Friday, November 30, 2007

Passagem

Olho pra fora, não fujo, não quero mais me sentir outro, de fora;
quero a comunhão barata do barulho dos carros, da gente, do rádio.
Ainda está tudo do lado de fora, do outro lado da mesa, o outro lado da porta de vidro:
gente dando as mãos, atravessando a rua, chorando, sorrindo,
sozinhos, em bando, em dupla,
nascendo, amadurecendo, secando, morrendo.
Um par de folhas de um broto cai no chão,
a chuva cai e leva as duas juntas,
que escurecem podres e já não são mais folhas,
tudo o que há e que houve e que há de ser depositando-se em centenas de anos,
em camadas no sangue, nos ossos, na carne, na língua, tão minha quanto de quem mais quiser,
minha e dos dois garotos que passam lá fora conversando um futuro besta,
minha e da mulher que passa carregando seus desapontamentos nas costas,
minha e do senhor que se arrasta como um deus de chapéu e terno riscado,
minha e de você que me lê agora e é assim meu quase irmão, meu pai e meu filho
e reconhece aqui agora alguma coisa de dentro de um quase par,
um avesso que quase completa e termina o que você é, foi, e pode ainda ser ou não ser.

Mas a questão posta aqui e agora na minha frente é outra:
é sair de dentro desta angústia cega e fazer papel e tinta desta dor surda
que encharca o corpo e aperta cabeça e peito,
porque feito papel e tinta este grito tartamudo
que ninguém vê nem quando me olha bem de frente vai enfrente,
e eu estou livre desta falta do que ainda não fui.

O barulho lá fora faz uma pausa de repente,
mas o alicate de cabo amarelo continua apertando a coluna
e o coração vermelho e cansado continua queimando com o estômago aceso.
Outros barulhos aqui dentro corroem o silêncio que cresce de dentro
e dizem que existe saída, ainda que não exista alívio em sair pra vida.
Então eu vou: faço a tal passagem de uma só vez –
chamem de morte, chamem de amor, chamem de lei natural das coisas da terra –
é uma passagem e é mais e menos: tão pequena que quase desaparece no ar,
mesmo com o sol a pino.
E está aqui, bem na minha frente, mais alta que este muro polvilhado de cacos de vidro:
um silêncio mais alto que o barulho dos caminhões e ônibus descendo a rua.

Escorre pelas grades da janela da sala, contorna o vidro e salta;
cai no jardim salpicado de guimbas de cigarro e copos de plástico.
Cá embaixo, na manhã emaranhada pelo sol do dia 10 de fevereiro, vejo ainda a sala
onde ainda estou e já não estou e onde 23 outros eus doem
espremidos entre o que ainda podem e o que já não podem em um mundo, uma vida e um corpo
que não param de envelhecer nem um segundo.
Aqui embaixo, sou a experiência de uma pedra e a inocência de um torrão de terra,
e me redivido em mil outras coisas menores,
também possuidoras de suas próprias definições para o amor e ditas mortas como eu.
Lá e aqui o mundo das idéias não passa de um vapor quente
que se desapega do chão quando o sol esquenta,
onde tudo é como este poema, escrito e inescrito além e aquém de si mesmo,
dentro e fora ao mesmo tempo.

Thursday, November 29, 2007

Blogue do Mino Carta

Concordando ou n�o com Mino Carta, imposs�vel n�o perceber a diferen�a entre a safadeza da imprensa que atua politicamente pela omiss�o de informa�o e mant�m a pose de jornalismo imparcial. Aqui um exemplo recente:

Por que n�o leio Veja
Respondo ao companheiro de navega�o Henrique Vianna. Nada sei a respeito de entrevista de Saulo Ramos � Veja, publica�o que n�o leio. Ali�s, cuido de n�o ler, em benef�cio da zona miasm�tica situada entre o f�gado e a alma. Aproveito a oportunidade que voc� me oferece, para esclarecer minhas raz�es: a Veja, que se apresenta como uma das maiores do mundo por causa de sua tiragem, de fato alentada, � uma da provas da indig�ncia mental da chamada classe m�dia nativa. Sem falar dos abastados. Est�o a� os leitores de cabresto, incapazes de perceber o p�ssimo jornalismo praticado pela revista da Abril, de um reacionarismo ign�bil, facciosa al�m da conta e extraordinariamente mal escrita. Somos uma na�o desimportante, a despeito das incr�veis potencialidades da terra, exatamente por causa desta pretensa elite, que repete o besteirol da Veja, da Globo e dos jornal�es. N�o perco as esperan�as, por que ainda confio na cultura dos desvalidos. Mais cedo, ou mais tarde, vingar�. Provavelmente, mais tarde. Sinto, apenas, que ent�o j� n�o estarei por aqui.

