Tuesday, December 31, 2013

Música: Ingénue


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Ingénue
Nigel Godrich, Thom Yorke
Amok

Coreografia: Wayne McGregor
Dançarinos: Fukiko Takase e Thom Yorke

You know like the back of your hand
who let me in.
You got me into this mess so
you get me out.
You know like the back of your hand
your bell jar – your collection.
Ingénue.
You get me into this mess.
Fools rushing in [yeah]
and they know it.

The seeds of the dandelion
you blow away
in good time,
I hope, I pray.
If I'm not there now
physically,
I'm always before you
come what may.
And you know it.
Fools rushing in [yeah],
well, you know it.

Who let them in?
Yeah, well, you know it.
Gone with a touch of your hand.
Gone with a touch of your hand.
Move through the moment
though it betrays
transformations:
jackals, flames.
If I knew now
what I knew then.
Just give me more time,
I hope
and pray.
I mistake
all you say
The seeds of the dandelion
you blow away. 

Ilustração minha: Ingénue


Monday, December 30, 2013

Poesia mexicana: "Yerbas del Tarahumara" de Alfonso Reyes

Foto minha: Tarahumara Grego no Metropolitan

YERBAS DEL TARAHUMARA
   Han bajado los indios tarahumaras,
que es señal de mal año
y de cosecha pobre en la montaña.

   Desnudos y curtidos,
duros en la lustrosa piel manchada,
denegridos de viento y de sol, animan
las calles de Chihuahua,
lentos y recelosos,
con todos los resortes del miedo contraídos,
como panteras mansas.

   Desnudos y curtidos,
bravos habitadores de la nieve
—como hablan de tú—,
contestan siempre así la pregunta obligada:
—"Y tú ¿no tienes frío en la cara?"

   Mal año en la montaña,
cuando el grave deshielo de las cumbres
escurre hasta los pueblos la manada
de animales humanos con el hato a la espalda.

Los hicieron católicos
los misioneros de la Nueva España
—esos corderos de corazón de león.
Y, sin pan y sin vino,
ellos celebran la función cristiana
con su cerveza-chicha y su pinole,
que es un polvo de todos los sabores.

   Beben tesgüiño de maíz y peyote,
yerba de los portentos,
sinfonía lograda
que convierte los ruidos en colores;
y larga borrachera metafísica
los compensa de andar sobre la tierra,
que es, al fin y a la postre,
la dolencia común de las razas de los hombres.
Campeones de la Maratón del mundo,
nutridos en la carne ácida del venado,
llegarán los primeros con el triunfo
el día que saltemos la muralla
de los cinco sentidos.

   A veces, traen oro de sus ocultas minas,
y todo el día rompen los terrones,
sentados en la calle,
entre la envidia culta de los blancos.
Hoy solo traen yerbas en el hato,
las yerbas de salud que cambian por centavos:
yerbaniz, limoncillo, simonillo,
que alivian las difíciles entrañas,
junto con la orejela de ratón
para el mal que la gente llama "bilis";
y la yerba del venado, del chuchupaste
y la yerba del indio, que restauran la sangre;
el pasto de ocotillo de los golpes contusos,
contrayerba para las fiebres pantanosas,
la yerba de la víbora que cura los resfríos;
collares de semillas de ojos de venado,
tan eficaces para el sortilegio;
y la sangre de grado, que aprieta las encías
y agarra en la nariz los dientes flojos.

   (Nuestro Francisco Hernández
—El Plinio Mexicano de los Mil y Quinientos—
logró hasta mil doscientas plantas mágicas
de la farmacopea de los indios.
Sin ser un gran botánico,
don Felipe Segundo
supo gastar setenta mil ducados,
¡para que luego aquel herbario único
se perdiera en la incuria y el polvo!
Porque el padre Moxó nos asegura
que no fue culpa del incendio
que en el siglo décimo séptimo
aconteció en El Escorial.)

   Con la paciencia muda de la hormiga,
los indios van juntando sobre el suelo
la yerbecita en haces
—perfectos en su ciencia natural.

Pliego suelto, Buenos Aires, Colombo, 1934. – VS (La vega y el soto. México: Fábula, 1941.)

