Sunday, May 19, 2013

Postais do Inferno 4: Fire as Cure

"Simply to release man from the fear of death does not insure... 
Foto Minha: Espectro na Parede
... that he will act as if he were immortal."
Extraído de "Fire as the Cure" de S.L.A. Marshall

Saturday, May 18, 2013

Escavando notas: um narrador monstruoso


Arte Minha: colagem e desenho em cartões antigos da biblioteca Sterling
“Uma só cabeça e vários tentáculos, várias pernas-tentáculos que se assentam em terras diversas e variados mares, deles sugando o que podem oferecer e ofertando o produto à cabeça de um olho ciclópico, montada em um dorso gigantesco de onde saem braços, de onde saem mãos que selecionam caminhos pelas teclas do computador. A cabeça vive dilacerada pelos tentáculos que se distanciam em busca de novos apoios. Cada novo apoio, se não for uma caravela, é uma terra, se não for uma terra, é uma caravela. Se não for caravela ou terra, é uma tela de computador a ser preenchida. 
Sou espelho do que me liberta e me aprisiona. Tenho o corpo feito de montanhas, das montanhas onde reina imperiosa uma cabeça, cuja boca proclama que, depois de uma penosa caminhada, o horizonte é acessível e o respirar menos congestionado. De lá é que descubro outro horizonte, outras montanhas, outros horizontes mais vastos e amplos e menos acessíveis pelo caminhar dos pés, o girar das rodas e o zunir das hélices.”  
Silviano Santiago, Viagem ao México, 20

Friday, May 17, 2013

Escavando notas

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Sérgio Buarque de Holanda
Fosse como fosse, eu me sentia identificado com aquela terra e seu povo. Bom identificado talvez não fosse a palavra exata. O melhor seria dizer que eu não conhecia o México, mas amava-o. Não era a mesma coisa? Mas é claro que era! O amor, como a arte, é uma das mais legítimas formas de conhecimento.
(Érico Veríssimo, Solo de Clarineta – Segundo Volume, 7)

Érico Veríssimo


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         O desconhecimento de qualquer forma de convívio que não seja ditada por uma ética de fundo emotivo representa um aspecto da vida brasileira que raros estrangeiros chegam a penetrar com facilidade. (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, 148)



Thursday, May 16, 2013

Postais do Inferno 3

Se você ainda acredita que ler literatura melhora o ser humano...

Foto minha: colegas se preparam para reunião de departamento


... eu recomendo um estágio num departamento de estudos literários.

Tuesday, May 14, 2013

Oito flagrantes do Rio de Janeiro na voz de oito poetas mexicanos


Y no quiero, Río de Enero,
más providencia en mi mal
que el rodar en tus playas
al tiempo de naufragar.
Alfonso Reyes

Desde el avión,
la orquestra panorámica de Río de Janeiro
se escucha en mi corazón.
Carlos Pellicer

La líquida luz del cielo
La liquida luz del mar!
Luis Quintanilla

Abre la luz,                               
                        del cielo, Guanabara.
Y somaremos juntos la jornada.
Jaime García Terrés

El mar de automóviles me arrojó a la playa de un café con vista a la playa
Gabriel Zaid

como cae la lluvia sobre el mar
a la velocidad que se desploma
así vamos fluyendo hacia la muerte
José Emilio Pacheco

sé que sólo habré vivido
en dos países que he querido
Francisco Cervantes

Los comerciantes vendem
            su enlatada alegria
            y detrás de los gritos
            afila los colmillos
            el vampiro banquero.
Hugo Gutiérrez Vega


Monday, May 13, 2013

Viva la mídia loca: sobre reportangens sobre a dengue [parte 2]


PARTE 2

Li um artigo na revista New Yorker [TheMosquito Solution, July 9&16, 2012] sobre o assunto. Eis o que aprendi:

1. Calcula-se que os vários tipos de mosquitos que picam humanos são responsáveis por metade das mortes na história do ser humano no planeta. Uma grande parte pela Malária.

