Thursday, April 28, 2011

Música: A Galicia canibal de Os resentidos



Galicia Caníbal
Con isto da movida
haiche moito ye-yé
que de noite e de día
usa jafas de sol:
¡Fai un sol de carallo!
¡Galicia caníbal!

A matanza do porco
A matanza do porco.-
A berra e un conxunto de berros dun porco cando o van matar.
San Martiño oficial
de Monforte ó Nepal,
o magosto para agosto,
safaris do porco,
filloas de sangue,
Galicia embutida:
¡Fai un sol de carallo!,
¡Galicia caníbal!


Etiopía ten fame.
Un parado occidental
sostén un filete.
Un negro deitado,
o negro non lle chega,
arrastra o bandullo.
O parado occidental
sostén o filete;
o parado altivo,
o negro non lle chega.
Doa os teus riles:
un ril á merenda.
Doa os teus riles:
outro ril á cea.
¡Fai un sol de carallo!,
¡Galicia caníbal!

Um amigo galego me apresentou essa pérola. Claro que é coisa dos anos 80. "Os resentidos" soam para mim como um Titãs menos "certinho", mais relaxado - eu gosto de algumas coisas dos Titãs mas eles às vezes me soam como uma espécie de CDFs do punk. Outra vez, como no caso do post com uma canção de Yasmin Levy em Ladino - o que mais me chama a atenção é essa outra língua tão próxima e ao mesmo tempo tão desconhecida de nós.

Wednesday, April 27, 2011

Sinceramente...


Começo a ler uma entrevista com um cara que escreve um romance baseado na história verídica de um casal que se separa e um dos dois se mata dois anos depois e descreve a coisa toda como "uma história de triunfo do amor"?!

Esse cara deve achar que Édipo Rei é uma comédia de costumes e que Bergman é um grande diretor de comediantes…


Paro no meio e troco de assunto só para me deparar com a seguinte pérola de um "teórico de literatura brasileira": “Como no Brasil não há apoio ao escritor, nossos grandes autores eram diplomatas”.

Bom, tudo bem que de fato João Cabral, Guimarães Rosa e Vinícius de Morais trabalharam para o Itamaraty, mas, sem querer desmerecer as contribuições do serviço diplomático à literatura, os três trabalharam pelo salário que ganharam. Quer dizer que se eu sou escritor e trabalho em algum lugar com outra coisa qualquer, sou um escritor subvencionado? E que papo é esse de “nossos grandes autores”? E José de Alencar, Gonçalves Dias, Euclides da Cunha, Machado de Assis, Lima Barreto, Mário e Oswald de Andrade, Manuel de Bandeira, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo [tudo bem que ele trabalhou uns anos na OEA], Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector [tudo bem que foi esposa de diplomata uns anos], Hilda Hilst?!

Tuesday, April 26, 2011

Slavoj žižek no El País

Dois trechos dessa entrevista me divertiram e só depois percebi as semelhanças de estrutura: um jogo retórico de paradoxos entre "sério" e "catastrófico" e entre "possível" e "impossível" e "necessários" e "delirantes".


Me encanta una anécdota, seguramente apócrifa, de la Primera Guerra Mundial. Un puesto militar alemán escribe un telegrama a sus aliados austriacos: "Aquí la situación es seria, pero no catastrófica". La respuesta dice : "Aquí la situación es catastrófica, pero no seria".

[…]

Me interesan más otras cosas. Por ejemplo, los conceptos de posible e imposible. Hoy cualquiera con dinero puede viajar al espacio, cada mes anuncian descubrimientos contra algún tipo de cáncer, incluso se habla de avances para alcanzar la inmortalidad. Al mismo tiempo, en cada telediario, salen políticos y economistas explicando que no hay dinero para mantener la Seguridad Social. Vivimos una época que promueve los sueños tecnológicos más delirantes, pero no quiere mantener los servicios públicos más necesarios.

Wednesday, April 20, 2011

Érico Veríssimo: Começo do conto "A sonata"

Alguns escrevem coisas banais como se estivessem elaborando complexidades sensacionais; Érico Veríssimo escrevia maravilhosamente, disfarçando em modéstia achados interessantíssimos.