Friday, December 27, 2013

Postal: No meio do caminho

Foto minha: Itabira em New Haven

No meio do caminho
Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Tuesday, December 24, 2013

O Complexo Industrial do Branco-Salvador de Teju Cole


Um dos textos mais marcantes que eu encontrei na internet foi a série de twits do escritor Teju Cole reproduzida na revista The Atlantic chamado "O Complexo Industrial do Branco-Salvador," feito em reação à campanha StopKony. Resolvi traduzi-lo inspirado por um comentário recente que escutei sobre as virtudes da "boa-vontade", que eu considero a argamassa com que se assentam as pedras das boas intenções que levam diretinho ao inferno. Acompanha o original para quem lê em inglês:


O Complexo Industrial do Branco-Salvador

Teju Cole, Mar 21 2012
 Se vamos interferir com a vida dos outros, um pouco de escrúpulo é o requerimento mínimo.

Faz uma semana e meia eu assisti ao video Kony2012. Escrevi na sequência uma resposta breve dividida em sete partes, que postei em sequência na minha conta do Twitter

1.     De Sachs a Kristof ao Invisible Children ao TED, o ramo da indústria que mais cresce nos Estados Unidos é o Complexo Industrial do Branco-Salvador.
2.     O Branco-Salvador apóia políticas brutais de manhã, patrocina caridades à tarde e recebe prêmios à noite.
3.     A banalidade do mal se transmuta na banalidade do sentimentalismo. O mundo inteiro não passa de um problema a ser resolvido pelo entusiasmo.
4.     Esse mundo existe para satisfazer às necessidades – incluindo, é importante, as necessidades sentimentais – dos brancos e da Oprah.
5.     O Complexo Industrial do Branco-Salvador não tem nada a ver com justiça. Trata-se de prover uma grande experiência emocional que valide o privilégio.
6.     Preocupe-se febrilmente com aquele terrível chefe de facção armada africano. Mas perto de 1.5 milhão de Iraquianos morreram por causa da guerra de ocasião dos Americanos. Preocupe-se com isso.
7.     Eu tenho um profundo respeito pelo sentimentalismo americano da maneira como alguém respeita um rinoceronte ferido. Melhor ficar de olho nele, por que você sabe como ele é letal.        

The White-Savior Industrial Complex
Teju Cole, Mar 21 2012
If we are going to interfere in the lives of others, a little due diligence is a minimum requirement.

A week and a half ago, I watched the Kony2012 video. Afterward, I wrote a brief seven-part response, which I posted in sequence on my Twitter account:

1- From Sachs to Kristof to Invisible Children to TED, the fastest growth industry in the US is the White Savior Industrial Complex.
2- The white savior supports brutal policies in the morning, founds charities in the afternoon, and receives awards in the evening.
3- The banality of evil transmutes into the banality of sentimentality. The world is nothing but a problem to be solved by enthusiasm.
4- This world exists simply to satisfy the needs—including, importantly, the sentimental needs—of white people and Oprah.
5- The White Savior Industrial Complex is not about justice. It is about having a big emotional experience that validates privilege.
6- Feverish worry over that awful African warlord. But close to 1.5 million Iraqis died from an American war of choice. Worry about that.
7- I deeply respect American sentimentality, the way one respects a wounded hippo. You must keep an eye on it, for you know it is deadly.


Monday, December 23, 2013

Poesia minha: uma gota de semiótica


Arte Minha: Miojo 1

Uma gota de semiótica

“A  boca humana é algumas vezes
um verdadeiro charco.”
Auguste Saint Hillaire

"... se há na história dos seres vivos
algo que não pode surgir na competição,
isso é a linguagem."
Humberto Maturana

Mal abro a boca o sujeito
            já fala ele mesmo
            e o lugar de onde vem;

                        e digo da vida
que se passa da boca pra fora,
                                    ali onde as coisas e a gente
nascem e vivem e morrem;

                                                e mexo com quem escuta,
                                                não pelo que se diz daqui
                                                            e sim pelo que se ouve lá
                                                            de um outro lado
                                                                        aonde a gente nunca vai;

                                                e finalmente borda
                                    no ar um tipo de música
sutil, que, às vezes,
para quem crê em transbordes,
transborda.
                                                                                               
Mal abre a boca o sujeito.

