Saturday, November 30, 2013

Traduzindo David Lehman: "Uma história da poesia moderna" ou um libelo contra os caga-regras da poesia


"Pet Rocks", febre do natal de 1976 inventada por um tal de Gary Dahl na Califórnia. A ideia era ter um "bicho de estimação" ideal, que não dava trabalho nenhum. O "bicho" vinha numa caixa de papelão com furinhos [para "respirar"] com um manual de instruções bem humorado. Dahl ficou milionário.
Uma história da poesia moderna
David Lehman

A ideia era ter sua propria voz,
soando singular, como nenhuma outra
O resultado foi que todo mundo soava igual
A nova ideia era livrar-se das ideias
e substituí-las por imagens em especial a imagem
de uma pedra de modo que todo mundo escrevia um poema
com a imagem de uma pedra coberta de neve
ou nua sem enfeite algum isso era nos anos 70
uma década antes que as Pedras de Estimação virassem mania de natal
provando que a poesia estava mais uma vez a frente do seu tempo
e a poesia já tinha seguido em frente
a nova ideia era fazer da linguagem o tema
por que a linguagem era um padrão de interferência
não existia esse tal discurso não-mediado
e o resultado foi que todo mundo soava igual.
   


A History of Modern Poetry
David Lehman

The idea was to have a voice of your own,
distinctive, sounding like nobody else's
The result was that everybody sounded alike
The new idea was to get rid of ideas
and substitute images especially the image
of a rock so everyone wrote a poem
with the image of a rock in it capped with snow
or unadorned this was in the early 1970s
a few years before Pet Rocks were a Christmas craze
showing that poetry was ahead of its time as usual
and poetry had moved on
the new idea was to make language the subject
because language was an interference pattern
there was no such thing as unmediated discourse
and the result was that everybody sounded alike

[o original do poema de David Lehman foi encontrado aqui]

Thursday, November 28, 2013

Diário da Babilônia: Dia de Agradecer

Dois sobreviventes do holocausto, pelo menos quando eu tirei essa foto ano passado.





Os perus selvagens, antes parte da fauna de Connecticut, tinham desaparecido até que 356 deles foram capturados em outros estados e trazidos para 18 parques do estado entre 1975 e 1992. Hoje eles estão por aí. Já vi vários no mato, às vezes perto da estrada. Esses aí em cima não são selvagens; estavam soltos numa fazendinha que visitei com a minha filha faz mais ou menos um ano.
Hoje é dia de comer peru nos Estados Unidos, supostamente repetindo a refeição de agradecimento que os colonos ingleses teriam feito com índios da região onde vivo, que os teriam ajudado a sobreviver ensinando-os a cultivar e comer milho e abóbora e a caçar e cozinhar perus. Sempre imagino que eles no final da refeição presentearam seus amigos com cobertores cheios de... tifo.

Enfim cada um com seu Cortés/Caramuru/John Smith e sua Malinche/Paraguaçu/Pocahontas.

O fato é que 500 anos depois os índios não "foram embora" nem "desapareceram". Continuam por aí, uma presença incômoda para muita gente mesmo porque eles continuam recebendo outros cobertores infectados com outros tifos. Ainda outro dia o ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo foi visitado pelo massacre de Acteal em Chiapas, quando 45 índios tzotziles [22 mulheres e 18 crianças] dentro de uma capela. Imagino o dia em que Dilma Roussef terá a sua tranquila aposentadoria, quem sabe numa universidade estrangeira, interrompida por algo parecido. Mas a culpa não é só de Dilmas e Zedillos, porque a cumplicidade é geral e a indiferenças de muitos - 500 anos depois, volto a repetir - é simplesmente imperdoável. 

Nos Estados Unidos o inesquecível Ronald Reagan, líder da "revolução conservadora" que faz os EUA ficarem cada vez mais parecidos com o Brasil, resolver dar aos índios americanos o direito de abrir cassinos! O maior cassino do mundo está aqui em Connecticut, chama-se Mohegan Sun e é propriedade da tribo dos Mohegan,  nome dado aos Pequot que colaboraram com os ingleses. Os outros, vizinhos dos Mohegan, também tem sua reserva com um gigantesco cassino, o Foxwoods. Em 1630 80% dos Pequot morreram numa epidemia de varíola. Apenas 300 sobreviveram à guerra que os colonos ingleses fizeram a eles em 1637. A última habitante da reserva Pequot morreu em 1973 e o governo federal começou o processo de "retomada" da terra "doada" como reserva aos índios. Richard Arthur Hayward um modesto encanador natural de New London, na costa de Connecticut, liderou a longa luta para impedir que isso acontecesse. Agora os Pequot têm um cassino e inclusive expandiram sua reserva comprando terras vizinhas e tem um incrível museu sobre as culturas indígenas dos Estados Unidos e Canadá.

