Tuesday, May 31, 2016

A conveniência que comunica fragrâncias a pestíferas cloacas

"INTERESSE. Proveito, utilidade, que se tira, ou espera de huma cousa. [...] O centro do mundo moral é o interesse. Nesse ponto vão parar todas as linhas da circunferencia do trato Economico, & Politico. Mais póde o interesse, que a natureza, porque esta a impulsos do interesse se muda. Mudaõse as vontades, mudaõse os entendimentos, os genios as inclinaçoens, os intentos, &; as resoluçoens se mudão. Protheo [velho deus grego das marés em eterna mutação] de todas estas variedades, & mudanças he o interesse. Camaleaõ da fortuna; de todas as cores se veste; Só nunca he candido, porque he a cor da innocencia. Quando de hum bezerro fizeraõ os Hebreos hum Nume, mostravaõ que veneravaõ a soberania, mas adoravaõ a materia. Todos os dias renova o interesse sacrilegas veenraçoens; o sogeito mais dourado he o mais adorado. [e lá vem antisemitismo...] Ao interesse negou a Gentilidade altares, por lhe parecer Deidade vil, & baixa; tambem deviaõ negar o interesse ás Deidades, que do seu rendimento faziaõ negocio. Ainda hoje, em muytas, mais póde o dinheiro que a honra, porque hoje naõ há honra sem utilidade, nem gloria sem proveito. Nem he nova cita depravação. Já nos seculos passados, quando o fim dava lucro não se reparava na indecencia dos meyos. Estranhando Tito, ao emperador Vespasiano, seu Pay, a torpeza do tributo, que puzera á ourina, tomou o Emperador huma moëda, tirada do ditto tributo, & a metteo nas mãos do filho, dizendolhe que visse se tinha mao cheiro. A pestiferas cloacas communica fragrancias a conveniencia."

Fragmento da definição da palavra INTERESSE no dicionário de Raphael de Bluteau de 1728 singelamente chamado de Vocabulario Portuguez e Latino, Aulico, Anatomico, Architectonico, Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Critico, Dogmatico, etc. autorizado com exemplos dos melhores escriptores portuguezes e latinos, e oferecido a el-rey de Portugal D. João V. A cópia da Biblioteca Mindlin foi digitalizada e pode ser consultada aqui. Na mesma página se pode consultar também a extensão do livro de Bluteau que foi feita por Antonio de Moraes Silva.

Moraes Silva acrescentaria as variações intarèsse e interés, mas elimina essa longa arenga contra o interesse, esse proteus que desde sempre envenena as relações humanas. A leitura não é só um lembrete dos tempos em que os dicionaristas inseriam no meio dos seus dicionários longas arengas rabugentas [essa aí, no caso, belíssima e importante para entender um pouco melhor, por exemplo, aquele tom dos sermões do pai de Lavoura Arcaica]. Serve também para despreocupar aqueles que acham que as regras que governam a pontuação, os acentos e a ortografia do português de hoje em dia são questão de vida ou morte para o futuro da civilização que fala português.  

Friday, May 27, 2016

Belo Horizonte e o trabalho escravo no século XXI [última das 3 partes]


8.     Línea Obras & Construções Ltda
a.      Fundada em 2002 para construção de edifícios residenciais.
b.     O sócio administrador Elmar José Coutinho foi autuado com o pessoal do Verdemar na época da construção de um dos supermercados do grupo 40 empregados aliciados e confinados em condições desumanas no Bairro Jardim Canadá.
c.      Diz o Estado de Minas [que num gesto camarada não pôs o nome das duas empresas envolvidas no título da matéria de 2014: “Testemunhas contam que Elmar Coutinho e Hallisson Moreira [sócio do Verdemar] tinham pleno conhecimento das condições dos alojamentos, sendo que o administrador da Construtora Línea ia ao canteiro de obras todos os dias”.
d.      Esse bairro é composto por uma fina capa de empreendimentos comerciais “chiques” na beira da rodovia que vai para o Rio de Janeiro e um miolo nada chique de galpões e habitações modestas, uma necessidade da nova cidade de condomínios fechados que vai sendo construída por ali, já que a segregação social tem seus limites. 