Tuesday, December 17, 2013

Melhor artigo do ano

Bushbama
 "Se vogliamo che tutto rimanga com'è bisogna che tutto cambi."
Famosa frase de Tandredi em Il Gattopardo

Obamabush

"... the monochrome ideological universe in which the system is plunged: an all-capitalist order, without a hint of social-democratic weakness or independent political organization by labour. The two parties that inhabit it, Republican and Democratic, have exchanged social and regional bases more than once since the Civil War, without either ever questioning the rule of capital. Since the 1930s there has been a general, if not invariable, tendency for those at the bottom of the income pyramid—should they cast a ballot, which large numbers do not—to vote Democrat, and those at the top, Republican. Such preferences reflect the policies by and large pursued by the two parties: Democratic administrations have typically been more redistributive downwards than Republican, in an alignment shadowing, without exactly reproducing, divisions between left and right elsewhere. But these are rarely differences of principle. A salient feature of the consensus on which the system rests is the flexibility of relative positions it allows. Policies associated with one party can migrate to the other, not infrequently assuming forms in the cross-over more radical than they possessed in their original habitat."

Trecho de artigo de Perry Anderson, "Consilium" publicado este ano na New Left Review 83  

Friday, December 13, 2013

Rir para não chorar: quebrando um tabu

Sexta-feira 13, aniversário do AI-5. Hoje pela primeira depois de quase dez anos vou quebrar meu juramento de nunca escrever nem comentar sobre o violento esporte bretão que já ocupa espaço demais nesse mundo.


Laudo do Tribunal Celestial da Justiça Esportiva de autoria do Desembargador Abdúlio Ferreira Neto:

Influenciado pelo clima sanguinário de Sta Catarina jovem arrimo de família vai do Sax-Gospel ao Heavy-Mental
1. Uma vez que o recente tumulto entre torcedores na partida entre o Clube Atlético Paranaense e o Clube Regatas Vasco da Gama aconteceu num estádio em Santa Catarina, o tribunal punirá o Criciúma Esporte Clube [única equipe catarinense na competição] com a perda de dez pontos e multa convertida em pelotas de carvão mineral. Está claro que os ares bélicos dos catarinenses contaminaram de tal forma os torcedores que até um pacífico saxofonista de igreja evangélica e arrimo de família pegou numa barra de ferro com um prego na ponta para bater num sujeito desacordado no chão. Não podemos ser absolutamente coniventes com a violência nos estádios e por isso o Criciúma tem que ser punido exemplarmente.

Márcio Atalaia, antes conhecido como Héverton
2. Quanto ao caso da escalação ilegal do jogador conhecido até hoje  por “Héverton” pela Associação Portuguesa de Desportos, há quem tenha citado o caso da escalação de jogador do Cruzeiro Esporte Clube também sem condições de jogo por suspensão. Entretanto, a situação é completamente diferente. O jogador do Cruzeiro atende profissionalmente por um apelido leguminoso [Feijão] e nesse caso a regra é clara: a punição é o pagamento de multa convertida em produtos não-perecíveis de uma das fazendas da família Perella, pagamento que aliás estava sendo feito na sucursal do Tribunal Celestial no Espírito Santo há poucos dias. O jogador da Portuguesa sequer usa apelido no exercimento da profissão e ainda por cima atende por “Héverton,” o que agrava ainda mais a  situação do clube porque o ministro dos esportes Aldo Rebelo é um defensor contumaz da língua portuguesa e recentemente protocolou um adendo ao código esportivo brasilíco que exige o abrasileiramento de nomes estrangeirizantes de jogadores suspensos e escalados indevidamente. A mudança [no caso o jogador “Héverton” deveria passar a atender “Márcio Atalaia”] teria que ser protocolada em cartório pelos menos 13 horas depois da sentença, o que não ocorreu. 

Thursday, December 12, 2013

E a polícia?

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Entre várias conversas que parecem não acontecer no Brasil a da reforma das polícias parece ser uma das mais escandalosamente urgentes. Recomendo a entrevista com um juiz argentino da corte suprema Raúl Zaffaroni, de onde retirei esses quatro trechos bem significativos:

"Es una tremenda deuda de la democracia no haber repensado la policía."

