Sunday, August 31, 2014

Nossa classe média, de plebiscito em plebiscito...

Um conto que faz parte daquela série dedicada ao maravilhoso Cartola "rir para não chorar"...

Saldanha da Gama tanto fez que,
quase cem anos depois de morrer,
acabamos fazendo o tal plebiscito.
O resultado não foi bem o que ele queria,,,
Plebiscito
Arthur Azevedo


A cena passa-se em 1890.[1]
A família está toda reunida na sala de jantar.
O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade.
Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga.
Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita atenção uma das nossas folhas diárias.
Silêncio

De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:
— Papai, que é plebiscito?
O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme.
O pequeno insiste:
— Papai?
Pausa:
— Papai?
Dona Bernardina intervém:
— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.
O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos.
— Que é? que desejam vocês?
— Eu queria que papai me dissesse o que é plebiscito.
— Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer doze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?
— Se soubesse, não perguntava.
O senhor Rodrigues volta-se para dona Bernardina, que continua muito ocupada com a gaiola:
— Ó senhora, o pequeno não sabe o que é plebiscito!
— Não admira que ele não saiba, porque eu também não sei.
— Que me diz?! Pois a senhora não sabe o que é plebiscito?
— Nem eu, nem você; aqui em casa ninguém sabe o que é plebiscito.
— Ninguém, alto lá! Creio que tenho dado provas de não ser nenhum ignorante!
— A sua cara não me engana. Você é muito prosa. Vamos: se sabe, diga o que é plebiscito! Então? A gente está esperando! Diga!...
— A senhora o que quer é enfezar-me!
— Mas, homem de Deus, para que você não há de confessar que não sabe? Não é nenhuma vergonha ignorar qualquer palavra. Já outro dia foi a mesma coisa quando Manduca lhe perguntou o que era proletário. Você falou, falou, falou, e o menino ficou sem saber!
— Proletário — acudiu o senhor Rodrigues — é o cidadão pobre que vive do trabalho mal remunerado.
— Sim, agora sabe porque foi ao dicionário; mas dou-lhe um doce, se me disser o que é plebiscito sem se arredar dessa cadeira!
— Que gostinho tem a senhora em tornar-me ridículo na presença destas crianças!
— Oh! ridículo é você mesmo quem se faz. Seria tão simples dizer: — Não sei, Manduca, não sei o que é plebiscito; vai buscar o dicionário, meu filho.
O senhor Rodrigues ergue-se de um ímpeto e brada:
— Mas se eu sei!
— Pois se sabe, diga!
— Não digo para me não humilhar diante de meus filhos! Não dou o braço a torcer! Quero conservar a força moral que devo ter nesta casa! Vá para o diabo!
E o senhor Rodrigues, exasperadíssimo, nervoso, deixa a sala de jantar e vai para o seu quarto, batendo violentamente a porta.
No quarto havia o que ele mais precisava naquela ocasião: algumas gotas de água de flor de laranja e um dicionário...

A menina toma a palavra:
— Coitado de papai! Zangou-se logo depois do jantar! Dizem que é tão perigoso!
— Não fosse tolo — observa dona Bernardina — e confessasse francamente que não sabia o que é plebiscito!
— Pois sim — acode Manduca, muito pesaroso por ter sido o causador involuntário de toda aquela discussão — pois sim, mamãe; chame papai e façam as pazes.
— Sim! Sim! façam as pazes! — diz a menina em tom meigo e suplicante. — Que tolice! Duas pessoas que se estimam tanto zangaram-se por causa do plebiscito!
Dona Bernardina dá um beijo na filha, e vai bater à porta do quarto:
— Seu Rodrigues, venha sentar-se; não vale a pena zangar-se por tão pouco.
O negociante esperava a deixa. A porta abre-se imediatamente.
Ele entra, atravessa a casa, e vai sentar-se na cadeira de balanço.
— É boa! — brada o senhor Rodrigues depois de largo silêncio — é muito boa! Eu! eu ignorar a significação da palavra plebiscito! Eu!...
A mulher e os filhos aproximam-se dele.
O homem continua num tom profundamente dogmático:
— Plebiscito...
E olha para todos os lados a ver se há ali mais alguém que possa aproveitar a lição.
— Plebiscito é uma lei decretada pelo povo romano, estabelecido em comícios.
— Ah! — suspiram todos, aliviados.
— Uma lei romana, percebem? E querem introduzi-la no Brasil! É mais um estrangeirismo!...

Source: http://www.releituras.com/aazevedo_menu.asp



[1] O almirante monarquista Saldanha da Gama [1846-1895] defendia a realização de um plebiscito para a ratificação ou não da república como forma de governo no Brasil. O mesmo Saldanha da Gama liderou a segunda Revolta da Armada em 1893, quando morreu em campo de batalha.

