Friday, February 28, 2014

Recordar é viver: Macka B e Mad Professor

Eu era um adolescente meio passado e meio que perambulava perdido sem sair do lugar no oeste da Inglaterra triste e cinza de Maggie Thatcher. Um conhecido - na verdade namorado de uma conhecida - me presenteou com uma fita cassete. Sem nome, sem referência. Toquei aquela fita 30.000 vezes. Larguei ela de lado e depois escutei mais 30.000 vezes. Larguei ela de lado e não a encontrei mais. Quase trinta anos depois fui escrevendo no google a letra de uma das canções como eu me lembrava e achei:

  


Thursday, February 27, 2014

Delirando em Pindorama 2


Programa de Combate à Alienação das Elites Brasileiras

Antes de sair dizendo isso e aquilo sobre o Brasil, de se achar a vítima preferencial da violência, do achaque dos impostos e taxas ou dos problemas de trânsito, pense nisso:

De 5 brasileiros, 4 não têm carro.
A cada 2 brasileiros pelo menos 1 tem a coragem de se achar negro ou pardo.
88% dos brasileiros adultos não estudou na universidade.
Só 15,8% dos brasileiros vivem num domicílio com renda superios a dois salários mínimos Apenas 3,1% da população ganha mais que 7.000 reais por mês.
Mais da metade dos brasileiros [56,8%] tem renda familiar de no máximo um salário mínimo.

Agora junte mentalmente família, amigos e conhecidos e faça uma contagem do número de pessoas com carro, do número de negros ou pardos, do número de pessoas que não estudaram na universidade, do número de pessoas que vivem numa casa com menos de dois salários mínimos.

Wednesday, February 26, 2014

Delirando em Pindorama

Um dia vai aparecer alguém no Brasil com a sagacidade política de Martin Luther King e perceber que as crenças mais entranhadas do país sobre si mesmo podem ser usadas como combustível para a mudança. Eu fico imaginando alguém que, “impávido que nem Mohammad Ali” e “tranquilo e infalível como Bruce Lee” dirá o seguinte:

“Queremos Democracia Racial Já! Somos de fato um país mestiço e é por isso mesmo não podemos mais admitir que a desigualdade e o preconceito destruam o sonho de uma sociedade onde todas as raças vivem juntas e têm oportunidades iguais em todos os sentidos: na saúde, na educação, na obtenção de uma moradia digna, no trabalho, no acesso não só ao consumo mas também à produção de cultura, na política, nas artes. Oportunidades iguais para todos os mestiços de todas as cores: eis aí o caroço do nosso angu e a semente de uma verdadeira democracia racial que há de primar pelo profundo respeito e generosa aceitação de todas as diferenças. Para alcançar uma democracia racial de verdade, o Brasil precisa admitir que a desigualdade, a discriminação e o preconceito existem e que eles precisam ser combatidos sem trégua por todos como uma responsabilidade de todos.”


Monday, February 24, 2014

Il sorriso del capo

Marco Bechis fez um documentário [Il sorriso del capo] sobre os filmes que o regime fascista de Mussolini montou como propaganda do regime. Abaixo, 5 minutos desses filmes. Cá entre nós, fora a mania de sincronizar multidões uniformizadas de mulheres, poderia ser um anúncio da propaganda de qualquer governo ou de qualquer escola. Com isso não estou chamando todo mundo de fascista, mesmo porque um filme de propaganda política pode adotar qualquer tipo de discurso em princípio. Mas a semelhança ainda assim me perturba. Uma retórica triunfante de convencimento?

