Tuesday, June 28, 2011

Recordar é viver: Transporte público e segregação racial/econômica



“They seem to think we're animals or something. They just don't want us to be able to get the kind of education they've already got.”

12 de Setembro de 1974.

Margie, estudante negra que passou a frequentar a South Boston High School.


Essa história de não querer estação de metrô em Higioenópolis me lembra um dos momentos mais tristes da segunda metade do século XX nos Estados Unidos: a criação de um grupo em Boston chamado "Restore Our Alienated Rights (ROAR)" para combater a desegregação racial das escolas públicas através do sistema de ônibus escolares que levavam crianças dos bairros mais pobres [em geral negros] para ter aulas nas escolas públicas dos bairros ricos [em geral brancos]. [Aliás guarde bem essa história para jogar na cara de qualquer americano que tentar te convencer que o sul é o único vilão quando se trata de problemas raciais nos Estados Unidos.]

Uma breve explicação primeiro. As escolas públicas primárias e secundárias nos Estados Unidos costumam funcionar numa espécie de sistema distrital. Nesse sistema os distritos onde mora gente rica financiam com seu IPTU alto escolas públicas de primeira qualidade enquanto nos distritos pobres, onde a maioria das pessoas mora de aluguel e os impostos são mais baixos, os alunos que precisariam de mais ajuda por problemas diversos [problemas com drogas, pais com baixo nível de educação e dois ou três sub-empregos que não podem ajudar os filhos em casa, desemprego alto, etc] e necessidades especiais [por exemplo, um grande número de alunos que chegam à escola sem falar uma palavra de inglês]. Daí a decisão de desegregar as escolas públicas levando os alunos de ônibus para escolas que não funcionariam como escolas de bairro mas como escolas com especializações diferentes.

O ROAR, criado por uma vereadora de Boston [Louise Day Hicks] para “proteger os direitos ameaçados dos brancos”, ganhou força pelo apoio tácito de figuras importantes de Boston como John Kerrigan, presidente na época Boston School Committee, que se opuseram à desegregação de Boston em público de forma enfática. Kerrigan dizia que a desegregação causaria o famigerado “white flight”, a fuga em massa das famílias de classe média e alta [brancas] de Boston para os subúrbios. Assim, entre 1974 e 1977, o pau comeu em Boston. Theodore Landsmark, advogado com cara de “diferenciado” [ele era presidente da associação dos construtores de Boston] deu azar de cruzar com um bando de jovens moradores de South Boston no centro da cidade e foi brutalmente atacado:


Outras fotografias menos famosas da época podem ser vistas aqui

Um livro compara a situação em Boston e Buffalo [cidade do estado de Nova York] e enfatiza que a atuação das autoridades em Buffalo foi fundamental para que o processo de desegregação das escolas nessa cidade corresse de maneira muito menos traumática do que em Boston. Nem Hicks nem Kerrigan jogaram pedra em ninguém, mas botaram lenha na fogueira dos ódios raciais da cidade. Nem Edward Kennedy escapou da fúria dos irlandeses de Boston. Tomara que as autoridades da cidade tratem o assunto com calma e tranquilidade e que as antas bolsonárias não dêem o ar de sua graça.

Saturday, June 25, 2011

Entre 2 países

Dois trechos interessantes de entrevista com a excelente escritora Sandra Lorenzano ao jornal argentino Página12 no dia 9 de junho.

–¿Por qué en los poemas no aparece una lengua permeada por el habla mexicana?

–Tampoco por la lengua argentina; como mi poesía no tiene coloquialismo, queda muy abierta. Mi conciencia sobre la lengua surge con el exilio. Como llegué en la adolescencia a México, hice un gran esfuerzo por volverme una adolescente mexicana. Yo puedo estar acá hablando con un mexicano y me doy vuelta y te hablo a vos en argentino. Así he funcionado a lo largo de 35 años. Yo uso poco la lengua coloquial; es un constructo que he armado y que es el resultado de juntar esas dos lenguas que tengo ahí...

