Saturday, October 29, 2016

Diário da Babilônia: Eleições presidenciais de 2016, parte 1

Foto minha: Fábrica abandonada
 1. Um país atravessa complexas mudanças econômicas que produzem uma brutal concentração de renda com a combinação de um quase desaparecimento de empregos na indústria [eliminados por máquinas automatizadas ou exportados para outros países com mão-de-obra mais barata], um longo processo de redução na taxação do capital, uma educação pública dilapidada, uma saúde pública inexistente e conflitos militares de altíssimo custo que se arrastam por quinze anos sem qualquer perspectiva de resolução. Não é de se espantar que nesse país viva uma grande massa de gente muitíssimo amargurada com toda essa situação, principalmente quando a situação significa passar pela dura experiência concreta do empobrecimento. 

Foto minha: Outra fábrica abandonada
 2. Dentro dessa massa de gente tentando se segurar para não cair na pobreza, um grupo considerável que recebe diariamente, via redes sociais, rádio ou televisão, uma dose constante de um agressivo discurso populista e conservador. Essas vozes berram mais ou menos a seguinte explicação para esses tempos difíceis: 
- Gentes de outros países, outras religiões, outras culturas e outras raças estão nos invadindo sub-repticiamente e nos explorando descaradamente!!! 
- O estado nada mais é que o facilitador dessa e de outras malandragens!!!
- Os pé-rapados de pele escura e/ou seus aliados nas elites das universidades detestam vocês e seus valores e querem que vocês sejam destruídos.
Foto minha: Mais uma fábrica abandonada
  

Foto Minha: Outra vez, fábrica abandonada
3. O sistema político constituído hesita entre continuar apertando o acelerador do enfraquecimento do estado e da concentração de renda, abraçar um reformismo tímido que sustenta que bastam ajustes e tudo fica muito bem e uma completa paralisia numa queda de braço feroz entre os dois partidos políticos dominantes. Os muitos eleitores insatisfeitos com essas três posições buscam ativamente alternativas e os dois partidos que efetivamente controlam completamente a vida política do país passam aperto nas suas convenções com candidatos de fora de suas lideranças tradicionais. Um dos dois partidos, dividido entre inúmeros candidatos fanáticos e estridentes, entra em colapso e não consegue impedir a escolha de uma das figuras mais bizarras daquela festa estranha com gente esquisita. 

Foto minha: Parede de outra fábrica abandonada




Monday, October 24, 2016

Notícias do Novo Mundo

Com um mercado muito pequeno e empobrecido, é raro no Brasil termos edições anotadas de obras literárias. Hoje em dia há gente preparada nas universidades para fazer esse tipo de trabalho sobre muitos autores importantes, e a internet oferece, pelo menos potencialmente, oportunidades para viabilizar isso. Um projeto muito interessante que busca contornar as limitações reais do mercado do livro de papel [que custa caro para imprimir, armazenar e distribuir] foi feito com a obra de Machado de Assis. Claro que Machado de Assis oferece a vantagem de pertencer ao domínio público e assim dispensar tretas cabeludas com famílias e direitos autorais. Com essas coisas, pelo jeito, não há internet que possa.
Aliás, o fechamento da internet, daquele campo meio bagunçado em que cada um  armava uma barraquinha de camelô ou um palco mambembe num blogue ou num canal próprio de iutubio acabou faz tempo. Tudo [ou quase tudo] passa agora pelos peneirões do gúgol, feicibuque e compania limitadíssima. O Netflix, que era um jeito de ter um arquivo praticamente infinito de DVDs à disposição mesmo de quem morava no mais recôndito dos Alabamas, virou outro porteirão bravo.
Mas voltando à vaca fria, os computadores, a internet e outras tecnologias abriram inúmeras portas interessantes para os estudos literários. Exemplo: as novas edições da Oxford de Shakespeare. Claro que isso não reduz mas amplifica a boataria besta que ocupa a vida de muito litero-desocupado, mas aí a gente entra em outra seara espinhosa: a incrível multiplicação de boatos e desinformação que assola as redes sociais e por tabela todo mundo fora delas. Aos que arrancam os cabelos em desespero, vale lembrar que não faz muito tempo, um grupinho muito restrito de donos de porteira controlavam absolutamente os meios de comunicação. Vocês não imaginam o custo que era ouvir um disco dos Mutantes...

