Monday, March 31, 2014

Poesia: "Os Dois" de Cruz e Souza

OS DOIS
Aos pobres

– Minha mãe, minha mãe, quanta grandeza
Nesses palácios, quanta majestade;
Como essa gente há de viver, como há de
Ser grande sempre na feliz riqueza.

Nem uma lágrima sequer – e à mesa
Dentre as baixelas, dentre a imensidade
Da prata e do ouro – a azul felicidade
Dos bons manjares de ótima surpresa.

Nem um instante os olhos rasos d’água,
Nem a ligeira oscilação da mágoa
Na vida farta de prazer, sonora.

– Como o teu louco pensamento expandes
Filho – a ventura não é só dos grandes
Porque, olha, o mar também é grande e... chora!

Sunday, March 30, 2014

Voltar atrás para seguir em frente: Sobre a Cultura do Estupro

O capítulo 22 do Deuterônimo, livro do velho testamento e também da Torá, trata,na sua metade, de regras referente ao trato de animais domésticos. A segunda metade do capítulo trata do que chamaríamosem termos contemporâneos de "cultura do estupro". Ei-los:

13 Se um homem tomar uma mulher por esposa, e, tendo coabitado com ela, vier a desprezá-la,
14 e lhe atribuir coisas escandalosas, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher e, quando me cheguei a ela, não achei nela os sinais da virgindade;
15 então o pai e a mãe da moça tomarão os sinais da virgindade da moça, e os levarão aos anciãos da cidade, ã porta;
16 e o pai da moça dirá aos anciãos: Eu dei minha filha por mulher a este homem, e agora ele a despreza,
17 e eis que lhe atribuiu coisas escandalosas, dizendo: Não achei na tua filha os sinais da virgindade; porém eis aqui os sinais da virgindade de minha filha. E eles estenderão a roupa diante dos anciãos da cidade.
18 Então os anciãos daquela cidade, tomando o homem, o castigarão,
19 e, multando-o em cem siclos de prata, os darão ao pai da moça, porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. Ela ficará sendo sua mulher, e ele por todos os seus dias não poderá repudiá-la.
20 Se, porém, esta acusação for confirmada, não se achando na moça os sinais da virgindade,
21 levarão a moça ã porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão até que morra; porque fez loucura em Israel, prostiruindo-se na casa de seu pai. Assim exterminarás o mal do meio de ti.
22 Se um homem for encontrado deitado com mulher que tenha marido, morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher. Assim exterminarás o mal de Israel.
23 Se houver moça virgem desposada e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela,
24 trareis ambos ã porta daquela cidade, e os apedrejareis até que morram: a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo. Assim exterminarás o mal do meio de ti.
25 Mas se for no campo que o homem achar a moça que é desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, morrerá somente o homem que se deitou com ela;
26 porém, ã moça não farás nada. Não há na moça pecado digno de morte; porque, como no caso de um homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida, assim é este caso;
27 pois ele a achou no campo; a moça desposada gritou, mas não houve quem a livrasse. em juizo, entre sangue
28 Se um homem achar uma moça virgem não desposada e, pegando nela, deitar-se com ela, e forem apanhados,
29 o homem que se deitou com a moça dará ao pai dela cinqüenta siclos de prata, e porquanto a humilhou, ela ficará sendo sua mulher; não a poderá repudiar por todos os seus dias.
30 Nenhum homem tomará a mulher de seu pai, e não levantará a cobertura de seu pai.

Essas são as velhas regras do patriarcado, regras que estão na base das relações sexuais entre homens e mulheres no cristianismo e no judaísmo. Elas dividem as vítimas de violência sexual em dois grupos bem contrastados: as mulheres dignas [virgens de Israel] e aquelas indignas. Dignos de nota também a vontade de distinção entre a mulher que grita por socorro e a que supostamente não o faz e a interpolação financeira nos vários casos. Escrevi sobre o assunto lendo três contos de Faulkner, Rulfo e Rosa, contos que me chamaram a atenção pela existência neles de mulheres que chamei [citando a Rosa] de "Órfãs de Dinheiro". Leiam esse trecho acima, meditem e pensem no desafio que é desmontar esse ferrolho na sociedade ocidental - principalmente quando moralistas e vendedores de sacanagem vivem reforçando o dito ferrolho. Leiam, quem sabe, os três contos ["Esses Lopes", "Wash" e "Es que somos muy pobres"] para entender o que é colocar a inteligência crítica da narrativa de ficção a favor deste desmonte. E sigamos em frente.

