Tuesday, December 31, 2019

RIP David Berman 2



The dead know what they're doing when they leave this world behind
When the here and the hereafter momentarily align
See the need to speed into the lead suddenly declined
The dead know what they're doing when they leave this world behind
And as much as we might like to seize the reel and hit rewind
Or quicken our pursuit of what we're guaranteed to find
When the dying's finally done and the suffering subsides
All the suffering gets done by the ones we leave behind
Nights that won't happen
Time we won't spend
With each other again
Ghosts are just old houses dreaming people in the night
Have no doubt about it, hon, the dead will do alright
Go contemplate the evidence and I guarantee you'll find
The dead know what they're doing when they leave this world behind
Nights that won't happen
Time we won't spend
Nights that won't happen
Never ever again
Nights that won't happen
Never reaching the end
Nights that won't happen
Never even begin
Never even begin
This world is like a roadside inn and we're the guests inside
And death is a black camel that kneels down so we can ride
And when the dying's finally done and the suffering subsides
All the suffering gets done by the ones we leave behind
On nights that won't happen
Time we won't spend
Time we won't spend
With each other again
Nights that won't happen
Never reaching the end
Nights that won't happen
We can't even begin
We can't even begin

RIP David Berman 1

Friends are warmer than gold when you're old
And keeping them is harder than you might suppose
Lately, I tend to make strangers wherever I go
Some of them were once people I was happy to know
Mounting mileage on the dash
Double darkness falling fast
I keep stressing, pressing on
Way deep down at some substratum
Feels like something really wrong has happened
And I confess I'm barely hanging on
All my happiness is gone
All my happiness is gone
It's all gone somewhere beyond
All my happiness is gone
Ten thousand afternoons ago
All my happiness just overflowed
That was life at first and goal to go
Me and you, and us and them
And all those people way back when
All our hardships were just yardsticks then, you know
You know
It's not the purple hills
It's not the silver lakes
It's not the snowcloud shadowed interstates
It's not the icy bike chain rain of Portland, Oregon
Where nothing's wrong and no one's asking
But the fear's so strong it leaves you gasping
No way to last out here like this for long
'Cause everywhere I go, I know
Everywhere I go, I know
All my happiness is gone
All my happiness is gone
It's all gone somewhere beyond
All my happiness is gone







The dead know what they're doing when they leave this world behind
When the here and the hereafter momentarily align
See the need to speed into the lead suddenly declined
The dead know what they're doing when they leave this world behind
And as much as we might like to seize the reel and hit rewind
Or quicken our pursuit of what we're guaranteed to find
When the dying's finally done and the suffering subsides
All the suffering gets done by the ones we leave behind
All the suffering gets done by the ones we leave behind
Nights that won't happen
Time we won't spend
Time we won't spend
With each other again
With each other again
Ghosts are just old houses dreaming people in the night
Have no doubt about it, hon, the dead will do alright
Go contemplate the evidence and I guarantee you'll find
The dead know what they're doing when they leave this world behind
Nights that won't happen
Time we won't spend
Nights that won't happen
Never ever again
Nights that won't happen
Never reaching the end
Nights that won't happen
Never even begin
Never even begin
This world is like a roadside inn and we're the guests inside
And death is a black camel that kneels down so we can ride
And when the dying's finally done and the suffering subsides
All the suffering gets done by the ones we leave behind
All the suffering gets done by the ones we leave behind
On nights that won't happen
Time we won't spend
Time we won't spend
With each other again
Nights that won't happen
Never reaching the end
Nights that won't happen
We can't even begin
We can't even begin

Considerações para o fim do ano

1. Primeira pergunta do ano: de onde veio tanta ignorância? Brota do chão? Cai das nuvens? É efeito colateral de uma indústria da burrice? Das redes sociais? Dos telefones tirando fotinhas de tudo o tempo todo? São fantasmas de séculos de brutalidade colonial? Alguém está disposto a fuçar essa ferida? Fuçar a ferida sem cair em narcisismo, sem encontrar nos outros uma ignorância que é minha também. Ignorar é um dom humano universal; o que espanta é esse orgulho da própria ignorância. Eu, formado em país católico, sinto-me timidamente culpado pelas minhas ignorâncias. Estudar mais para ignorar menos.