O link para o blogue est� em www.cartacapital.com.br

Wednesday, November 28, 2007

Poesía Mexicana I - Alfonso Reyes

Começo aqui uma série de grandes poemas mexicanos do século XX com um poema de tema indígena que põe no chinelo muita baboseira dos modernistas brasileiros. Escrito em 1934 [antes da estadia de Reyes como embaixador mexicano no Brasil] e publicado pela primeira vez em 1941. Os Tarahumaras são nativos de norte do méxico de onde Reyes veio e são famosos por serem grandes corredores de longa distância.

YERBAS DEL TARAHUMARA
Han bajado los indios tarahumaras,
que es señal de mal año
y de cosecha pobre en la montaña.

Desnudos y curtidos,
duros en la lustrosa piel manchada,
denegridos de viento y de sol, animan
las calles de Chihuahua,
lentos y recelosos,
con todos los resortes del miedo contraídos,
como panteras mansas.

Desnudos y curtidos,
bravos habitadores de la nieve
—como hablan de tú—,
contestan siempre así la pregunta obligada:
—"Y tú ¿no tienes frío en la cara?"

Mal año en la montaña,
cuando el grave deshielo de las cumbres
escurre hasta los pueblos la manada
de animales humanos con el hato a la espalda.

Los hicieron católicos
los misioneros de la Nueva España
—esos corderos de corazón de león.
Y, sin pan y sin vino,
ellos celebran la función cristiana
con su cerveza-chicha y su pinole,
que es un polvo de todos los sabores.

Beben tesgüiño de maíz y peyote,
yerba de los portentos,
sinfonía lograda
que convierte los ruidos en colores;
y larga borrachera metafísica
los compensa de andar sobre la tierra,
que es, al fin y a la postre,
la dolencia común de las razas de los hombres.
Campeones de la Maratón del mundo,
nutridos en la carne ácida del venado,
llegarán los primeros con el triunfo
el día que saltemos la muralla
de los cinco sentidos.

A veces, traen oro de sus ocultas minas,
y todo el día rompen los terrones,
sentados en la calle,

entre la envidia culta de los blancos.
Hoy solo traen yerbas en el hato,


las yerbas de salud que cambian por centavos:
yerbaniz, limoncillo, simonillo,
que alivian las difíciles entrañas,
junto con la orejela de ratón
para el mal que la gente llama "bilis";
y la yerba del venado, del chuchupaste
y la yerba del indio, que restauran la sangre;
el pasto de ocotillo de los golpes contusos,
contrayerba para las fiebres pantanosas,
la yerba de la víbora que cura los resfríos;
collares de semillas de ojos de venado,
tan eficaces para el sortilegio;
y la sangre de grado, que aprieta las encías
y agarra en la nariz los dientes flojos.

(Nuestro Francisco Hernández
—El Plinio Mexicano de los Mil y Quinientos—
logró hasta mil doscientas plantas mágicas
de la farmacopea de los indios.
Sin ser un gran botánico,
don Felipe Segundo
supo gastar setenta mil ducados,
¡para que luego aquel herbario único
se perdiera en la incuria y el polvo!
Porque el padre Moxó nos asegura
que no fue culpa del incendio
que en el siglo décimo séptimo
aconteció en El Escorial.)

Con la paciencia muda de la hormiga,
los indios van juntando sobre el suelo
la yerbecita en haces
—perfectos en su ciencia natural.

Tuesday, November 27, 2007

Da série gênios da raça II

Perólas de Sabedoria do Príncipe FHC ou Do Programa do Faustão ao Planalto
“Há portanto várias maneiras de se treinar para a atividade política. Na verdade, todas as formas de participação que mencionei requerem algum treinamento. Às vezes as pessoas treinam sem saber que estão treinando. Vou dar um exemplo que pode parecer estapafúrdio: programas de auditório. Neles existe uma certa interação entre o apresentador, os convidados e a platéia que, mesmo sem ser contabilizada como se fosse política, ensina as pessoas a se exporem, a se comunicar em público. Quem hoje está no programa de auditório, amanhã pode estar numa comissão de moradores representando seus vizinhos.”
[Trecho retirado do livro "Cartas a um jovem politico", de Fernando Henrique Cardoso]
Prefiro Tim Maia:
"Fiz uma dieta rigorosa. Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias".