"Esa falta es lo que genera el espacio en que se puede dar la manipulación. Si se ve la vivencia del personal policial, es una persona que no tiene posibilidades de discutir sus condiciones de trabajo en forma horizontal, está sometido a un régimen de trabajo que dicen que es cuasi militar, pero es un régimen de sanciones arbitrario, no puede discutir sus condiciones salariales."

"No necesitamos una policía que se dedique a controlar excluidos, necesitamos una policía que nos asegure mínimamente el orden."

"Eso es lo que nos dicen [os americanos] a nosotros. Ellos tienen 2400 policías. Imitemos a los Estados Unidos en eso. No hagamos lo que nos dicen sino lo que ellos hacen. Tienen policía de condado, policía estadual, todas las policías federales... son más de dos mil."

A entrevista é dada no contexto de sérios distúrbios em Córdoba envolvendo a polícia local. 

Wednesday, December 11, 2013

Traduzindo: sobre o exílio


Foto minha: vista das mesas de estudo na área reservada da biblioteca Sterling em Yale
Hugo da Abadia de São Vítor (1115-1133) escreveu uma espécie de manual didático, Didascalicon. Adoro um trecho do Livro 3, Capítulo 19 (os capítulos em geral são bem curtinhos) que se chama "Sobre terras estrangeiras". Só me encontrei com um texto medieval assim por graça daquele exilado-mor chamado Auerbach. O Didascalicon é prosa, mas quis (por capricho de quem escreve a 35 moscas depois de dez anos de blogância) fazer versos com o trecho abaixo:

Em português com tradução e versificação minhas:

Delicado é aquele
para quem a patria é doce;
forte mais além é aquele
para quem pátria é toda a terra;
mas veramente completo
é aquele para quem
o mundo todo é exílio.

Um fixa seu desejo mundano,
o outro o espalha pelo mundo
e o terceiro simplesmente o extingue. 

Exilado desde menino,
sei da pena de deixar para trás
um lar num barraco pobre de gente da terra
e sei depois do franco desprezo
por pisos de mármore e tetos forrados.


Em inglês na tradução de Jerome Taylor com versificação minha:

"The man who find his homeland sweet
is still a tender beginner;
he to whom every soil is as his native one
is already strong;
but he is perfect to whom the entire world
is a foreign land.

The tender soul has fixed his love
on one spot in the world;
the strong man has extended his love 
to all places;
the perfect man has extinguished his.

From boyhood I have dwelt on foreign soil,
and I know with what grief sometimes the mind
takes leave of the narrow hearth of a peasant's hut,
and I know, too, how frankly
it afterwards disdains marble firesides and paneled halls."

Hugo da Abadia de São Vítor (1115-1133)
Didascalicon, Livro 3, Capítulo 19, "On a Foreign Soil"


E no original em latim e em prosa:
Delicatus ille est adhuc cui patria dulcis est; fortis autem iam, cui omne solum patria est; perfectus vero, cui mundus totus exsilium est. Ille mundo amorem fixit, iste sparsit, hic exstinxit. Ego a puero exsulavi, et scio quo maerore animus artum aliquando pauperis tugurii fundum deserat, qua libertate postea marmoreos lares et tecta laqueata despiciat.




Monday, December 09, 2013

Traduzindo: "Na insônia" de Virgilio Piñera

Foto minha: Insônia

Na insônia
Virgilio Piñera

O homem vai para cama cedo. Não consegue pegar no sono. Logicamente rola para lá e para cá na cama. Se enrola nos lençóis. Acende um cigarro. Lê um pouco. Apaga a luz outra vez. Mas não consegue dormir. Às tres da madrugada se levanta. Acorda o amigo ao lado e confessa que não consegue dormir. Pede um conselho. O amigo aconselha que ele dê um pequeno passeio para cansar-se um pouco. Que logo em seguida tome um xícara de chá de limão e apague a luz. Faz tudo isso mas não consegue dormir. Desta vez chama o médico. Como sempre acontece, o médico fala muito mas o homem não adormece. Às seis da manhã ele carrega um revólver e o leva às têmporas. O homem está morto mas não conseguiu adormecer. A insônia é uma coisa muito persistente. 