Y por ahí ronronea, en lo profundo de su ser, una palabra con la que ha titulado una de sus novelas, Saudades. “Tabucchi dice algo genial sobre el tema. Las saudades portuguesas no sólo son nostalgias de lo que fue, de lo que pasó, de lo que perdimos, sino nostalgia de aquello que pudimos haber tenido y sin embargo no vivimos, de los futuros posibles. Esa idea de la nostalgia del pasado y de los futuros que no fueron me parece maravillosa. Y tiene que ver mucho con Vestigios; los vestigios son el paso del tiempo, pero también las posibilidades que no se dieron”, compara. “Javier Marías lo dice de otra manera en La negra espalda del tiempo: todo lo que pudimos haber vivido y no vivimos queda en la negra espalda del tiempo. Marías parte de la foto de un hermanito, al que ni siquiera conoció. El primer hijo de sus padres murió cuando era un chiquito de dos o tres años. El tiene la foto de ese hermano, Juliancito, y construye el relato a partir de ese chico que no tuvo futuro y quedó en la negra espalda del tiempo.”

–Este interés por lo que pudo haber sido, ¿cree que le viene de la experiencia del exilio?

–Quizá surge del exilio pero, ¡cómo saberlo!... Está la idea de que pudimos haber tenido una vida acá, pero esa vida quedó en la negra espalda del tiempo. De hecho, tuvimos otra vida en otro lado, y eso hace que después de 35 años yo siga viviendo en México y venga, lo más seguido que puedo, a encontrarme con gente querida y ver a mi familia. Y siempre regreso con la sensación de qué hubiera pasado si me hubiera quedado o qué pasaría si volviera. Son todos juegos de la imaginación; uno puede jugar con esas posibilidades. Pero en el ’83 se terminó el exilio. Yo no soy de las plañideras del exilio. El llanto por el exilio no tiene que ver conmigo; entiendo que hay un dolor de base, creo que todos los seres humanos tenemos un dolor originario, pero no comparto para nada el lado plañidero del exilio, porque a mí me permitió descubrir un mundo maravilloso que disfruté en mi adolescencia. La patria es una construcción imaginaria: yo tengo una patria imaginaria donde hay cosas de México y Argentina. Y siempre digo que en una patria crece mi hija y en otra envejece mi padre; en una tengo pasado y en la otra tengo futuro. Y vivo así. Cuando se terminó el exilio, estar afuera o no se convirtió en una elección. Y yo elegí quedarme en México.


Wednesday, June 22, 2011

Poesia Mexicana: Xavier Villaurrutia

Volver

Volver a una patria lejana,
volver a una patria olvidada,
oscuramente deformada
por el destierro en esta tierra.
¡Salir del aire que me encierra!
y anclar otra vez en la nada.
La noche es mi madre y mi hermana,
la nada es mi patria lejana,
la nada llena de silencio,
la nada llena de vacío,
la nada sin tiempo ni frío,
la nada en que no pasa nada.

Mais poemas de Villaurrutia aqui.

Wednesday, June 15, 2011

Música: My Morphine

Um dos preconceitos mais persistentes na nossa cultura é a idéia de que a vida e as pessoas no campo ou nas cidades pequenas são “simples”, “descomplicadas” ou “menos complexas”. Certos conflitos da modernidade podem ser até mais agudos for a dos centros econômicos/culturais – prova disso é a riqueza e complexidade da própria literatura brasileira. Porque nos Estados Unidos ou na Europa, o Brasil é Teófilo Otoni/Cuiabá/São Luís/Rio Branco/etc. A questão não é negar que somos Teófilo Otoni/Cuiabá/São Luís/Rio Branco/etc no sistema capitalista mundial, mas descobrir que Teófilo Otoni/Cuiabá/São Luís/Rio Branco/etc tem sempre potencial para literatura de primeira. Esse preconceito com relação ao interior já atrapalhou muita gente inteligente a entender melhor autores como Guimarães Rosa, Faulkner ou Juan Rulfo. Além de ser francamente ridículo ver um paulista desprezar um belohorizontino que por sua vez despreza um cuiabano que por sua vez despreza alguém de Rondonópolis etc etc etc.

O melhor da música americana passa batido fora dos Estados Unidos. Gillian Welch adora música caipira – mas quando é que o Brasil vai dar à sua música caipira uma Gillian Welch?