2. Uma parte significativa da população aprende em menos de vinte anos a aceitar publicamente a existência dos homossexuais e a sua visibilidade no mundo. Para eles é questão de dar fim à ignorância sobre o assunto, porque o homossexualismo sempre existiu e sempre existiu debaixo dos narizes e das barbas do resto da população. Mas outra parte significativa da população se encolhe numa fobia virulenta e elege uma penca de imbecis que prometem lutar pela "família brasileira". Com medo de que os amados filhos "virem gays", eles elegem como líderes uma manada de pastores, delegados, militares, milicianos, iutubers, músicos, humoristas e celebridades: um zoólogico completo de Templários Bizarros lutando contra o Dragão do Gayzismo. Seria cômico se o medo e a violência que essas coisas provocam não fosse tão palpável e concreto. Os covardes se juntaram e criaram o grande Partido da Infelicidade Brasileira - e o PIB não para de crescer.  

3. Os fatos continuam os mesmos: a imensa maioria da violência sexual contra menores acontece em casa, dentro da família. Que tipo de família seria essa? Qualquer uma? Seja qual for a resposta, sabemos onde o abuso sexual encontra acolhida silenciosa: na tradicional, patriarcal família brasileira. De onde vem tanto apego a uma instituição tão podre desde os tempos da colônia? Papai vai dar um murro na mesa e colocar tudo em ordem?

4. Um número significativo da população parece aceitar que para que ela sobreviva, há que reinventar a família em bases diferentes. Mas outra parte significativa, contra todos os fatos, se apega ao patriarcado como se ele fosse capaz de nos salvar. Salvar-nos de quê? Nesse ponto estamos todos unidos. Parece que todos nós gostaríamos de ser salvos do maldito futuro que se apresenta no horizonte. Todos, fascistas ou não, coincidem em sentir-se amedrontados e inseguros com um futuro na miséria: sem emprego regular, sem trabalho humano, sem dinheito, envenenados, sem família, sem privacidade.

5. Se todos têm medo, há aqueles que defendem nas esquinas, nos rádios, nos programas vespertinos, nos bares, nas mesas de domingo, no cafezinho no trabalho que é a solução é matar, sumariamente. Essa é a única solução: matar, espancar, torturar, explodir com bombas, violar, exterminar. Seriam ignorantes ou simplesmente estúpidos os propagadores desse veneno? Seriam eles simplesmente expressão de um ódio que circula desde sempre no Brasil?

6. São muitos os que pensam assim, mas não são todos nós. Eu não sou assim. Mas confesso que muitas vezes ouvi essas barbaridades e me calei. Fiquei calado por preguiça, por covardia, por conveniência, por acomodamento. Não é possível continuar calado. De novo a culpa católica? Que seja. Contando que não seja a velha hipocrisia católica, que seja. Que Geni seja capaz de deixar que a cidade se destrua toda dessa vez.

7. E também vivi o suficiente para saber que outras coisas circulam pelo Brasil desde sempre também. Se há muito ódio, há muita afetividade e muito sorriso. Quantas vezes da precariedade eu não vi nascer arte? Circula ainda no Brasil muita coisa além do ódio. Que o próximo ano nos traga um milagre? Minha herança católica não chega a tanto.

Monday, December 23, 2019

Evolução e Mercado


Sinceramente personalizar a natureza é um ato grosseiro de vaidade humana, comparável com aquele velho hábito de personalizar os Deuses. A natureza (ou deus, se você preferir) não é uma pessoa e não precisa atuar de acordo com parâmetros humanos de necessidade e satisfação. Acabei de ler, por necessidade de trabalho, o livro Verde brillante: Sensibilità e intelligenza del mondo vegetale de Alessandra Viola e Stefano Mancuso. Interessantíssimo o assunto, mas a linguagem do livro está cheia desse vício de linguagem. A natureza personalizada que Viola e Mancuso imaginam atua como um executivo de uma empresa, seguindo a cartilha neoliberal de cortar gastos inúteis e aumentar a produtividade, em busca de agradar a um suposto código de leis que eles chamam de Evolução, mas que sinceramente parecem os mandamentos do Senhor Mercado.

Friday, December 06, 2019

Notas para livros impossíveis: o que vejo da minha janela

1. Dizia Alfonso Reyes que a clareza é cortesia e gesto de compromisso democrático por parte do ensaísta. Acrescentava Reyes que a sua contribuição seria sempre a partir do que ele mais conhecia e amava, a literatura. São coisas que não me saem da mente enquanto escrevo.

2. Dizia Paulo Freire que enquanto o reacionário quer domesticar o presente para repetir o passado no futuro, o progressista reconhecia no futuro a oportunidade para um mundo melhor que o passado.

3. A partir dos anos 80, os reacionários complicaram as coisas adotando uma retórica revolucionária. Thatcher e Reagan propunham-se a destruir uma imaginária hegemonia estatista/socialista para voltar a um passado glorioso: imperial na Inglaterra e revolucionário nos EEUU.