Friday, March 28, 2014

Quando é que arte incomoda?


Trecho de entrevista de Vladimir Safatle ao Coletivo Zagaia acessível no site da revista Sibila:

“normalmente quando se fala sobre a autonomia da arte isso parece um pouco retomar um discurso da arte pela arte, onde a relação entre arte e sociedade desaparece. Eu insistiria no contrário: só quando é radicalmente autônoma, quando a arte fala dela mesma, ela é política; só quando ela deixa de falar da sociedade e fala dela mesma que ela é política. Por quê? Jacques Rancière tem uma ideia boa a esse respeito, que é mais ou menos a seguinte: aqueles que criticaram a importância da discussão sobre a autonomia no modernismo estético, esqueceram que a autonomia é uma maneira que a arte tinha de fazer apelo a uma comunidade por vir; ou seja, uma maneira de dizer que a obra de arte não reconhece mais a ordem reificada na realidade social. Ela não conhece mais o modo de visibilidade naturalizado na realidade social, não conhece mais o modo de narrativa reificado na realidade social. A arte procura constituir uma comunidade possível a partir de uma outra visibilidade, ou de uma outra narrativa, de um outro modo de ordenamento; e isso só ocorre quando ela é radicalmente autônoma.”




Monday, March 24, 2014

Guardiães da Ordem

Arte Minha: Correntes Subterrâneas Profundas

“Estos guardianes del orden son unos caníbales.” 
Carta do pai de Juan Rulfo de 1922, um ano antes de ser assasinado. 
Página 11 do fascinante livro/biografia que escreveu Alberto Vital 
sobre Juan Rulfo chamado Noticias sobre Juan Rulfo 

Sunday, March 23, 2014

Poesia minha: anti

Arte Minha: O Outro

Practica inquisitionis hereticae pravitatis

And therefore, since I cannot prove a lover
To entertain these fair-spoken days,
I am determined to be a villain.
Ricardo III


apaga o outro
estereotípico
e morre em vida 
constrói seu inferno
reduzindo o outro 
a um inimigo

Thursday, March 20, 2014

Diario da Babilonia - Books-n-Parks

Finalizando os posts sobre a democratização da leitura na cidade onde eu moro, uma iniciativa chamada Books n Parks feita nos muitos parques da cidade - 10 deles [sim, New Haven têm 200.000 habitantes e 3 parques imensos - calcule agora quantos parques imensos Belo Horizontes teria que ter].

É uma simples e pequena idéia, que eu acho muito simpática: uma dúzia de livros usados fornecidos pelo New Haven Reads são colocados dentro de uma caixa que os protege das intempéries [e o que não falta por aqui são intempéries].

A caixa não tem qualquer tipo de tranca. Qualquer pessoa pode chegar no parque e encontra, estrategicamente perto dos playgrounds para as crianças, essas caixas. Pode pegar um livro qualquer para ler ou folhear enquanto está no parque. A escolha é sua: você pode devolver à caixa quando for embora para casa ou pode até levar o livro para terminar casa sem problema. Nesse caso, só se pede que você deixe outro livro qualquer no lugar.

Acho também extraordinário esse convite para um gesto de civilidade que não vem acompanhado de nenhuma fiscalização ou ameaça de sanção. 

Wednesday, March 19, 2014

Diario da Babilônia - New Haven Reads

New Haven Reads é um "banco comunitário de livros" criado em 2001, quando constatou-se que dois terços da população adulta de New Haven tinham um nível de leitura abaixo da terceira série do primeiro grau.
A coisa funciona assim: você tem livros em casa que não quer guardar? Traga para nós. Você quer um livro novo para ler? Venha aqui e escolha um do nosso acervo. O "banco" inicial foi montado a partir de doações de um grupo específico [ex-alunos de Yale graduados em 1955 - a universidade faz um grande esforço para manter os ex-alunos em contato e engajados com a instituição].

