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Bubú capítulo 2

Atendendo a bilhões de pedidos agora deve ficar mais fácil registrar seus comentários online! Sheila e Walton E aí minha mãe apareceu de repente lá na casa da tia Sharon pra me buscar e todo mundo lá estranhou ela aparecer assim de repente. E ela chegou daquele jeito tão bem nervosa dela que tia Sharon deve de ter achado melhor nem perguntar nada e muito menos eu. Só o jeito que ela pegou assim no meu braço já deu pra sentir que o trem tava feio. Queria lembrar quem foi o burro que falou outro dia na televisão que perguntar não ofende – qualquer menino da minha idade e até bem mais novo sabe muito bem que isso é a maior mentira da paróquia e já provou na própria pele o preço salamargo de uma pergunta mal perguntada na hora errada. Eu por mim já apanhei mais do que eu dava conta na minha vida, então eu não sou retardado igual o Felixton meu colega de escola, que encheu tanto o saco da mãe dele que ele foi parar no hospital e anda por aí com a perna meio torta até hoje. Eu não gosto...

Uma novela - Bubú

Continuo na minha busca desesperada por leitores. Ainda não apelei para a pornografia, mas resolvi adotar o folhetim em capítulos para competir com as novelas das 5, 6, 7 e 8. Da Globo. Sheila e Bubú A cama do fé-da-puta do cachorro ficava na sala e era muito melhor que aquele colchão mofado que era mais um mofão acolchoado onde eu tinha que dormir naquele quartinho que nem armário tinha, que era abafado no verão e frio no inverno, praonde eu tinha que ir e ficar quando não tivesse fazendo algum serviço na casa ou no quintal. “Olha, Sheila, aqui em casa o sistema é assim: parou de trabalhar, terminou o serviço – você pode ir direto já pro seu quarto e se a gente precisar a gente te chama.” E a porcaria do cachorro lá, assistindo televisão enviado nas pernas da patroa, empestando o sofá todo de pelo, com aquele cheiro de cachorro. E então eu sabia que eles iam me despedir – a empregada da vizinha me disse que eles sempre despediam as empregadas depois de seis meses – e a porcaria do cac...

Uma gota de fenomenologia

Esse texto é uma homenagem aos milhares de livrinhos fininhos que se propõem a explicar em 50 páginas qualquer coisa, do Marxismo ao machismo e de Bakhtin a Bakunin: Uma gota de fenomenologia Uma coisa é a coisa que a gente vive nos ossos, nos nervos, na carne e na pele; aquilo que chega e esfria ou esquenta o sangue do caboclo. Outra coisa bem outra é assistir essa mesma coisa, mais ou menos de longe. Nem a mãe de um caboclo que passa fome sabe o que é passar fome do jeito que o caboclo que passa fome sabe. A mãe sabe outra coisa, que é o que é ser mãe de um caboclo que passa fome. Isso nem o caboclo sabe: o que ela sabe é dela só, diferente do caboclo e diferente do médico que recebe o tal caboclo e a mãe dele no hospital. O médico sabe da fome do cabloco de um outro jeito porque ele já ficou mais longe daquela fome um tanto mais que a mãe e outro tanto bem mais que o caboclo. O jeito que o médico sabe da fome daquele caboclo pode ser mais ou menos só dele ainda, mas isso só se ele p...

2 cachorros e meu recorde

Enquanto eu me aproximo cada vez mais (como se alguém pudesse se aproximar cada vez menos) de entrar para o Guiness Beer Book of Stupid Records como o dono do blog menos visitado desse mundo digital sem pai nem mãe, mais um texto, agora sobre cachorros com direito a epígrafe da venrável senhora woolf! woolf!: 2 cachorros Such conduct in a man even, in the year 1842, would have called for some excuse from a biographer; in a woman no excuse could have availed; her name must have been blotted in ignominy from the page. But the moral code of dogs, whether better or worse, is certainly different from ours, and there was nothing in Flush’s conduct in this respect that requires a veil now, or unfitted him for the society of the purest and the chastest in the land then. Virginia Woolf 10 de dezembro, 10.55 da manhã - Porcaria d cadela já vem me atrapalhar o banho d sol. Já ficamos os 2 trancados nessa porcaria de quintal c/ esse pedaçinho d corredor c/ nem bem 2 horas de sol p/ dia e ainda me ...