My Morphine

I looked around and been up and down

I never wasted time on two or three

There's only one girl for me

There was a time she used to treat me fine

But lately she's been acting awful stoned

Makes a man weep and moan

eye dee oh lay ee tee

eye dee leeldle odle ay oo ee tee

eye dee oh lee tee

lee tee

deedle ohdle lee tee

My Morphine be the death of me

You should have seen me and my Morphine

When we used to go dancing in the war

Spin me right off the floor

eye dee oh lay ee tee

eye dee leeldle odle ee odle ee tee

eye dee odle ee tee

lee tee

deedle odle lee tee

My Morphine be the death of me

Morphine, Morphine, what made you so mean?

You never used to do me like you do

Where's that sweet gal i knew?

eye dee oh lee tee

eye dee leedle odle ay odle ay tee

eye dee oh lay tee

lee tee

deedle odle lee tee

My Morphine be the death of me

My Morphine

Tuesday, June 14, 2011

Cenas do centro do Rio de Janeiro do início do século passado 3


[Clique no mapa para vê-lo inteiro e saber onde estava o sebo de João Martins]

III - João Martins, português da Ilha da Madeira, chegou ao Brasil ainda jovem em meados do século XIX, com 4 tostões nos bolsos. Trabalhou em várias livrarias do centro até abrir seu próprio sebo na Rua São José [naquela época Rua do Pardo]. Mudou-se depois para Uruguaiana e finalmente para a Rua General Câmara, onde vivia com a família nos fundos. Construiu um acervo maravilhoso de impressos e manuscritos, que ele comprava a granel antes de 1880, quando ninguém no Rio dava nada por “um monte de papéis velhos” – do seu sebo saíram os originais de História do Brasil de Frei Vicente do Salvador, que ele doou à Biblioteca Nacional.

João Martins vivia enfiado no sebo, tendo se tornado um especialista respeitado na cidade em questões bibliográficas apesar de não ter quase nenhuma educação formal. Era tão recluso que recusou-se terminantemente a conhecer a Avenida Rio Branco e, quando os filhos compraram o imóvel ao lado do sebo, que já não comportava tanto livro, dizem que o velho reclamou, “mas vocês vieram para tão longe!” [44,45] João Martins tinha razão de não gostar de avenidas novas rasgando o centro: a sua rua General Câmara, chamada Rua do Sabão até 1870, quando resolveram homenagear um visconde herói da Guerra do Paraguai, foi engolida pela Avenida Presidente Vargas.

Mais um personagem do livro de Brito Broca, Vida Literária no Brasil.


Monday, June 13, 2011

Cenas do centro do Rio de Janeiro do início do século passado


II – Enquanto Gustavo Barroso – futuro fascista, anti-semita, acadêmico – frequentava a já decadente Colombo com suas polainas e luvas, a roda de Lima Barreto se reunia no Café Jeremias ou na Americana e depois no Café Papagaio. Única regra do grupo: proibido conversar de literatura. “E bebíamos café, só café, pois as finanças não permitiam o luxo da cerveja ou do uísque.” [Vida literária no Brasil, 35]. Ali o grupo criaria a Revista Floreal em 1907 [disponível na Brasiliana da USP].



Sunday, June 12, 2011

Cenas do centro do Rio de Janeiro do início do século passado

I- Constantino Pacheco parece que nunca publicou um livro, mas recitava suas poesias pelas ruas do centro “com voz soturna, a sacudir umas grossas manoplas de pugilador.” Nos intervalos entre um poema e outro proclamava: “O Brasil é um ótimo país para os olhos do artista e para a bolsa dos patifes.”


Do livro Vida Literária no Brasil de Brito Broca.

Thursday, June 09, 2011

Wednesday, June 08, 2011

Cenas de um casamento – Bergman

Ingmar Bergman cria, com um orçamento curtíssimo, uma mini-série de televisão de seis capítulos, quase toda filmada em Faro com dois de seus atores favoritos em mente como um casal: Liv Ullman e Erland Josephson. Liv Ullman volta de Hollywood correndo em troca do salário mínimo da categoria e de uma temporada sem luxos mas com um trabalho que a entusiasma. A série de cinco horas é praticamente toda feita dos dois atores falando sem parar o texto de Bergman, que não admite improvisos nas falas mas coloca câmera, fotografia, luz, enfim, tudo a serviço dos dois atores. Liv Ullman comentou que o filme poderia ter sido feito por algum seguidor do Dogma95, mas sinceramente, só se algum deles chegasse aos pés de Bergman em termos de clareza e contundência sem ostentação de pobreza franciscana.