Não é inacraditável que falemos em índios invasores de terra? Índios que "recebem" terra do governo? Quem sabe a Dilma não autoriza a abertura de cassinos no Brasil e deixa o Carlinhos Cachoeira e companhia assessorar os índios brasileiros?

Wednesday, November 27, 2013

Traduzindo: "Cavalo Imaginando Deus" de Augusto Monterroso

-->
Cavalo Imaginando Deus
Augusto Monterroso

Digam o que for, a ideia de um céu habitado por Cavalos e presidido por um Deus com aparência equina é um atentado ao bom gosto e à logica mais elementar, raciocinava outro  dia o Cavalo.

Todo mundo sabe – continuava em seu raciocínio – que se nós Cavalos fóssemos capazes de imaginar Deus o imaginaríamos na forma de um Cavaleiro. 

[ Lauro Marques fez uma tradução um pouquinho diferente para a revista Bula em 2008.]
 

Monday, November 25, 2013

Poesia minha: "depois"


Foto Minha

depois

Singing "hard times ain't gonna rule my mind
Hard times ain't gonna rule my mind, Bessie
Hard times ain't gonna rule my mind no more"

depois do desastre
cada novo passo
fica deslocado
tempos alterados
ponteiros cansados
tropeçam segundos
arranham as juntas
vacilam os músculos

depois do dilúvio
nos dias de luto
a água evapora
a lama em pó
levanta embora
as fibras se afrouxam
as rugas se mostram
madeira e papel
já não topam peso
a tinta não pega
e ai de quem teima
rasga e arrebenta
os restos que ficam
os últimos ritos
aquilo que explica
o que foi perdido
e o recebido

desenho do nada
pão da minha páscoa
colar de distúrbios
um poço sem fundo
caminho de volta
o centro do nó
curral de espelhos
varal de desejos
a mão do meu filho
um copo de fim

Postal: Deus Progresso


Foto minha: imagem encontrada no Museo de Arte Popular no México


"Progress has replaced God. Nietzsche talked about the death of God—I think God was replaced by progress. I believe that you must appreciate technology just like art. You wouldn’t tell an art connoisseur that he can’t prefer abstractionism to expressionism. To love is to choose. And today, we’re losing this. Love has become an obligation. Progress has all the defects of totalitarianism."

Paul Virilio em entrevista com a revista Vice aqui.

Saturday, November 23, 2013

Postais: Virilio


Detalhe de templo maia
 
“A invenção do barco foi também a invenção do naufrágio.”
Paul Virilio

Friday, November 22, 2013

O decálogo do esquema novelão de política, de ponta a ponta no espectro político

Foto minha: A na Visão de B

Foto minha: B na visão de A






















1. Quando vai falar de política logo cai no esquema A x B no qual A é bom e bonito  e B é malvado e feio. Está sempre incondicionalmente a favor de A e incondicionalmente contra B. Tudo o que A faz está certo ou pelo menos é justificável e tudo o que B faz está completamente errado e é injustificável. O estado de espírito é de permanente indignação.

2. Os tempos mudam e as opiniões também, mas o esquema permanece inalterado. O A de hoje pode se transformar no B de amanhã e vice-versa, mas o esquema em preto e branco sem direito a semi-tons continua.
Por exemplo, a candidata a presidente que conhecia como ninguém a área de desenvolvimento e saberia equilibrar preservação e desenvolvimento se transforma numa presidente desenvolvimentista autoritária que imita o general Geisel mal e porcamente. O valoroso companheiro de ontem é o safado governista de hoje. O aliado razoável de ontem é o inimigo número 1 de amanhã.

3. O conteúdo do que A ou B diz já está definido pelo fato de que ele se originou em A ou em B. A proposta feita por A que era razoável ontem se torna um absurdo indefensável quando é defendida por B amanhã.

4. B, todos os que defendem B ou qualquer um que ouse levantar reparos a A são imediatamente tachados de safados, hipócritas, nojentos, traidores, vendidos etc. Ninguém pode ter qualquer simpatia por B sem se revelar um completo canalha.