Tuesday, October 18, 2016

Sobre políticas públicas para a leitura e os livros

Provocado por um post da minha amiga de feicibuque Denise Bottman, comecei a pensar sobre as mazelas da indústria do livro no Brasil. Na atual conjuntura política a gente só pode mesmo conversar sobre essas coisas no nível mais hipotético possível, mas tenho uma modestíssima opinião, muito incerta e precária: um papel do estado [na esfera federal, estadual ou municipal] na questão do livro deveria estar concentrado em manter uma biblioteca pública com acervo "em dia" em cada cidade mais de 200 mil habitantes e um número proporcional a esse nas cidades maiores [2 milhões=10 bibliotecas]. Isso teria que ser um primeiro objetivo, pois o número não é nada bom. O dinheiro teria que vir preferencialmente dos três níveis. Veja bem, não é uma biblioteca para guardar tudo o que se compra para todo o sempre amém; como as bibliotecas municipais de qualquer porcariazinha de cidade aqui nos EUA, seriam bibliotecas que de tempos em tempos vendem parte do seu acervo para fazer espaço para novos livros [vende-se aquilo que não tem mais circulação nenhuma e que não é considerado como tendo potencial de manter interesse dos leitores a longo prazo]. Esses livros vão para o mercado de livros usados. 

Stetson é a filial em um dos bairros mais pobres da cidade
Na atual conjuntura, com um ministro que chama gente completamente desclassificada para dar palpite sobre educação e um presidente espúrio que atua como se tivesse ganho uma eleição com 90% dos votos, reconheço que isso é conversa para boi dormir. Pelo jeito temos que esperar 20 anos antes de pensar de novo em livros e cultura. 

Mas eu vejo muita gente humilde [mais da metade da cidade onde vivi nos últimos dez anos está abaixo da linha da pobreza] lendo os jornais, revistas e outros livros enquanto também aproveita para se esquentar do frio. Vejo jovens jogando uns jogos de carta tipo RPG em volta de mesas redondas, vejo pais ou acompanhantes levando crianças para passar uma hora ou duas na biblioteca num ambiente seguro e limpo. Vejo todo o tipo de pessoa usar a biblioteca para encontrar ajuda para escrever currículo, procurar emprego, aprender um pouco sobre computadores, descansar um tempinho da bagunça lá fora. Vejo gente se reunindo para assistir um documentário ou ouvir uma palestra sobre a história da cidade. Vejo uma instituição servindo de apoio para uma vida melhor ou pelo menos para um dia-a-dia um pouco menos massacrante. São cinco bibliotecas [uma no centro e quatro nos bairros] para uma cidade de 130.000 habitantes.
Uébisaite da biblioteca de New Haven
Não quero de maneira alguma deixar de aprender sobre as várias questões complexas que envolvem a produção, distribuição e comercialização de livros no Brasil. Entendo a importância dessas questões mas acho que a ênfase no custo dos livros ao consumidor, na existência de livrarias, na distribuição ou no preço do papel revelam um olhar um pouco distorcido. Um leitor não precisa ter dinheiro para comprar livros. 
Um leitor não é alguém que monta uma biblioteca na sua casa. Um leitor é alguém que precisa ter acesso a um livro e a biblioteca é um espaço onde esse acesso não depende do status de consumidor do leitor. Faria sentido o estado investir o dinheiro dos impostos em dar acesso aos livros a milhões de pessoas que não tem acesso nenhum. Não se trata de forçar ninguém a ler nada. Trata-se de reconhecer a importância da leitura para a vida das pessoas e decidir que vale a pena investir em permitir às pessoas um espaço para isso, se elas quiserem.