O surpreendente é que a mini-série fez um sucesso estrondoso na Suécia quando foi lançada e o filme [condensado das cinco horas de mini-série] rodou o mundo inteiro com enorme sucesso.

Em pleno apogeu dos filmes desastre e filmes catástrofe, Bergman encontrou o sucesso fazendo uma… telenovela barata! Todos os seis capítulos são centrados no diálogo do casal, as cenas são quase todas em ambientes fechados pequeno-burgueses e o tópico é sempre o relacionamento de amor/ódio dos dois protagonistas em suas aventuras sentimentais dentro e fora do casamento. Só que como Bergman é Bergman a série termina diferente das novelas de televisão… bom eu não vou contar o final da série, mas só adianto que as taxas de divórcio na Suécia dobraram em 1973, ano em que Cenas de um casamento foi mostrado. Essa é uma cena que não consta do filme, tirada do primeiro episódio, chamado “Inocência e Pânico”.




Monday, June 06, 2011

Poesia Minha - Quinnipiac


[Foto: vista do rio Quinnipiac em New Haven. Do lado de cá o bairro latino e as fábricas abandonadas. Do lado de lá, mais do mesmo...]


Eu não costumo escrever poesia em inglês, mas apareceu um concurso numa livraria da minha cidade - iam dar um prêmio em vale-livros e pendurar o poema no café da livraria - e eu resolvi que queria concorrer.

Adoro esse trecho do rio Quinnipiac, cortando a cidade pouco antes de chegar ao mar. Há quem diga que o rio Charles [que passa perto de Harvard], rio que tem papel importante na parte narrada por Quentin Compson em The Sound and the Fury é na verdade o Quinnipiac, que Faulkner conhecia de perto por ter passado um tempo sapeando por New Haven. Misturei nesse caldo ainda uma pitada de Clarice Lispector e meia xícara de Guimarães Rosa, cujos contos estava ensinando em inglês nesse longo e tenebroso inverno que passou, e deu nisso aí.

Bom, terminei o trem uns cinco dias antes do prazo e fui cuidar da minha vida. Quando vi, deixei passar o prazo do concurso e não concorri a nada.


Quinnipiac

This was where I saw the river for the last time this morning, about here.

The Sound and the Fury

the last lights

supine and tranquil

pieces of broken mirror

glinting beyond things

its curves out of sight

beyond the twilight

beyond the dusk

the water

lights in the pale clear air trembling

a little like butterflies


I cross the Quinnipiac

the bridge arches slow

high between silence and nothingness


on the other side

all laid before me

cleansed of everything else

the food

not its name

in the name of nothing

in the name of nobody

empty of dreams

there was no sacrifice

hunger born

just as the ripe fruit

reach the open mouth


but it was also death

and I trembled down deep

and I turned away

and I ran away


that was the cold that comes with fear

this is the illness

in the droplet almost impalpable

the immense edifice

the old scars itching

the three cheers to resentment

spilled on the table

a million forms of solitude

everywhere in the house

something in the light itself

strongest until I lie in bed thinking

the draft in the door

a damp steady breath of water

when it blooms and rains in the spring


now I’m the one who never was

but hear me out

when I am dead and gone

lay me right smack in the middle

of the big deep quiet unceasing water

the deep undercurrent

between the two long cold endless banks

the third bank of this river

so far so wide apart

then I down the river

out in the river into the river

I, the Quinnipiac.

Saturday, June 04, 2011

Duas frases

Duas frases de Politzer József aka Joseph Pulitzer


Uma imprensa cínica, mercenária, demagógica com o tempo produz um povo do mesmo quilate.

"A cynical, mercenary, demagogic press will in time produce a people as base as itself."

Todo reporter é uma esperança e todo editor, um desapontamento.

“Every reporter is a hope, and every editor is a disappointment.”