2. O Aedes aegypti provavelmente chegou nas Américas à bordo de navios negreiros. Os ovos podem sobreviver até um ano sem incubar, se necessário, mas depois de quatro dias basta água na temperatura de 27oC e em menos de uma hora os ovos estão “chocados”.

3. A dengue é uma das doenças virais que mais se espalha no mundo. A OMS calcula que pelo menos 50 milhões de pessoas contraem dengue por ano. O número de afetados pela doença cresceu 30 vezes desde 1965. E já saímos da obsessão do brasileiro com tudo o que acontece no seu país e sua profunda ignorância sobre o que acontece em qualquer outro lugar do mundo que não seja uma magra seleção de “fatos” sobre os Estados Unidos e alguns países  a Europa ocidental.

4. O Aedes aegypti é capaz de se reproduzir numa colher de chá de água. Já encontraram sinais do bichinho em tudo quanto é canto, mas especialmente em pneus, onde basta uma colher de chá de água se acumular e pronto. Essa uma das prováveis causas desse grande aumento na doença no mundo desde 1965. A outra é que os mosquitos hoje são imunes aos inseticidas que nos livraram da Febre Amarela no começo do século XX.

5. Só a fêmea do Aedes aegypti precisa de sangue. Ao contrário de outros mosquitos, eles não fazem barulho. Preferem atacar pés, tornozelos e pernas. Ao contrário de outros mosquitos distribuem seus ovos em vários lugares diferentes, multiplicando as chances de que eles sobrevivam.

6. Agora o mais incrível: em 2011 a USP e a Oxitec [Oxford Insect Technologies, empresa inglesa criada a partir da Universidade de Oxford] conduziram um teste com a introdução em comunidades relativamente isoladas de um macho geneticamente modificado do Aedes aegypti no ambiente. É a primeira vez na história que o ser humano fabrica um animal mutante em laboratório e solta o bicho no meio-ambiente. Eles são fabricados em Juazeiro, por uma empresa chamada Moscamed. Os ovos fertilizados pelos mutantes carregam um gene fatal. As larvas morrem antes mesmo de começar a voar.

Ei, mas o mais importante eu já sabia: essa dona aí pegou dengue, coitada. Aliás diz a reportagem que não só ela mas também o marido apresentador da apresentadora da Rede Bobo que inventou a Tiazinha e uma tal de Solange Couto que parece que também trabalha lá. Eu obtive essas informações que MUDARAM minha vida aqui.

Sunday, May 12, 2013

Viva la mídia loca: sobre reportagens sobre a Dengue [parte 1]


PARTE 1

Foto do blogue Natural Unseen Hazard. Uma fêmea do Aedes aegypti se abastece de sangue




Quantas reportagens você já leu sobre dengue nos jornais brasileiros?

O que é que você aprendeu a respeito da dengue com elas?

Eu li várias e divido essas reportagens em dois tipos:

Tipo 1: Já são [número] de pessoas infectadas com o virus da dengue em [nome de estado ou cidade] este ano. Um aumento de [porcentagem]!

Tipo 2: [nome uma celebridade qualquer] está com dengue!

Com elas eu basicamente não aprendi nada. Tantos os números quanto os nomes das vítimas ilustres felizmente se dissolvem na minha memória, numa poça de dados inúteis e desprovidos de sentido. Se eu morasse no Brasil talvez servisse para jogar conversa fora com um motorista de táxi ou o meu açougueiro. Como moro fora, nem isso. Passo os olhos pela manchete e sigo em frente.

Eu só conheço uma reação nas mídias sociais a essas reportagens: gente vociferando contra o abismo da saúde pública no Brasil e contra a incompetência ou indiferença do governo [municipal, estadual ou federal, dependendo das inclinações políticas do comentarista]. Essas chegam sempre com um grande ódio ao Brasil, esse país único em que tudo é ruim e podre. 

Minto. Quando a notícia em questão refere-se a uma celebridade, também vejo comentários engraçadinhos, quase sempre fazendo trocadilhos sobre o estado "dengoso" da tal figura.