Saturday, February 22, 2014

Pindorama em ano de eleição

Pessoas profundamente insatisfeitas com certos rumos do governo federal estão agora prontas para "fazer campanha" [nesse mundinho restrito que ainda são as redes sociais a não ser que você seja um desses que deriva um séquito de milhões pelo seu status de celebridade televisiva]. O foco obsessivo dessas campanhas vai ser certamente os candidatos a presidente da república, o que eu considero um erro causado por um personalismo exacerbado pela longa tradição autoritária no Brasil. Considero esse foco sempre excessivo, quase exclusivo, nas campanhas para o executivo um erro terrível porque você pode eleger Jesus Cristo para presidente com Buda como vice e, no sistema em que vivemos hoje, se a chapa JC/Buda for de um partido com uma bancada de 100 deputados num mar de 513 a decepção será, de novo, inevitável.
Principalmente com uma sólida bancada de 123 ruralistas com presença determinante em todos os partidos grandes e médios com exceção do PT [os ruralistas são mais ou menos 40% de PMDB, DEM e PSD e mais ou menos 30% de PSDB, PP, PDT e PTB] e uma bancada de 76 "religiosos" espalhada principalmente nos partidos menores. Juntos eles são quase 200.
Aproximemos a lupa. No meu estado [Minas Gerais], 42% da bancada é de ruralistas [23 deputados]. Entre eles 5 [que são do triângulo/oeste do estado] tiveram a cara-de-pau de votar CONTRA a emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de propriedades em que trabalho escravo for encontrado, destinando-as à reforma agrária e ao uso social urbano. São eles José Humberto do PHS, Antônio Andrade do PMDB, Bernardo Santanna de Vasconcelos do PR, Marcos Montes do PSD e Jairo Ataide do DEM. Além desses 5 deputados, outros 3 se abstiveram: João Magalhães do PMDB, Aelton Freitas do PR e Diego Andrade do PSD.
Juntos são 8 deputados federais da bancada mineira [mais de um terço da tal bancada ruralista mineira] que deveriam no mínimo ter que suar a camisa dobrado para conseguir se reeleger em 2014. Eles foram derrotados no caso da emenda em questão, mas ganham em muitas outras oportunidades. E nos fazem muito mal.
Note-se que não fiz aqui qualquer referência à questão da corrupção. Não porque não ache que ele tenha importância, mas porque acho que a obsessão, a ênfase quase que exclusiva na suposta honestidade/desonestidade dos políticos é também expressão dessse personalismo exagerado que só prejudica nossa cultura política. 

Thursday, February 20, 2014

Esperando por Zumbi

Nessa versão Jorge Benjor esclarece/explicita o que era uma sugestão mais sutil na versão que está no Tábua de Esmeralda. A chegada de Zumbi é chegada da justiça, o fim da escravidão, o fim da opressão - é o que "eu quero ver". Continuemos todos esperando pela chegada de Zumbi, então. Queiramos ver o que nem a barangagem de clipe do Fantástico consegue atrapalhar: a força da cultura afro-brasileira. 

Wednesday, February 19, 2014

Postal: Levi-Strauss e a impossibilidade


Arte minha: "Chang, Ta-tung"
Quando fazemos força 
para compreender destruimos 
o objeto a que nos sentimos ligados, 
substituindo-o por um outro 
cuja natureza é bem diferente. 
Esse outro objeto 
nos requer um outro esforço, 
que por usa vez destrói o segundo objeto 
e o substitui por um terceiro 
e assim sucessivamente 
até que chegamos à única presença resistente, 
que é aquela na qual 
toda distinção entre sentido 
e falta de sentido desaparece: 
e é a partir dessa presença 
que tínhamos começado 
todo esse nosso percurso. 

Claude Levi-Strauss, Tristes Tropiques, muito livremente traduzido por mim

 

Tuesday, February 18, 2014

Rio de Janeiro de Machado de Assis

Ideia de um obsessivo: ao perceber que cada conto de Machado de Assis nos informa ano e endereço precisos da ação, localizar num mapa esses endereços a cada leitura de um conto de Machado de Assis. Objetivo: vislumbrar nos contos de Machado de Assis, um Balzac do Rio de Janeiro do século XIX.
View Rio de Janeiro dos Contos de Machado de Assis in a larger map