A história que vou contar não tem a rigor um princípio, um meio e um fim. O Tempo é um rio sem nascentes a correr incessantemente para a Eternidade, mas bem se pode dar que em inesperados trechos de seu curso o nosso barco se afaste da correnteza, derivando para algum braço morto feito de antigas águas ficadas, e só Deus sabe o que então nos poderá acontecer. No entanto, para facilitar a narrativa, vamos supor que tudo tenha começado naquela tarde de abril.

Sunday, April 17, 2011

Recordar é viver: 15 anos de Eldorado dos Carajás

Há quinze anos atrás 19 sem-terra foram mortos e 70 ficaram feridos numa ação executada pela PM, ordenada pelo governador e pelo secretário de segurança do Pará. A maioria dos 19 mortos foi fuzilada sumariamente depois do confronto, às vezes com requintes de crueldade.

Quinze anos depois os dois comandantes que ensanduicharam os manifestantes numa rodovia onde protestavam, o coronel Mário Pantoja e o major José Maria Pereira aguardam em liberadade o resultado de recurso contra sua condenação a 228 e 154 anos de prisão.

Quinze anos depois Paulo Sette Câmara, secretário de segurança que autorizou “usar a força necessária, inclusive atirar”, escreve artigos edificantes com trechos como esse:

É possível agir com as armas do bem, através do voto, das manifestações populares pacíficas (como a dos cara-pintadas e das diretas já), ou através da mobilização da mídia. É tempo de advertir os governantes e congressistas que seu múnus público e popularidade são transitórios e que os cidadãos detêm o poder de mudá-los. O fato é que, sem pressão da sociedade, não há perspectiva de mudanças. E a pressão é um instrumento legítimo e democrático que já foi colocado em prática com sucesso. Só não se deve ceder à tentação de utilizar a violência ou estimular o retrocesso institucional.

Almir Gabriel, saiu do PSDB e do Pará por desavenças sobre a última eleição para governador. quanto foi preterido no partido.

Não cabe a mim aqui afirmar que os dois teriam responsabilidade. Quem teria a responsabilidade de julgá-los seria a justiça, e isso não aconteceu. Dois promotores que defenderam investigar a responsabilidade do governador e do secretário foram afastados pelo então Procurador-Geral de Justiça. Nomeado Secretário Especial de Defesa Social no segundo mandato de Almir Gabriel, Manoel Santino Nascimento Júnior teve a honra também de ignorar as dez representações que o Ministério Público fez dando conta das ameaças à freira Dorothy Stang, que foi assassinada no mesmo Pará em 2005.

Quinze anos depois Manoel Santino continua trabalhando como procurador no Pará.

Quinze anos depois Andrelina de Souza Arújo, mãe de sete filhos e viúva do sem-terra João Rodrigues de Araújo, recebe um salário mínimo de pensão e divide com oito filhos e netos um lote.

“Lá no lote não tem nada. Não tem estrada, não tem nem vicinal. No inverno eu saio para não morrer afogada.”

Friday, April 15, 2011

Sobre discursos, práticas e falsas contradições

Trago dois motes tirados do primeiro discurso de Aécio Neves na Tribuna do Senado:

O primeiro: “… por mais que queiram, os partidos não se definem pelo discurso que fazem, nem pelas causas que dizem defender. Um partido se define pelas ações que pratica. Pela forma como responde aos desafios da realidade.”

E o segundo:

“Hoje, o Brasil não acredita mais no discurso que tenta apontar uma falsa contradição entre responsabilidade administrativa e conquistas sociais. Em 2002, quando criamos a expressão 'choque de gestão' -- e fomos criticados por nossos adversários -- tínhamos como objetivo afirmar que não pode haver avanço social permanente, sem responsabilidade administrativa. Os emblemáticos avanços de Minas Gerais comprovam a tese.”