4. A retórica neo-liberal deslizou do pragmatismo conformista de FHC para o delírio Bolsonarista. Agora é preciso destruir "tudo isso o que está aí": dinamitar o estado e a doutrinação da cultura socialista/gayzista.

5. Com isso os progressistas no Brasil foram cada vez mais empurrados para posições que enfatizam a preservação das instituições e das conquistas passadas e a resistência à demolição neo-liberal. Preservação do passado e resistência ao futuro são marcas retóricas do discurso reacionário.

6. Os reacionários sonham com o futuro. Uns sonham com um novo AI-5. Outros querem até abolir a revolução francesa. Outros ainda preferem pelo visto uma nova teocracia.

7. O medo do futuro mudou de endereço. Os progressistas têm pesadelos sobre o futuro e abraçam sonhos impossíveis de restauração do lulismo da primeira década do século XXI.

Monday, November 25, 2019

Diário da Babilônia - Crônica de um Vietnã absurdo


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O dia 7 outubro marcou o décimo-oitavo da guerra no Afeganistão. Os Estados Unidos já gastaram 850 bilhões de dólares na guerra. 750.000 pessoas foram mandadas pelas suas forças armadas para combater o aparentemente indestrutível Talibã. Pelo menos 150.000 pessoas foram mortas nos combates. Dezoito anos depois mais ou menos a metade do Afeganistão está sob controle do Talibã ou é disputado por ele. O governo oficial é uma quase ficção: metade do seu orçamento consiste de "doações" de governos estrangeiros, O Afeganistão tem 2 milhões e meio de pessoas expulsas das suas casas, inchando a capital Cabul, que triplicou de tamanho desde 2001.

A guerra no Afeganistão dura dezoito anos e não gerou nada de útil para ninguém, a não ser que você ganhe dinheiro com armamentos e serviços diversos para sustentar a máquina de guerra. Um símbolo visual poderoso dessa futilidade absurda são as fotos da gigantesca base militar de Leatherneck, construída numa província ao sul do Afeganistão. A imensa base foi abandonada no final do governo Obama – que, com todo o seu charme eloquente de ex-aluno de Ivy League, não foi capaz de melhorar em nada a situação no Afeganistão durante oito anos de governo. As fotos por satélite – pelo jeito ninguém tem coragem de ir fotografar o complexo abandonado por terra - são impressionantes. Parece que a areia do deserto vai lentamente comendo Leatherneck, indiferente a tudo. O Talibã, hoje com 60.000 guerrilheiros, tem feito pó de todos os planos e estratégias e bilhões de dólares de Bush, Obama, Trump e seu punhado de aliados europeus.
2011
2014

2015

Novidades depois de 18 anos? A presença do fanatismo internacionalista do ISIS, agora em combates frequentes contra o Talibã. O presidente laranja cancelou todas as restrições a operações como bombardeios que possam causar vítimas civis no Afeganistão, além de oferecer perdão presidencial a soldados e oficiais de baixa patente depois que a própria justiça militar americana os havia condenado por conduta criminosa no Afeganistão e no Iraque. A guerra passou a ser feita pela CIA – bombardeios com drones e “tropas especiais” que massacram civis indiscriminadamente. A nova fórmula agrada aos estadunidenses: um aumento significativo de mortos civis (um terço deles crianças) tem correspondido a uma diminuição significativa de soldados dos Estados Unidos mortos. E já há quem aposte em seguir nessa toada por mais uns dez anos.

Talvez isso pudesse explicar o que aconteceu no segundo semestre de 2019. Em setembro parecia que um acordo entre o Talibã e os Estados Unidos seria firmado: 5.400 militares americanos sairiam do Afeganistão em 135 dias e o restante 8.600 em um ano e meio. O “governo” afegão sequer participou das negociações. A paz viria em troca de promessas que o Talibã não iria mais dar abrigo a grupos como Al Qaeda e iria começar a negociar com o tal “governo” algum tipo de acordo de paz em Oslo. Aí entra o instinto de palhaço de reality show do Agente Laranja da Casa Branca, cancelando o acordo inteiro em um twitter intempestivo. É o que ele pode fazer, não o que ele gostaria de fazer. Numa bravata recente, o Agente Laranja disse que “se eu quisesse entrar e ganhar uma guerra no Afeganistão, eu poderia ganhar em uma semana. O Afeganistão seria varrido da face da terra.” Por enquanto, é o campo Leatherneck vai sendo lentamente varrido da face da terra."