Monday, February 17, 2014

Postal: Rilkaugustaleixo

Arte Minha: Quem Nomeia Ama Quem Ama Não Mata Quem Nomeia Mata

"Tento não assustar os animais."
Rainier Maria Rilke por Augusto de Campos por Ricardo Aleixo

Thursday, February 13, 2014

Recordar é viver


Acho bom lembrar que o jornalismo e a política no Brasil tem uma longa e tenebrosa tradição de fraudes:

1.     Em 1921 o jornal Correio da Manhã publicou cartas supostamente escritas por Arthur Bernardes com comentários desrespeitosos aos militares. As cartas que o jornal anunciava serem “escritas e assinadas pelo próprio punho do presidente de Minas, segundo os mais apurados exames periciais” eram falsas.

2.     Em 1937 “descobriu-se” o “Plano Cohen” de dominação comunista do Brasil, saído diretamente da máquina de escrever de um militar integralista Olímpio Mourão Filho, então chefe da AIB [Associação Integralista Brasileira] e futuro general do golpe de 1964. A fraude só foi revelada depois de oito anos de ditadura implacavelmente anti-comunista pelo poderoso general Góes Monteiro, um dos arquitetos do golpe do Estado Novo. 

3.     Em setembro de 1955, durante a campanha para presidência da república,  noticiou-se que uma “república sindicalista” baseada em brigadas de trabalhadores armados estaria sendo tramada entre os peronistas argentinos e a esquerda trabalhista no Brasil representada pelo candidato a vice de JK, João Goulart. A denúncia baseou-se numa carta falsa do deputado justicialista Antonio Brandi ao então ministro do trabalho João Goulart. Carlos Lacerda leu a carta na televisão e ela depois foi publicada na íntegra em O Globo e na Tribuna de Imprensa. A manchete de O Globo em 17 de setembro, por exemplo, era “Armas Cedidas por Perón a João Goulart” [aqui dá para ver as primeiras páginas daquele mês e ver que o clima de panfleto anti-comunista histérico do jornaldo Sr. Marinho. Só em dezembro daquele ano, depois da vitória de JK, a fraude foi revelada como tal. O fantasma foi ainda revivido por Lúcia Hippolito e depois por José Serra a partir de 2008.

4.     Em 1975 houve o laudo do IML assinado por Arildo de Toledo Viana e por Harry Shibata [que continuou diretor do IML até 1983] para o “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog em cela do DOI-CODI. Seria o mais famoso dos vários laudos forjados pela ditadura.

5.     Em 1981 a explosão de um puma na porta do Riocentro no dia de um show de 1o de maio teria sido obra de um certo “Comando Delta.” O secretário de segurança do RJ, um certo general Waldyr Muniz garantia na primeira página de O Globo “que o capitão e o sargento correram para o local juntamente com agentes de outros órgãos de investigação” depois que “um telefonema anônimo anunciou que um grupo terrorista denominado Comando Delta” faria explodir uma bomba. 

6.     Em 1982, na primeira eleição para governador desde 1966, houve o anúncio da “derrota” de Brizola nas eleições para governador do Rio de Janeiro com a ajuda da Proconsult.

7.     Na campanha eleitoral de 1989 um dos sequestradores de Abílio Diniz aparece uniformizado com a camisa do PT. Ainda em 1989 ficou “constatado” o abandono de Lurian pelo pai seu pai Lula com um enojante depoimento da mãe da menina.

8.     O “envolvimento” de Ibsen Pinheiro com a máfia dos Anões do Orçamento levou a um linchamento na mídia que culminou na cassação do deputado em 1994.

9. E as "irrefutáveis" acusações contra Erenice Guerra desde 2008 até 2010 terminam arquivadas “por total falta de provas” em 2012.


 Recomendo portanto às pessoas que acham que gente do PSOL anda pagando 150 reais para gente soltar rojão em cima de jornalistas a ter um pouco de cautela mesmo quando houver "provas irrefutáveis".