O Brasil tem mais ou menos 200 milhões de habitantes. 84% deles vivem em cidades. São mais ou menos 160 milhões de pessoas e portanto mais ou menos 800 bibliotecas com acervos em dia para começar, começando de preferência pelos bairros mais pobres das cidades mais pobres.

Thursday, October 13, 2016

Sobre Música, Máquinas e Mãos

Era uma vez um jovem compositor chamado Steve Reich brincando com fitas magnéticas no começo dos anos 60. Ele começa a tocar duas ao mesmo tempo e se maravilha com as pequenas diferenças entre duas gravações de uma voz humana, pequenos desencontros que crescem e eventualmente se reencontram em estranhas abstrações sonoras, hipnóticas, maquinais. Ele chama esses micro-encontros/desencontros de "phasing". "Come Out" é uma das composições mais famosas do período, de 1966:



Os anos passam e Reich parece que começa a se sentir sufocado no meio de tanta máquina e tanto fio e tanta fita. Ele começa então a compor música para instrumentos convencionais operados por músicos, mas com a ideia "... transformar as fantasias da máquina em eventos humanos" [o caderno de notas de Steve Reich]. Daí vem as "Fases" como a que está no vídeo abaixo. "Violin Fase" é de 1967:



Reich passou um tempo longe das máquinas e mesmo quando voltou a elas, o fez com uma certa parcimônia, a mesma parcimônia com que ele sugere que nós todos aproveitemos o Sabbath para, no cair da noite de sexta-feira, desligar a parafernalha eletrônica - inclusive aquela que nos liga agora, querido leitor, e nos permite ouvir essa música tão difícil tão facilmente, e permanecer "desligado" até o cair da noite seguinte. E seguir respirando, puxando ar para dentro e expelindo ar para fora, como máquinas.

Tuesday, October 11, 2016

Big Food - A democracia no século XXI

Eles atendem pelo singelo nome de “Big Food”, uma indústria que monopoliza toda a comida que é plantada, criada, colhida, abatida, processada, empacotada e vendida nos Estados Unidos.

Na base “Big Ag”: basicamente um grupo seleto de produtores gigantescos de milho e soja [e outras “commodities”] mamando alegremente em subsídios generosos do governo americano e produtores de todo o aparato de sementes e agrotóxicos na base dessa indústria.

Big Ag ganha uma grana preta fornecendo ração para Big Meat, outro grupo seleto que “produz” milhões de cabeças de gado, galinhas e porcos, enfia eles todos dentro de fábricas/matadouros gigantescos e empacota milhões e milhões de quilos de carne e outras coisas carnívoras.

Aí vem mais um grupo igualmente seleto de empresas que processam com toda a ingenuidade química que produz sabores, cores, texturas e sabores de todos os tipos, empacotam e rotulam o que Big Ag e Big Meat produzem. Basicamente o milho vira xarope açucarado, a soja vira óleo e a carne vira hambúrguer.

No topo dessa jamanta enlouquecida estão os supermercados e as franquias de fast-food.

Quando quatro empresas controlam mais de 40% de uma indústria, diz que há uma concentração exagerada de poder econômico. Quatro conglomerados controlam 82% dos matadouros, 85% do processamento de soja, 62% dos pesticidas, 58% das sementes [antes da Bayern comprar a Monsanto] e 53% do processamento de frangos.

Lobbys poderosos com nomes portentosos representam essa jamanta enlouquecida: Grocery Manufacturers Association [processamento/embalagem/marcas], The North American Meat Institute [carne], The American Farm Bureau Federation [commoditys, The National Restaurant Association [franquias de fast food] e CropLife [pesticidas]. Eles todos se unem para garantir os subsídios e combater qualquer restrição ao seu direito de divino de empanturrar o público com açúcar, sal, óleo, carne processada e químicos. 

