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Diário da Babilônia - Crônica de um Vietnã absurdo

--> O dia 7 outubro marcou o décimo-oitavo da guerra no Afeganistão. Os Estados Unidos já gastaram 850 bilhões de dólares na guerra. 750.000 pessoas foram mandadas pelas suas forças armadas para combater o aparentemente indestrutível Talibã. Pelo menos 150.000 pessoas foram mortas nos combates. Dezoito anos depois mais ou menos a metade do Afeganistão está sob controle do Talibã ou é disputado por ele. O governo oficial é uma quase ficção: metade do seu orçamento consiste de "doações" de governos estrangeiros, O Afeganistão tem 2 milhões e meio de pessoas expulsas das suas casas, inchando a capital Cabul, que triplicou de tamanho desde 2001. A guerra no Afeganistão dura dezoito anos e não gerou nada de útil para ninguém, a não ser que você ganhe dinheiro com armamentos e serviços diversos para sustentar a máquina de guerra. Um símbolo visual poderoso dessa futilidade absurda são as fotos da gigantesca base militar de Leatherneck, construída numa província ...

Pelé e a ditadura militar

“Não há ditadura militar no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós, e nos governam com tolerância e patriotismo. ” Trecho de entrevista dada por Pelé para o jornal La Opinión de Montevideo em 1972 Encontrável em artigo de Robert Levine chamado “Esporte e Sociedade: O caso do futebol Brasileiro” no livro Futebol e Cultura – Coletânea de Estudos.

Um telegrama

Quis trabalhar na universidade para continuar me educando a vida inteira e hoje me vejo cercado de ignorância acomodada por todos os lados. São jovens e não tão jovens que não sabem e nem querem saber de nada, na sua grande maioria. São burocratas que querem dar uma lápide que me diga como elogio "ele nunca atrasou um requerimento e sempre fez tudo em três vias". É um povo doente, penando com dores e mil e uma moléstias, bebendo veneno, comendo veneno, respirando veneno, absorvendo venenos por todos os buracos do corpo.  Não estou só cansado - estou exausto, completamente exaurido. Antes de dormir, envio da minha solidão, aqui nesse espaço desde sempre jogado às moscas, um telegrama em três atos:   Haja hoje para tanto ontem. Paulo Leminski Grafite-poema de Alex Vallauri "I have pulled myself free" PJ Harvey

Obituário: Francisco Toledo

Dia 5 de setembro de 2019 morreu Francisco Toledo, artista mexicano. Me marcaram um par de frases dele que encontrei numa revista dessas que se distribuem grátis na porta de livrarias: 1. "no hay tranca que evite que entre la muerte a la casa". 2. "Entre las cosas que me duelen como persona y pintor, está la próstata". Toledo fez um impressionante conjunto de sete "Cuadernos de la Mierda" e foi parte importante da vida cultural e política do México e de Oaxaca. Um artista ácido, político, preocupado com a expansão do milho transgênico, com a conversão do patrimônio do seu estado, com a invasão cultural de lixos como McDonald's em Oaxaca. Melhor deixar aqui uma entrevista de Carmen Aristegui a  Angélica Abelleyra sobre ele:

Bençãos e Maldições

Encontro lá nos confins da minha parca cultura clássica Germania , um livro fascinante que me deu a impressão de ser marcado pela dúvida. Os especialistas discutem até hoje se Tácito escreveu  Germania como argumento a favor ou contra a invasão e colonização da Germânia pelo Império Romano. Trago para cá dois momentos significativos para mim. 1. Descrevendo os atributos naturais da terra, Tácito diz o seguinte sobre a falta de prata e ouro naquelas terras além do império: Argentum et aurum propitiine an irati di negaverint dubito . Prata e ouro os deuses lhes negaram, não sei se por piedade ou por ira. Quando a Petrobrás descobriu reservas imensas de petróleo no chamado pré-sal, muitos brasileiros comemoraram. Seria uma imensa fonte de riqueza, o ouro negro, iria nos ajudar a expandir e impulsionar a educação de todos, marca de um desenvolvimento humano que deveria mas não costuma acompanhar o tão prezado crescimento econômico.  Depois disso tivemos um...

18 máximas que servem de norte ao meu novo livro

•We respond to material conditions with our imagination; •Imagination is grounded in material conditions; •Material conditions are shaped by imagination actualized in discourse; • We imagine our responses to material conditions before we actualize them ; • We think and act according to a conceptual system we also imagine; •We do not imagine things out of the blue, but from our experience and our language; •Our language and our conceptual systems are metaphorically grounded; •The analysis of metaphors provides us with the closest of readings ; •We do not have to stick all the time to close reading or contextualizing; •W e should be able to alternate between reading from up close and taking a few steps back to get a sense of context; •To think through metaphors is to think by analogy [explicit or implicit ]; •Analogies also set comparisons and contrasts between the old and the new; •New conditions and experiences demand that...