O "portentoso" prédio onde fica o New Haven Reads
O espaço é pequeno mas bem montado e confortável. De tempos em tempos passamos por lá, ou para pegar livros ou para levar livros.

O pessoal "dando uma testada" nos livros

Logo depois de aberto o espaço permanente foi incorporado um sistema que funciona com voluntários da cidade que oferecem aulas de reforço para alunos que estão aprendendo ou estão tendo dificuldades com leitura.
Aula de reforço lá dentro

Monday, March 17, 2014

Diário da Babilônia - Bibliotecas


Moro em uma cidade de mais ou menos 200.000 habitantes no nordeste dos Estados Unidos. A minha cidade conta com uma biblioteca pública central no centro da cidade e quatro filiais localizadas em bairros diferentes. Entre 2000 e 2012 a circulação nas bibliotecas públicas de New Haven per capita aumentou em 51%, enquanto no mesmo período ela diminuiu uma média de 17% nas cidades circundantes [Hamden, East Haven, North Haven e West Haven, todas elas “coladas” em New Haven, formando com ela uma zona metropolitana de mais ou menos 1 milhão de pessoas]. 

Do ponto mais distante de New Haven até o centro gasta-se no máximo uma hora a pé ou quinze ou vinte minutos de ônibus. Mesmo assim as filiais tem prédios novos e modernos – e três delas ficam no coração dos bairros mais humildes da cidade [cidade que tem mais ou menos a metade dos seus habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza]. Isso mesmo: New Haven é pobre e por isso sua população precisa de opções de lazer de baixo custo e é isso mesmo que as bibliotecas da cidade oferecem: lazer e cultura.  
Courtland & Wilson fica num dos bairros mais pobres de New Haven, chamado "The Hill", ganhou um prédio novo em 2006

Minha família visita a biblioteca central semanalmente – a pedido das crianças, que adoram o espaço delas na biblioteca com computadores, mesas de atividades, leituras públicas, xadrez, hora do lego, DVDs e revistas. Lá elas escolhem o que querem ler, portanto nada “educativo”, que muitas vezes é sinônimo de moralista ou simplesmente chato. Lá eles convivem com outras crianças da cidade e mesmo se encontram com colegas da escola. 
A biblioteca central, reformada e reaberta em 1990


Saturday, March 15, 2014

Poesia: Philip Larkin


Foto minha: Olivia Olha Meu Pai
Lines on a Young Lady's Photograph Album

At last you yielded up the album, which,
Once open, sent me distracted. All your ages
Matt and glossy on the thick black pages!
Too much confectionery, too rich:
I choke on such nutritious images. 

My swivel eye hungers from pose to pose –
In pigtails, clutching a reluctant cat;
Or furred yourself, a sweet girl-graduate;
Or lifting a heavy-headed rose
Beneath a trellis, or in a trilby hat 

(Faintly disturbing, that, in several ways) –
From every side you strike at my control,
Not least through these disquieting chaps who loll
At ease about your early days:
Not quite your class, I'd say, dear, on the whole. 

But o, photography! as no art is,
Faithful and disappointing! that records
Dull days as dull, and hold-it smiles as frauds,
And will not censor blemishes
Like washing-lines, and Halls'-Distemper boards, 

But shows the cat as disinclined, and shades
A chin as doubled when it is, what grace
Your candour thus confers upon her face!
How overwhelmingly persuades
That this is a real girl in a real place, 

In every sense empirically true!
Or is it just the past?
Those flowers, that gate,
These misty parks and motors, lacerate
Simply by being over; you 
Contract my heart by looking out of date. 