Investigações sobre abusos dos monopolistas são sumariamente engavetadas. Restrições [veja bem "voluntárias"] à venda de junk food às crianças e ao uso de junk food nas escolas viram piada com congressistas defendendo que pizza deveria ser considerado um "vegetable" por causa do molho de tomate. Fábricas de processamento animal horrivelmente poluentes são classificadas como "fazendas" e continuam a emporcalhar o meio ambiente impunemente. Limites ao uso de antibióticos no criação de animais continuam "voluntários".  

O resultado:

Fonte: https://www.cdc.gov/obesity/data/prevalence-maps.html

Toda essa obesidade se traduz em problemas crônicos de saúde: pressão alta, diabetes, problemas do coração. Sofrimento a granel e um monte de dinheiro gasto em tentar fazer sobreviver um monte de gente mal e porcamente. Por exemplo:







Friday, October 07, 2016

O dia em que o terrorismo nasceu

Adoramos imaginar nascimentos e mortes para as coisas da cultura, encontrar ali na linha do tempo na num momento certo o aparecimento de uma novidade ou o desaparecimento do passado na história. Na verdade a cultura é sempre coletiva e as coisas dela nunca propriamente terminam nem começam.

Imaginemos, mesmo assim.

22 de abril de 1915, começa a segunda série de batalhas entre forças francesas/britânicas e alemãs pelo controle da cidade de Ypres na Bélgica, perto da França. No ano interior já 100 mil soldados dos dois lados tinham morrido futilmente disputando o mesmo lugar na mesma fronteira. Dessa segunda vez as forças alemãs inovam e lançam de seus aviões cloro em gás para forçar o inimigo para fora das suas trincheiras. Mais ou menos seis mil soldados franceses, marroquinos e argelinos morreram por causa do gás ou na carnificina que se seguiu no campo de batalha.

Os inimigos dos alemães não demorariam muito em também usar o mesmo expediente de guerra: gases venenosos lançados de aviões, guerra química. Estava definitivamente decretado o fim daquela velha guerra que colocava frente a frente soldados de dois exércitos, se enfrentando em nome de dois grupos, impérios ou estados nacionais. Podemos imaginar, portanto, nascia naquele dia de primavera uma nova guerra que engendrou o que chamamos hoje de terrorismo.

Seria tentador imaginar que as guerras antes dessa "guerra das guerras" eram um concurso de bravura entre heróis galantes. A vontade de aniquilação total de um inimigo, abençoada ou não por um Jeová desses da vida, envolve coragem, sem dúvida, mas um tipo de coragem singular, que se mistura muito rapidamente com a mais vil das covardias. De qualquer maneira o sentimento genuíno de muitos que escreveram sobre a Primeira Guerra Mundial era de que o ser humano tinha chegado no fim do poço. Anos e anos zanzando em volta de uma linha quase fixa de fronteira entre inimigos encafifados em buracos morrendo feito moscas. Mas o que parecia o fundo do poço, era só o começo de um novo poço, que nos levaria mais e mais fundo...

Anthem for Doomed Youth

Related Poem Content Details

What passing-bells for these who die as cattle? 
      — Only the monstrous anger of the guns. 
      Only the stuttering rifles' rapid rattle 
Can patter out their hasty orisons. 
No mockeries now for them; no prayers nor bells; 
      Nor any voice of mourning save the choirs,— 
The shrill, demented choirs of wailing shells; 
      And bugles calling for them from sad shires. 

What candles may be held to speed them all? 
      Not in the hands of boys, but in their eyes 
Shall shine the holy glimmers of goodbyes. 
      The pallor of girls' brows shall be their pall; 
Their flowers the tenderness of patient minds, 
And each slow dusk a drawing-down of blinds.

