Thursday, February 27, 2020

Poema meu: Land of the Free

The Land of the Free

Raspe as axilas, não raspe as axilas,
não diga suvaco que é feio,
use desodorante,
use mais desodorante,
não use tanto desodorante,
troque de desodorante,
não use desodorante,
tire os pelos, apare os pelos,
pinte os pelos, descolora os pelos,
depile-se, não se depile,
nunca se depile, sempre se depile,
raspe as pernas, não raspe as pernas,
descolora o buço, arranque o buço, deixe o buço,
passe batom, não passe batom,
não use batom escuro, não use batom claro,
limpe esse batom, tire o excesso,
faça as sobrancelhas, não faça as sobrancelhas,
tome banho todos os dias,
tome dois banhos todos os dias,
tome três banhos ao dia,
faça xixi sentado, faça xixi em pé,
lave o cabelo, não lave o cabelo todo dia,
penteie o cabelo, desembarace o cabelo
prenda o cabelo, solte o cabelo,
alise o cabelo, use o cabelo natural,
corte o cabelo, não corte o cabelo,
apare o cabelo, apare as pontas do cabelo,
pinte o cabelo, não pinte o cabelo,
arranque os cabelos brancos,
use creme rinse, não use creme rinse,
passe creme hidratante,
limpe atrás das orelhas,
não use cotonete,
faça as unhas, não faça as unhas,
pinte as unhas, não pinte as unhas,
não roa as unhas, limpe as unhas,
lixe as unhas, tire cutícula, não tire cutícula,
não se sente de perna aberta,
cruze as pernas nos joelhos, não cruze as pernas,
não deixe a saia subir, abaixe a saia, ajeite a saia,
feche a blusa, não use decote,
não mostre o decote, use decote,
não use roupa transparente,
não use roupa apertada,
use sutiã, não use sutiã,
esconda esse sutiã,
use brincos, anéis e pulseiras,
use aliança sempre, tire essa aliança,
não use joias demais, tire esse anel,
use sapato alto, não use sapato alto,
não saia de chinelo,
amarre o cordão dos sapatos,
limpe os sapatos, troque os sapatos,
controle o peso,
perca peso, ganhe peso,
não ganhe mais peso,
não perca peso rápido demais,
cuidado com o doce,
cuidado com a bebida,
cuidado com a comida,
não coma gordura, não coma carne,
não coma chocolate, não beba refrigerante,
não exagere no açúcar,
não ponha os cotovelos na mesa,
não coma com a boca aberta,
não faça barulho na mesa,
não deixe comida no prato,
não raspe o prato,
use o guardanapo,
cuidado com os estranhos,
cuide-se mais, cuide melhor da aparência,
esconda as estrias, mostre as estrias,
esconda a celulite, mostre a celulite,
esse maiô é grande demais,
esse biquíni é pequeno demais,
isso aí já saiu de moda,
isso aí já está batido demais,
não fale alto, não fale palavrão,
não conte piada suja, não conte piada,
não ria alto,
não contradiga os outros,
não fique encarando os outros,
não fale mal dos outros,
não dê bola para estranhos,
não fale sobre menstruação,
não fale de política,
não discuta sobre religião,
respeite os mais velhos,
lave a boca para falar dos seus pais,
cuide da família,
cuide melhor das crianças,
deixe o menino,
não deixe os meninos,
cuide melhor da casa,
cuide melhor da cozinha,
lave a roupa, essa roupa se lava a mão,
roupa suja se lava em casa,
passe as roupas, dobre as roupas,
não beba, não fume,
escove os dentes, passe fio dental,
tire os calos dos pés,
tire os calos dos joelhos e dos cotovelos,
passe creme na pele, cuide da pele,
não tenha cravos e espinhas,
esconda os cravos e as espinhas,
esconda essa cicatriz,
limpe a maquiagem antes de dormir,
não use maquiagem demais,
não fique roendo as unhas,
não faça careta,
não seja exibida,
não seja confiada,
não seja negativa,
não seja pidona,
não insista,
tenha paciência,
tenha a santa paciência,
espere a sua vez.