Wednesday, February 12, 2014

Guia para a sobrevivência de espécies tropicais no vórtex polar

1. Se o sol está brilhando no céu azul lá fora, isso não quer dizer nada.
2. Se o chão em volta da neve estiver sequinho significa que está frio de rachar.
3. Se uma pedrinha de gelo se solta dos blocos de neve e continua sequinha no chão, isso significa que que o frio está de rachar o que ele já rachou no dia anterior.
4. A temperatura que você experimenta quando sai de manhã não é apenas uma versão um pouco mais fresquinha da temperatura do medio-dia.
5. Você tem mesmo que consultar algum tipo de previsão metereológica para o dia e não apenas por casa de galochas ou guarda-chuvas. Pode estar frio de manhã e mortalmente frio à tarde - e as duas coisas são bem diferentes.
6. Quando a neve vem ela vem em silêncio, sem fazer muito alarde, principalmente para quem é de Belo Horizonte, onde o ronco dos trovões e umas nuvens cor de chumbo avisam logo ao caboclo que vem um temporal lavar a cidade dos seus pecados.
7. Quando a neve vem você volta logo para casa e fica esperando. Tanto faz se está caindo muito ou pouco naquele momento. Você volta o mais rápido que puder e fica olhando a neve cair. Não é por superstição. É por causa do muita vezes lento acúmulo de neve nas ruas e estradas.
8. Horas e horas depois, quando a neve pára de cair, você não pensa duas vezes e sai o mais rápido que puder de casa armado com a sua pá de neve [mais leve e mais larga que uma pá comum]. É hora de limpar sua calçada e a saída da sua garagem. Por que a pressa? Porque se as pessoas começam a pisar em cima da neve ela começa a compactar-se e transforma-se em blocos gelo que são duros de arrancar. Às vezes dá vontade de ter uma picareta. 
9. Se a temperatura estiver dançando em volta do nosso 0oC [32oF] você sabe que a neve vai se derreter.
10. Se estiver mais frio, é um aguaceiro que ao invés de se escoar por ralos e bueiros... simplesmente fica. Fica e se acumula com a próxima e começa a subir pelas calçadas em grande montes.  

Tuesday, February 11, 2014

Diego Viana, de novo na mosca

Vemos aqui a pobre mulher vendaval dividida entre o terno bem cortado da PM defensora da lei e da ordem do Brasil varonil e o figurino preto-básico do blac-block defensor dos frascos e comprimidos.

Diego Viana escreveu no seu blogue, como de costume, uma das melhores análises sobre tudo o que tem acontecido no Brasil desde o ano passado. Transcrevo aqui apenas o começo de uma jornada a um buraco que fica bem mais embaixo do que o bate-boca que eu acompanho no Facebook:

"Já a questão da violência, que tratei segundo uma determinada perspectiva ainda em julho, explodiu mais recentemente numa miríade de versões que indicam menos a necessidade de desenvolvê-la e bem mais a de deslocá-la. Infelizmente, e isso é mesmo muito ruim, como na má dramaturgia, consolidaram-se nos últimos meses dois personagens antagônicos. Com eles, é possível, é até quase inevitável, formar uma relação de identificação ou repulsa praticamente imediata. Dessa relação imediata, fazemos uma barreira de julgamentos que nos desobriga de qualquer tentativa de esclarecimento. E esse é o pior estado em que podemos estar.
É claro que estou falando dos personagens Polícia Militar e Black Bloc. Talvez pudéssemos acrescentar aí um terceiro personagem, que seria “o manifestante bem intencionado”, mas para ficar na analogia da dramaturgia de quinta, esse aí faz mais a função da escada que conduz ao conflito maior entre o mocinho e o vilão – e a sua tarefa, individualmente, é escolher qual dos personagens vai ser mocinho e qual vai ser vilão: é uma trama interativa. Uma forma como o desenvolvimento dessa dramaturgia se expressa pode ser a seguinte: “manifestações são belas e justas, principalmente belas, mas não concordo quando descamba para a depredação”. Outra forma: “que coincidência, não tem polícia, não tem violência”. Na primeira, o vilão é o “vândalo que toma conta das manifestações”; na segunda, é a PM."

