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Diário de Londres 4: I am now root


Queria escrever poemas como os que Miklos Radnoti escreveu em seu último caderno, aquele que ele carregou consigo até a vala comum que os nazistas cavaram para ele e mais um vinte e um pobres coitados, antes de meterem-lhe um tiro na nuca. Poemas de certa forma inacessíveis para mim, porque escritos em Húngaro, essa língua sem irmãs nem mãe no meio da Europa. Só conheço as traduções para o inglês:


The bullocks’ mouths are drooling bloody spittle,
all the men are pissing blood,
our squadron stands in rough and stinking clumps,
a foul death blows overhead.

Queria escrever poemas que ajudassem alguém a me identificar nessa vala comum que eu mesmo cavei para mim há oito anos - o tiro na nuca, obviamente, não poderia ter sido dado por mim mesmo.

In the back pocket of the trousers a small notebook was found 
soaked in the fluids of the body and blackened by wet earth. 
This was cleaned and dried in the sun.

E escrever assim:

I am now a root myself - 
It's with worms I make my home,
there, I am building this poem.

Once a flower, I have turned root,
heavy dark earth over hand and foot;
fate fulfilled, and all is said,
a saw now wails above my head.

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