9.     Organização Verdemar Ltda
a.      São seis lojas na zona sul da cidade. “Seu público principal é das classes A e B, interessados na grande variedade de produtos gourmet, como frutos do mar, carnes nobres, bebidas e outros produtos importados”. Mais detalhes sobre o caso na entrada anterior.
b. A loja de Nova Lima, onde trabalhavam os escravos, é considerada [pelo menos pela prórpia Verdemar] como "a loja mais sustentável da América Latina".


10.     MRV Engenharia e Participações SA – Contagem
a.      Diz o saite da empresa que “seu foco” é “redução de custos, inovação e ética. E sempre pensando na sustentabilidade, investe em projetos sociais, ações ambientais e de incentivo ao esporte, proporcionando novas perspectivas de futuro para todos.”
b.     Fontana di Italia era o nome do empreendimento onde encontraram 6 operários trabalhando como escravos em Contagem. Parece que trocaram o nome para Fontana di Roma e ainda há unidades à venda para quem quiser ter a honra de viver num lugar moderno, mas construído de acordo com as tradições brasileiras. Talvez o nome pomposo tenha algo a ver com o bairro Fonte Grande, onde o condomínio foi construído.
c.      O dono da empresa autuada por usar trabalho escravo tem um blogue onde se manifesta sobre o momento atual: “deixamo-nos contaminar por uma insidiosa, inconveniente e perigosa divisão radical de natureza ideológica. O discurso que dividiu os brasileiros entre ‘nós’ e ‘eles’ acabou por polarizar os espíritos e por separar a nação, contrariamente à nossa tradição de povo tolerante e cordial.”


11.     Construtora Emcasa Ltda
a.      A autuação foi em Mateus Leme, perto de Belo Horizonte, mas a construtora especializada em casas tem sede outra vez na zona sul de Belo Horizonte.
b.     A Emcasa foi criada em 1996 pela mais conhecida CANOPUS “para atender à demanda do país por habitação e que tem suas premissas alinhadas aos programas do Governo Federal”.  
c.      O grupo CANOPUS fundado pelo dono do grupo, Marcos Roberto Cruz, é mais conhecido pela rede de concessonárias, consórcios e corretora de seguros além de um Instituto CANOPUS desde 2010, para “compartilhar informações, cursos e treinamentos com a sociedade” e que realiza ações “benemerentes”.
d.      Marcos Roberto Cruz é filho do fundador do grupo de concessionárias Cometa do Mato Grosso, hoje do irmão dele, Francis Cruz, considerado o candidato prefeito mais rico da sua cidade, foi eleito pelo PMDB de Cáceres, uma dos 100 municípios mais pobres do Brasil. Francis se filiou recentemente ao PSDB seguindo o governador Pedro Taques [que tinha sido elegido pelo PDT] dizendo que o partido em questão foi o que mais ofereceu ao município de Cáceres.

Tuesday, May 24, 2016

Belo Horizonte e o trabalho escravo no século XXI [segunda das 3 partes]

Continuando a destrinchar um pouco a lista suja do trabalho escravo de Belo Horizonte:

5.     Tenda Negócios Imobiliários S.A - Belo Horizonte
a.       Dizem no seu portentoso saite que são especialistas em "entregar felicidade" e que são "rigorosos quanto à escolha de materiais de construção e à capacitação permanente de nossa equipe profissional".
b.     Captaram dinheiro do programa Minha Casa Minha Vida que financiou através da Caixa Econômica apartamentos com acabamento ruim e atrasos tremendos.  Além da notícia anteiror, que se refere ao Rio de Janeiro, foram condenados a indenizar uma das suas clinetes/vítimas em Belo Horizonte por atraso. 


6.     Ruby Bar Ltda - Belo Horizonte
a.      Havia um trabalhador em condições de escravidão no local, no centrão de Belo Horizonte [Rua Curitiba esquina com Santos Dumont]. O local é mais conhecido como um hotel/pensão daqueles que cobram R$20 por hora pelo uso de quartos já ocupados por profissionais qualificadas.
b.     A região em questão deve ter a maior concentração de casas de prostituição do mundo e já hospedou gente famosa como Hilda Furacão em outros tempos mais românticos e numa chave muito menos idealizada a sensacional ativista/prostituta Gabriela Leite.
c.      Não consegui descobrir quem é o dono do Ruby, que foi fechado provisoriamente em 2013 por não ter sistema preventivo contra incêndio. Será que o escravo lá encontrado estava trabalhando na reforma em 2014? 


