Friday, July 31, 2015

Música: Calle 13 de Porto Rico para a América Latina



Latinoamérica (feat. Totó la Momposina, Susana Baca, Maria Rita)


Soy, soy lo que dejaron
Soy toda la sobra de lo que se robaron
Un pueblo escondido en la cima
Mi piel es de cuero
Por eso aguanta cualquier clima

Soy una fabrica de humo
Mano de obra campesina para tu consumo
Frente de frío en el medio del verano
El amor en los tiempos del cólera, mi hermano

El sol que nace y el día que muere
Con los mejores atardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Un discurso político sin saliva

Las caras mas bonitas que he conocido
Soy la fotografía de un desaparecido
La sangre dentro de tus venas
Soy un pedazo de tierra que vale la pena

Una canasta con frijoles
Soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles
Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta es mi cordillera

Soy lo que me enseño mi padre
El que no quiere a su patria
No quiere a su madre
Soy América latina
Un pueblo sin piernas pero que camina

Tu no puedes comprar el viento,
Tu no puedes comprar el sol,
Tu no puedes comprar la lluvia,
Tu no puedes comprar el calor,
Tu no puedes comprar las nubes,
Tu no puedes comprar los colores,
Tu no puedes comprar mi alegría,
Tu no puedes comprar mis dolores.

Tengo los lagos, tengo los ríos
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrío
La nieve que maquilla mis montañas
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña

Un desierto embriagado con peyote
Un trago de Pulque para cantar con los coyotes
Todo lo que necesito
Tengo a mis pulmones respirando azul clarito

La altura que sofoca
Soy las muelas de mi boca mascando coca
El otoño con sus hojas desmayadas
Los versos escritos bajo la noche estrellada

Una viña repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba
Soy el mar caribe que vigila las casitas
Haciendo rituales de agua bendita

El viento que peina mi cabello
Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello
El jugo de mi lucha no es artificial
Por que el abono de mi tierra es natural

[Coro:]
Tu no puedes comprar el viento,
Tu no puedes comprar el sol
Tu no puedes comprar la lluvia,
Tu no puedes comprar el calor
Tu no puedes comprar las nubes,
Tu no puedes comprar los colores
Tu no puedes comprar mi alegría,
Tu no puedes comprar mis dolores
Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor
Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha alegria
Não se pode comprar minhas dores

Trabajo bruto pero con orgullo
Aquí se comparte, lo mio es tuyo
Este pueblo no se ahoga con marullos
Y si se derrumba, yo lo reconstruyo

Tampoco pestañeo cuando te miro
Para que te acuerdes de mi apellido
La operación cóndor invadiendo mi nido
Perdono pero nunca olvido
Oye!

Vamos caminando
Aquí se respira lucha
Vamos caminando
Yo canto porque se escucha

Vamos dibujando el camino
Estamos de pie
Vamos caminando
Aquí estamos de pie 

¡Que viva la América!

No puedes comprar mi vida...

Thursday, July 30, 2015

Prosa Minha: A Geração de 1965

A Geração de 65

Meu pai parecia saber tudo sobre tudo. Ironicamente acho que ele não tinha a menor ideia sobre o que fazer com todo esse conhecimento. Mas acho que isso não o incomodava. Relacionar-se com pessoas de carne e osso para ele não tinha a menor importância. Seu mundo era o mundo das ideias, que para ele não eram nunca boas ou más, mas apenas interessantes. Ironicamente ele me pediu antes de morrer que eu destruísse tudo o que escreveu depois que ele morresse. Eu o obedeci, mas um de seus textos, que segue, já havia sido publicado.[1]

“A Geração de 65 é das mais vigorosas do século, principalmente no que diz respeito à chamada lírica da solidão anabolizante, com uma busca incessante da experimentação estética em linhas arrojadas, porém eminentemente bucólicas. Foram publicados inicialmente nas páginas amarelas das revistas Broca, Espelho e, é claro, Klut – O Passado Condena; além do lendário caderno de cultura do jornal Folha de Moctezuma dirigido na época por Eulálio Fagundes Feitosa e Júlia Jorge de Medeiros. Essa é uma geração marcada acima de tudo pelo desastre da desclassificação da seleção iugoslava nas eliminatórias para a Copa da Inglaterra e seu líder inconteste e figura mais importante é, sem dúvida, Xerxes Feitosa. Advogado, militante estudantil, jornalista e dono de uma academia de ginástica, Xerxes Feitosa teve em Largos Anéis, seu primeiro livro de poemas, um sucesso sem precedentes, tendo permanecido na lista dos mais vendidos de Moctezuma por 33 semanas consecutivas. O sucesso descomunal de Largos Anéis acabou gerando protestos de emissoras de televisão, que reclamavam da competição desleal contra seus programas, abandonados às moscas enquanto a cidade promovia intermináveis saraus que sempre terminavam com a leitura entusiasmada dos poemas mais famosos de Xerxes: “Lava,” “Ode ao Envelope Lacrado” e principalmente “Fragmentos de um Frango de Poliuretano.” Magnitudes Infinitesimais marca uma guinada histórica na trajetória do poeta, com poemas curtos e grossos alusivos à polêmica com a televisão que culminou com o manifesto Televisão Também é Cultura. Destacam-se nesse livro os poemas “Lápides em Pó” e “Estrofes em Trufas.” Destacam-se também na Geração de 65 Coriolano França Júnior, poeta do amor solitário e das divagações amarguradas sobre a falta de dinheiro, e Gérson Gilson Siqueira, conhecido pelo seu rigor informal e comprometimento antissocial e pelas bucólicas memórias da juventude no bairro Servo-Croata de Montezuma. O crítico Almenara Salustiano descreve a Geração de 65 com as seguintes palavras: “Jovens maduros, paradigmáticos, mórbido-emotivos e por vezes até confusos, mas sempre estéticos, os poetas da Geração de 65 fundem o cru e o cozido, o macro e o micro, o hermenêutico e o seráfico numa síntese de opostos ortodoxos.”  




