Tuesday, April 30, 2013

Sobre a arte de estar vivo...


Lá foi uma quase menina ainda bem magrelinha subir no pódio da MTV quando isso significava muito no mundo dos vendedores de discos e falou assim, completamente de improviso:

“Oh, man… I didn't prepare a speech and I'm sorry, but I'm glad that I didn't, because I’m not going to do this like everybody else. You see, Maya Angelou said that we, we as human beings at our best can only create opportunities and I'm going to use this opportunity the way that I want to use it.... So, what I want to say is: everybody out there that’s watching, everybody that’s watching this world – this world is bullshit. And you shouldn’t model your life about what you think that we think is cool and what we’re wearing and what we’re saying and everything. Go with yourself… Go with yourself… And it's just stupid that I'm in this world, but you're all very cool to me....

Nada de profissionalismo. Nada de um discurso e uma dancinha e uma piadinha bem ensaiados, eficientes do ponto de vista da marca e do mercado.Sob esse ponto de vista, o tal discurso foi uma desgraça. Mas ali eu vi que Fiona Apple não era mais um robô.

Anos mais tarde ela gravou essa canção:



A Mistake

I'm gonna make a mistake.
I'm gonna do it on purpose.
I'm gonna waste my time.

'Cause I'm full as a tick
and I'm scratching at the surface
and what I find is mine.
 
And when the day is done, and I look back
And the fact is I had fun, fumbling around
all the advice I shunned and I ran
Where they told me not to run, but I sure had fun so

I'm gonna fuck it up again.
I'm gonna do another detour.
Unpave my path.

And if you wanna make sense
Whatcha looking at me for:
I'm no good at math.
 
And when I find my way back,
The fact is I just may stay, or I may not
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake
I wanna mistake why can't I make a mistake?

I'm always doing what I think I should.
Almost always doing everybody good.
Why?
 
Do I wanna do right, of course but
Do I really wanna feel I'm forced to
answer you, hell no.
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake, I wanna
make a mistake, why can't I make a mistake?
 
I'm always doing what I think I should
Almost always doing everybody good
Why?

Sunday, April 28, 2013

Escavando notas: ainda o Fiat Lux de Paula Abramo


7. Angelina é a única personagem sem sobrenome e talvez por isso aquela que se situa mesmo na fronteira mais tênue entre o ficcional e o documental. Teria Angelina também uma existência de carne e osso para além de Fiat Lux? Mais uma vez diferente de seus pares no livro, Angelina aparece em um contexto menos claramente demarcado no tempo. Nada disso faz de Angelina uma presença menos concreta que os outros personagens de Fiat Lux. É com Angelina que acompanhamos o primeiro Fiat Lux do livro, no caso fruto de um comando nesse “pobre modo” imperativo cuja “falta esencial” é sua relativa impessoalidade. Angelina é uma empregada doméstica que recebe um comando simples de sua patroa: riscar o fósforo para acender o fogo para fritar camarões numa cozinha “casi pasillo” (11). Angelina se assemelha à voz poética de Fiat Lux, pois também carrega consigo uma bagagem – uma história, um passado que vai além dela mesma, de nordestina humilde, de exílio forçado, de fome, de seca, “el hambre de su abuela” (11). O papel de Angelina nesse livro de fantasmas do passado é afirmar, frente à permanência no rpesente da fome “ese fantoche de mal gusto” (75) e de “una riqueza enorme y mal distribuida / de crustáceos en el mundo, y de libros y de tiempo / para leerlos” (75), a possibilidade da desobediência “en la frontera minúscula que media / entre la orden y el hecho de cumplirla” (76). Assim, Angelina toma posse do Fiat Lux que a princípio era uma imposição e vai comendo três de cada quatro camarões que frita. Angelina, “breve y es ficticia” (75), é uma presença fortíssima que Paula Abramo cria para abrir e fechar seu livro reafirmando aquilo que foi a grande paixão de Fúlvio Abramo e de outros em sua família: o direito de optar “por el acato o el desacato” (76) e de tomar posse dos frutos do seu próprio trabalho.   