Friday, August 29, 2014

Recordar é viver: Lupicínio Rodrigues explica porque era gremista

Todos os times de futebol brasileiro têm torcedores e jogadores que atravessam de ponta a ponta a sociedade, em termos étnicos e de classe. Alguns deles até hoje se identificam como equipes "de elite" e servem para o discurso de alguns imbecis que promovem o racismo a la brasileira, do tipo que cospe veneno contra o jogador negro do time adversário e convenientemente ignora o mesmo tom na cor dos jogadores do seu próprio time. E depois pede desculpas e diz que não é racista. 

Porque sou gremista!
Lupicínio Rodrigues  
Domingo, estive em um churrasco, da Sociedade Satélite Prontidão, onde se reúne a “Gema” dos mulatos de Pôrto Alegre. Lá houve tudo de bom, bom churrasco, boa música e boa palestra. Mas, como sempre, nestas festas nunca falta uma discussão quando a cerveja sobe, lá também houve uma, e, esta foi a seguinte. Uma turma de amigos quis saber porque, sendo eu um homem do povo e de origem humilde, era um torcedor tão fanático do Grêmio. Por sorte, lá estava também o senhor Orlando Ferreira da Silva, velho funcionário da Biblioteca Pública, que me ajudou a explicar, o que meu pai já havia me contado.Em 1907, uma turma de mulatinhos, que naquela época já sonhava com a evolução das pessoas de côr, resolveu formar um time de futebol. Entre estes mulatinhos estava o senhor Júlio Silveira, pai do nosso querido Antoninho Onofre da Silveira, o senhor Francisco Rodrigues, meu querido pai, o senhor Otacílio Conceição, pai do nosso amigo Marceli Conceição, o senhor Orlando Ferreira da Silva, o senhor José Gomes e outros. O time foi formado. Deram-lhe o nome de “RIO-GRANDENSE” e ficou sob a presidência do saudoso Julio Silveira. Foram grandes os trabalhos para escolher as côres, o fardamento, fazer estatutos e tudo que fôsse necessário para um Clube se legalizar, pois os mulatinhos sonhavam em participar da Liga, que era, naquele tempo, formada pelo Fuss-Ball, que é o Grêmio de hoje, o Ruy Barbosa, o Internacional e outros. Êste sonho durou anos, mas no dia em que o “RIO-GRANDENSE” pediu inscrição na Liga, não foi aceito porque justamente o Internacional, que havia sido criado pelo “Zé Povo”, votou contra, e o “RIO-GRANDENSE” não foi aceito. Isso magoou profundamente os mulatinhos, que resolveram torcer contra o Internacional e, sendo o Grêmio seu maior rival, foi escolhido para tal. Fundou-se, por isso, uma nova Liga, que mais tarde foi chamada de “Canela Preta”, e quando êstes moços casaram, procuraram desviar os seus filhos do clube que hoje é chamado o “CLUBE DO POVO”, apesar de não ser êle o primeiro a modificar seus estatutos, para aceitar pessoas de côr, pois esta iniciativa coube ao “ESPORTE CLUBE AMERICANO”, e vou explicar como: A Liga dos “Canelas Pretas” durou muitos anos, até quando o “ESPORTE CLUBE RUY BARBOSA”, precisando de dinheiro, desafiou os pretinhos para uma partida amistosa, que foi vencida pelos desafiados,ou seja os pretinhos. O segundo adversário dos moços de côr foi o Grêmio, que jogou com o título de “Escrete Branco”. Isso despertou a atenção dos outros clubes que viram nos “Canelas Pretas” um grande celeiro de jogadores e trataram de mudar seus estatutos, para aceitarem os mesmos em suas fileiras, conseguindo levar assim, os melhores jogadores, e a Liga teve que terminar. O Grêmio foi o último time a aceitar a raça porque em seus estatutos, constava uma cláusula que dizia que êle perderia seu campo, doado por uns alemães, caso aceitasse pessoas de côr em seus quadros. Felizmente, essa cláusula já foi abolida, e hoje tenho a honra de ser sócio honorário do Grêmio e ter composto seu hino que publico ao pé desta coluna.

Recordar é viver: Almirante canta Noel Rosa



Não Brinca, Não
Noel Rosa
Canta Almirante, 1932

Pega na saca,
Tira a jaca,
Leva a faca,
Que a macaca
Sai da estaca
Ela te ataca
À traição
E não brinca, não...
Que ela hoje tá com o cão!

Seu Fortunato,
Olha o rato
No sapato.
E o seu gato,
Que é de fato,
Foi pro mato
Com meu cão.
E não brinca, não...
Que vais ficar de pé no chão!