[1] Texto publicado originalmente na antologia “Os Duzentos Melhores Poetas de Montezuma” de Olavo Penafiel Filho.

Tuesday, July 28, 2015

Prosa Minha: A Cadeia da Felicidade

Desenho meu: Cadeia da Felicidade
Um dia passei um dia inteiro trancado num carro ouvindo a rádio CBN, aquele túmulo da língua portuguesa. Num lampejo de loucura, parei no acostamento e escrevi isso:

A Cadeia da Felicidade


Primeiro um breve resumo:
Ano passado Válter Disnêi criou e patenteou um aspirador de pó que podia também ser usado como secador de pentelhos ou ventilador-cortador de batatas. A fábrica de biscoitos e miúdos Guarani fechou então contrato para produzir em larguíssima escala em suas modernas linhas de montagem o aparato no formato transformer: forma de Elefante, Tamanduá ou pano de prato com um simples e rápido jogo de botões e alavancas móveis em cores e linhas de caráter leve e arrojado. A cadeia de lojas de departamento de massa Pancrácio assinou contrato de exclusividade para a distribuição do produto nas suas lojas no país e no exterior e anuciou o uso do revolucionário sistema de embalagem KRAN111: caixas sub-leves, de resina transparente colorida e comestível, importadas diretamente da Malásia, onde foram criadas pelo guru da logística holística, o multi-empresário e ultra-milionário Maputra Mon Chian, que fez fama e fortuna com o sistema e com o também revolucionário método de gerenciamento MaMonChi, que combina com imaginação e bom-senso fraudes tributárias, contrabando e a exploração intensiva da imensa fonte de força de trabalho infanto-juvenil em dias divididos em três partes iguais: oito horas na fábrica, oito horas no prostíbulo e oito horas cavando com as próprias mãos o novo túnel subaquático que vai conectar de forma ainda mais rápida e eficiente todas as economias intestinas da região, facilitando a troca de sapatos de crocodilo e bolsas de canguru australianos por fígados e rins humanos produzidos um a um na Indonésia para o abastecimento dos melhores hospitais e restaurantes dos melhores endereços da Europa e dos Estados Unidos.
            Agora a nossa notícia:
Válter Disnêi, a fábrica de biscoitos Guarani e a cadeia de lojas de departamento de massa Pancrácio foram comprados de uma só vez pelo conglomerado sino-germânico controlado pelo hermafrodita cubano-americano Harvey “Pocahontas” Díaz numa manobra radical que deixou Wall Street em discreta polvorosa por quase vinte minutos.
Assim, a partir de agora o nosso querido orgulho nacional Válter Disnêi passa a atender pelo nome de Rodney Ronaldson, a Guarani transformou-se em uma divisão do comglomerado Faktorie e as lojas da Pancrácio foram fagocitadas pela bandeira da marca Mon Congo Way.

O mercado reagiu muito bem às mudanças e os efeitos dessa alegre ebulição comercial, administrativa e financeira já se fazem sentir na cidade natal de Rodney Ronaldson, nossa pacata e aprazível Moctezuma, localizada aqui, nas amígdalas do Vale do Jequitinhonha: toda a cidade está também em turbulência ampla geral e irrestrita com a chegada dos novos executivos trazidos por Rodney para a Faktorie e a Mon Congo Way: todos jovens importados diretamente do Canadá com apoio na nova Lei de Incentivo ao Desenvolvimento Sustentado do Vale (LIDESUVA) – os novos líderes corporativos da cidade são movidos a bateria solar e prometem causar furor nos banhos públicos e bailes de debutantes da cidade, substituindo em boa hora os velhos e já ventrudos executivos Belgas movidos a uísque e charutos, que, se por um lado, já faziam parte do conjunto histórico do centro da cidade, por outro, já começavam a ameaçar a saúde financeira geral do município ao onerar cada vez mais os cofres públicos com custos de manutenção e peças, já que quase sempre começavam a soltar as tiras e dar cheiro depois dos cinco primeiros anos de uso intensivo em que funcionavam com garantia do fabricante.


