Monday, July 30, 2018

Como funciona uma fábrica de burrice


Como explicar que a internet e as redes sociais aumentem tanto nosso acesso direto a todo tipo de informação e funcionem, ao mesmo tempo, como mecanismos tão eficientes de produção de burrice? Um texto escrito muito antes dos computadores se tornarem parte da vida diária de qualquer um de nós tem coisas interessantes a dizer sobre esse paradoxo que precisamos entender com urgência.

Em Pensamento Selvagem Levi Strauss’s enxergava dois níveis funcionando simultaneamente e em estreita relação quando exercemos essa propriedade tão humana que é a narrativa - nenhum de nós passa um dia sequer sem exercê-la. Um era o nível micro, o ato de informar relatando diretamente eventos específicos, e o outro era o nível macro, o gesto de compreender um assunto qualquer, tentando explicá-lo de maneira coerente. Esses dois níveis da narrativa se relacionavam, para o antropólogo francês, de forma paradoxal: quanto mais informação factual empilhamos sobre um determinado assunto, menos compreensão conseguimos ter dele como um todo; quanto mais tentamos articular uma explicação generalizante que abarque aquele assunto como um todo, mais somos obrigados a excluir detalhes específicos do nosso campo de atenção, sacrificando o particular em nome da coerência que dá força argumentativa a um texto qualquer. Em outras palavras, quanto mais informação e atenção damos às percepções individuais, menos compreensão do todo; quando mais compreensão coerente da totalidade da experiência, menos atenção ao particular.

Vivemos hoje o império absoluto da informação, da pesquisa quantitativa, dos números gigantescos computados em gráficos e tabelas. Depositamos uma fé tremenda no poder descomunal que temos hoje de empilhar e organizar dados graças ao trabalho braçal dos computadores cada vez mais rápidos e eficientes. Felizes, pensamos que assim somos mais “científicos” que as gerações passadas e muitas vezes desprezamos a contribuição de antepassados que produziram um imenso cabedal de conhecimento [e ignorância] que poderíamos aproveitar. Exibimos orgulhosos nos meios de comunicação vários tipos de compreensões toscas sobre o mundo, compreensões que acreditamos ser mais verdadeiras e precisas, já que baseadas em amplérrimas coletas de dados. Tendo ao alcance dos dedos montanhas de dados cada vez mais complexos e detalhados, nos tornamos cada vez mais incapazes de atuar inteligentemente no mundo.

A colocação de Levi-Strauss é radical, e soa ofensiva aos empiricistas do século XXI. Todas as ciências [incluindo as sociais e as exatas] se constituem como domínios delineados arbitrariamente entre esses dois pólos: entre a compreensão mítica da totalidade da experiência e a confusão frenética das percepções únicas. A coerência, por exemplo, da históriografia ocidental é a mesma coerência do mito. Elas são escritas para um grupo e procuram responder aos anseios e ansiedades desse público específico.

Thursday, July 26, 2018

Aventuras em Belo Horizonte: Traduzo a Sua Camisa

O criador da performance oferecendo seus serviços

Atendendo clientes

Uma cliente satisfeita - agora sabe o que diz a sua camiseta

Trabalhando

Outro cliente

Posando para foto depois do serviço

Monday, July 23, 2018

Graveola: Antes do Azul



Amanheceu outro sol que trará
a luz, outro dia, sol lunar
e pro longe existir eu vou
dizer do meu desejo de fazer tudo mudar

Amanheceu e a manhã será como ontem,
anteontem, outros dias iguais
e se o longe existir
eu sou
maior do que a distância pode ser
nesse lugar
mais vivo que um azul
de amanhecer

Eu quis ver
você chegar e me trazer o sol,
Pois de que vale o sol sem ter lugar?
E o meu lugar é o sol que você traz

Eu quis ver
o sol chegar e me trazer você,
você chegar e ser o que eu nem sei
dizer em dois o que eu não sou num só

Sunday, July 22, 2018

Um domingo feliz no parque com Graveola e companhia

Público Simpático

A Outra Banda da Lua
 Belo Horizonte tem uma cena musical riquíssima [entre outras coisas porque por aqui abundam músicos bons de verdade] e bem no meio dessa cena está uma banda chamada Graveola e o Lixo Polifônico. Eles têm três CDs muito inventivos, cheios de canções maravilhosas.

Esse fim de semana a banda organizou um festival em três parques da cidade. Conseguimos ir ao último deles num parque que eu não conhecia na Cidade Nova, bairro que ganhou bastante a partir dessa descoberta. Três registros fotográficos eu deixo aqui. Amanhã falo mais sobre o o show, o [excelente] show de abertura de A Outra Banda da Lua, banda de Montes Claros tocando pela primeira em Belo Horizonte.
Graveola e o Lixo Polifônico
Público Gente Fina que a sombra aglomera