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Poesia minha: A Escada do Tempo

Ilustração feita por Covarrubias a partir de imagens dos codices com imagens aztecas para o livro  Pueblo del Sol,  clássico de Alfonso Caso A ESCADA DO TEMPO          Não desça sozinho a escada do tempo:           leva a memória da ferrugem nas unhas, enxuga as mãos nessa toalha de sonhos que engole o sol burro de fim de janeiro e, na longa caminhada escada abaixo, deixa atrás toda sede de novidade e nostalgia. Uma réstia de onças cegas te come o tempo e te espera no caminho de volta. Ainda tens no bolso uma fração de eternidade, mas as asas do ouvido do caos sacodem o vento e anunciam outro banho de sangue e já não podes descer nem mais um tento. Enterra então num canto teu livro obscuro e espera os vermes limparem os dentes de aço do futuro que estala as juntas dessa gaiola-mundo. Espera. Lê nas paredes o céu e o inf...

Poesia minha: Poema Circular

Foto minha: Asa de Pedra Poema Circular  gente que caminha sem pernas e segue não sei como mas segue porque tem dentes para morder, porque tem olhos para ver e o couro duro de rasgar a crosta dura que cobre o doce açucarado dos sonhos velhos herdados de mães e avós e outros que eu tenho que esquecer porque a vida não é o que se vive mas o que se lembra e se conta para alguém que queira ouvir e eu não posso mais caber tanta dor e não há ninguém para ouvir porque minha língua está morta sou gente que caminha sem pernas e segue com dentes para morder e olhos para chorar e o couro duro de rasgar cicatrizes que sussuram um cheiro doce mãos açucaradas da menina que eu fui enchendo os pulmões de ar seco e frio da terra que já não há sem terra e sem língua o que resta é caminhar sem pernas respirar o vazio enxergar o escuro escutar o silêncio provar o cheiro e o sabor do nada rodar em falso abrir à força as comportas ...

"El último viaje del buque fantasma" de Gabriel García Márquez

Arte minha:Calavera El último viaje del buque fantasma GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ Ahora van a ver quién soy yo, se dijo, con su nuevo vozarrón de hombre, muchos años después de que viera por primera vez el trasatlántico inmenso, sin luces v sin ruidos, que una noche pasó frente al pueblo como un gran palacio deshabitado, más largo que todo el pueblo y mucho más alto que la torre de su iglesia, y siguió navegando en tinieblas hacia la ciudad colonial fortificada contra los bucaneros al otro lado de la bahía, con su antiguo puerto negrero y el faro giratorio cuyas lúgubres aspas de luz, cada quince segundos, transfiguraban el pueblo en un campamento lunar de casas fosforescentes y calles de desiertos volcánicos, y aunque él era entonces un niño sin vozarrón de hombre pero con permiso de su madre para escuchar hasta muy tarde en la playa las arpas nocturnas del viento, aún podía recordar como si lo estuviera viendo que el transatlántico desaparecía cuando la luz del faro le d...