5. A outra opção para os que apreciem alguma coisa de B é o retardamento mental, a mais completa e absurda ignorância ou alienação ou algum tipo de doença mental.

6. Protesta contra quem despeja preconceitos contra A mas reserva para B os mesmos preconceitos que diz combater.

7. Esses preconceitos que despeja em B se apegam invariavelmente a velhos xingamentos relacionados a
     raça [negro safado, capitão do mato, bugre desgraçado, nordestino burro],
     gênero [fofoqueira, gorda, mulherzinha, invejosa, encalhada, piranha],
     orientação sexual [sapatão, viadinho, bicha enrustida],
     idade [velho gagá, moleque metido],
     aparência física [cara de bunda, monstro da lagoa, feioso],
     algum tipo social marcado [tarado, pinguço, corno, perua].

8. Protesta veementemente quando esses velhos xingamentos são dirigidos a A.

9. Carrega forte no rancor mazombo e no desejo facistóide de violência: quer que B morra, que tenha câncer, que seja estuprado numa cela lotada, que apanhe de cacetete até sangrar etc.

10. Horroriza-se quando um rancor bem parecido com o seu é dirigido a A.

Thursday, November 21, 2013

Enrique Lihn, outra vez







La pieza oscura

La mixtura del aire en la pieza oscura, como si el cielorraso hubiera amenazado
una vaga llovizna sangrienta.
De ese licor inhalamos, la nariz sucia, símbolo de inocencia y de precocidad
juntos para reanudar nuestra lucha en secreto, por no sabiamos no ignorábamos qué causa;
juegos de manos y de pies, dos veces villanos, pero igualmente dulces
que una primera pérdida de sangre vengada a dientes y uñas o, para una muchacha
dulces como una primera efusión de su sangre.

Y así empezó a girar la vieja rueda -símbolo de la vida- la rueda que se atasca como si no volara,
entre una y otra generación, en un abrir de ojos brillantes y un cerrar de ojos opacos
con un imperceptible sonido musgoso.
Centrándose en su eje, a imitación de los niños que rodábamos de dos en dos, con las orejas rojas
-símbolos del pudor que saborea su ofensa-rabiosamente tiernos,
la rueda dio unas vueltas en falso como en una edad anterior a la invención de la rueda
en el sentido de las manecillas del reloj y en su contrasentido.
Por un momento reinó la confusión en el tiempo. Y yo mordí largamente en el cuello a mi prima Isabel,
en un abrir y cerrar del ojo del que todo lo ve, como en una edad anterior al pecado
pues simulábamos luchar en la creencia de que esto hacíamos; creencia rayana en la fe como el juego en la
verdad
y los hechos se aventuraban apenas a desmentirnos
con las orejas rojas.

Dejamos de girar por el suelo, mi primo Angel vencedor de Paulina, mi hermana; yo de Isabel, envueltas
ambas
ninfas en un capullo de frazadas que las hacía estornudar -olor a naftalina en la pelusa del fruto-.
Esas eran nuestras armas victoriosas y las suyas vencidas confundiendose unas con otras a modo de nidos
como celdas, de celdas como abrazos, de abrazos como grillos en los pies y en las manos.
Dejamos de girar con una rara sensación de vergüenza, sin conseguir formularnos otro reproche
que el de haber postulado a un éxito tan fácil.
La rueda daba ya unas vueltas perfectas, como en la época de su aparición en el mito, como en su edad de
madera recién carpintereada
con un ruido de canto de gorriones medievales;
El tiempo volaba en la buena dirección. Se lo podía oír avanzar hacia nosotros
mucho más rápido que el reloj del comedor cuyo tic-tac se enardecía por romper tanto silencio.
El tiempo volaba como para arrollarnos con un ruido de aguas espumosas más rápidas en la proximidad de la
rueda del molino, con alas de gorriones -símbolos del salvaje orden libre-con todo él por único objeto desbordante
y la vida -símbolo de la rueda- se adelantaba a pasar tempestuosamente haciendo girar la rueda a velocidad
acelerada, como en una molienda de tiempo, tempestuosa.
Yo solté a mi cautiva y caí de rodillas, como si hubiera envejecido de golpe, presa de dulce, de empalagoso
pánico
como si hubiera conocido, más allá del amor en la flor de su edad, la crueldad del corazón en el fruto del amor,
la corrupción del fruto y luego... el carozo sangriento, afiebrado y seco.