Wednesday, February 26, 2020

Música Country não é a porcaria que as pessoas pensam ou "High Above the Water" de Parker McCollum




High Above the Water
Parker McCollum

Hooked on money, hooked on chains,
No more cripple, no more cane
How'd I do all I did
Why won't you call me the kid

Best believe I'm afraid
Shake it off everyday
You're like a record spinnin' round
I'm leavin' this town

It ain't been the way that it goes
Rather die alone from somethin' that I chose
Go out in style
Go out on fire

Livin' high high high
High above the water
Livin' high high high
High above the water

Dark as day bright as night
That's the big city life
Troubles always next door
Always beggin' for more

Give and take what you got
Make your way to the top
I won't ever come down
I feel what I've found

It ain't been the way that it goes
Rather die alone from somethin' that I chose
Go out in style
Go out on fire

Livin' high high high
High above the water
Livin' high high high
High above the water


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Tuesday, February 25, 2020

O Manifesto Comunista

Dos dez pontos programáticos do Manifesto Comunista, sete parece que foram escritos ontem:

1. Imposto progressivo;
2. Abolição das heranças;
3. Crédito bancário nas mãos do estado;
4. Produção industrial nas mãos do estado;
5. Meios de comunicação e transporte nas mãos do estado;
6. Educação gratuita em escolas públicas para todos;
7. Fim do trabalho infantil


Thursday, February 20, 2020

Recordar é viver: o horror é muito antigo



São dois filmes simples, feitos no Chile de Allende, com poucos recursos. Neles os refugiados políticos brasileiros denunciam a tortura do regime militar. São muitos, são quase todos bem jovens, atrapalhados quase todos entre português e espanhol e inglês. As cicatrizes estavam bem frescas. O que eles descrevem no filme, no calor da hora, é o que o Brasil escolheu colocar no poder em 2018. E agora, 2020, estão horrorizados com um político mequetrefe que passou os últimos 40 anos exaltando o que o regime militar produziu de pior.


Não é hora de chorar from Luiz Alberto Barreto Leite Sanz on Vimeo.

Tuesday, February 18, 2020

Pindorama sonha com defuntos da Babilônia


Mais de 9.000 lojas fecharam as portas nos EUA em 2019. O número bateu o recorde anterior, de 2018, que havia batido o anterior, de 2017. 2020 promete: até agora foram anunciados 1.200 fechamentos. A coisa chegou ao ponto de séries de fotografia inteiramente dedicadas aos malls abandonados. Aqui você mais fotos de malls abandonados feitas pelo fotógrafo Seph Lawless.


Um desavisado poderia pensar que a culpa toda seria da Amazon e congêneres, mas neste século XXI as lojas gigantes de varejo (Costco e Sam's Club, que pertence ao Walmart) cresceram mais que o gigante do comércio online. Ali o consumidor tipicamente sai carregando pacotes gigantes com dezenas de rolos de papel higiênicos, galões de mostarda e ketchup e caixas com milhares de sucos de caixinha.

Mais importante que isso, a classe média dos EUA encolheu de 60% da população em 1970 para 40% agora. E enquanto a classe média estadounidense do século XXI, já encolhida contra a parede, não sabe o que é poupança, os 10% mais ricos só dão conta de gastar 60% do que ganham. Galerias de arte e butiques prosperam, mas o fato é há mais dinheiro para os tubarões de Wall Street transformarem em mais dinheiro - ou em fumaça.

Daí a ascensão meteórica das "Dollar Stores" que vendem todo o tipo de coisa (inclusive comida devidamente ultra-processada e produtos de limpeza em embalagens menores) por apenas 1 dólar. Elas são obviamente a "opção" preferencial dos pobres, cada vez mais pobres. Já são mais de 30.000 lojas desse tipo espalhadas pelo país. Além delas, há os inescapáveis Walmarts, onde pode-se comprar remédio, comida, meias, latas de lixo, trabucos e pneus numa só viagem. Mais informação (em inglês) aqui.

Em vista de tudo isso é cada vez mais irônico voltar para o Brasil e escutar os suspiros emocionados pelos paraísos dos intermináveis xópins e outchiletchis dos Estados Unidos. Os brasileiros sonham com casas mal-assombradas e defuntos, principalmente se continuarmos esse processo recente de re-concentração de renda radical.

Sunday, February 16, 2020

O rei do inferno

Entre 1992 e 1995 Radovan Karadzic era rei no inferno em que a antiga Iugoslávia se tornou com a guerra entre bósnios, croatas e sérvios. Ele só foi preso em 2008 e condenado em 2016 no tribunal de Hague por diversos crimes contra a humanidade. Carisma e disposição para jogar com nacionalismo narcisista, racismo, ressentimento, fanatismo, sede de poder e o medo da mudança e a perda de status e privilégios.

Sinceramente não deve ter sido muito consolo para os milhares de pessoas cujas vidas Karadzic e seus seguidores transformaram num inferno.

O presidente do Brasil têm quatro anos e disposição para destruir. O que vai acontecer depois, não será consolo.