8. No título do livro e na reflexão que ele suscita no livro fica claro algo que enriquece a textura dos versos em vários outros momentos estratégicos de Fiat Lux: a formação clássica que Paula Abramo recebeu na UNAM e que ela coloca a serviço do seu livro sem qualquer ranço de Belles Lettres. O Fiat Lux do seu título é um símbolo interessante desse casamento entre vida, história, erudição e arte. Fiat Lux é, simultaneamente, o comando bíblico que indica o início da história do mundo no Gênesis em sua versão latina e uma referência à presença ordinária na vida de tantos brasileiros da marca estampada na caixinha de fósforos de tantas cozinhas, fósforos que aparecem em cada um de todos os poemas do livro, fósforos que passam pelas mãos de duas mulheres inesquecíveis, que Anna Stefania Lauff fabrica e que Angelina usa.  

Saturday, April 27, 2013

Escavando notas: I do not want to close my eyes to the absurdities that accompany art but are not art

Photograph: Lydie France/EPA no blogue de Jonathan Jones
“You have no idea what is happening inside of you, when you look at a painting. You think that you are getting close to art voluntarily, enticed by its beauty, that this intimacy is taking place in an atmosphere of freedom and that delight is being born in you spontaneously, lured by the divine rod of Beauty. In truth, a hand has grabbed you by the scruff of the neck, led you to this painting, and has thrown you to your knees. A will mightier than your own told you to attempt to experience the appropriate emotions. Whose hand and whose will? The hand is not the hand of a single man, the will is collective, born in an interhuman dimension, quite alien to you. So you do not admire at all, you merely try to admire.”
Diário de Witold Gombrowicz relatando visita com um amigo pintor ao Museo de Bellas Artes de Buenos Aires em 1953

Wednesday, April 24, 2013

Escavando notas - Lendo Fiat Lux de Paula Abramo

Essas são primeiras impressões sobre o livro Fiat Lux de Paula Abramo. É um primeiro esboço de um texto sobre esse livro que deve fechar o meu livro novo sobre Brasil e México.

1. Fiat Lux chama a atenção logo de cara pela força de conjunto. Não é uma simples seleção de poemas com alguma sugestão vaga de relação temática. Os poemas se encaixam e a ordem deles é importante. Uma história se desenvolve e vai dando ao livro um caráter narrativo singular. Nesse sentido é um livro muito importante, porque nos lembra que a poesia também pode servir para contar histórias de fôlego. Claro que esse contar não é o contar de um romance, muito menos de um romance realista tradicional. É um outro contar que vale a pena conhecer, que vale a pena aprender.  

2. Fiat Lux é uma exploração consistente da memória e do passado familiar da autora. Engraçado como o livro de repente me deu aquela impressão do jogo inicial de Tristram Shandy, que se apresenta como um livro de memórias mas não começa com o nascimento do protagonista, e fica revolvendo ao invés disso a vida dos seus familiares antes do seu nascimento, como se grande parte do sentido da existência do narrador não estive em si mas nos que o antecederam. Tristram Shandy é uma comédia e um romance. Fiat Lux é um livro de poemas que quer ir além do relativo autismo de grande parte da lírica do século XX, dando ouvidos à exortação do protagonista do livro, o avô da poeta, que diz em suas cartas: "não olhe tanto para dentro". Ao terminar minha segunda leitura do livro reforçou-se a primeira impressão: Fiat Lux não deixa de ser um livro sobre Paula Abramo, ainda que ela [como personagem inventado ali no papel] não compareça com a força concreta dos seus personagens principais.

3. Isso tudo faz de Fiat Lux um livro muito interessante, mas o livro de Paula Abramo é muito mais do que simplesmente interessante. É uma leitura muito forte, emocionante mesmo. A força do livro estão nas figuras que se levantam e tomam ou retomam vida a partir dele: o padeiro anarquista Bôrtolo Scarmagnan, o húngaro vindo do exército vermelho Rudolf Josip Lauff  Scargna, a operária da fábrica de fósforos Anna Stefania Lauff e o militante antifascista e exilado Fúlvio Abramo. Essas figuras que não são heróicas no sentido grandiloqüente de um épico. Nascidos dos versos de Paula Abramo, elas são simplesmente extraordinárias na sua vitalidade e coragem para viver e sonhar. Ao contrário de grande parte da narrativa como a conhecemos hoje em dia, importa muito pouco se essas personagens de Fiat Lux "fracassaram" ou "venceram" em suas lutas. Elas existiram [e existem no livro de Paula Abramo] e é isso o que conta. É mais do que muita gente de carne e osso faz.