Com sua farda,
Toda parda,
Bem galharda,
Na vanguarda,
De espingarda,
Vem um guarda
No pifão.
E não brinca, não...
Que ele tá cheio da razão!

Dona Adalgisa
Só me avisa,
Só me frisa
Que a camisa
Não é lisa
Não precisa
De botão.
E não brinca, não...
Que não tá paga a prestação!

Eu bem dizia
Que eu sabia
Que a Maria
Fazia
Na sacristia
Cortesia
Ao sacristão.
E não brinca, não...
Que até o padre é gavião!

Wednesday, August 27, 2014

Diário de London 5: Where is the Ghost Town?



A Londres que eu conheci em outra vida era assim: 

Ghost Town
The Specials


This town
is coming like a ghost town
All the clubs
‘ave been closed down
This place
is coming like a ghost town
Bands won't play no more
[too much fighting on the dance floor!]

ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah ah,
ah ah ah yah ah ah ah yah

Do you remember the good old days
Before the ghost town?
We danced and sang,
and the music played inna de [in the, Jamaican style] boomtown.

This town
is coming like a ghost town
Why must the youth fight against themselves?
Government leaving the youth on the shelf
This place
is coming like a ghost town
No job to be found in this country
Can't go on no more
The people getting angry

ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah yah ah ah,
ah ah,
ah ah ah yah ah ah ah yah

This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town 


Com certeza

Tuesday, August 26, 2014

Diário de Londres 4: I am now root


Queria escrever poemas como os que Miklos Radnoti escreveu em seu último caderno, aquele que ele carregou consigo até a vala comum que os nazistas cavaram para ele e mais um vinte e um pobres coitados, antes de meterem-lhe um tiro na nuca. Poemas de certa forma inacessíveis para mim, porque escritos em Húngaro, essa língua sem irmãs nem mãe no meio da Europa. Só conheço as traduções para o inglês:


The bullocks’ mouths are drooling bloody spittle,
all the men are pissing blood,
our squadron stands in rough and stinking clumps,
a foul death blows overhead.

Queria escrever poemas que ajudassem alguém a me identificar nessa vala comum que eu mesmo cavei para mim há oito anos - o tiro na nuca, obviamente, não poderia ter sido dado por mim mesmo.

In the back pocket of the trousers a small notebook was found 
soaked in the fluids of the body and blackened by wet earth. 
This was cleaned and dried in the sun.

E escrever assim:

I am now a root myself - 
It's with worms I make my home,
there, I am building this poem.

Once a flower, I have turned root,
heavy dark earth over hand and foot;
fate fulfilled, and all is said,
a saw now wails above my head.

Monday, August 25, 2014

Diário de Londres 3: Obituário 2, a Vingança

Noel Annan
Outra marca registrada deste blogue é a sua falta de sincronicidade, um termo inclusive muito sincrônico. Assim, justo quando já sai de moda alabar a um defunto, é aí mesmo que alabaremo-lo. Ainda seguindo o espírito "cafona" do blogue, alabaremo-lo com um texto ainda mais velho e fora de moda.

Nicolau Sevcenko publicou "O professor como corretor" na Folha de São Paulo no ano 2000. Agora, aparando com a sacanagem, esse texto, digamos que "de intervenção", é o que vou mostrar aos meus alunos de Introdução à Cultura Brasileira amanhã. Ele exemplifica, para mim, a vantagem principal de se debruçar de verdade sobre uma cultura estrangeira, sem domesticá-la transformando-a numa versão estilizada da sua própria cultura. Qual seria essa vantagem? Justamente pode testemunhar outras pessoas verem e falarem sobre as coisas com outros olhos, de outros lugar.

O texto em questão é daqueles que mantém um gume duplamente afiado que corta fundo até hoje tanto para um lado como para o outro, mesmo porque ele fala de uma visão de mundo que ainda prevalece até hoje:

Nicolau Sevcenko
"Segundo outra lei clássica da engenharia, cada decuplicação da capacidade de um sistema constitui uma mudança qualitativa de impacto revolucionário. O que significa que desde 75 passamos por algo como dez revoluções tecnológicas sucessivas no espaço de duas décadas e meia. Uma escala de mudança jamais vista na história da humanidade!
Foi esse contexto fortuito que proporcionou os meios para que Reagan-Thatcher consolidassem a agenda conservadora, retraindo a ação do Estado em favor das grandes corporações e do livre fluxo de capitais, abalando os sindicatos, disseminando desemprego, rebaixando a massa salarial e concentrando a renda. Foi a grande epidemia das privatizações, das reengenharias e das flexibilizações. Apoiada na dramática mudança tecnológica, essa onda foi tão poderosa que acabou forçando a mudança do discurso das oposições."

