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Dinossauros

Hoje eu vou fazer diferente: nada de escrever tudo, depois revisar e aí depois postar no blogue. Hoje eu vou na lata. Tem dias em que baixa o desânimo e daí para o desespero é um pulo. Minha vida sempre foi marcada por esses longos períodos desde quando eu me lembro. Só fui diagnosticado e tratado como depressivo quando a crise chegou ao que nossa sociedade considera o único pecado imperdoável para um ser humano: quando eu não conseguia sair da cama e fazer dinheiro, há cinco anos. Um sofrimento para mim e para todo mundo que convivia comigo – minha esposa e meu filho. Um sofrimento que eu só consegui superar com a ajuda de remédios. Mas a coisa mais estúpida do mundo é pensar (como fazem muitas pessoas) que esse estado é uma doença que basta extirpar com uma boa dose disso ou daquilo no cérebro. Se o que eu tenho e tive todas as outras vezes é alguma coisa que chamam de depressão, posso afirmar: NINGUEM fica deprimido sozinho, independentemente do que se passa a sua volta. Sua tendênc...

De como a raiva bem articulada e bem dirigida pode dar em um bom poema

Coisa mais fácil no mundo de hoje é viver com raiva. Como diz um adesivo de carro daqui: "se você não está indignado, é por falta de informação." Mas indignação sozinha não faz poesia. Jaime Sabines sabia ter raiva e quando acertava a mão... acertava a mão: Cantemos al dinero Cantemos al dinero con el espíritu de la navidad cristiana. No hay nada más limpio que el dinero, ni más generoso, ni más fuerte. El dinero abre todas las puertas; es la llave de la vida jocunda, la vara del milagro, el instrumento de la resurrección. Te da lo necesario y lo innecesario el pan y la alegría. Si tu mujer está enferma puedes curarla, si es una bestia puedes pagar para que la maten. El dinero te lava las manos de la injusticia y el crimen, te aparta del trabajo, te absuelve de vivir. Puedes ser como eres con el dinero en la bolsa, el dinero es la libertad. Si quieres una mujer y otra y otra, cómpralas, si quieres una isla, cómprala, si quieres una multitud, cómprala. (Es el verbo más limpio ...

Crítica em pílula 1: Para quem acha que Guimaraes Rosa vivia no mundo da lua

Um trecho de Grande Sertão: Veredas para quem ainda acha que Guimarães Rosa só escrevia sobre flores e colibris ou a música das esferas (um completo equívoco): “E mandou amarrar o sujeito, sentar nele uma surra de peia. Atual, o cabra confessou: que tinha querido vir drede para trair, em empreita encobertada. Zé Bebelo apontou nos cachos dele a máuser: estampido que espatifa – as miolagens foram se grudar longe e perto.” (93) É um exemplo casual que não me custou cinco de minutos de busca. Não precisa procurar muito para encontrar vários outros, inclusive nos contos de todos os livros. Mas então porque é que tanta gente se surpreende quanto se fala de violência na ficção de Guimarães Rosa? Em minha opinião é só porque, ao contrário de uma legião de escritores brasileiros que andaram requentando uma literatura naturalista que o Machado espinafrava com gosto, Guimarães Rosa não gigolava a violência tão presente no Brasil (nas Américas todas) desde 1500 em busca de um efeito barato de cho...

Susan Sontag

Os últimos ensaios de Susan Sontag acabaram de sair em livro por aqui. Há quem ache por aqui que ela era essencialmente uma pessoa contraditória, que deu as boas vindas ao prazer e descontração da contra-cultura nos anos 60, mas acabou condenando o lixo cultural no fim da vida. Implicâncias com uma intelectual com coragem de dar a cara a tapa, na minha opinião. Querem ver a profunda coerência de Susan Sontag? Eis aqui uma montagem com o que parecem ser dois pedaços de uma mesma frase da mesma pessoa (a própria Susan Sontag). Eles estão separados por mais de trinta anos: Começa em 1968: “Vivo numa sociedade sem ética que embrutece a sensibilidade das pessoas e tolhe a capacidade de bondade da maioria delas…” Pouco antes de morrer em 2004: “… numa cultura comprometida com a unificação de todas as avarezas e ambições desmedidas, com o resto do planeta comendo no mesmo cocho de entrenimento e fantasias eróticas e violentas pasteurizadas.”