Thursday, February 13, 2020

Papai Noel não existe

Tudo o que eu pedi ao Papai Noel foi um ano de paz. Um ano sem essa coisa que por aqui os eufemistas de plantão chamam de "incidente". Aquilo que eu chamo de trumpice: um ato de racismo truculento, ostensivo, uma prova de completa falta de sensibilidade para com o sofrimento dos outros, aquela famosa prepotência de quem, por sua cor e/ou sua classe, se considera o chefe de tudo por aqui e por isso pode falar o que bem entender com quem quiser. 

Mas Papai Noel realmente não existe:

http://www.oudaily.com/news/ou-gaylord-college-professor-uses-racial-slur-during-class-in/article_ddf0496e-4cff-11ea-9e80-fbaf7ab99bc3.html?fbclid=IwAR1Y_h1SgiOef1-7trL3oc9wZWmA2xNqMAK9MLaZAlItHzeJ_MXwJmfkqmg

Uma das pixações pertinho da escola primária onde minha filha estudou 
Dessa vez não dá nem para culpar um bando de alunos desmiolados, porque a trumpice saiu da boca de um professor no meio de uma aula expositiva. Um professor de jornalismo! Sentindo-se talvez pessoalmente ofendido pela recente emergência da expressão "Ok, Boomer," ele resolveu dar sua contribuição ao clima péssimo da universidade no tocante às relações raciais. Isso vindo da parte de um membro de uma geração que produziu frases como "Nunca confie em ninguém com mais de trinta anos" [há sessenta anos atrás] e que viveu às turras com a caretice da geração dos seus pais, ridiculamente conhecida como "greatest generation". Um certo conflito de gerações sempre vai existir, mas não dá para nem sequer começar a comparar isso com algo que começa com séculos de escravidão e se completa com segregação, linchamento e outras coisas do tipo.

Indignação não exprime o sentimento geral da rapaziada na universidade. Estamos exaustos. O que pode produzir um estado prolongado de indignação que não resulta em absolutamente nada? Todos os alunos [e professores] não-brancos [no sentido trúmpico da coisa, por cujos critérios nem 5% dos autodenominados brancos no Brasil passariam como brancos] estão simplesmente exaustos.

 

Wednesday, February 12, 2020

Cole Porter além das letras

Cole Porter é o Noel Rosa da música urbana americana. Só que Noel Rosa morreu cedo demais e isso dificulta a comparação. O letrista Porter chega mais perto da excelência de Chico Buarque, principalmente naquele momentos em que as rimas mais inusitadas parecem ser inescapáveis. O curioso é que um grupo de jazz meio conservador resolvesse bem no meio dos anos 60 tomar justamente a música feita por Porter (bem próxima do pop dos musicais dos anos 30 e 40 do que do jazz propriamente) para gravar um álbum delicioso e nos revelar a arquitetura fantástica das canções clássicas de Cole Porter, aqui "livres" das letras do mestre.



E como não compara o começo desse "Night and Day" com o "Samba de uma nota só"?

Tuesday, February 11, 2020

Diário de Babylon: Visibilidade e invisibilidade

Descobri recentemente que, para as estatísticas da universidade onde trabalho, um professor, aluno ou funcionário africano, árabe ou chinês não conta nas estatísticas de diversidade racial. Só cidadãos americanos contam nos cálculos. Não basta ser africano, tem que ser African American. Pensei até em propor um abaixo-assinado com um aluno do Panamá e uma funcionária da Bósnia pedindo pela mudança nesses critérios. Mas a verdade é que com o veto a vistos para países como a Nigéria, o caminho aqui em Babylon já está sendo trilhado faz tempo - não me surpreenderia se fosse convidado a ir embora daqui há uns 15 anos. Reconsiderei meu ímpeto inicial porque fiquei com preguiça - se querem me invisibilizar, tudo bem. Aceito minha invisibilidade de bom grado.

Li ontem um texto curto de Audre Lorde recentemente traduzido para o português. Ela insiste num gesto: romper o silêncio e transformá-lo em linguagem e ação, recusando o medo de se expressar. Um texto forte e corajoso em 1984, ainda mais porque fala na disposição do status quo de destruir um indesejável, mesmo o mais silencioso deles. Mas quase quarenta anos depois, a cacofonia é insuportável e fiquei pensando na necessidade da preservação do silêncio. Fazer do silêncio uma missão. Combater o ruído barulhento da vida de hoje e fazer do silêncio uma ação. Depois desconfiei que eu andava só querendo arrumar um discurso para rejeitar a ansiedade e abraçar a depressão. Narciso escolhendo o espelho do lago, sempre. 