¿Qué será de los niños que fuimos? Alguien se precipitó a encender la luz, más rápido que el pensamiento de
las personas mayores.
Se nos buscaba ya en el interior de la casa, en las inmediaciones del molino: la pieza oscura como el claro de
un bosque.
Pero siempre hubo tiempo para ganárselo a los sempiternos cazadores de niños. Cuando ellos entraron al
comedor, allí estábamos los ángeles sentados a la mesa
ojeando nuestras revistas ilustradas -los hombres a un extremo, las mujeres al otro-
en un orden perfecto, anterior a la sangre.

En el contrasentido de las manecillas del reloj se desatascó la rueda antes de girar y ni siquiera nosotros
pudimos encontrarnos a la vuelta del vértigo, cuando entramos en el tiempo
como en aguas mansas, serenamente veloces;
en ellas nos dispersamos para siempre, al igual que los restos de un mismo naufragio.
Pero una parte de mí no ha girado a compás de la rueda, a favor de la corriente.
Nada es bastante real para un fantasma. Soy en parte ese niño que cae de rodillas
dulcemente abrumado de imposibles presagios
y no he cumplido aún toda mi edad
ni llegaré a cumplirla como él de una sola vez y para siempre.


( de La pieza Oscura, 1963 )

Tuesday, November 19, 2013

Comemorando hoje


Foto minha: "Fim de Primavera à moda de Wir Caetano"


Hoje, 19 de novembro, comemora-se nos Estados Unidos o “Gettysburg Address”, famoso discurso [famoso e curtinho] de 1863 no qual Lincoln abria um cemitério para homenagear os mais de 100 mil americanos dos dois lados da guerra civil mortos naquele campo de batalha. Dou um doce para quem adivinhar se o discurso do Lincoln arruma espaço para dizer que os Estados Unidos são uma coisa muito linda que representa a esperança de liberdade e igualdade mundo afora por todo e sempre. No Brasil hoje é o dia da bandeira, mas é capaz de comemorarem mais o milésimo gol do Pelé de 1969. Cada país com as suas patriotadas. Eu acho é que deviam trocar o “Ordem e Progresso” por “Lento, Gradual e Seguro” em nome daquele presidente-general desenvolvimentista que parece que voltou a estar na moda.  

Também hoje há 46 anos morria João Guimarães Rosa, ainda relativamente jovem para os padrões de hoje em dia. Acho que o melhor jeito de lembrar é ler Guimarães Rosa e escolhi aqui para o blogue um trecho de “Os cimos”:

“E, vindo o outro dia, no não-estar-mais-dormindo e não-estar-ainda-acordado, o menino recebia uma claridade de juízo - feito um assopro - doce, solta. Quase como assistir às certezas lembradas por um Qutro; era que nem uma espécie de cinema de desconhecidos pensamentos; feito ele estivesse podendo copiar no espírito idéias de gente muito grande. Tanto, que, por aí, desapareciam, esfiapadas.

Mas, naquele raiar, ele sabia e achava: que a gente nunca podia apreciar, direito, mesmo, as coisas bonitas ou boas, que aconteciam. As vezes, porque sobrevinham depressa e inesperadamente, a gente nem estando arrumado. Ou esperadas, e então não tinham gosto de tão boas, eram só um arremedado grosseiro. Ou porque as outras coisas, as ruins, prosseguiam também, de lado e do outro, não deixando limpo lugar. Ou porque faltavam ainda outras coisas, acontecidas em diferentes ocasiões, mas que careciam de formar junto com aquelas, para o completo. Ou porque, mesmo enquanto estavam acontecendo, a gente sabia que elas já estavam caminhando, para se acabar, roídas pelas horas, desmanchadas... O menino não podia ficar mais na cama. Estava já levantado e vestido, pegava o macaquinho e o enfiava no bolso, estava com fome.”

Para mim esse trecho fala exatamente sobre a quase impossibilidade de experimentar as coisas plenamente bem ali na hora em que elas acontecem. O que é que se vai comemorar sobre o dia 19 de novembro de 2013?