O texto vai muito além dessa observação certeira. Mas eu paro por aqui dizendo que não podia concordar mais com Diego. E aproveito para dizer que cada vez me convenço mais que o Brasil precisa de literatura. Não porque a literatura nos faz mais finos e elegantes e seres humanos melhores [mesmo porque qualquer pessoa que conheça um departamento de literatura por dentro sabe muito bem que ler não faz necessariamente bem a ninguém]. O Brasil precisa de mais literatura porque essa tramazinha rala de novelão das oito não vai dar nem para o começo. Eu me irrito com a tendência dos americanos de formatar tudo em épico edificante do triunfo da vontade humana individual, mas tratar da vida no Brasil em 2014 com esse rame-rame de melodrama requentado que embala o Brasil varonil seis dias por semana [Faustão e Fantástico arrematando o serviço no domingo] é querer enfrentar Godzilla com um estilingue malhado.

Monday, February 10, 2014

15 minutos de televisão ou quando sai a próxima nave espacial para fora daqui?

Não tenho televisão em casa. Isso já faz mais de 10 anos. Temos o aparelho, mas não temos nem antena nem cabo aqui em casa. Isso não é nenhuma grande decisão ideológica - simplesmente o serviço à cabo é muito caro e a gente não usava o suficiente para justificar o gasto. Isso não significa que a gente não assista a TV aqui em casa. Assistimos aos filmes e programas de televisão que escolhemos pela internet. Mas sem TV propriamente.
Depois de uma longa pausa, fomos hoje de manhã fazer esteira no clube de que a gente fica sócio no inverno, para fugir da neve e dar às crianças uma opção de ir à piscina. Lá tem TV pendurada na parede. Geralmente pedimos o controle remoto e vamos tentando achar alguma coisa que preste, sem sucesso: de manhã pelo menos são 40 canais de idiotice. A gente acaba optando então pelo noticiário, que é sempre um choque. Hoje depois de quase um mês mais um choque de "realidade": uma bizarra reportagem sobre os miliardários russos que eu pego pelo final e depois um bizarro elenco de noticiário matinal dançando com aquela animação digna de Programa do Fostão uma inacreditável "Get Lucky" cantada em inglês por um bizarro coro masculino de policiais russos. Fora aqueles closes na bunda das chacretes da minha infância, tudo exatamente igual. Pelo jeito eu não estou mesmo perdendo nada. Fico só imaginando as possíveis reportagens dessa troupe "animada" nas olimpíadas no Rio de Janeiro.

Sunday, February 09, 2014

Chutando o balde!

Parodiando um certo alguém muitíssimo maior que todas essas babaquices que o jornalismo supostamente literário desenterra de tempos em tempos sobre quem é ou qual é "o maior" de não-sei-o-quê de todos os tempos afirmo e confirmo perante meus 38 seguidores e perseguidores que:

os quatro grandes poetas do brasil
são três
rubén darío e alfonso reyes.


Música: Automotivo

Gosto em primeiro lugar da ideia simples e despojada de vídeo-clip. O tema da canção se enquadra bem na proposta do vídeo também. O violão também eu gosto muito. Agora tem algo na letra, uma certa tendência a jogar com trocadilhos, que eu acho um pouco dominante demais na música brasileira. Às vezes acho que eu preferiria um pouco menos de Caetano nas letras, mas isso é só implicância de quem anda trabalhando muito mais do que gostaria [são 3 da matina de sábado para domingo e isso aqui é só uma pausa na labuta]...

Friday, February 07, 2014

Postal: Sucede que me canso de ser hombre


WALKING AROUND
Pablo Neruda
Arte Minha: To Rent What You Owned

SUCEDE que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
navegando en un agua de origen y ceniza.

El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.
Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,
sólo quiero no ver establecimientos ni jardines,
ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.