Tuesday, October 04, 2016

Derrida professor

Derrida fazendo biquinho sensual
Entre 1984 e 2003 [ele morreu em 2004] Jacques Derrida ensinou semanalmente um seminário de duas horas na Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais num total de 10 a 15 aulas de duas horas por ano letivo. Nesses seminários Derrida se encontrava com um público bastante variado, desde estudantes de filosofia preparando-se para os exames de entrada no sistema de ensino francês até amigos e parisienses curiosos de saber mais sobre filosofia. Para cada encontro semanal, Derrida escrevia cuidadosamente umas 20 a 30 páginas de texto completo. Fossem lidos sem interrupção à maneira de uma palestra, esses textos dariam para uns 20 a 40 minutos da aula, mas não se trata de notas soltas para a aula. Elas eram escritas primeiro à mão, depois datilografadas e finalmente escritas no computador e não foram publicadas em vida. Estão sendo publicados postumamente, os últimos seminários chegando ao inglês aí pelo final da primeira década do século XXI. Esclareço que falo aqui da edição em inglês porque meu francês [procuro sempre estar lendo alguma coisinha em francês para melhorar e por prazer mesmo] não dá para ler Derrida, autor que, suspeito, às vezes não dá para ler direito em língua nenhuma, nem no meu português nativo. Creio que está aí o maior atrativo desses seminários publicados postumamente para mim. Sobre a pena de morte e A besta e o soberano são textos complexos e sofisticados [e importantes] como TODOS os outros que li de Derrida, mas padecem menos da prosa elíptica, pseudo-poética e pedagogicamente desastrosa que costuma fazer da leitura de Derrida em qualquer língua um verdadeiro exercício masoquista.

Acho sinceramente uma bobagem a maioria das críticas ao pensamento de Derrida, porque essas críticas em geral não consideram que o pensamento de Derrida que nunca teve o desejo de destruir [desconstruir, se preferirem] para nutrir uma ambição de se impor como nova Bíblia Sabichona do Pedaço. A ideia não poderia ser simplesmente substituir os monolitos que fizeram de certos textos por um novo monolito desconstrutivista. Mesmo porque Derrida demolia as coisas amorosamente, querendo deixá-las livres e não querendo livrar-se delas. Mas sempre me deixou invocado que um trabalho tão bom e tão relevante ficasse tão soterrado em hermetismo cafona - Paul de Man, cujo pensamento não queria e não tinha nem metade do alcance de Derrida, pelo menos tinha uma certa clareza de estilo. Por isso sempre preferi as traduções para o inglês - que acabavam passando uma certa plaina pragmática anglo-saxona nas piruetas do francês, enquanto as traduções para o português, se bobear, piruetavam até mais que o original. Ler em francês, não tem jeito - só se resolvo citar alguma coisa, vou catar o original e cotejar a duras penas o original e a tradução.

Saturday, October 01, 2016

Sobre adaptações cinematográficas e o limite do conceito de tradução


"... é preciso fazer um reparo importante sobre a relação entre literatura e cinema em adaptações cinematográficas. Creio ser mais produtivo pensar nessas adaptações como uma forma peculiar de interpretação ao invés de pensá-las como traduções intersemióticas segundo a classificação de Jakobson. Isso porque as adaptações cinematográficas tradicionalmente têm uma relação muito mais livre com o texto de origem que têm as traduções, mesmo aquelas autodefinidas como “transcriações”. As noções textuais de fonte e derivação estão no cerne do trabalho tradutório e por isso faz sentido que elas tenham protagonismo na análise crítica desse tipo de trabalho, mas não são adequadas na análise de adaptações de textos literários ao cinema por levar frequentemente a previsíveis comentários sobre aquilo que, presente ou ausente no texto literário original, “faltaria ou sobraria” na adaptação cinematográfica. A matéria cinematográfica é, em geral, construída com extrema liberdade a partir de uma interpretação livre daquilo que importa ao adaptador do texto literário."