7.     João Batista Rabelo Santos - Sete Lagoas
a.      13 escravos envolvidos em construção civil na cidade, numa boutique de bijouterias no centro da cidade chamada de It- Increment Complementos Da Moda. Foram trazidos da Bahia com promessas de bons salários e foram libertados graças a intervenção do sindicato da construção civil.

Monday, May 23, 2016

Belo Horizonte e o trabalho escravo no século XXI [em 3 partes]

Na lista suja do trabalho escravo, entre as 45 ocorrências de Minas Gerais [estado em segundo lugar na lista perdendo apenas para o Pará], descobri onze ocorrências em Belo Horizonte e cercanias. Eis as quatro primeiras:


1.     Calixto e Dias Serviços Ltda - Belo Horizonte
a.      Possuem uma empresa de “Produção de Laminados e Cortes de Aço” na BR262 no bairro Olhos d’Água de propriedade de Milton Vianna Dias e Bruno Simões Dias. Eduardo Calixto [que está implicado em casos de escravidão em Juiz de Fora].
b.     Os Dias são donos do Grupo  PRECON, poderoso na produção de material pré-fabricado para construção civil. As origens do poder da família remontam a marca de cimento Cauê, desde 1967 nas mãos da hoje multinacional Camargo Corrêa.
c.      Bruno Dias diz em entrevista comemorando 45 anos do grupo que sua empresa “tem uma visão humanista desde a sua formação. Queremos que as pessoas gostem de fazer parte desse time e sabemos que há o que melhorar”. 



2.     CCM - Construtora Centro Minas Ltda - Belo Horizonte
a.      A empreiteira relativamente desconhecida mas que só perdeu para Oderbrecht em 2014 ao receber da união R$602,5 milhões através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para dar manutenção em rodovias.
b.     Sua principal concorrente era a Delta de um certo Cavendish.
c.      Reportagem do Valor Econômico de 2015 revela que Luis Otávio Fontes Junqueira e Maria Aquino Mendes Leite [viúva do fundador] são os sócios, mas estão em processo de divisão. A nova empresa da família Fontes Junqueira se chama LCM e a de Maria Leite, se chama Ethos.
d.      Em 2011 a justiça decretou a indisponibilidade dos bens dos sócios da CCM por irregularidades em obras em Tocantins. No ano anterior haviam doado R$750 mil ao PSDB do estado governador desde então por Siqueira Campos.
e.      Nem por isso a CCM deixou de faturar com contratos públicos, com R$19 milhões em obras na Paraíba.



3.     Embraforte Segurança e Transporte de Valores Ltda - Belo Horizonte
a.      Empresa do irmão da poderosa secretária do planejamento dos governos Aécio/Anastasia, Renata Vilhena.
b.     Além de trabalho escravo, os donos tiveram a prisão preventiva pedida pela polícia civil por desviarem R$22,7 milhões do BB com o abastecimento dos caixas-forte no sul de minas. O golpe aconteceu enquanto Renata era secretária, “na sombra do prestígio da irmã” e os donos da empresa jogaram toda a culpa em seus funcionários. 



4.     Teixeira & Sena Ltda - Belo Horizonte
a.      Antes de ir para a obra da MRV em Contagem os mesmos trabalhadores aliciados em Manhuaçu trabalharam em obra dessa construtora no Bairro Santo Antônio, na zona sul de Belo Horizonte. Lá “a jornada se iniciava por volta das 8hs e se estendia até 22hs ou 23hs”. O caso de compartilhamento de miséria alheia está descrito no saite “Repórter Brasil”.
b.     A empresa é de Manhuaçu e “sua atividade principal é serviços de pintura em geral”.

Tuesday, May 17, 2016

Sobre a Citação como Uma Forma de Traição Além de Qualquer Tradução

-->

Um exemplo fascinante de uma tradução que sai dos trilhos por motivos que nada têm a ver com a tradução em si é a seguinte frase famosa escrita pelo dramaturgo cômico romano de origem africana Terêncio [Publius Terentius Afer]:

Homo sum: humani nihil a me alienum puto.