Efraín Huerta e a minha angústia canalizada para uma "Elegia a mulher barbada"

O poeta mexicano Efraín Huerta (um lado B magnífico para as suítes de rock progressivo do seu contemporâneo mais famoso, o "nobelado" Octavio Paz) disse quase tudo o que eu queria dizer sobre meus motivos para escrever em dois de seus poemínimos: Pues sí Hablando Se Enciende La Gente. Luz, más luz Es terrible Pero Cada día Son más claros Los intereses Más oscuros Mas será que adianta, Efraín? Resolvi escrever uma elegia, excelente maneira de desopilar o fígado cansado: Elegia à mulher barbada Logo abaixo dos bigodes da mulher barbada em pose fatal, em postas, os lábios vendem a boca. A boca rosada dessa fêmea peluda vende os alvos dentes, que vendem pasta de dente que, vermelha na ponta da escova, desce branca e espumante, alagando de creme a baía do estômago (que vende acidulantes e corrosivos artesanais orgânicos originais fascinantes) e depois sob...

WH AUDEN - 100 ANOS

Esse ano WH Auden faria cem anos. Ao invés do infalível poema de 4 casamentos e um funeral (Funeral Blues), preferi botar aqui uma das muitas frases de poeta do poeta: Your camera man might enjoy himself because my face looks like a wedding-cake left out in the rain. Seu fotógrafo pode se esbaldar porque minha cara parece um bolo de casamento abandonado na chuva.

A única vantagem de não ser lido por ninguém

Olá, eu mesmo! A única vantagem de não ser lido por ninguém é poder escrever qualquer coisa. Segue abaixo importante levantamento científico. Abs, Paulo Genealogia da involução em direção à truculência: As moças: - Gretchen: Usava mini-saia e cantava frase soltas em inglês, francês, espanhol e português, dançando e rebolando um traseiro avantajado. - Carla Peres: Usava shortinho e quase nunca cantava. Só dançava, rebolando incansavelmente o traseiro avantajado. - Tiazinha: Usava corpete, calcinha e meias. Já praticamente não tinha nome próprio. No início nem tentava cantar. Também não dançava. Só rebolava o traseiro avantajado, incansavelmente. - Feiticeira: Usava apenas um biquíni. Também já quase não tinha nome próprio. Nunca nem tentou cantar. Também não dançava. Só rebolava seu traseiro avantajado, incansavelmente. Todas elas sorriam muito. Os rapazes: - Sílvio Romero: Era estudioso e chutava a canela de Machado de Assis com uma botina de bico de aço, que ele achava ...

Carlos Pellicer sobrevoa o Rio de Janeiro

José Vasconcelos esteve no Brasil em 1921-22 em missão oficial do governo mexicano - quem quiser conferir algumas páginas de ficção científica não-intencional deveria ler o capítulo dedicado a essa viagem por Vasconcelos no famoso Raza Cósmica. Ficção científica à parte, um dos melhores poetas mexicanos - aficcionado por vôos acrobáticos - estava com Vasconcelos nessa viagem e escreveu um belíssimo poema "aéreo" sobre o Rio de Janeiro. Aqui está apenas a primeira parte dele: SUITE BRASILEIRA – Poemas aéreos A Francisco S. Espejel A Julián Nava Salinas PRIMERA VEZ Desde el avión, vi hacer piruetas a Río de Janeiro arriesgando el porvenir de sus puestas de sol. Se ponía de cabeza sin derramar su bahía. Y en la lotería de sus isletas ganaba y perdía. El cielo se llenaba de automóviles y de sombra a las 12 del día. El Pão de Açúcar era un espantapájaros soberbio, de lógica y fantasía. Las palmeras desnudas andaban de compras por la Rúa D'Ouvidor. De...

“Só no Brasil...”

“Só no Brasil...” Acho ridículo quando as pessoas acreditam no poder das palavras em alterar a realidade concreta. Recorro a um exemplo absurdo: crer que dizer coisas como “sou um sucesso” ou “tenho capacidade” dez ou quinze vezes em frente ao espelho do banheiro pela manhã pode transformar a vida de alguém. Um número surpreendente de pessoas ganha a vida vendendo esse tipo de enganação para uma legião de incautos que parecem querer acreditar nos poderes transcendentais da hipocrisia – coisas assim só reforçam a minha impressão de que a imbecilidade é mesmo uma epidemia de proporções assustadoras nos dias de hoje. Apesar disso, acredito que combater certos hábitos lingüísticos que poderíamos chamar de maneirismos ou vícios de linguagem poderia servir justamente à nobre causa da higiene mental. É por isso que proponho aos meus inumeráveis leitores que evitemos terminantemente de hoje em diante a locução “só mesmo no Brasil” e qualquer de suas variantes (“só no Brasil”, “só aqui mesmo” e...

Quem bate esquece, mas quem apanha, não

De uma forma bastante típica, escrevi mas esqueci de enviar esse conto para um concurso idiota que premiava a melhor história com uma televisão - quem sabe um dia não começarão a premiar diretores de televisão ou vencedoras de concurso de miss com livros? Passou o prazo, que fazer? Ah, esse conto que é 97.5% não-ficcional serve também como homenagem torta aos nossos muitos escritores que, neo-naturalistas em pleno século XXI, sonham em ser Rubem Fonseca ou pelo menos Patrícia Mello. Quem bate esquece, mas quem apanha, não "Já que a grande maioria daria um livro por dia sobre arte, honestidade e sacrifício." Quando mataram meu sobrinho ele ainda não tinha 17 anos. Cinco tiros, o filho da puta deu nele. O policial que o encontrou ...