Monday, November 18, 2013

Na corda bamba entre idealizações e relativismos


Foto minha: "Olhar para trás olhando para frente ou olhar para frente olhando para trás"

 As reflexões sobre grandes desastres humanos como o holocausto ou a colonização e escravidão moderna nas Américas costuma oscilar entre dois extremos insuficientes: a idealização das vítimas que as torna incapazes de exercer algum tipo de arbítrio em suas vidas e a relativização das atrocidades que tenta diminuir o tamanho desses desastres botando tudo na conta da tal natureza humana. Primo Levi faz uma das reflexões mais agudas sobre o holocausto porque evita chegar perto desses dois extremos. Uma pequena demonstração da agudeza da sua reflexão:
 
“I do not know, and it does not much interest me to know, whether in my depths there lurks a murderer, but I do know that I was a guiltless victim and I was not a murderer.”
Primo Levi

Saturday, November 16, 2013

Enrique Lihn: detrás del amor a los pobres de los sagrados corazones se escondía una monstruosa duplicidad

Foto minha: Oca de Ferro






Revolución

Enrique Lihn


No toco la trompeta ni subo a la tribuna
De la revolución prefiero la necesidad de conversar entre amigos
aunque sea por las razones más débiles
hasta diletando; y soy, como se ve, un pequeño burgués no vergonzante
que ya en los años treinta y pico sospechaba que detrás del amor a los pobres de los sagrados corazones
se escondía una monstruosa duplicidad
y que en el cielo habría una puerta de servicio
para hacer el reparto de las sobras entre los mismos mendigos que se restregaban aquí abajo contra los flancos de la Iglesia
en ese barrio uncioso pero de cuello y corbata
frío de corazón ornamental
La revolución
es el nacimiento del espíritu crítico y las perplejidades que le duelen al imago en los lugares en que se ha completado para una tarea por ahora incomprensible
y en nombre de la razón la cabeza vacila
y otras cabezas caen en un cesto
y uno se siente solitario y cruel
víctima de las incalculables injusticias que efectivamente no se hacen esperar y empiezan a sumarse en el horizonte de lo que era de rigor llamar entonces la vida
y su famosa sonrisa.

Friday, November 15, 2013

Postal: Uma paixão compartilhada

Letícia Galizzi, "Interação", Acrílico sobre papel





“La estética es una pasión compartida.”
Felipe Ehrenberg


Thursday, November 14, 2013

Arde o no es

Foto minha: pichação no Rio de Janeiro

El arte arde o no es.
Jusep Torres Campalans, artista inventado por Max Aub

Wednesday, November 13, 2013

Recomendação: Gillian Welch


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Dark Turn Of Mind
Welch/Rawlings
Take me and love me if you want me.
Don't ever treat me unkind
'Cause I have had that trouble already
And it left me with a dark turn of mind.

Now I see the bones in the river
And I feel the wind through the pine
And I hear the shadows a-calling
To a girl with a dark turn of mind

But, oh, ain't the nighttime so lovely to see?
Don't all the night birds sing sweetly?
You'll never know how happy I'll be
When the sun's going down.

And leave me if I'm feeling too lonely
Full as the fruit on the vine.
You know some girls are bright as the morning
And some have a dark turn of mind.

You know some girls are bright as the morning
And some girls are blessed with a dark turn of mind


Tuesday, November 12, 2013

Escavando notas: Tenochtitlán na visão de Érico Veríssimo

Ilustração de Covarrubias para livro El Pueblo del Sol de Alfonso Caso
 
“sinto uma espécie de cordial irritação ante esta cidade insubmissa que não se deixa classificar, que repele todos os adjetivos que lhe ofereço, apresentando-se-nos ora moderna ora antiga; agora encantadora, logo depois sinistra; aqui bela e logo ali adiante feia... Afinal de contas, em que ficamos? Não ficamos. O melhor é caminhar, beber o México, absorver o México, pelos olhos, pelos poros, no ar que respiramos, nas vozes que ouvimos, nos cheiros que nos entram pelas narinas—gasolina queimada, pó de asfalto, tortilla, frituras, fragrância de flores e ervas...”
Érico Veríssimo sobre o México 

Monday, November 11, 2013

Postal: Goeritz e Lefebvre

Mathias Goeritz – "Shell Skull"







“Today everything comes to an end 
as soon as it begins, and vanishes 
almost as soon as it appears.”
Henri Lefebvre

Sunday, November 10, 2013

Postais: Flannery O'Connor

Foto minha: Moby-Dick no Valongo


"Only God is  an atheist.
The devil is the greatest believer
and he had his reasons."
Do um diário de Flannery O'Connor

Friday, November 08, 2013

Recordar é viver: Era uma vez um lugar chamado Brasil

Foto minha: "Novo Planeta"