Sucede que me canso de mis pies y mis uñas
y mi pelo y mi sombra.
Sucede que me canso de ser hombre.

Sin embargo sería delicioso
asustar a un notario con un lirio cortado
o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.
Sería bello
ir por las calles con un cuchillo verde
y dando gritos hasta morir de frío.

No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,
vacilante, extendido, tiritando de sueño,
hacia abajo, en las tripas mojadas de la tierra,
absorbiendo y pensando, comiendo cada día.

No quiero para mí tantas desgracias.
No quiero continuar de raíz y de tumba,
de subterráneo solo, de bodega con muertos
ateridos, muriéndome de pena.

Por eso el día lunes arde como el petróleo
cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,
y aúlla en su transcurso como una rueda herida,
y da pasos de sangre caliente hacia la noche.

Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas,
a hospitales donde los huesos salen por la ventana,
a ciertas zapaterías con olor a vinagre,
a calles espantosas como grietas.

Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos
colgando de las puertas de las casas que odio,
hay dentaduras olvidadas en una cafetera,
hay espejos
que debieran haber llorado de vergüenza y espanto,
hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos.

Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,
con furia, con olvido,
paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,
y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:
calzoncillos, toallas y camisas que lloran
lentas lágrimas sucias.

Wednesday, February 05, 2014

Contra o fascismo verde e amarelo


Arte minha: "Lendo Jameson em desespero"

"—Ya ves, todo esto no sirve de nada —dijo el escultor, barriendo el aire con un brazo tendido—. No sirve de nada, Noemí, yo me paso meses haciendo estas mierdas, vos escribís libros, esa mujer denuncia atrocidades, vamos a congresos y a mesas redondas para protestar, casi llegamos a creer que las cosas están cambiando, y entonces te bastan dos minutos de lectura para comprender de nuevo la verdad, para...
            —Sh, yo también pienso cosas así en el momento —le dije con la rabia de tener que decirlo—. Pero si las aceptara sería como mandarles a ellos un telegrama de adhesión, y además lo sabes muy bien, mañana te levantarás y al rato estarás modelando otra escultura y sabrás que yo estoy delante de mi máquina y pensarás que somos muchos aunque seamos tan pocos, y que la disparidad de fuerzas no es ni será nunca una razón para callarse. Fin del sermón. ¿Acabaste de leer? Tengo que irme, che."
Trecho de "Recortes de Prensa" de Julio Cortázar

Tuesday, February 04, 2014

Notas para livros impossíveis 1

Um livro com oito contos [quatro em espanhol, quatro em português]:

1. "Tigre de los llanos" [trecho de Facundo de Sarmiento]
2. "Juan Darrién" de Horacio Quiroga
3. "Meu tio o iauaretê" de Guimarães Rosa
4. "Axolotl" de Julio Cortázar
5. "Búfalo" de Clarice Lispector
6. "O crime do professor de matemática" de Clarice Lispector
7. "La pantera" de Sergio Pitol
8. "A vaca" de Moacyr Scliar

Título: Entre o cru e o cozido

Perspectiva de sucesso editorial: zero porque não traduz os contos e forma um livro bilingue, isso sem pensar nos imensos problemas com direitos autorais.

Saturday, February 01, 2014

Música: The Wolves (Act I &II)


The Wolves (Act I And II)


Someday my pain
Someday my pain will mark you
Harness your blame
Harness your blame, walk through

With the wild wolves around you
In the morning, I'll call you
Send it farther on

Solace my game
Solace my game, it stars you
Swing wide your crane
Swing wide your crane and run me through

And the story's all over
In the morning, I'll call you
Can't you find a clue
When your eyes are all painted Sinatra blue

What might have been lost
What might have been lost
What might have been lost
What might have been lost

Don't bother me
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
(Don't bother me)
What might have been lost
What might have been lost

Ah, ah

Someday my pain
Someday my pain, my pain
Someday my pain
Someday my pain