Skip to main content

Posts

Escavando notas 3: Machado Engajado e o México Ocupado

Como era comum no século XIX, quando se tratava de conclamar o público à ação política, usava-se a poesia. E o tema do conflito no México foi exposto ao público por Machado de Assis também em poesia, já no seu primeiro livro, Crisálidas . O poema é datado de 1862 [início da invasão das potências européias para punir o México, que se recusava a pagar sua dívida externa] e compara na epígrafe os mexicanos aos heróis gregos em luta desigual com os exércitos persas de Xerxes. O nome não poderia ser mais dramático: “Epitáfio do México.” Mas o defunto não é o fim da conversa: enquanto Machado lamenta que “ Contra a justiça, ó século, / Venceu a espada e o obus,” no fim do poema ele profetiza uma ressureição redentora: "E quando a voz fatídica Da santa liberdade Vier em dias prósperos Clamar à humanidade, Então revivo o México Da campa surgirá." Aqui entre nós não é por nada que a prosa do Machado é bem mais famosa que a sua...

Escavando notas: Machado de Assis engajado e México Invadido - Parte 2

“Amigo da Verdade” volta a carga com nova carta em 2 de abril [99-104]. Machado a publica, novamente na íntegra em 11 de abril, agora acompanhado apenas deste comentário: “Como se vê não temos que responder às apreciações históricas que o Amigo da Verdade faz nestas páginas. Em nossa opinião elas nada podem influir na seqüência dos fatos que deram em terra com a republica mexicana. Aguardamos entretanto o desenvolvimento da idéia do Amigo da Verdade , para dar-lhe uma resposta completa e definitiva.” Não houve tal resposta. O folhetim “Ao acaso’’ foi publicado, pela última vez, em 16/05/1865. (IM) E lá vem Benito Juárez dar um couro nos franceses...

Escavando notas: Machado Engajado e o México Ocupado - Parte 1

Maximiliano era primo de D. Pedro, o que não significa muita coisa. Afinal todo nobre europeu é primo! Felizmente o Brasil não se entusiasmou nada com a aventura do primo nas costas das tropas francesas. Um leitor que assina “Amigo da Verdade” escreve ao jornal criticando a crônica de Machado de Assis condenando a invasão do México por tropas francesas para instalar no poder o Arqueduque austríaco Maximiliano como Imperador do México no dia 21 de fevereiro de 1865 [Correspondencia 89-93] No dia 21 de março Machado responde. Destaco algumas passagens particularmente felizes: “… o Amigo da Verdade , referindo algumas frases nossas da revista de 21 do passado, repara que houvéssemos estranhado no discurso do Sr. D. Pedro Escandón [enviado diplomático do regime de Maximiliano] as expressões – recíprocos interesses – entre os dois impérios, – e a identificação de governo – entre os dois países.   Nossa resposta é simples. […] Em nossa opinião o im...

Às moscas: Um estágio difícil de alcançar

Às moscas: Um estágio difícil de alcançar : Pintura em cerâmica de minha autoria - foto dos queridos amigos Magda e Pawel "Os Feninos são impressionantemente selvagens e miser... Faz pouco que postei sobre o trecho final de Germania de Tácito, onde ele termina mencionando os Feninos, os mais selvagens de todos os povos selvagens nesse curioso livro de proto-etnografia, precursor de todos os  livros que os americanos andam escrevendo às pencas agorinha mesmo sobre o Afganistão. Pois bem, hoje, lendo um texto interessante de James Clifford sobre as identidades indígenas trombo com os Sámis, povo indígena que habita a Escandinávia. E parece que eles eram os tais Feninos de Tácito! 1900, uma família de Sámis James Clifford, entre outras coisas interessantes, diz isso aqui:

A revolta dos comediantes enlouquecidos [ma non troppo] ou rir para não pirar

" It's called the American Dream,because you have to be asleep to believe it." "un nuovo rinascimento..."   "vc está cansado de quem trambica? Vote no Tiririca."

Poesía mexicana: Duas Ipanemas

Assim viu o poeta Jaime García Terrés Ipanema num carnaval de 1951:   IPANEMA                                                                  El mar es una historia                                                   que llevo entre los ojos y la sombra                       ...

Poesia Mexicana: Kyn Taniya

Foto minha: Escultura do museu DeCordova Mi cabeza Luis Quintanilla Mi cabeza es una ave herida que ya no encuentra nido.             Mi cabeza,             pálida y rubia,             Rubia y rizada. Recuerdo aún cuando dormía sobre las blandas almohadas de una cama blanca y tranquila.             Hoy,             mi cabeza es un globo:             un globo sin rumbo             escapado de mis dedos. ¡Ah, si pudiese estar llena de vino como los focos de luz!             Cuánta poesía,...

Poesia minha

Detalhe de escultura do museu DeCordova em Massachussets A bandeira pendurada no mastro da sua casa Between the motion and the act falls the shadow “The Hollow Men” O que vejo quando olho a bandeira pendurada no mastro da sua casa não são as fronteiras, (essas cicatrizes visíveis, óbvias, intransponíveis, de guerras, saques e conquistas). O que vejo quando olho a bandeira pendurada no mastro da sua casa são forças sutis misteriosas, antigas, impregnadas desde a partilha das relíquias de reis e santos, desde o banquete dos timbiras. O que vejo quando olho a bandeira pendurada no mastro da sua casa são rios profundos subterrâneos de água escura, que sobem lentos às veias até nos turvar os olhos na frente embaçada do espelho. O que vejo quando olho a bandeira pendurada no mastro da sua casa são ventos que vem de dentro que nos separam e unem entre estranhos e estrangeiros e resistem ao v...