"Joana Batista, 
paraense, 
cansada de viver atolada 
em dívidas, doenças e fome, 
vendeu-se por 80$000 
a Pedro da Costa; 
metade em dinheiro 
e com a condição 
de que se filhos tivesse seriam livres."
Nota de jornal de 19 de agosto de 1789, pouco mais de um mês depois da queda da Bastilha

Thursday, November 07, 2013

Pautando-se pela imbecilidade alheia


Me desculpem muitos amigos e conhecidos de fcbk mas é bater em cachorro morto e perder seu precioso tempo ficar falando de coisas como:

-       Roqueiros aposentados que “viraram” conservadores;
-       Colunistas de jornal hiper-conservadores que só falam bobagem com a intenção de agredir;
-       Fotografias de globetes de luto, videos de iutubio e passeatas do tipo “Cansei” e qualquer outra “manifestação” de “artistas de novela”, “ídolos da MPB” ou outras celebridades do tipo;
-       Reportagens daquela revista que virou pasquim de conservadorismo feroz;
-       Outras coisas bizarras do tipo: programa de televisão onde mulheres de biquini tentam pegar sabonetes numa banheira, diretor de teatro que apalpa perua de programa de humor sem graça, piada racista e/ou machista de humorista sem graça etc;
-       Opiniões absurdas de políticos ou ex-políticos idem como os Bolsonaros, que se reproduzem como gremlins a cada eleição;
-       “Humor político” que se resume a chamar o político A, B, ou C de gordo, feio, pinguço, drogado, viado, sapatão, baixinho, dentuço etc;
-       Opiniões completamente desvairadas de anônimos exaltados que poluem os bilhões de caixas de comentários e páginas de internet falando disparates cheios de letras maiúculas e pontos de exclamação.

Você se deixa pautar pelos imbecis e de repente a sua propria capacidade de refletir pode começar a ficar seriamente atrofiada…

Por isso mesmo, prometo publicamente não voltar a tocar nesse assunto besta.

Wednesday, November 06, 2013

Postal: Nat Turner

Foto Minha: Caracol do Gabinete de Leitura





"You have asked me to give a history 
of the motives which induced me 
to undertake the late insurrection, 
as you call it - 
To do so I must go back 
to the days of my infancy, 
and even before I was born." 

Abertura da "Confissão" de Nat Turner, preso pela rebelião de escravos na Virgínia em 1831.

Tuesday, November 05, 2013

Postal: Norman Rockwell



"The Problem We All Live With" de Norman Rockwell. Mais sobre o quadro aqui.

“a bean pole without the beans”
"uma estaca para pé de feijão sem os feijões"
Norman Rockwell descrevendo a si mesmo na juventude

Monday, November 04, 2013

Postal: Bergson/Gorostiza

   
Muerte Sin Fin 
José Gorostiza
I
LLENO DE MI, sitiado en mi epidermis
por un dios inasible que me ahoga,
mentido acaso
por su radiante atmósfera de luces
que oculta mi conciencia derramada,
mis alas rotas en esquirlas de aire,
mi torpe andar a tientas por el lodo;
lleno de mí —ahíto— me descubro
en la imagen atónita del agua,
que tan sólo es un tumbo inmarcesible,
un desplome de ángeles caídos
a la delicia intacta de su peso,
que nada tiene
sino la cara en blanco
hundida a medias ya, como una risa agónica,
en las tenues holandas de la nube
y en los funestos cánticos del mar
—más resabio de sal o albor de cúmulo
que sola prisa de acosada espuma.
No obstante —oh paradoja— constreñida
por el rigor del vaso que la aclara,
el agua toma forma.
En él se asienta, ahonda y edifica,
cumple una edad amarga de silencios
y un reposo gentil de muerte niña,
sonriente, que desflora
un más allá de pájaros
en desbandada.
En la red de cristal que la estrangula,
allí, como en el agua de un espejo,
se reconoce;
atada allí, gota con gota,
marchito el tropo de espuma en la garganta
¡qué desnudez de agua tan intensa,
qué agua tan agua,
está en su orbe tornasol soñando,
cantando ya una sed de hielo justo!
¡Mas qué vaso —también— más providente
éste que así se hinche
como una estrella en grano,
que así, en heroica promisión, se enciende
como un seno habitado por la dicha,
y rinde así, puntual,
una rotunda flor
de transparencia al agua,
un ojo proyectil que cobra alturas
y una ventana a gritos luminosos
sobre esa libertad enardecida
que se agobia de cándidas prisiones!
 
Caderno de Notas: Bergson