Saturday, November 24, 2007

Mote e Glosa: Zeladores e repassadores de e-mail

Recebi a seguinte mensagem:
Sent: Monday, 19 November, 2007 6:58:53 AM
Subject: Assistencialismo - Absurdo!
Amigos e Amigas,
BOA SEMANA!!!
Repassando...
Fiquei INDIGNADO!
REVOLTANTE!!!
Mas, em cada cabeça uma sentença, já dizia nossos antigos...
Abraços
História do Zelador que pediu para ser demitido !!!
Interessante e verídico!
IRREAL para um PAIS como o BRASIL!!!
IRREAL... partindo de um opositor ferrendo da POLÍTICA SOCIAL anterior...
O zelador de um prédio em Natal/RN, pediu à administração do
condomínio onde trabalhava que o demitissem.
Contou o motivo; tem dois cunhados desempregados, lá mesmo em Natal, e que, por conta da bolsa escola, cartão cidadão, cartão alimentação, vale gás, transporte gratuito, vale-refeição (acreditem - Vale-refeição) e demais benefícios do nosso governo, dadas a título de esmola, vivem melhor que ele.
Aí paramos e fomos fazer umas continhas:
1. Bolsa escola - R$ 175 para cada filho que freqüente as aulas (suponhamos que sejam apenas dois) = R$ 350,00 (em dinheiro);
2. Cartão cidadão (cujo intuito é restituir a cidadania) = R$ 350,00 (em dinheiro);
3. Vale gás (um por mês) = R$ 70,00;
4. Transporte (calculamos 4 passagens diárias, que é uma boa média)
R$ 8,00/dia x 20 dias = R$ 160,00;
5. Vale refeição (um por dia) R$ 3,50/dia x 30 dias x 4 pessoas (ele
a esposa e os dois filhos) = R$ 420,00;
Total em dinheiro - R$ 700,00
Total em serviços - R$ 650,00
Total mensal - R$ 1.350,00
Obs.1 : O salário do zelador acrescido de horas extras e tudo mais
girava em torno de R$ 830,00/mês.
Obs. 2: Tudo isso é o estabelecido pela *LEI No 10.836 , DE 9 DE
JANEIRO DE 2004*.
Se você duvidar, consulte:
Como o zelador tem três filhos em idade escolar, para ele é vantajoso ficar desempregado e ter esses benefícios. Seu 'salário desemprego' irá girar em torno de R$ 1.525,00, quase o dobro do que ganha trabalhando.
Como diria o Boris Casoy (expurgado da TV por se opor ao Lula): -
'ISTO É UMA VERGONHA!'.
Sabe quem paga por isso?
'NÓS', os 'OTÁRIOS' que damos um duro danado e passamos restrições que só nós sabemos?
Distribuir a renda, eu acho correto, mas isso é ESMOLA em exagero.
Porque você acha que o Nordeste em peso votou no Lula?
Porque você acha que 'ele' pode ser reeleito mais 'n' vezes?
REFLITA E DEPOIS LEMBRE-SE QUE A DECLARAÇÃO DO TEU IMPOSTO DE RENDA DEVE SER ENTREGUE ATÉ O DIA 30 DE ABRIL, TODOS OS ANOS. VEJA PARA ONDE VAI O TEU IMPOSTO.

Pois aí vai a glosa, a sentença da minha cabeça:
Curioso ninguém parece se indignar com alguém que tem três filhos receber um salário de 830 reais por mês...
Quem sabe se todos os zeladores e empregadas domésticas e faxineiros pedirem demissão e forem embora para casa?
Acho que qualquer ser humano razoável daria um chute bem dado em qualquer emprego que lhe ofereça um salário miserável, se pudesse.
Acho que se esse mesmo ser humano fosse mais perspicaz, perceberia que o sem-vergonha que lhe paga esse salário mereceria um chute ainda mais bem dado, mas é melhor não esperar demais de alguém que se informa pelo Jornal Nacional e se diverte com as novelas da Rede Globo, única coisa aliás que os que trabalham como zeladores e os que pagam os zeladores têm em comum.
Aposto que essa minha mensagem ninguém vai repassar [os repassadores de mensagens e os pagadores de zeladores têm muito em comum...]

Friday, November 23, 2007

Diário do Império - sobrenomes

Sobrenomes mais comuns nos Estados Unidos?
Smith [2,4 milhões, 20% deles são negros]
Johnson [1,9 milhão, 30% deles são negros]
Williams [1,5 milhão, 50% deles são negros]
Brown e Jones [1,4 milhão cada um]
Miller e Davis [1,1 milhão cada um]

Ah, 90% dos Washingtons e 75% dos Jeffersons [sobrenomes, por aqui] são negros.

Sobrenomes que mais cresceram desde os anos 90?
Rodríguez, García, Hernández, Martínez, González, López...
São seis os nomes de origem latino americana entre os 25 sobrenomes mais comuns.
Enquanto isso, Lou Dobbs vocifera na CNN todos os dias contra imigrantes ilegais e sua invasão do país e o sinistro Homeland Security conduz dezenas de batidas policiais prendendo e deportando a granel os mesmos Rodríguez, García, Hernández, Martínez, González, López...