Homenagem ao poder de síntese

Ando lendo uma quantidade excessiva de antologias e resenhas de poesia e o resultado foi esse texto em "homenagem" a esses augustos críticos que nos explicam qualquer coisa em um par de parágrafos. A Geração de 65* A Geração de 65 é das mais vigorosas do século, principalmente no que diz respeito à chamada lírica da solidão anabolizante, com uma busca incessante da experimentação estética em linhas arrojadas, porém eminentemente bucólicas. Foram publicados inicialmente nas páginas amarelas das revistas Broca, Espelho e, é claro, Klut – O Passado Condena; além do lendário caderno de cultura do jornal Folha de Montezuma dirigido na época por Eulálio Fagundes Feitosa e Júlia Jorge de Medeiros. A de 65 é uma geração marcada acima de tudo pelo desastre da desclassificação da seleção iugoslava nas eliminatórias para a Copa da Inglaterra. Seu líder inconteste e figura mais importante é, sem dúvida, Xerxes Feitosa. Advogado, militante estudantil, jornalista e dono de uma academia...

Fazer o quê?

Quem tiver alguma resposta que preste que atire a primeira pedra! O poeta mexicano Jaime Sabines articulou o dilema da seguinte forma em 1956, enquanto estava enfurnado em uma loja trabalhando como comerciante em seu estado natal, Chiapas: ¿Qué putas puedo hacer con mi rodilla, con mi pierna tan larga y tan flaca, con mis brazos, con mi lengua, con mis flacos ojos? ¿Qué puedo hacer en este remolino de imbéciles de buena voluntad? ¿Qué puedo con inteligentes podridos y con dulces niñas que no quieren hombres sino poesía? ¿Qué puedo entre los poetas uniformados por la academia o por el comunismo? ¿Qué, entre vendedores o políticos o pastores de almas? ¿Qué putas puedo hacer, Tarumba, si no soy santo, ni héroe, ni bandido, ni adorador del arte, ni boticario, ni rebelde? ¿Qué puedo hacer si puedo hacerlo todo y no tengo ganas sino de mirar y mirar? Esse poema faz parte da série que Sabines transformou no livro Tarumba, um exercício memorável de sobrevivência... Porq...

Musas?

Musas? Uma pergunta de uma aluna estrangeira sobre uma canção da Rita Lee e Zélia Duncan que foi gravada por Maria Rita me chamou a atenção para a freqüência com que a palavra musa anda aparecendo na mídia brasileira e para o significado peculiar dessa palavra nesse contexto. Que diacho quer dizer para uma mulher ser chamada de "musa"? E que tal "musa do congresso", "musa do verão", "musa da novela", "musa da torcida"? Quem é a "musa dos mecânicos"? Somos um país de homens punheteiros e mulheres de papel? Cada país e cada época têm a musa que merece? Com a palavra um respeitado poeta: O POETA ASSASSINA A MUSA Há dez dias que Clotilde - Uma das musas queridas - Anda aborrecendo o poeta. Aparece carinhosa, De repente vira as costas, Diz várias coisas amargas, Bate impaciente o pé. Então o poeta aporrinhado Joga álcool e ateia fogo Nas vestes da musa. A musa descabelada Sai cantando pela rua. Súbito o corpo gran...

Musas?

Uma pergunta de uma aluna estrangeira sobre uma canção da Rita Lee e Zélia Duncan que foi gravada por Maria Rita me chamou a atenção para a freqüência com que a palavra musa anda aparecendo na mídia brasileira e para o significado peculiar dessa palavra nesse contexto. Que diacho quer dizer para uma mulher ser chamada de "musa"? E que tal "musa do congresso", "musa do verão", "musa da novela", "musa da torcida"? Quem é a "musa dos mecânicos"? Somos um país de homens punheteiros e mulheres de papel? Cada país e cada época têm a musa que merece? Com a palavra um respeitado poeta: O POETA ASSASSINA A MUSA Há dez dias que Clotilde - Uma das musas queridas - Anda aborrecendo o poeta. Aparece carinhosa, De repente vira as costas, Diz várias coisas amargas, Bate impaciente o pé. Então o poeta aporrinhado Joga álcool e ateia fogo Nas vestes da musa. A musa descabelada Sai cantando pela rua. Súbito o corpo grande se estende no chão. Di...