Yes, true; but in the end, surely, we cry
Not only at exclusion, but because 
It leaves us free to cry. We know what was
Won't call on us to justify
Our grief, however hard we growl across 

The gap from page to page. So I am left
To mourn (without a chance of consequence)
You, balanced on a bike against a fence;
To wonder if you'd spot the theft
Of this one of you bathing; to condense, 
In short, a past that no one now can share,
No matter whose your future; calm and dry,
It holds you like a heaven, and you lie
Unvariably lovely there,
Smaller and clearer the years go by.

Mais Philip Larkin aqui.

Friday, March 14, 2014

Música: A fossa transcedental de John Lennon

God
John Lennon

God is a concept
By which we measure
Our pain
I'll say it again
God is a concept
By which we measure
Our pain

I don't believe in magic
I don't believe in I-ching
I don't believe in Bible
I don't believe in tarot
I don't believe in Hitler
I don't believe in Jesus
I don't believe in Kennedy
I don't believe in Buddha
I don't believe in Mantra
I don't believe in Gita
I don't believe in Yoga
I don't believe in kings
I don't believe in Elvis
I don't believe in Zimmerman
I don't believe in Beatles

I just believe in me
Yoko and me
And that's reality
The dream is over
What can I say?
The dream is over
Yesterday

I was the Dreamweaver
But now I'm reborn
I was the Walrus
But now I'm John
And so, dear friends,
You'll just have to carry on
The dream is over.

Wednesday, March 12, 2014

Poesia minha: Funk da Auto-Ajuda ou decálogo da ansiedade/depressão

Arte minha: Auto-Retrato
[clique para ver a imagem maior]
Funk da Auto-Ajuda ou Decálogo da ansiedade/depressão

A ansiedade espreme,
a depressão sufoca.

A ansiedade aponta para cima,
a depressão aponta para baixo.

A ansiedade acelera,
a depressão desacelera.

A ansiedade explode,
a depressão implode.

A ansiedade é o maquinário do corpo
batendo pino,
a depressão é o maquinário do corpo
fundindo o motor.

A ansiedade se sente no corpo como pressão,
a depressão o corpo sente como imersão
num nada opaco e viscoso.

A ansiedade ara o campo
no qual a depressão depois semeia
sua morte em vida.

A ansiedade derruba o tronco
onde o cogumelo da depressão viceja.

A ansiedade e a depressão se alimentam
tanto da pressão
feita pela razão surda
da produção
quanto da pressão
feita pela emoção cega
do consumo.

A ansiedade expressa
o que a depressão exprime.


Monday, March 10, 2014

O manifesto revisitado com força de sentido renovado - Charles Bernstein em "Recalculations"

Abaixo meus trechos favoritos de "Manifest Aversions, Conceptual Conundrums, & Implausibly Deniable Links," poema de Charles Bernstein publicado no seu último livro Recalculations:

"Immature poets borrow, Mature poets invest.

[...]

The work of art 'itself' does not exist, only incommensurable social contexts through which it emerges and into which it vanishes.

[...]

The shock of the new for some, the invigorating tonic of the contemporary for others.  

[...]

No pardist goes unpunished because in these times the parodist is pilloried for the views he or she parodies. In a world of moral discourse absent ethical engagement, only the self-righteous go unrebuked.

[...]

I am not the man I was much less the one I will be nor imagine myself as, just the person I almost am.

A bird calls but I hear only its song.

[...]

I'm an observant Jew. I look closely at the things around me, as if they were foreign.

[...]

My mind is a labyrinth with well-lit exit signs; as much as I try, I can't ignore them. When I take leave of my mind I put myself in the care of my brain. In this way, I become again the animal to which my mind is blind.

[...] 

Rather than an expression of love, justice is a protection against our inability to love.

We are most familiar with our estrangement; it is our home ground.

The absence of accent is also an accent.

Yet the Dark, untouched by light, injures it all the same."