Monday, November 12, 2007

Norman Mailer

Norman Mailer era um iconoclasta que chegava a extremos absurdos. Ele participou por exemplo de debates antológicos no início dos anos 70 quando defendia posição contrária ao feminismo, chegando a dizer ser contra o controle de natalidade, além da candidatura louca a prefeito de Nova Iorque, com a plataforma de separar a cidade do estado e banir o automóvel de Manhattan. Mas não era como muitos iconoclastas de hoje em dia, que são puramente oportunistas; Mailer punha o coração aberto em tudo o que fazia, mesmo as maiores besteiras.
Quem quiser conhecer o mais forte e o mais fraco de Mailer deveria ler "Exercitos da Noite" mistura de jornalismo com romance egomaniaco sobre os protestos contra a guerra do Vietna em 1967. Quem nao tem tempo pode ficar com o artigo “White Negro”. É uma idealização existencialista dos atos de um jovem negro que assassinou um branco no início dos anos 60. Mas para quem, como nós no Brasil, convive com uma violência palpável e concreta no dia-a-dia, essa fascinação com a violência como afirmação existencial fica um pouco sem graça...

Saturday, November 10, 2007

Notícias do Império

Notícias do Império ou para quem acha que o Brasil é o cu do mundo ou ainda: às vezes o Haiti também é aqui!

Nome da maracutaia: “earmark”, do verbo que significa destinar.
Funcionamento: congressistas adicionam a emendas do orçamento [appropriation bills] recursos destinados a empresas ou instituições específicas para executar projetos e o dinheiro é destinado a essas empresas ou instituições sem concorrência pública. O crescimento espantoso da prática que chegou a 31 bilhões de dólares ano passado está associado ao longo período de domínio absoluto do Partido Republicano nas duas casas do congresso e a tomada de poder pelos democratas representou uma diminuição de 50% nos earmarks com a instituição da exigência de um requerimento formal por escrito [o procedimento antes era anônimo e as emendas sugeridas oralmente]. No entanto, a prática continua e não é exclusiva de um partido: um democrata, o poderoso presidente da comissão de segurança John Murtha, campeão do earmark com 166 milhões de dólares, é seguido pelo republicano mais poderoso na comissão, C.W. Bill Young, com 106 milhões. Só em earmarks adicionados à emenda ao orçamento da área militar e de segurança são 1.8 bilhão de dólares para 580 empresas privadas este ano.
A iniciativa privada vê a coisa toda como um investimento rentoso e cai de boca. Por exemplo, a Raytheon [lembram-se?] gastou 990.000 dólares com lobby e recebeu 30 milhões de dólares em earmarks. O lobbysta Paul Margliochetti, ex-acessor do comitê de Murtha e Young, recebeu 840.000 dólares em honorários de clientes que receberam dinheiro dos earmarks de Murtha e seus funcionários fizeram contribuições de 58.600 dólares a campanha de Murtha. Desde 2005 essas empresas caridosas ofereceram 437.000 dólares ao comitê de campanha de Murtha e seu irmão mais novo, Kit Murtha, era empregado de uma firma de lobby até o ano passado. A firma é o braço lobbysta de um grupo empresarial que recebeu 5 milhões de earmarks de Murtha.

Circe

Circe
Minha pátria está em teus olhos, meu dever em teus lábios.
Peça-me o que quiseres menos que te abandone.
Se naufraguei em tuas praias, se estendido em tua areia
sou um porco feliz, sou teu; mais, não importa.
Sou deste sol que es, meu solar está en ti.
Meus lauros no teu destino, minha fazenda em teus haveres.

O poema é de Gabriel Zaid, traduzido do espanhol por mim.

Thursday, November 08, 2007

blogues falsos ou Jesus não mora mais aqui

Sony, Wal-Mart e outros gigantes corporativos agora resolveram fazer blogues falsos que usam como estratégia de propaganda.
É por isso que eu nunca sento na minha macia mas firme cadeira Tarantelle para passear por blogues insuspeitados no meu poderoso mas gentil computador Sumsang sem antes checar as notícias certeiras e cheias de informações úteis do site www.faltadevergonhanacara.com.br.
Como anda muito na moda usar frases de efeito de filmes nacionais para dar sabor e consistência a conversas gelatinosas, eu termino com "Jesus não mora mais aqui" [Central do Brasil].

Sunday, November 04, 2007

Apelo épico em defesa do empreendedorismo nacional

Deixem abrir as banquinhas de mercado:
são pasto hoje como foram antes pasto,
óleo azeitando a máquina do estado.
São baratas tontas, sonhando acordadas
com os frutos amargos do trabalho
cada vez mais inútil e cansado,
cada vez mais feio e desesperado
cada vez mais em si mesmo fechado.
Deixem abrir e deixem fechar,
pintem paredes e troquem telhados
dessa casa inerte e imprestável:
abençoados sejam todos os desocupados.
Mas tenham cuidado: o passado,
travestido de farsa, mora aqui ao lado.