Obs. Uma primeira versão desse texto apareceu na Revista Inimigo Rumor.


Saturday, July 25, 2015

Prosa Minha: Moctezuma Existe

Moctezuma existe
"Carro apertado é que canta"
dos Ditados Impopulares


            Moctezuma existe. Está no mapa; pode procurar. Fica no norte do estado, perto da Bahia. Parece que ninguém sabe disso nem em Belo Horizonte, que é um lugar que, eu garanto, também existe, ainda que muitos duvidem. Meu projeto pessoal, minha contribuição social, municipal, estadual, nacional, universal enfim, é convencer primeiro Belo Horizonte, depois o Brasil (metonímia de Rio de Janeiro e São Paulo, pelo menos para quem vive em São Paulo ou Rio de Janeiro) e finalmente o mundo inteiro, que Moctezuma existe.
            Mas, você deve se perguntar, por que? Lá nunca nasceu alguém importante, nunca houve ouro nem diamante, nenhuma grande batalha, nenhum bandido famoso, nenhum desastre terrível, nenhuma igreja barroca, nenhum metal radioativo, nada. Se eu dissesse que temos lindas termas e fontes de água mineral cristalina, eu sei o que você pensaria: “viajar 600 kilômetros de sertão mineiro prá tomar um banho e beber um copo d’água?”
            Nada disso. Moctezuma existe e o que temos para oferecer ao mundo é um modo de vida em que vigoram sempre a harmonia e a paz.
            Aqui, uma vez por ano, escolhemos a dedo um jovem saudável e belo para o que nossos antepassados chamavam de Auto das Flores. Hoje em dia alguns, mais modernos e ligados a costumes de fora, chamam o Auto das Flores de aniquilamento seletivo ou execução extra-judicial. O jovem saudável e belo que escolhemos vem sempre da mesma família, os Moreiras; porque os Moreiras são muitos e não fazem a menor falta nos outros 364 dias do ano. O crescimento da cidade já fez com que alguns propusessem que escolhêssemos mais de um Moreira por ano, mas o padre da cidade nos ofereceu um argumento irrefutável: na Missa uma hóstia, por mais fina e delicada, continua sagrada, e molhada, mesmo no vinho mais ralo, é corpo e sangue de Cristo.

            O coração humano, como o conhecemos, é uma carne fibrosa, mas doce. Não recomendo um assado inteiro porque a carne fica dura e não entranha bem o tempero, por mais forte que ele seja. Repito: por mais magnífica que seja a aparência do coração quando extraído de um corpo vivo ainda pulsante e, num breve instante de jorro e gozo, mais vivo que o corpo do qual o separamos, não se engane: assado inteiro, o tempero não entranha direito e a carne fica seca e dura.
Abro um rápido parêntesis: certamente o coração, em seus últimos estertores ou mesmo assado inteiro, é muito mais bonito que o miserável cérebro humano, essa carne amarga, babosa, arenosa, que apenas moemos e damos aos porcos. Neste parêntesis abro outro parêntesis, ainda mais sucinto, agora sobre os porcos: damos o cérebro ao porco, o porco come o cérebro e, no fim das contas, comemos o porco.
Sobre o coração, portanto, não se esqueça: assada inteira, a carne cordial fica dura e fibrosa. O coração de um Moreira limpa-se com faca de ponta; corta-se em filetes bem finos; refoga-se com alho, cebola e um par de folhas de louro; depois mais duas xícaras de água morna e então pelo menos trinta minutos na panela de pressão; finalmente acrescenta-se um bom molho de água e sal, fubá e ora-pro-nobis.
            E depois: a harmonia e a paz.

Sunday, July 12, 2015

Fragmentos de Leitura

"menos real, mais verdadeiro"

"misturar sem confundir"

"Vais encontrar o mundo,
Coragem para a luta."

"cansados de jogar baralho"

"Deus nos livre dos sistemas."

"O coração é o pêndulo universal dos ritmos"

"Só de heróis fazemos pasto."

"A contribuição milionária de todos os erros"

“néscio quem não sabe fazer uma copla, louco quem fazia duas”

“gran madre de la vida, esposa del entendimiento y hija de la experiencia.”

“Dedicando o primeiro terço da vida ao comércio com os livros, pois é mais homem quem mais sabe, aprende as artes que são dignas de um nobre engenho e que se diferenciam das que são escravas do trabalho manual.”