Sunday, December 08, 2013

Diário da Babilônia

1. Entre 2001 e 2008 a NYU completou um processo de busca de doações para a universidade que totalizou nada menos que três bilhões de dólares, mas o aumento das mensalidades e as dívidas dos alunos durante esses anos continuou aumentando de forma significativa. 
2. Enquanto isso a NYU dobrava o número de professores sem qualquer perspectiva de estabilidade no emprego. 3/4 do corpo docente é agora composto desses professores "adjuntos" enquanto certos professores e funcionários da NYU recebem regalias como salários de 800.000 dólares anuais e empréstimos de mais de 1 milhão de dólares para compra de uma segunda residência que seriam "perdoados" após a permanência desses funcionários e professores na NYU por alguns anos.
3. A NYU lançou um programa ambicioso de internacionalização: três unidades principais [a de Nova Iorque e duas novas em Shanghai e Abu Dhabi] e treze "capitais de ideias" espalhadas pelo mundo. Uma professora crítica do processo disse que se trata de "capitais do capital" e não capitais de ideias.
 

Friday, December 06, 2013

Música: Jeff Buckley em "Lover, You Should've Come Over"


O pai biológico [Tim Buckley] também era um grande cantor. Jeff Buckley gravou um disco [Grace] e morreu afogado antes de gravar o segundo.  Essa é a minha favorita dele:
 

Lover, You Should've Come Over
Jeff Buckley


Looking out the door
I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations
As their shoes fill up with water

Maybe I'm too young
To keep good love from going wrong
But tonight, you're on my mind so
You never know

Broken down and hungry for your love
With no way to feed it
Where are you tonight?
Child, you know how much I need it.
Too young to hold on
And too old to just break free and run

Sometimes a man gets carried away,
When he feels like he should be having his fun
Much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really,
He has no-one...

So I'll wait for you... And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, Lover, you should've come over
Cause it's not too late.

Lonely is the room the bed is made
The open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one
Who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep
That won't ever come
It's never over,
My kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over,
all my riches for her smiles when I slept so soft against her...
It's never over,
All my blood for the sweetness of her laughter...
It's never over,
She's a tear that hangs inside my soul forever...

But maybe I'm just too young to keep good love
From going wrong
Oh... lover you should've come over...

Yes, and I feel too young to hold on
I'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind
To see the damage I've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love, well I'll wait for you
Lover, you should've come over
'Cause it's not too late.

Tuesday, December 03, 2013

Postal

Foto minha: "Janela para o Nada"


"... today's most crucial dilemma 
of aesthetic morality - 
the hopeless confusion 
that arises when we attempt 
to contain the inscrutable
pressures of self-guiding 
artistic destiny
within the neat,
historical summation
of collective chronology."

Glenn Gould, no meio da explicação do porquê Strauss seria importante para ele como uma figura que desafiava a ideia de evolução histórica que o que chamamos de modernismo preza tanto. Edward Said pega carona em Gould para discutir as últimas obras de Strauss. 

Monday, December 02, 2013

Poesia Mexicana: Jaime Sabines


Foto minha: Arbusto na Parede
Lento, amargo animal...
Jaime Sabines

    Lento, amargo animal
    que soy, que he sido,
    amargo desde el nudo de polvo y agua y viento
    que en la primera generación del hombre pedía a Dios.

Amargo como esos minerales amargos
que en las noches de exacta soledad
--maldita y arruinada soledad
sin uno mismo--
trepan a la garganta
y, costras de silencio,
asfixian, matan, resucitan.

Amargo como esa voz amarga
prenatal, presubstancial, que dijo
nuestra palabra, que anduvo nuestro camino,
que murió nuestra muerte,
y que en todo momento descubrimos.

Amargo desde dentro,
desde lo que no soy,
--mi piel como mi lengua--
desde el primer viviente,
anuncio y profecía.

Lento desde hace siglos,
remoto --nada hay detrás--,
lejano, lejos, desconocido.

Lento, amargo animal
que soy, que he sido.
Horal, 1950