Sunday, August 24, 2014

Diário de Londres 2: Ainda sobre biografias: Virginia Woolf

Ainda sobre as biografias ou a construção de personagens em biografias, me parece simplista do ponto de vista historiográfico sintetizar um personagem com um punhado de atributos fixos. Alguém pode ser, em diferentes momentos da vida, extremamente covarde e depois extremamente corajoso sem qualquer problema de personalidade múltipla.
Quero passar muito longe de qualquer preconceito realista de achar que literatura precisa de personagens complexos. E, do ponto de vista historiográfico, passar ainda mais longe ainda de qualquer relativismo bobo e acabar dando a entender que seja impossível compor personagens com um nível de complexidade digno das figuras biografadas ou que biografia e ficção são exatamente a mesma coisa. No mesmo Times Literature Supplement onde li sobre a biografia de Eleanor Marx [numa resenha escrita por uma estudiosa feminista famosa], li também sobre uma exposição de pinturas/fotografia montada em torno da figura de Virginia Woolf. Veja o contraste com a reflexão da própria Woolf neste trecho do A Writer's Diary:

“Now is life very solid or very shifting? I am haunted by the two contradictions. This has gone on forever; goes down to the bottom of the world -- this moment I stand on. Also it is transitory, flying, diaphanous. I shall pass like a cloud on the waves. Perhaps it may be that though we change, one flying after another, so quick, so quick, yet we are somehow successive and continuous we human beings, and show the light through. But what is the light?”

Essa luz, algo sutil e longe de poder ser delineada em palavras com poucos traços fortes e simples, é a substância que um escritor de biografias deveria procurar. Aí vive a nossa complicada continuidade como personagens. Volto a enfatizar que a literatura não precisa necessariamente delinear seus personagens assim. Agora um escritor de biografias que procede assim parece mais um roteirista escrevendo um esboço para um filme/biografia de Hollywood. 

Para tentar ser um pouco menos esotérico, coloco aqui outra citação da tal resenha, na qual Woolf tenta fixar a imagem que ela tem do próprio pai - que ela declara "fails to be described" - lendo os livros que ele escreveu:



Saturday, August 23, 2014

Diário de Londres: Sobre biografias que decifram vidas

Saiu agora uma biografia da filha de Karl Marx, Eleanor, considerada por muitos uma pioneira do feminismo. A resenha indica uma certa tendência a "resolver em excesso" a vida da biografada, um defeito muito comum em biografias em língua inglesa que eu conheço, que tentam explicar tudo que aconteceu na vida de alguém em função de algumas ideias ou eventos importantes, subordinando tudo a eles, como se a vida de uma pessoa tivesse essa coerência lógica aguda que personagens de ficção às vezes têm. No caso da biografada em questão o problema parece agravado ainda mais em se tratando de uma pessoa que cometeu suicídio. A tendência a esse esquematismo transparece não só no livro como resenhado como na própria resenha também. O curioso é que a epígrafe do livro é uma frase da própria Eleanor, que diz o seguinte:

"Is it not wonderful... how rarely we practise all the fine things we preach to others?" 

Como se diz na gíria, "you can say that again"...

Thursday, August 21, 2014

Postal: Gota 3

Foto minha: José Luis Cuevas, 1934
Uma Gota de Fenomelogia 3

Não acredito em destino mas sou dos que acreditam que antes de descobertas as coisas são pressentidas pela nossa imaginação. Isso acontece porque antes de se fazerem sentir pela sua presença as coisas se fazem sentir pela sua ausência e a ausência das coisas é precisamente o alimento primordial da imaginação humana.



Wednesday, August 20, 2014

Sugestão: Raízes do Brasil


Do mesmo jeito que acho uma pena pensar que a grande maioria dos brasileiros podia mas ainda não leu Grande Sertão: Veredas, também acho uma pena pensar que a grande maioria dos brasileiros podia mas ainda não leu Raízes do Brasil. Ler para gostar, para não gostar, para concordar e discordar das ideias do livro. De qualquer jeito, Raízes do Brasil é uma viagem fundamental.

Como leitor me senti às vezes desanimado, às vezes esperançoso, e muitas vezes desnudado no meu próprio pior e no meu próprio melhor. E fui descobrindo uma maneira crítica de ser brasileiro além do ufanismo chulé e do auto-desprezo crônico que ainda movimentam muita, muita gente no Brasil.   

O que mais eu posso dizer de um livro que mais ou menos começa dizendo:

"somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra"

e que mais ou menos termina dizendo:

"nos encontraremos um dia com a nossa realidade"?