(Quase) glória da ciência nacional

Vamos mudar de registro para continuar furiosos: (Quase) glória da ciência nacional Já estavam quase aprendendo a viver quase sem comer quando, infelizmente, vieram a falecer, deixando para trás aqueles que, já quase aprendendo a viver quase sem qualquer desejo, acabaram, infelizmente, comprando com um revólver arrendado uma passagem (com escalas) ao Carandiru mais próximo onde, infelizmente, vieram também a falecer antes de aprender de novo a ser pobre sem trauma de pobreza, mas ...

Cadeia da Felicidade

Há muitos anos atrás o caderno de cultura pedante de um jornal pedante pediu a um monte de escritores (alguns também pedantes, outros não) para escrever um "contozito" (como diriam os portugueses) com o tema singelo de "felicidade". Inspirado por tanto pedantismo eu escrevi o meu "contozito": A Cadeia da Felicidade Ano passado Válter Disnêi inventou e patenteou um aspirador de pó que também pode ser usado como secador de cabelos ou ventilador/cortador de batatas. A fábrica de biscoitos Guarani resolveu produzir em série o aparato no formato transformer: forma de Elefante, Tamanduá ou Jibóia com um simples e rápido jogo de botões e alavancas móveis em cores e linhas arrojadas. A cadeia de lojas de departamento Pancrácio assinou contrato de exclusividade para a distribuição do produto em suas lojas em todo o país e no exterior usando o revolucionário sistema de embalagens KRAN111: caixas extremamente leves, feitas de resina transparente colorida e comestível...

Certificado de Impunidade

Um conto(?) antigo que de repente ficou novo de novo. Dedico esse texto ao Romeu Queiroz e aos seus padrinhos, Aecio Neves e Walfrido Maresguia. Certificado de Impunidade Nós não medimos esforços no sentido de promover um ambiente o mais propício possível ao desenvolvimento aqui do nosso município. É nesse sentido que temos lançado uma série de políticas públicas e medidas administrativas para simplificar, agilizar, otimizar e desburocratizar os processos, sempre priorizando a transparência em um ambiente propício ao fomento dos mais diversos empreendimentos, buscando uma máxima diversificação dentro das nossas potencialidades e das nossas vocações naturais. E agora estamos aqui para anunciar que a nossa prefeitura mais uma vez sai na frente e tem o orgulho de ser pioneira na aplicação de uma idéia que, com toda a certeza, logo se espalhará por todo o país: o Certificado de Impunidade®. Como quase todas as grandes idéias, nosso Certificado de Impunidade® surgiu de uma constatação muit...

Eu vivo em guerra

Eu vivo em guerra porque eu vivo para a literatura e a literatura não vale nada no mundo de hoje. Dou um exemplo: Lygia Fagundes Telles ganha o maior prêmio literário da língua portuguesa (que aliás vem de um país com população e PIB menores que a cidade de São Paulo) e um jornal dá a notícia na seção cultural com menos destaque que um livro de um sujeito que ganhou um programa de "realidade". Então eu vivo em guerra contra a futilidade, a idiotice, a caretice, a ignorância e a cultura de patota que faz com que algumas pessoas finjam ler e adorar o que outras fingem escrever. Será que eu sou o único? Como as pessoas incapazes de encontrar um companheiro vão mandar anúncios para os jornais e para a internet para encontrar alguém, eu resolvi mandar às favas o orgulho e assumir que em carne e osso não consigo encontrar ninguém que viva em guerra como eu - e viver em guerra sozinho faz mal para o coração, a cabeça e o estômago.