Thursday, June 02, 2011

Minas Gerais e o código de [des]florestamento

Para refletir e lembrar.


Votaram pelo SIM:

De partidos [pelo menos nominalmente] da esquerda

Ademir Camilo PDT Sim

Zé Silva PDT Sim

Jô Moraes PCdoB Sim

Geraldo Thadeu PPS Sim

Júlio Delgado PSB Sim

Gabriel Guimarães PT Sim

Weliton Prado PT Sim

Reginaldo Lopes PT Sim

Odair Cunha PT Sim

Gilmar Machado PT Sim

De partidos do centro:

Bonifácio de Andrada PSDB Sim

Carlaile Pedrosa PSDB Sim

Eduardo Azeredo PSDB Sim

Eduardo Barbosa PSDB Sim

Paulo Abi-Ackel PSDB Sim

Domingos Sávio PSDB Sim

Marcus Pestana PSDB Sim

Antônio Andrade PMDB Sim

João Magalhães PMDB Sim

Newton Cardoso PMDB Sim

Paulo Piau PMDB Sim

Saraiva Felipe PMDB Sim

De partidos da direita:

Aelton Freitas PR Sim

Aracely de Paula PR Sim

Bernardo Santana de Vasconcellos PR Sim

Diego Andrade PR Sim

Lincoln Portela PR Sim

Dimas Fabiano PP Sim

Luiz Fernando Faria PP Sim

Márcio Reinaldo Moreira PP Sim

Toninho Pinheiro PP Sim

Jairo Ataide DEM Sim

Vitor Penido DEM Sim

Marcos Montes DEM Sim

Dr. Grilo PSL Sim

Eros Biondini PTB Sim

George Hilton PRB Sim

José Humberto PHS Sim

Luis Tibé PTdoB Sim

Stefano Aguiar PSC Sim

Walter Tosta PMN Sim

Votaram pelo NAO

Antônio Roberto PV Não

Fábio Ramalho PV Não

Leonardo Monteiro PT Não

Padre João PT Não

Abstenções:

Rodrigo de Castro PSDB Abstenção

Wednesday, June 01, 2011

The Revolution Will Not Be Televised - O Outro Gil



The Revolution Will Not be Televised – Gil Scott-Heron

You will not be able to stay home, brother. You will not be able to plug in, turn on and cop out. You will not be able to lose yourself on skag and skip, skip out for beer during commercials because the revolution will not be televised.

The revolution will not be televised. The revolution will not be brought to you by Xerox In 4 parts without commercial interruptions. The revolution will not show you pictures of Nixon blowing a bugle and leading a charge by John Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat hog maws confiscated from a Harlem sanctuary. The revolution will not be televised.

The revolution will not be brought to you by the Schaefer Award Theatre and will not star Natalie Woods and Steve McQueen or Bullwinkle and Julia. The revolution will not give your mouth sex appeal. The revolution will not get rid of the nubs. The revolution will not make you look five pounds thinner, because the revolution will not be televised, Brother.

There will be no pictures of you and Willie May pushing that shopping cart down the block on the dead run, or trying to slide that color television into a stolen ambulance. NBC will not be able predict the winner at 8:32 or report from 29 districts. The revolution will not be televised.

There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of Whitney Young being run out of Harlem on a rail with a brand new process. There will be no slow motion or still life of Roy Wilkens strolling through Watts in a Red, Black and Green liberation jumpsuit that he had been saving for just the proper occasion. Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville Junction will no longer be so damned relevant, and women will not care if Dick finally gets down with Jane on Search for Tomorrow because Black people will be in the street looking for a brighter day. The revolution will not be televised.

There will be no highlights on the eleven o'clock news and no pictures of hairy armed women liberationists and Jackie Onassis blowing her nose. The theme song will not be written by Jim Webb, Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom Jones, Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth. The revolution will not be televised.

The revolution will not be right back after a message about a white tornado, white lightning, or white people. You will not have to worry about a dove in your bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl. The revolution will not go better with Coke. The revolution will not fight the germs that may cause bad breath.

The revolution will put you in the driver's seat. The revolution will not be televised, will not be televised, will not be televised, will not be televised. The revolution will be no re-run brothers; The revolution will be live.