4. A força e vitalidade dos personagens e das histórias são frutos do texto poético de altíssima qualidade. Várias passagens são lindíssimas e o são sem poses líricas, sem empostações de voz. A voz de Paula Abramo é extremamente original porque se recusa ao tom e dicção "elevados" [um maneirismo ainda muito comum de quem acha que o poeta é o sal da terra] e a gracinhas bobas que tirariam força dos seus personagens. Não estou aqui descartando outros caminhos, mas chamando atenção para um acerto fundamental desse livro. A voz poética não tem medo de ser direta e objeta e olhar para fora e não tem medo de pensar por imagens e levar seus raciocínios longe. Também não tem medo de palavras "difíceis" que aparecem sem qualquer resquício de pedantismo. Não encaro essas escolhas como a decisão de seguir um determinado caminho, mas como um talento feliz de escolher os melhores caminhos para aquilo que o temperamento do poeta já sugere. Outros poetas, com temperamentos diferentes, só podem fazer poesia que valha a pena de outras formas. Paula Abramo parece que encontrou a forma dela já no seu primeiro livro.

5. Fiat Lux também chama atenção pela coragem de jogar com imagens com uma concentração e paciência para as variações ao redor do mesmo tema que me lembraram aqueles raciocínios impressionantes de João Cabral de Melo Neto. O jogo é diferente porque elas estão dispersas por todos os poemas, geralmente em sequências em itálico com espaçamento diferente no início de cada poema, mas não apenas. A imagem é simples e bela: um fósforo Fiat Lux [quem é brasileiro sabe do que estou falando] que se acende e depois se apaga em uma sequência preciosa de instantes que o poeta observa com cuidado. Sobre isso ainda tenho que escrever mais.

6. Fiat Lux também é um livro com particular senso de urgência. Seu ato de fazer reviver os mortos não é produto nem de nostalgia nem de melancolia. Trata-se de trazer à vida, à minha vida como leitor afortunado, essas pessoas extraordinárias que Paula Abramo inventou com a matéria pulsante da sua própria memória e da história. Agradeço a ela por agora "conhecer" Fulvio, Anna Stefânia, Bôrtolo, Rudof e uma personagem especial, que eu não sei se existiu ou existe fora de Fiat Lux e que abre e fecha o livro com chave de ouro: Angelina.  

Tuesday, April 23, 2013

Anotações esparsas

1. "Eu escrevo sem esperança de alterar qualquer coisa. Literatura não altera nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar, de um modo ou de outro."
Atribuído a Clarice Lispector por Moacyr Scliar

2."The problem with most arguments in the debate about reading is that they posit literature as an instrument used to achieve a certain goal: either the good of the individual (it is good for you) or the good of society (it makes you good). Leaving aside the issue of deciding whether what makes you good is not, ultimately, good for you, a more fundamental question arises: why does literature need to be defended at all?"
Patrícia Vieira em artigo online

3. “It is not without pleasure that I can tell my majestic colleagues who write for humanity, and in the name of humanity, that i have never written a single word other than for a selfish purpose; but at, each time, the work betrayed me and escaped from me.”

Witold Gombrowicz 

4. “In writing, you must kill all your darlings.”
Atribuído a William Faulkner por Burroughs

Saturday, April 20, 2013

Anotações soltas

1. Depois de ouvir um interminável arenga sobre as glórias da cultura polonesa, Witold Gombrowicz relata em seu diário o seu contra-ataque:

"Eu disse que ninguém devia levar muito a sério esta metáfora, de que nós, os poloneses, 'demos' ao mundo essas pessoas [Chopin, Copérnico, etc] só porque elas nasceram entre nós. [...] Não. Nós não somos, eu disse, os herdeiros diretos das grandezas ou insignificâncias, da inteligência ou estupidez, das virtudes ou pecados do passado e cada um é responsável apenas por si mesmo. Cada um é ele mesmo apenas. [...] Eu disse que se uma nação realmente madura deveria julgar seus próprios méritos com temperança, uma nação realmente viva deveria aprender a ignorá-los."

2. Pedem a Gerardo Deniz que lhes dê sua poética e a resposta é:

"...las sacralidades me provocan urticaria".