Destrinchando rapidamente a frase:
homo = homem;
sum é “sou”;
humani = aquilo que é humano
nihil é “nada”;
alienum é “alheio”
a me é “a mim” ou “para mim”
puto é a primeira pessoa singular do verbo putare [nada de pensar em bobagem]
que significa aqui “considerar” [dele veio nosso “imputar”]

A famosa frase foi traduzida para o português elegantemente [não sei por quem] assim:

Sou um homem: nada do que é humano me é estranho.

Não há nada de errado com a tradução, não é mesmo?  

Numa busca simples no Gúgol encontramos a frase sendo citada num documento do ministério público [do Rio de Janeiro], dois saites de um mesmo psicoterapeuta, uma revista [TAXI], um saite que ensina filosofia, um blogue de “espiritualidade crista”, um forum sobre jogos, colunas de jornais, etc. Todos usam a frase para apoiar algum tipo de abertura humanista a todas as variedades de existência humana ou para fazer algum vago apelo pela curiosidade nos assuntos humanos.

O problema é que essa não é uma frase de Terêncio, mas uma frase escrita por Terêncio e inserida nos diálogos de uma comédia, Heauton timorumenon (“o que se pune a si próprio”, que por sinal dá uma vontade danada de des-traduzir como “O masoquista” …). A frase é uma fala de um personagem que se intromete constantemente na vida dos outros e está cinicamente defendendo o seu direito de se meter onde não é chamado dizendo alguma coisa mais ou menos assim:

“Eu sou do mundo, então nada da vida de todo mundo não me diz respeito”.

Em outras palavras, não se trata de uma exortação ao interesse humanista pelo outro, mas de uma simples e cínica exortação comicamente grandiosa à fofoca e sua irmã siamesa de origem italiana [bisbigliatore] o ato de bisbilhotar.
 
Minha tradução ali em cima é feia e desajeitada, assim como traduzir Heauton timoroumenos como “O masoquista” seria uma piada muito metida à besta. A tradução primeira, que levou a tantos usos comicamente equivocados, é bastante razoável. O desvio de rota acontece porque o cinismo despudorado de um personagem se transforma em máxima de um venerando escritor romano, exemplo do humanismo clássico de Terêncio ou dos romanos em geral, que se interessariam nobremente por tudo que é da existência humana e coisa e tal.

Como é que uma tradução dessa frase famosa lidaria com essa tendência a fazer dela uma outra coisa, principalmente já que essa outra coisa já faz parte do que poderíamos chamar de “infortuna crítica” da peça há séculos? Sinceramente não sei. Quem é um mero tradutor frente a esses maremotos de mal-entendidos, repetidos milhares de vezes como se repetem hoje na velocidade da luz da internet de citação em citação, nessa maçaroca/avalanche que é o discurso insosso de políticos, juízes, acadêmicos, especialistas e burocratas e seus programas de entrevistas no rádio e na televisão, suas coleções de citações “bonitas” nas revistas semanais ou especializadas, nas colunas de jornais, no noticiário, etc.? 

E nem tudo nessa des-leitura da tal famosa frase é consenso comum ou recheio de linguiça. A tradução para o inglês é “I am human: nothing human is alien to me.”  Num artigo anunciando aquilo que seria seulivro Cosmopolitanism: Ethics in a World of Strangers, Kwame Anthony Appiah glosou da seguinte maneira a tal frase da peça de Terêncio:

Our guide to what is going on here might as well be a former African slave named Publius Terentius Afer, whom we know as Terence. Terence, born in Carthage, was taken to Rome in the early second century B.C., and his plays - witty, elegant works that are, with Plautus's earlier, less-cultivated works, essentially all we have of Roman comedy - were widely admired among the city's literary elite. Terence's own mode of writing - which involved freely incorporating any number of earlier Greek plays into a single Latin one - was known to Roman littérateurs as "contamination."
It's an evocative term. When people speak for an ideal of cultural purity, sustaining the authentic culture of the Asante or the American family farm, I find myself drawn to contamination as the name for a counterideal. Terence had a notably firm grasp on the range of human variety: "So many men, so many opinions" was a line of his. And it's in his comedy "The Self-Tormentor" that you'll find what may be the golden rule of cosmopolitanism - Homo sum: humani nil a me alienum puto; "I am human: nothing human is alien to me." The context is illuminating. A busybody farmer named Chremes is told by his neighbor to mind his own affairs; the homo sum credo is Chremes's breezy rejoinder. It isn't meant to be an ordinance from on high; it's just the case for gossip. Then again, gossip - the fascination people have for the small doings of other people - has been a powerful force for conversation among cultures.
Sinceramente, acho que por trás de toda a sofisticação-made in NYT está mais uma des-leitura do texto de Terêncio, tão equivocada como qualquer outra das outras que encontrei na internet em português ou em inglês. Talvez haja alguma verdade involuntária em toda a des-leitura, em toda a citação que trai sua fonte, como em toda tradução que trai o texto de onde parte. Talvez haja um desvelo involuntário da bestagem e pomposidade do próprio Appiah nessa tentativa dele de fazer do que diz um personagem tão besta e pomposo como Chremes um profundo e grandioso chamado pela contaminação gloriosa entre culturas desde um cheiroso escritório em Princeton. Seria obrigação dos latino americanos saber que essa alegre festa da contaminação cultural não se dá entre iguais – que nem todo escravo africano é educado para escrever elegantes comédias latinas – e que as miscigenações culturais e raciais estão quase sempre mais para estupro que para romance. E é prova da nossa triste condição colonial que somos capazes de repetir desde gabinetes mais humildes o elogio cosmopolita de si mesmo de Appiah e Rushdie sem entender que esse auto-elogio simplesmente não nos inclui além de, no máximo, uma barraquinha vendendo pão-de-queijo no Central Park. 

Mas essa tristeza que não é de forma alguma inaproveitável, sendo para mim aquela tristeza que Primo Levi evoca no final de um lindo conto chamado “Lillít”, que termina assim:

“... la tristezza non mendicabile che cresce sulle rovine delle civiltà perdute
[a tristeza irremediável que cresce das ruínas das civilizações perdidas].

Advirto aos incautos que não me absolvo de ter talvez traído o original de Primo Levi ao ter traduzido e citado o final do seu conto aqui.  Meu consolo é que, como não ofereço com minha operação tradutora/citadora/traidora nenhum tipo de letrado "empoderamento" [palavrinha infeliz] triunfante, não espero começar aqui no Às moscas um tsunami de mal-entendidos.

Thursday, May 12, 2016

Viagem no tempo: tentando por aspas em golpes de estado

Fernando Lugo
"... acá en mi país hubo un cambio de guardia en forma absolutamente normal, constitucional, ajustada a las leyes...  esta transición se hizo a través de un procedimiento constitucional y legal."
Federico Franco em entrevista a jornal argentino em junho de 2012. Franco era vice-presidente e assumiu após a derrubada do presidente Fernando Lugo no Paraguai. Investigado desde 2015 por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito




Manuel Zelaya
"O mundo inteiro está contra nós, e tudo o que fizemos foi nos livrarmos de um mau presidente."
Manuel Acosta Bonilla em declaração a repórter da The New Yorker em novembro de 2009 sobre o golpe que tirou o presidente Manuel Zelaya do poder em Honduras. Acosta Bonnilla é político e foi ministro em vários governos hondurenhos, sendo o atual representante do país na ONU.




“Não há exagero em afirmar que o novo governo se instala num clima de simpática expectativa e saudável confiança.”
“… o novo presidente deu ao país mais uma razão de confiar em que prosseguiremos no bom caminho percorrido até aqui e que nos há de conduzir a dias ainda melhores” 

Folha de São Paulo, editorial de 30 de outubro de 1969, quando da posse do General Médici 




João Goulart
"PLEASE accept my warmest good wishes on your installation as President of the United States of Brazil. The American people have watched with anxiety the political and economic difficulties through which your great nation has been passing, and have admired the resolute will of the Brazilian community to resolve these difficulties within a framework of constitutional democracy and without civil strife.
The relations of friendship and cooperation between our two governments and peoples are a great historical legacy for us both and a precious asset in the interests of peace and prosperity and liberty in this hemisphere and in the whole world. I look forward to the continued strengthening of those relations and to our intensified cooperation in the interests of economic progress and social justice for all and of hemispheric and world peace."
Mensagem do dia 2 de abril de 1964 do presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson a Ranieri Mazzilli, que substituía o presidente deposto João Goulart 



"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem." 
Editorial do jornal O Globo em 2 de abril de 1964