Fazendo auto-stream of consciousness

Vendo Sofie Gråbøl como Sarah Lund no drama policial Forbrydelsen, penso em como Fernanda Torres podia fazer coisas muito melhores do que essas comédias histéricas da Rede Bobo. Lendo uma entrevista penso comigo mesmo na diferença entre dizer que "de boas intenções o inferno está cheio" e citar Pascal dizendo que ”Nunca se faz tão perfeitamente  o mal como quando se faz de boa vontade”? Escutando Fiona Apple dizer num determindado momento em uma canção recente que "My teardrops seasoned every plate," eu penso no poder extraordinário que pode ter melodrama sincero, sem ironia engraçadinha. Meu irmão me lembra que fez um ano ontem que meu pai morreu. Me lembraram na terça que no dia 16, dia em que finalmente consegui pegar meu livro no correio, recebia ano passado a notícia da minha promoção, matéria mais importante do que parece, porque não ser promovido significava perder o emprego. Meu pai morreu quatro dias depois da minha promoção e eu não po...

Além de Messi

O sensacional Francella, daqueles comediantes que acerta no ponto tantas vezes. Essa é uma série ["Dia de Furia"] em que os pequenos desesperos da vida pequeno burguesa furam a bolha feliz do mundo como dos comerciais de televisão.

Dia dos namorados [em Babylon]

--> Come, sweet rain Frank O’Hara The blueness of the hour  when the spine stretches itself into a groan, then the golden cheek  on the dirty pillow, wrinkled by linen. Odor of lanolin, the flower pressed between thundering doubts of self,  cleaving fresh air through the week  and loading hearts to the millennium.  Go, sweet breath! come, sweet rain, bewildering as a tortoise  embracing the Indian ocean, predictable as a porpoise   diving upon his mate in cool   water which is not a pool. Amor também é cultura: esse é o lanolin, uma espécie de cera tirado das ovelhas. Minha esposa salvou-se de rachar a pele muitas vezes com um produto feito com ele. Tem cheiro... de cera de abelha sem cheiro de mel. Bewildering as a tortoise! Amor também é cultura: esse golfinho cabeçudo se chama [em inglês] Porpoise! Outro poema campeão, de Murilo Mendes, perfeito para o dia: ...

Escavando Notas: Refletindo sobre o melodrama com Peter Brooks

Se a histeria é uma forma de escrita corporal, no qual um afeto reprimido é representado no corpo e o melodrama é um impulso no sentido da dramatização, da intensificação e da expressão para uma dramaturgia da hipérbole, do excesso, da excitação, então a telenovela é um gênero histérico. A analogia não me satisfaz porque a histeria é um fenômeno que exclui a agência. A pessoa se comporta histericamente sem querer e o melodrama é uma composição ficcional que, tão planejada/espontânea como qualquer outra, envolve escolhas criativas. Esse negócio de histeria não esgota o que o melodrama quer fazer. Bacon Melodramatizando Velázquez? Uma solução para essa insuficiência e essa atitude superior do crítico com relação ao que ele estuda que eu acho lamentável, é complementar a idéia de um estilo histérico com outra maneira de abordar o melodrama, dizendo que o melodrama é um estilo que se recusa a proclamar a banalidade do dia-a-dia pequeno-burguês, insistindo no cidadão ordinário/comum ...

Jessica Pratt - Bushel Hyde

--> Bushel Hyde Jessica Pratt I am calling out to you from an older place. Words mean more than they did before in that older place In the time before us all There was a time before us all In the time before us all If you leave here you have better know which way you have better go Because you know which way the spirit goes Time was longer than when we were in that older place Wills were harder than ever then in that older place In the time above us all In the time below us all In the time between us all Since you left here you had better show which way does the spirit go Because you left you know which way it goes Desenho meu: Bushel Hyde

Telenovela para um elenco de 3 atores e meio

Três atores de quaquer sexo [X, Y e Z] Um carro Uma laje ou   casa noturna X manda Y preparar Z. X discute com Y. X fala para Y que Z e W não foram reconhecidos na casa noturna/laje. X manda uma mensagem para Y. X afirma a Y que Z é confiável. X ouve Y e Z falando sobre o bebê que estava no carro de W e desconfia. X se esconde na casa noturna/laje de Y. X exige que Y pague o dinheiro que Z roubou de W.  X manda Y investigar Z. X chega com Y na casa noturna/laje. X tenta mostrar as fotos de W e Z para Y. X chora abraçada a Y. X assiste à fita de segurança da casa noturna/laje de Y. X não atende ao telefonema de Y. X reclama de Y para Z. X mostra a Y as fotos que tirou dela com Z. X orienta Y a tentar reconhecer o homem que está com Z no carro. X leva Y de volta ao alojamento da casa noturna/laje. 

Acharam o esqueleto de Ricardo III

Acharam o esqueleto de Ricardo III. Eu me lembrei de Jeff Conboy, um querido amigo que eu descobri ter sido morto pelo câncer numa viagem recente à cidade, quando já não havia mais sombra dele na cidade. Jeff me introduziu a muitas maravilhas de Shakespeare em Belo Horizonte. Eis o trecho do começo da peça em que o rei vilão fala de si mesmo e do seu corpo disforme:   " But I, that am not shaped for sportive tricks, Nor made to court an amorous looking-glass; I, that am rudely stamp'd, and want love's majesty To strut before a wanton ambling nymph; I, that am curtail'd of this fair proportion, Cheated of feature by dissembling nature, Deformed, unfinish'd, sent before my time Into this breathing world, scarce half made up, And that so lamely and unfashionable That dogs bark at me as I halt by them; Why, I, in this weak piping time of peace, Have no delight to pass away the time, Unless to spy my shadow in the sun And descant on mine own deform...