política no Brasil é uma conversa pseudo- política , obcecada na realidade com a questão da honestidade pessoal . É claro que não tenho nada contra a fiscalização e a punição de casos de corrupção , mas no Brasil nós acabamos transformando a questão política em questão de polícia , reciclando de certa maneira o slogan nefasto de Washington Luís sobre a questão social nos anos 20. Transferida especificamente para as eleições para deputado e senador , essa preocupação udenista com a falta de honestidade dos deputados faz com que p...

Meu Pitado - Parte 2

[Imagem: poderes legislativo e executivo flagrados em pleno momento de simbiose.] II Mas aqui, no meu canto, eu queria me limitar a um só [que dividi em quatro partes para não cansar]: Numa democracia, o presidente indica uma certa direção mas o congresso com o qual ele vai governar DETERMINA até onde ele pode ir. Nos últimos 16 anos temos tido dois presidentes que foram acusados de safadeza, timidez, cara de pau, covardia, incompetência e por aí vai. Pouca gente pensa que tudo o que eles fizeram [e deixaram de fazer] traz a marca do congresso nacional com o qual eles governaram. E é bom que seja assim porque estamos em uma democracia e todos foram eleitos. Os debates, análises, conversas, piadas, chiliques e que tais na imprensa [e mesmo nos blogues] são quase que invariavelmente direcionados à eleição presidencial e fora algum artigo pitoresco sobre um candidato com propostas ou currículos esdrúxulos [às vezes os dois] fala-se muito pouco das eleições parlamentares....

Meu pitaco [em quatro partes]

[imagem: flagrante do debate em que Dilma e Serra brigam por um sorvete no pátio da escola e ameaçam polarizar as eleições.] I Enquanto os jornais brasileiros se esgoelam noticiando as pesquisas de opinião e mandando gravações dos candidatos para terem ser sorrisos analisados por “especialistas” [em sorrisos, não em política], a melhor discussão dessa eleição está acontecendo nos blogosfera. Na minha lista de favoritos, seis: Biscoito Fino e a massa, Guaciara, NPTO, Consenso só no paredão, Catatau e João Vilaverde. Em primeiro lugar neles você logo sabe o que os caras pensam – ninguém fica fingindo que todos os candidatos são iguais e que tanto faz quem vai vencer. E nem por isso deixa de haver muito espaço para informação útil, além da cobertura lesada que os jornais fazem da eleição. Em outras palavras nada de: “X fez comício ali, Y beijou criancinhas de colo acolá e Z deu entrevista na Associação dos Baleiros de BH” ou “X disse que Y é feia, Y disse que Z é um bobo e Z disse que...

Ironias da vida acadêmica, ou “também com o pai que eu tinha…”

O professor Marc Hauser é diretor do Laboratório de Evolução Cognitiva de Harvard, e se meteu em apuros por algo que a gente poderia chamar de “dopping acadêmico” – a própria universidade acaba de admitir que realmente a pesquisa de Hauser estava cheia de furos, digamos, “convenientes”, que levavam aos resultados que ele queria. A ironia é que o livro mais conhecido de Hauser chama-se “Moral Minds: How Nature Designed Our Universal Sense of Right and Wrong” [pode ver a ilustração para ver que não estou inventando]. A essa ironia some-se outra: o eminente professor está de licença, trabalhando num novo livro chamado “Evilicious: Why We Evolved a Taste for Being Bad”... Em face da farsa acadêmica no tal laboratório, os títulos dos dois livros parecem uma nova versão daquela história dos dois filhos do alcoólatra. Um deles também era alcoólatra e explicava: “também, com o pai que eu tinha…”. Enquanto isso o outro, que nunca tocava uma bebida, explicava sua abstinência dizendo, “também, co...

Nada ao mesmo tempo aqui e agora

[foto: Duane Hanson , Tourists II , 1988 , fibreglass and mixed media, with accessories] A mania de falar no celular o tempo todo e de tirar fotografias de tudo me parece sinais de uma incapacidade das pessoas de viver o lugar e o momento presentes. O sujeito está na rua conversando com a mulher que ficou em casa e ignorando o amigo logo ao lado ou está em casa conversando com o amigo que está na rua e ignorando a mulher sentada do outro lado da mesa de jantar. E vejo com frequência turistas que parecem mais preocupados em registrar rapidamente as coisas que "viram", quase que só pelo enquadramento estreito da tela da máquina, para então seguir enfrente [“pronto, já conheci o Central Park”] e registrar que “viu” muitas outras coisas "importantes", tirando literalmente duzentas fotografias que talvez nunca consigam ver.

UBU

[Imagem: "Auto-Retrato" de Francis Bacon] "A alma é um tique nervoso." Alfred Jarry

De volta a Lydia Davis

Eis o primeiro parágrafo de "The Sock", conto de Lydia Davis: "My husband is married to a different woman now, shorter than I am, about five feet tall, solidly built, and of course he looks taller than he used to and narrower, and his head looks smaller. Next to her I feel bony and akward and she is too short for me to look her in the eye, though I try to stand or sit at the right angle to do that. I once had a clear idea of the sort of woman he should marry when he married again, but none of his girlfriends was quite what I had in mind and this one least of all." Há quem acuse Lydia Davis de explorar detalhes da sua vida pessoal com Paul Auster, com quem ela foi casada de 74 a 78 e teve um filho. A narradora se separou e tem um filho com o ex-marido que vai se casar de novo, mas não há nomes nem detalhes específicos aqui. Como eu não sei nada além do fato de que eles foram casados, tiveram um filho e se separaram e não posso simplesmente tomar esse conto como fonte...

Última parte: la perra y los conejos en la granja

5. Os cronistas As canções populares que contam essa tragédia são chamadas no México de narcocorridos música feita e consumida por gente de origem humilde do norte do México. O governo e os guardiões da ordem e da moral os acusam de apologia ao crime, ainda que eles, em geral, simplesmente relatem histórias de personagens e eventos verídicos – se há heroísmo ele é de tom trágico mas que épico, porque na maioria das vezes o personagem principal termina morto ou preso. O corrido é uma adaptação da antiga tradição da balada, uma longa canção rimada e sem refrão que conta uma história e foi muito popular como forma de popularização dos grandes mitos da revolução mexicana. Já falei sobre o conjunto mais famoso desse tipo de música hoje em dia, Los Tigres del Norte. Eles fizeram um narcocorrido bem atípico, uma análise da crise atual que foge dos lugares comuns moralistas sob a forma de uma alegoria: Los Tigres Del Norte - La Granja - Awesome video clips here Granja: México La perra [a cach...