 

Saturday, March 08, 2014

Leopoldo María Panero


Leopoldo María Panero aos 21 anos escreveu isso:

 “Vivo dentro de la fantasía paranoica del fin del mundo y no solo no quiero salir de ella sino que pretendo que los demás entren en ella. Todas mis palabras son la misma que se inclina hacia muchos lados, la palabra FIN, la palabra que es el silencio, dicha de muchos modos”

Aos 38 escreveu para nos transportar para o lado de dentro do portão do manicônio: 

EL LOCO MIRANDO DESDE LA PUERTA DEL JARDÍN

Hombre normal que por un momento
cruzas tu vida con la del esperpento
has de saber que no fue por matar al pelícano
sino por nada por lo que yazgo aquí entre otros sepulcros
y que a nada sino al azar y a ninguna voluntad sagrada
de demonio o de dios debo mi ruina.


Mais de 500 páginas de poemas e 44 anos depois ele achou o seu FIN no dia 3 de março de 2014.

Friday, March 07, 2014

Poesia para meu pai e arte minha: "Os olhos de D. Paula" e "Carnaval"

Os olhos de D. Paula

                                                                                                                                   Para meu pai, que amava Machado de Assis

um par de olhos grandes
que teriam sido infinitos
abaixa-se para deixar
passar a onda, e ressurgir,
grandes, sagazes e teimosos,
lendo devagar, enfiando-se
entre sílabas e letras
para beber as palavras
como um cordial.

Tinha de novo toda a vida
nos olhos; essa mocidade,
inquieta e palpitante,
a boca fresca,
os olhos ainda infinitos.


Wednesday, March 05, 2014

Do espantoso ao inconcebível


 “Nem há mais nem sinal da confiança e simpatia das massas do Oeste da Ucrânia para com o Kremlin. Desde o último 'purgo' na Ucrânia ninguém no oeste do país que ser parte da satrapia do Kremlin que atende pelo nome de Ucrânia Soviética. As massas de trabalhadores e camponeses na Ucrânia occidental, na Bukovina, nos Cárpatos ucranianos estão em estado de confusão: A quem recorrer? De quem exigir? Tal situação naturalmente direciona suas lideranças na direção dos grupos ucranianos mais reacionários que expressam seu ‘nacionalismo’ tentando vender o povo ucraniano a um ou outro imperialismo em troca de uma ilusória independência.”
Fragmento de texto de Leon Trotski de 22 de abril de 1939. 
O texto completo [em inglês] você encontra aqui.

Que a história tivesse copiado a história já era suficientemente espantoso; que a história copie a literatura é inconcebível...”
Fragmento do conto “Tema del traidor y del héroe” de Jorge Luis Borges de 1944.
O conto completo em espanhol está aqui.

Monday, March 03, 2014

Postal: A única maneira


Arte Minha: "Chang, Ta-tung"
“La única manera de fijarse es devorarse”
Carlos Monsiváis

Saturday, March 01, 2014

Recordar é viver ou porque eu corro para as montanhas quando a direita na América Latina fala em defender a democracia

O que se faz em nome da democracia na América Latina

Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí.
Augusto Monterroso, 1956 

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.”
Editorial de O Globo, 1 de abril de 1964

A oferta de meu compromisso ao povo, perante o Congresso de seus representantes, quero-a um ato de reverdecimento democrático.”
Emilio Garrastazu Médici, 30 de outubro de 1969

"Afirmo hoy, una vez más y en circunstancia trascendentes para la vida del país, nuestra profunda vocación democrática y nuestra adhesión sin reticencias al sistema de organización política y social que rige la convivencia de los uruguayos.”
Dicurso de Juan María Bordaberry, 27 junho 1973

“Es conveniente la participación consciente y responsable de la ciudadanía, como clave de la democracia viva y depurada, que deberá abrirse paso hacia el futuro; para ello daremos nuestra prioridad a los Colegios, al profesional, a los gremios y a los trabajadores, para que en estrecho contacto con ellos, reflejen el auténtico pensamiento del pueblo organizado, en torno a sus actividades de trabajo o estudio.”
Discurso de Augusto Pinochet, 11 de setembro de 1973

“Un factor había contribuido notablemente a este deterioro de nuestro estilo de vida democrático y, si hubiera que definirlo en una sola palabra, diría que es demagogia.”
Jorge Rafael Videla, 25 de maio de 1976
http://www.desaparecidos.org/nuncamas/web/document/militar/discvide.htm