Wednesday, February 26, 2020

Música Country não é a porcaria que as pessoas pensam ou "High Above the Water" de Parker McCollum




High Above the Water
Parker McCollum

Hooked on money, hooked on chains,
No more cripple, no more cane
How'd I do all I did
Why won't you call me the kid

Best believe I'm afraid
Shake it off everyday
You're like a record spinnin' round
I'm leavin' this town

It ain't been the way that it goes
Rather die alone from somethin' that I chose
Go out in style
Go out on fire

Livin' high high high
High above the water
Livin' high high high
High above the water

Dark as day bright as night
That's the big city life
Troubles always next door
Always beggin' for more

Give and take what you got
Make your way to the top
I won't ever come down
I feel what I've found

It ain't been the way that it goes
Rather die alone from somethin' that I chose
Go out in style
Go out on fire

Livin' high high high
High above the water
Livin' high high high
High above the water


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Tuesday, February 25, 2020

O Manifesto Comunista

Dos dez pontos programáticos do Manifesto Comunista, sete parece que foram escritos ontem:

1. Imposto progressivo;
2. Abolição das heranças;
3. Crédito bancário nas mãos do estado;
4. Produção industrial nas mãos do estado;
5. Meios de comunicação e transporte nas mãos do estado;
6. Educação gratuita em escolas públicas para todos;
7. Fim do trabalho infantil


Thursday, February 20, 2020

Recordar é viver: o horror é muito antigo



São dois filmes simples, feitos no Chile de Allende, com poucos recursos. Neles os refugiados políticos brasileiros denunciam a tortura do regime militar. São muitos, são quase todos bem jovens, atrapalhados quase todos entre português e espanhol e inglês. As cicatrizes estavam bem frescas. O que eles descrevem no filme, no calor da hora, é o que o Brasil escolheu colocar no poder em 2018. E agora, 2020, estão horrorizados com um político mequetrefe que passou os últimos 40 anos exaltando o que o regime militar produziu de pior.


Não é hora de chorar from Luiz Alberto Barreto Leite Sanz on Vimeo.

Tuesday, February 18, 2020

Pindorama sonha com defuntos da Babilônia


Mais de 9.000 lojas fecharam as portas nos EUA em 2019. O número bateu o recorde anterior, de 2018, que havia batido o anterior, de 2017. 2020 promete: até agora foram anunciados 1.200 fechamentos. A coisa chegou ao ponto de séries de fotografia inteiramente dedicadas aos malls abandonados. Aqui você mais fotos de malls abandonados feitas pelo fotógrafo Seph Lawless.


Um desavisado poderia pensar que a culpa toda seria da Amazon e congêneres, mas neste século XXI as lojas gigantes de varejo (Costco e Sam's Club, que pertence ao Walmart) cresceram mais que o gigante do comércio online. Ali o consumidor tipicamente sai carregando pacotes gigantes com dezenas de rolos de papel higiênicos, galões de mostarda e ketchup e caixas com milhares de sucos de caixinha.

Mais importante que isso, a classe média dos EUA encolheu de 60% da população em 1970 para 40% agora. E enquanto a classe média estadounidense do século XXI, já encolhida contra a parede, não sabe o que é poupança, os 10% mais ricos só dão conta de gastar 60% do que ganham. Galerias de arte e butiques prosperam, mas o fato é há mais dinheiro para os tubarões de Wall Street transformarem em mais dinheiro - ou em fumaça.

Daí a ascensão meteórica das "Dollar Stores" que vendem todo o tipo de coisa (inclusive comida devidamente ultra-processada e produtos de limpeza em embalagens menores) por apenas 1 dólar. Elas são obviamente a "opção" preferencial dos pobres, cada vez mais pobres. Já são mais de 30.000 lojas desse tipo espalhadas pelo país. Além delas, há os inescapáveis Walmarts, onde pode-se comprar remédio, comida, meias, latas de lixo, trabucos e pneus numa só viagem. Mais informação (em inglês) aqui.