Em nome, suponho, dos avanços sociais e da responsabilidade administrativa dois nomes de peso foram convocados a contribuir: do já nem tão nanico PR [nome adotado pelo PL depois do mensalão com a adesão de gente como o ex-vice-governador Clésio Andrade, também ex-sócio de um tal de Marcos Valério, hoje senador] vem Edmar Moreira, conhecido como "deputado do Castelo". Não foi reeleito nas eleições passadas, mas foi nomeado pelo novo governador de Minas Gerais para a vice-diretoria da empresa da administração indireta vinculada à Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, com salário de R$ 11 mil. Do nanico PMN vem Wellington Magalhães, vereador de Belo Horizonte que trocava sopa por votos, foi condenado por abuso de poder econômico em 2008 e assim impedido de concorrer a assembléia legislativa de Minas Gerais. Foi nomeado vice-diretor geral da Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg), com salário de R$7 mil.

Já faz tempo que o escândalo do mensalão [três anos depois do tal "choque de gestão"] ocupava as manchetes de todos jornais brasileiros. Inicialmente pelo menos, se não me falha a memória, o assunto era justamente o aliciamento de políticos de partidos nanicos a apoiar o governo no congresso. Muito além de discursos, sopas e castelos, certas práticas e falsas contradições deveriam ser mesmo assunto fundamental da pauta dos jornais e da conversa sobre política. Mas não são.





Thursday, April 14, 2011

Bem-vinda, Kéthellyn Kévellyn!


Andam reclamando da minha negatividade. Assim sendo, notícia alvissareira: Márcia Maria, matriarca da família Costa da Silva de Ibiá [Minas Gerais, perto de Araxá], conseguiu registrar sua filha caçula com nome que escolheu. A menina Kéthellyn Kévellyn se junta a seus irmãos Kawan Kayson, Kaych Kayron, Kellyta Kerolayne e Kawane Kayle.




Tuesday, April 12, 2011

Como se lleva un lunar

COMO SE LLEVA UN LUNAR

Álvaro Carrillo


Como se lleva un lunar

todos podemos una mancha llevar,

en este mundo tan profano

quien muere limpio no ha sido humano.

Si vieras que terrible

resulta las gentes demasiado buenas,

como no comprenden parece que perdonan

pero en el fondo siempre nos condenan.

Vuelve conmigo, mi amor,

que tus errores no me causan temor

pues mucho más que todos ellos

vale uno solo de tus cabellos

Como eres, así yo te quiero

por eso ya ves, que al sentir tu mirada

doy espaldas al mundo

para adorar tu cara.


Pepe Jara interpreta:



Friday, April 08, 2011

Aforismos desaforados - Sobre Realengo

Não é por nada que trataram de fazer do pragmatismo conformista a religião política do século XXI: revoluções são movidas por expectativas e esperança; o despero só move vandalismo e massacres.

Wednesday, April 06, 2011

A Ovelha Negra / La Oveja Negra


A Ovelha Negra

Augusto Monterroso

Em um país distante havia há muitos anos atrás uma Ovelha Negra.

Foi fusilada.

Um século depois, o rebanho arrependido lhe erigiu uma estátua equestre que ficou muito bem no parque.

Assim, sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras elas eram rapidamente fusiladas para que as futuras gerações de ovelhas comuns pudessem exercitar-se também na escultura.


[Original em espanhol: En un lejano país existió hace muchos años una Oveja negra. Fue fusilada.

Un siglo después, el rebaño arrepentido le levantó una estatua ecuestre que quedó muy bien en el parque.

Así, en lo sucesivo, cada vez que aparecían ovejas negras eran rápidamente pasadas por las armas para que las futuras generaciones de ovejas comunes y corrientes pudieran ejercitarse también en la escultura.]

Monday, April 04, 2011

Aimee Mann e seu manifesto anti-balada açucarada

How am I different

I can't do it
I can't conceive
you're everything you're trying to make me believe
cause this show is
too well designed
too well to be held with only me in mind

And how am I different?
How am I different?
How am I different?

I can't do it
so move along
do you really want to wait until I prove you wrong?
And don't tell me--
let me guess
I could change it all around if I would just say yes

But how am I different?
How am I different?
How am I different?

And just one question before I pack--
when you fuck it up later,
do I get my money back?

I can't do it
and as for you--
can you in good conscience even ask me to
Cause what do you care
about the great divide
as long as you come down
on the winner's side


And how am I different?
How am I different?
How am I different?

Just one question before I buy
when you fuck it up later,
do I get my money back?