Saturday, July 22, 2017

Com que idade morreu seu escritor brasileiro morto favorito?

Álvares de Azevedo morreu com 20 anos.
Castro Alves morreu com 24 anos.
Cruz e Souza morreu com 36 anos.
Lima Barreto morreu com 42 anos.
Leminski morreu com 44 anos.
Caio Fernando Abreu morreu com 47 anos.
José de Alencar morreu com 48 anos.
Mário de Andrade morreu com 51 anos.
Samuel Rawet morreu com 55 anos.
José Lins do Rego morreu com 56 anos.
Clarice Lispector morreu com 57 anos.
Gregório de Matos morreu com 58 anos.
Guimarães Rosa morreu com 59 anos.
Graciliano Ramos e Cláudio Manuel da Costa morreram com 60 anos.
Cecília Meireles morreu com 63 anos.
Oswald de Andrade morreu com 64 anos.
Monteiro Lobato morreu com 66 anos.
Sousândrade morreu com 68 anos.
Machado de Assis e Paulo Mendes Campos morreram com 69 anos.
Érico Veríssimo morreu com 70 anos.
Hilda Hilst e Moacyr Scliar morreram com 73 anos.
Murilo Mendes morreu com 74 anos.
Murilo Rubião morreu com 75 anos.
Antonio Callado morreu com 80 anos.
Manuel Bandeira morreu com 82 anos.
Carlos Drummond de Andrade morreu com 84 anos.
Mário Quintana morreu com 87 anos.
António Vieira morreu com 89 anos.
Rachel de Queiroz morreu com 82 anos.

Monday, July 17, 2017

Lembranças de uma viagem à Porto Alegre [que ainda não acabou]

"O melhor será, talvez, deixar rolar uma primeira leitura que vai fatalmente operar-se em nós segundo a tal lente que é uma espécie de falsa consciência, mas em seguida submeter essa leitura a uma apreciação que nos permita olhar para a nossa leitura de longe, vendo como é que ela se organiza e avaliando, assim  então, os compromissos e os limites que ela nos impõe."

Luis Augusto Fischer, Filosofia Mínima, 44


Talvez o melhor, sim, deveras, seja fazer esse movimento de afastamento irônico da nossa própria leitura. Mas acho que é impossível levar esse movimento  de afastamento até as últimas consequências. Como conciliar a ideia de um afastamento irônico de si mesmo com a ideia de reconhecer a si mesmo dentro de si mesmo? Aquela cara ali no espelho sou eu mesmo? Os espelhos de Machado de Assis e Guimarães Rosa dizem que não. Pelo menos não exatamente.

Friday, July 07, 2017

Sobre a Clarice de Moser

Lendo a biografia que Benjamin Moser escreveu sobre Clarice Lispector tenho uma visão aguda da forte cisão entre o estudioso crítico formado no ambiente universitário e o fabulador que todo o historiador/biógrafo necessariamente tem que ser. Um observa carrancudo os esforços em transformar a vida de Clarice Lispector numa história espetacular cheia de aventuras impressionantes cuja obra literária não é mais que um comentário cifrado, enquanto o outro se deleita exatamente com essa história e seu personagem enigmático sem se preocupar com os exageros do fabulador fabuloso.

Triste cisão.

Seria maravilhoso unir o fabular fabuloso com as exigências "científicas" da crítica literária universitária e ser esse super-escritor que ousaria fracassar como a filosofia de Schiller ameaça fracassar, afundando-se "nos abismos e nos turbilhões da imaginação poetizante" ao invés de se encalhar "nos áridos bancos de areia das secas abstrações". O que era possibilidade na carta de Schiller ao sereníssimo príncipe é certeza na carta do solitário blogueiro jogado às moscas: fracassamos todos nós, fabuladores ou cientistas - Faulkner estava absolutamente certo a esse respeito - e cabe a nós fazer desses nossos fracassos algo de alguma maneira esplêndido.