Em vista de tudo isso é cada vez mais irônico voltar para o Brasil e escutar os suspiros emocionados pelos paraísos dos intermináveis xópins e outchiletchis dos Estados Unidos. Os brasileiros sonham com casas mal-assombradas e defuntos, principalmente se continuarmos esse processo recente de re-concentração de renda radical.

Sunday, February 16, 2020

O rei do inferno

Entre 1992 e 1995 Radovan Karadzic era rei no inferno em que a antiga Iugoslávia se tornou com a guerra entre bósnios, croatas e sérvios. Ele só foi preso em 2008 e condenado em 2016 no tribunal de Hague por diversos crimes contra a humanidade. Carisma e disposição para jogar com nacionalismo narcisista, racismo, ressentimento, fanatismo, sede de poder e o medo da mudança e a perda de status e privilégios.

Sinceramente não deve ter sido muito consolo para os milhares de pessoas cujas vidas Karadzic e seus seguidores transformaram num inferno.

O presidente do Brasil têm quatro anos e disposição para destruir. O que vai acontecer depois, não será consolo.

Thursday, February 13, 2020

Papai Noel não existe

Tudo o que eu pedi ao Papai Noel foi um ano de paz. Um ano sem essa coisa que por aqui os eufemistas de plantão chamam de "incidente". Aquilo que eu chamo de trumpice: um ato de racismo truculento, ostensivo, uma prova de completa falta de sensibilidade para com o sofrimento dos outros, aquela famosa prepotência de quem, por sua cor e/ou sua classe, se considera o chefe de tudo por aqui e por isso pode falar o que bem entender com quem quiser. 

Mas Papai Noel realmente não existe:

http://www.oudaily.com/news/ou-gaylord-college-professor-uses-racial-slur-during-class-in/article_ddf0496e-4cff-11ea-9e80-fbaf7ab99bc3.html?fbclid=IwAR1Y_h1SgiOef1-7trL3oc9wZWmA2xNqMAK9MLaZAlItHzeJ_MXwJmfkqmg

Uma das pixações pertinho da escola primária onde minha filha estudou 
Dessa vez não dá nem para culpar um bando de alunos desmiolados, porque a trumpice saiu da boca de um professor no meio de uma aula expositiva. Um professor de jornalismo! Sentindo-se talvez pessoalmente ofendido pela recente emergência da expressão "Ok, Boomer," ele resolveu dar sua contribuição ao clima péssimo da universidade no tocante às relações raciais. Isso vindo da parte de um membro de uma geração que produziu frases como "Nunca confie em ninguém com mais de trinta anos" [há sessenta anos atrás] e que viveu às turras com a caretice da geração dos seus pais, ridiculamente conhecida como "greatest generation". Um certo conflito de gerações sempre vai existir, mas não dá para nem sequer começar a comparar isso com algo que começa com séculos de escravidão e se completa com segregação, linchamento e outras coisas do tipo.

Indignação não exprime o sentimento geral da rapaziada na universidade. Estamos exaustos. O que pode produzir um estado prolongado de indignação que não resulta em absolutamente nada? Todos os alunos [e professores] não-brancos [no sentido trúmpico da coisa, por cujos critérios nem 5% dos autodenominados brancos no Brasil passariam como brancos] estão simplesmente exaustos.

 

Wednesday, February 12, 2020

Cole Porter além das letras

Cole Porter é o Noel Rosa da música urbana americana. Só que Noel Rosa morreu cedo demais e isso dificulta a comparação. O letrista Porter chega mais perto da excelência de Chico Buarque, principalmente naquele momentos em que as rimas mais inusitadas parecem ser inescapáveis. O curioso é que um grupo de jazz meio conservador resolvesse bem no meio dos anos 60 tomar justamente a música feita por Porter (bem próxima do pop dos musicais dos anos 30 e 40 do que do jazz propriamente) para gravar um álbum delicioso e nos revelar a arquitetura fantástica das canções clássicas de Cole Porter, aqui "livres" das letras do mestre.



E como não compara o começo desse "Night and Day" com o "Samba de uma nota só"?