Em homenagens às musas

Intrigante a maneira como a palavra "musa" anda sapecando nossos meios de comunicação ... Cada país e cada época têm as musas que merece? Cada cabloco tem as musas que merece! O POETA ASSASSINA A MUSA Há dez dias que Clotilde - Uma das musas queridas - Anda aborrecendo o poeta. Aparece carinhosa, De repente vira as costas, Diz várias coisas amargas, Bate impaciente o pé. Então o poeta aporrinhado Joga álcool e ateia fogo Nas vestes da musa. A musa descabelada Sai cantando pela rua. Súbito o corpo grande se estende do chão. Diversas musas sobresalentes Desandam a entoar meus cânticos de dor. Clotilde ressuscitará no meu terceiro dia, Clotilde e o poeta farão as pazes. Música! Bebidas! Venham todos à função. Murilo Mendes, 1930-1933

Voltei 2

Consegui abrir meu blog aos comentários da imensa massa de leitores que me perseguia desde o ano passado. Então vou tentar de novo esse negócio. Vou passar nos meus e-mails o anúncio dessa volta triunfal e esperar pelas garrafas com mensagens...

Viva a porcaria!!!!!! - Voltei

"Assim como não se come caviar e lagosta todos os dias, na literatura um pouco de arroz com feijão não faria mal nenhum." Que tal um McDonalds bem nojento todos os dias? Ver filmes da Xuxa, assistir Faustão, ler porcaria - porque não? É preciso lutar pelo direito de cada cidadão consumidor de amar o seu lixo cultural sem ser incomodado por esses intelectuais super-poderosos que monopolizam os meios de comunicação completamente!!!!

Bubú capítulo 2

Atendendo a bilhões de pedidos agora deve ficar mais fácil registrar seus comentários online! Sheila e Walton E aí minha mãe apareceu de repente lá na casa da tia Sharon pra me buscar e todo mundo lá estranhou ela aparecer assim de repente. E ela chegou daquele jeito tão bem nervosa dela que tia Sharon deve de ter achado melhor nem perguntar nada e muito menos eu. Só o jeito que ela pegou assim no meu braço já deu pra sentir que o trem tava feio. Queria lembrar quem foi o burro que falou outro dia na televisão que perguntar não ofende – qualquer menino da minha idade e até bem mais novo sabe muito bem que isso é a maior mentira da paróquia e já provou na própria pele o preço salamargo de uma pergunta mal perguntada na hora errada. Eu por mim já apanhei mais do que eu dava conta na minha vida, então eu não sou retardado igual o Felixton meu colega de escola, que encheu tanto o saco da mãe dele que ele foi parar no hospital e anda por aí com a perna meio torta até hoje. Eu não gosto...

Uma novela - Bubú

Continuo na minha busca desesperada por leitores. Ainda não apelei para a pornografia, mas resolvi adotar o folhetim em capítulos para competir com as novelas das 5, 6, 7 e 8. Da Globo. Sheila e Bubú A cama do fé-da-puta do cachorro ficava na sala e era muito melhor que aquele colchão mofado que era mais um mofão acolchoado onde eu tinha que dormir naquele quartinho que nem armário tinha, que era abafado no verão e frio no inverno, praonde eu tinha que ir e ficar quando não tivesse fazendo algum serviço na casa ou no quintal. “Olha, Sheila, aqui em casa o sistema é assim: parou de trabalhar, terminou o serviço – você pode ir direto já pro seu quarto e se a gente precisar a gente te chama.” E a porcaria do cachorro lá, assistindo televisão enviado nas pernas da patroa, empestando o sofá todo de pelo, com aquele cheiro de cachorro. E então eu sabia que eles iam me despedir – a empregada da vizinha me disse que eles sempre despediam as empregadas depois de seis meses – e a porcaria do cac...

Uma gota de fenomenologia

Esse texto é uma homenagem aos milhares de livrinhos fininhos que se propõem a explicar em 50 páginas qualquer coisa, do Marxismo ao machismo e de Bakhtin a Bakunin: Uma gota de fenomenologia Uma coisa é a coisa que a gente vive nos ossos, nos nervos, na carne e na pele; aquilo que chega e esfria ou esquenta o sangue do caboclo. Outra coisa bem outra é assistir essa mesma coisa, mais ou menos de longe. Nem a mãe de um caboclo que passa fome sabe o que é passar fome do jeito que o caboclo que passa fome sabe. A mãe sabe outra coisa, que é o que é ser mãe de um caboclo que passa fome. Isso nem o caboclo sabe: o que ela sabe é dela só, diferente do caboclo e diferente do médico que recebe o tal caboclo e a mãe dele no hospital. O médico sabe da fome do cabloco de um outro jeito porque ele já ficou mais longe daquela fome um tanto mais que a mãe e outro tanto bem mais que o caboclo. O jeito que o médico sabe da fome daquele caboclo pode ser mais ou menos só dele ainda, mas isso só se ele p...