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Música: Transmissor, diretamente de Belo Horizonte

Transmissor é uma banda pop tipicamente zona sul belohorizontina: bons músicos tocando com esmero não-exibicionista, certo apuro nos vocais de inflexão "doce", uma tendência à melancolia nas letras, composições "redondinhas" e uma atitude no palco que tende à timidez e ao laconismo. É pop despretensioso. Não é música complicada, não é música difícil. Sinceramente não exige muito do ouvinte, imagino, na maioria das canções. Por que é que não faz sucesso além de Belo Horizonte? Talvez um primeiro problema seja o fato de que em geral não é muito música para dançar, música de festa, de "balada" [oh, giriazinha ruim, viu?] - não é por nada que o Skank [oh, nomezinho infeliz, viu?] se escondeu atrás de reggae dancehall no começo da carreira. Talvez a música do Transmissor seja bem acabada demais, sei lá. No clipe abaixo eles revelam para quem não entendeu a grande influência dessas bandas todas: o Clube da Esquina de Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guede...

Hilda Hilst arrebentando tudo entre bonecas, raparigas, moças, mademoiselles

Bellmer, "Boneca" Trajetória Poética do Ser - Passeio Hilda Hilst 1 Não haverá um equívoco em tudo isso? O que será em verdade transparência Se a matéria que vê, é opacidade? Nesta manhã sou e não sou minha paisagem Terra e claridade se confundem E o que me vê Não sabe de si mesmo a sua imagem. E me sabendo quilha castigada de partidas Não quis meu canto em leveza e brando Mas para o vosso ouvido o verso breve Persistirá cantando. Leve, é o que diz a boca diminuta e douta. Serão leves as límpidas paredes Onde descansareis vosso caminho? Terra, tua leveza em minha mão. Um aroma te suspende e vens a mim Numas manhãs à procura de águas. E ainda revestida de vaidades, te sei. Eu mesma, sendo argila escolhida Revesti de sombra a minha verdade. Cartier Bresson, "Calle Cuauhtemoctzin" “Tocaram-me sim, meu pai tu me tocaste, a ponta dos dedos sobre as linhas da mão,_ o dedo médio sobre a linh...

Música: trilha sonora para tempos difíceis

Alex Rodríguez tomando uma dura com seu "zoot suit", tornado "ilegal" durante a segunda guerra. Estátua de Cuauhtémoc People of the Sun Rage Against the Machine Yeah people come up Yeah, we better turn tha bass up on this one Check it, since 1516 minds attacked and overseen Now crawl amidst the ruins of this empty dream Wit their borders and boots on top of us Pullin' knobs on the floor of their toxic metropolis But how you gonna get what you need ta get? Tha gut eaters, blood drenched get offensive like Tet Tha fifth sun sets get back reclaim Tha spirit of Cuahtemoc alive and untamed Now face tha funk now blastin' out ya speaker, on tha one Maya, Mexica That vulture came ta try and steal ya name But now you got a gun, yeah this is for the people of the sun It's comin' back around again! This is for the people of the sun! It's comin' back around again! Uh! Yeah, neva fo...

Um dia na vida de um pai com dois filhos ou se alguém dizer que uma "dona de casa" "não trabalha" saque seu rolo de amassar pastel e parta para o ataque

Não estou escrevendo aqui essa semana porque, ocupado com correções de trabalhos de alunos ao invés de pesquisa e escritura, não dá para colar e copiar nada pra cá. O resto do dia é o que eu descrevo aqui como um dia na vida de um pai "solteiro" [minha cara metade está numa residência nas estepes nevadas de Vermont, pertinho de Montreal]: 1. Acordar crianças para ir para a escola 2. Ajudar a mais nova a se vestir enquanto me visto 3. Preparar leite quente [1 minuto do microondas] com chocolate [2 colheres] e café [uma colherzinha para o mais velho] 4. Fazer duas torradas, passar manteiga e cortar queijo e ou presunto 5. Dar vitamina para os dois [dois gummy bears para cada] 6. Arrumar minha mochila e separar outras coisas para por no carro [bola de basquete, sacolas de kumon, etc] 7. Botar tudo no carro, ligá-lo e ligar o aquecimento 8. Voltar para casa, apressar o fim do café e escovamento dental 9. Meter todo mundo com capuzes, casacos, luvas e mochilas respecti...

Sobre sanidade e sexo com Sade e Rousseau e Sontag

Susan Sontag fazendo pose de inteligente Voltei, por força do meu trabalho, a um texto de 1967 de Susan Sontag chamado "The Pornographic Imagination". Não sou nenhum conhecedor profundo dela, mas gosto muito de Sontag e alguma lições fundamentais para o meu trabalho eu aprendi com ela, inclusive através de textos que ela escreveu para revistas de público amplo como resenhas para a The New Yorker . Em inglês "The Pornographic Imagination" pode ser lido em facsímile da revista Partisan Review aqui  e é possível encontrar online no scribd a versão que saiu na coleção de ensaios chamada Styles of Radical Will - em português A vontade Radical que saiu pela Companhia das Letras.  As obras de "pornografia literária" de Sade ou Bataille entre outros são o tema central do ensaio. Eu já tinha lido bastante Bataille - escrevi um artigo sobre ele e Faulkner que um dia hei de publicar um dia. Sade eu procurei ler um pouquinho por causa desse artigo. Chamou minh...