Thursday, April 18, 2013

A locomoção de cegos



1. Um sujeito diz que um sujeito que foi preso por formar um grupo para surrar pobres e homossexuais na rua é um homossexual enrustido e devia ser estuprado e apanhar até morrer na cela de uma delegacia lotada. E eu já não sei de quem tenho mais medo...

2. Um sujeito entrevista outro sujeito sobre um livro que nenhum dos dois leu. Eu paro depois de três parágrafos.

3. Um sujeito ganha dinheiro para ter uma opinião forte e polêmica sobre qualquer coisa que aparece na sua frente. Sua boca é uma imensa manilha de esgoto bem no meio da praia. Eu evito ler até o título das suas colunas.

4. A grande militância política progressista do momento diz respeito a dar a mais pessoas o direito de constituir família e ir para o exército. Há que lutar pelo direito de ser enquadrado pelo sistema!

5. A outra grande militância política progressista diz respeito à defesa ardorosa de um estado do bem estar social do qual fascistas e nazistas certamente se orgulhariam. Há que lutar pelo direito do refugo humano do sistema a ser enquadrado, ainda que pela porta dos fundos.




Wednesday, April 17, 2013

O jogo não acabou

E eu me canso de me explicar às vezes.



Tríptico: "The Human Work Force Clings Dwindling From Automation to the Hope of Relevance"



"Sometimes it is when we stop trying ot understand or interrogate apparently 'absurd' phenomena - like the category of the 'new' in art - that we become more open to them."
Zadie Smith em ensaio sobre Joni Mitchell

"'The bulk of new music struck him as 'atonal and noisy, and sopme of it was like cats walking across the piano,' he said. What he liked was its methods. 'Once you saw the instructions - Incorporate silence, or that everyone was to tune his instrument a little off-key and think about a certain thing, or in a piece of electronic music taht hitting a particular key triggered a series of notes - it might still sound random or chaotic like cats walking across the piano, but the means became fascinating to me,' he said. 'The lesson I got was music doesn't have to be about melody, or the way the Beatles did it, or Western harmony dictates these notes sound good together.'"
Alec Wilkinson entrevistando Trent Reznor sobre seu primeiro contato com música erudita contemporânea

"I want to turn my old way of working on its head and limit myself to things I'm not used to. I want to stumble into something that gives a new way to think."
Trent Reznor

Monday, April 15, 2013

María Félix


Doña Diabla: “El dinero no se detiene mucho tiempo en mano de los imbéciles”
Camelia: “Que caray! Que me importa la vida sin ti?” Vértigo: “No te acierques!” Doña Bárbara: “Asco de hombre!”

-->
Vejo María Félix brilhando na tela desses velhos filmes e penso no comentário de Blake de que Milton, com todo seu fervor puritano, era do partido do Diabo sem sabê-lo. María Félix virava de ponta cabeça essa figura maligna tradicional do melodrama, a mulher devoradora de homens e destruidora de lares. Ela as interpretava com tanta fúria indignada, com tanta raiva e desprezo pelo mundo inteiro à sua volta, que o público caía de joelhos e rezava um terço em honra a “la Doña”… Para mim, ao contrário das outras estrelas do cinema dos anos 40 e 50 na América Latina, ela não perdeu o carisma e o fascínio. Porque ela nunca queria a pena de ninguém. María Félix pegava sua pena, jogava no chão e cuspia em cima!


Saturday, April 13, 2013

Livro grátis na praça!


Quem estiver interessado é só postar um comentário dizendo eu quero, seguido de um endereço de email para onde eu posso enviar o pdf, ok?

Wednesday, April 10, 2013

Página 27 de Memento Mori

O Chacrinha oferecia bacalhau e abacaxi, eu ofereço meu livro de poesias em arquivo pdf. Quem quer um livro aí, Terezinhaaaaa!

Monday, April 08, 2013

Vamos combinar assim: hoje é o dia em que Les Blank morreu


The Blues Accordin' to Lightnin' Hopkins (1967)

A Well-Spent Life [1971]

Werner Herzog eats his shoe [1980]

Basquiat

E por que é que a exposição do Jean Michel Basquiat me marcou tanto?

