Friday, May 18, 2007

Sobre Violência

Olha, tem gente que acha que o inferno de violência pelo qual a gente passa no Brasil hoje é novidade. Eu acho que ele sempre existiu, mas que agora ele foi expandido até as classes médias que se sentiam acima do resto (da maioria) da população. Chequem as estatísticas: os assassinatos em uma metrópole qualquer no Brasil em um fim de semana e depois procure saber de que bairros vêm as vítimas e compare a cobertura desproporcional da imprensa quando morre alguém da periferia e quando morre alguém de um "bairro bom".
Em 1969, um ano depois do massacre da praça de Tlatelolco, quando o governo metralhou manifestantes e quem mais estivesse por ali num gesto de violência que derrubou as últimas ilusões dos próprios mexicanos com relação a sua revolução, o poeta mexicano, José Emilio Pacheco, escreveu esse poema, que fala dessa violência brutal como uma "tradição" peculiar, quase um carma. Acho que tudo isso serve para nós também:

Tierra
La honda tierra es
la suma de los muertos.
Carne unánime
de las generaciones consumidas.

Pisamos huesos,
sangre seca, restos,
invisibles heridas.

El polvo
que nos mancha la cara
es el vestigio
de un incesante crimen.

De "No me preguntes cómo pasa el tiempo," 1969

Tuesday, May 08, 2007

Quando é que nos vamos acabar com a nossa lei seca?

Beira-Mar [Al Capone] já dizia:
Eu ganho dinheiro suprindo uma demanda pública. Se eu desrespeito a lei, meus consumidores, que são centenas das melhores pessoas do Rio de Janeiro [Chicago], são tão culpadas como eu. A única diferença entre nós é que eu vendo e eles compram. Todo mundo me chama de traficante de drogas [de bebidas]. Eu me chamo um homem de negócios. Quando eu vendo droga [bebida], é tráfico. Quando meus clientes servem essa droga [bebida] em bandejas de prata no Leblon ou na Barra da Tijuca [Lake Shore Drive], é hospitalidade.
E quando prenderam Al Capone, veio outro Al Capone no seu lugar. E quando morreram o primeiro e o segundo veio um terceiro Al Capone.
Até que a lei seca foi abolida.
Quando é que nos vamos acabar com a nossa lei seca?