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Poema de José Emilio Pacheco

José Emilio Pacheco é um dos poetas mais importantes das letras em espanhol hoje em dia e um prosista maravilhoso também. Adoro esse seu poema, simples e contundente, em que ele reflete sobre a natureza por um viés, digamos, incomum, enxergando no mundo natural não um reflexo de harmonia e justiça, mas das misérias do mundo humano.





Los mares del sur
Felicidad de estar aquí en esta playa
aún sin Milton ni Sheraton.
Arena como al principio de la creación, victoria
de la existencia. Mira cómo salen
del cascarón las tortuguitas.

Observa cómo avanzan sobre la playa ardiente
hacia el mar que es la vida y nos dio la vida.
Prueba esta agua fresquísima del pozo.
No comeremos ni siquiera almejas
por no pensar en nada que recuerde la muerte.

Los paraísos duran un instante.

Llegan las aves, bajan en picada
y hacen vuelos raspantes y se elevan
con la presa en el pico: las tortugas
recién nacidas. Ya no son gaviotas:
es la Luftwaffe sobre Varsovia.

Con que angustia se arrastran hacia la orilla,
víctimas sin más culpa que haber nacido.
Diez entre mil alcanzarán la orilla.
Las demás serán devoradas.

Que otros llamen a esto de selección natural,
equilibrio de las especies.

Para mi es el horror del mundo.
Ciudad de la memoria, 1986-1989

Comments

Anonymous said…
Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now. Keep it up!
And according to this article, I totally agree with your opinion, but only this time! :)
Anonymous said…
last week our class held a similar discussion on this topic and you point out something we haven't covered yet, thanks.

- Laura

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