1. Porque ele usava da palavra tanto quanto da imagem e da composição estritamente relacionada com a pintura. Acho que isso dá margem a "ler" seus quadros como grandes poemas visuais. Com a vantagem de que, ao contrário de 8 em cada dez poetas visuais que eu conheço, ele não é nada nada tosco no manejo da parte visual da coisa.

2. Por que ele pintava portas, cercas de madeira, esticava pedaços de pano em cima de armações de madeira usadas em depósitos, misturava papel, pano costurado, juntava pedaços de madeira com dobradiças. O homem pintava e desenhava e escrevinhava como um louco em tudo o que ele tinha à disposição com tudo o que caía na mão dele. Tentei remontar um pedaço da retrospectiva no meu pinterest.

3. Por que ele conseguia desenhar como minha filha quando ela tinha três anos com o cérebro de um adulto inteligente e sensível. E isso não é bolinho!

Jean Michel Basquiat

Desenho da Olívia: Nossa Família

Sunday, April 07, 2013

Fazendo coisas

Passamos eu e Ti um dia e meio em Nova Iorque completamente sem crianças. Nada de congee em Chinatown, muito menos loja da Lego e visitas à seção de armaduras do Metropolitan. Para minha digníssima, nada demais, porque ela tem ido com frequência a NY sozinha, mas para mim foi uma experiência inusitada.

Destaques da viagem: um conjunto de vídeos em que o sujeito inventou um movimento doido para levar os judeus de volta à Polônia e a retrospectiva da obra do Jean-Michel Basquiat na imensa galeria Gagosian, ambas naquele pardieiro chique que se chama Chelsea.

Inspirado pelas coisas do Basquiat e por uma rápida visita a uma incrível livraria na décima entre 21 e 22 cheia de livritos e livretos alternativos de tudo quanto é canto do mundo [até de NY], fiz aqui um álbum com imagens de várias páginas dos meus cadernos de notas.

Me entusiasmei e fiz também um livro em pdf. Se alguém tiver interesse é só me dar o toque aqui e eu mando por email com o maior prazer. A versão de papel custa uma fábula e nunca vai sair da primeira edição de um exemplar, eu acho.

Thursday, April 04, 2013

Enquanto chovem análises políticas disso e daquilo baseado em "temas" e "assuntos"...

-->
Arnold Hauser a partir da leitura que Engels faz de Balzac: 
“It has since become quite clear that artistic progressivism and political conservatism are perfectly compatible and that every honest artist who describes reality faithfully and sincerely has an enlightening and emancipating influence on his age.
Social History of Art, Volume 4, “Naturalism and impressionism,” p. 29

 No mesmo livro Hauser transforma Charles Dickens, contra ele mesmo e contra o próprio Dickens, numa figura de escritor muito interessante:
“This apparently so decent, correct, respectable Victorian turns out to be a desperate surrealist tormented by fear-ridden dreams.”
[…]
 “… in reality, all the characters of this naturalist are caricatures, all the features of real life are exaggerated, pushed to extremes, overstrained, everything becomes a fantastic shadow-play and puppet-show, everything is transformed into the stylized simplified and stereotyped relationships and situations of the melodrama.”
Social History of Art, Volume 4, “Naturalism and impressionism,” p. 74

E na minha cabeça enquanto leio tudo isso, ele:

No meu mundo ideal, tirariam Nelson Rodrigues da tumba e entregariam nas mãos dele a próxima novela das oito da Rede Bobo. Depois disso: o Apocalipse Social!!!



Wednesday, April 03, 2013

Urban Apartheid

"There are artificial political boundaries drawn within our metropolitan area that divide us, creating two different New Havens with two different systems. one is blacker, browner and poorer and has inferior schools, fewer support systems, and fewer economic and social opportunities. Segregated systems like this must be abolished once and for all. The time has come for there to be equal systems of opportunity for the entire metropolitan area of Greater New Haven."
Relatório chamado "Urban Apartheid" do NAACP da Grande New Haven, disponível online.

Pode substituir New Haven por qualquer nome de cidade brasileira e o resto funciona perfeitamente. Ou melhor não-funciona perfeitamente porque uma cidade assim não funciona. É claro que não se pode esperar muito da parte rica da cidade além de reclamações sobre os impostos altos demais. Se alguma mudança concreta tiver que acontecer, ela teria que vir da outra parte da cidade. Não é fácil.