E não é por coincidência que o recente caderno especial do NYT de Domingo com fotografias das nações africanas em processo de independência em 1960 tenha TODOS os textos assinados por africanos que moram na Europa ocidental ou nos Estados Unidos ou por filhos de imigrantes africanos. Do jogador Drogba a filhos de diplomatas e professores emigrados faz tempo. A invisibilidade da África que fala português não foi proposital - Portugal ainda se aferraria mais de uma década às suas colônias e por isso a ênfase foi em países onde se fala inglês ou francês como línguas francas. Mas a decisão de mascarar a preguiça primeiro-mundista com a desculpa de que se tratava de escolher "africanos cosmopolitas" me soou bem ridícula e preguiçosa. Como se não houvesse vida inteligente na África hoje em dia, nas pessoas trabalhando nas universidades e escrevendo da África. Elas são invisíveis para quem não quer ver. Mas as fotos são tão lindas e falam tanto por si, que compartilhei feliz o caderno nas redes sociais mesmo assim. Mas me ressinto um pouco dessa invisibilidade alheia que me priva de ler e conhecer o pensamento africano na África - para isso preciso fechar o jornal e procurar outros canais. Canais de contrabando cultural.   

Sunday, February 09, 2020

Obituário: Edward Kamau Brathwaite

Um poeta nascido em Barbados e profundamente influenciado pela sua experiência durante a independência de Ghana, Edward Kamau Brathwaite era capaz de poemas que eram quase uma letra de reggae:

Rise rise
locks-
man, rise
rise rise
leh we
laugh
dem, mock
dem, stop
dem, kill
dem, an go’
back back
to the black
man lan’
back back
to Af-
rica.

Mas Brathwaite também era capaz de outros riscos, experimentando com recordes de jornal e arranjos tipográficos de estilo concretista. Na obra dele se esconde o mundo da diáspora caribenha, inclusive o inglês que o africano mastigou, única experiência parecida com o português brasileiro, mastigado por bocas negras e indígenas até chegar a forma que ele hoje tem nas ruas das cidades brasileiras. 

Mais sobre ele aqui.

Friday, February 07, 2020

Os anos feridos no México de Fritz Glockner

Três rápidas entradas no livro Los años heridos, sobre a luta armada no México:


1. Marighella no final dos anos 60 no México:

“en cualquier librería de la Ciudad de México o de provincia, se podía conseguir por menos de veinte pesos el famoso libro Teoría y acción revolucionarias del brasileño Carlos Marighella, con su portada de revólveres liberadores”. [165]


2. Trecho de documento do próprio governo mexicano sobre o que depois se chamaria "a ditadura perfeita": 

“Por la acción de la propaganda política podemos concebir un mundo dominado por una Tiranía Invisible que adopta la forma de un gobierno democrático”.
Archivo General de la Nación [204]


3. Texto do presidente Echevarría, muito em sintonia com o conservadorismo brasileiro do século xxi:

“Surgidos de hogares generalmente en proceso de disolución, criados en un ambiente de irresponsabilidad familiar, víctimas de la descoordinación entre padres y maestros, mayoritariamente niños que fueron de lento aprendizaje; adolescentes con un mayor grado de inadaptación en la generalidad, con inclinación precoz al uso de estupefacientes en sus grupos, con una notable propensión a la promiscuidad sexual y con un alto grado de homosexualidad masculina y femenina; víctimas de la violencia; que ven muchos programas de televisión…”
Luís Echevarría, Cuarto Informe de Gobierno, 1974 [204/5]

Wednesday, February 05, 2020

Obituário - George Steiner

Trechos de discurso feito em Lisboa em 2009:


"O jardim de Goethe: atravessa-se o jardim em Weimar e encontramo-nos no terreno do campo de concentração de Buchenwald."

"A necessidade humana é frequentemente estúpida, desordenada, desprovida de beleza."

"Hoje construir um edifício significa que se aflora a física (a física dos materiais), a sociologia (um edifício é um complexo acto social), a economia (como financiá-lo? Como irá ele sustentar-se?), aborda questões sanitárias, é claro, envolve estudos ambientais; compreender o que significa construir, tentar parar aquilo que estamos a fazer às nossas cidades, tentar obter conhecimento, a encantadora expressão inglesa é to read a building, lire un bâtiment, da mesma forma que se lê um livro ou um poema, entender o seu significado. Não há campo algum que a arquitectura não abranja, que não alcance, e temos de fazer alguma coisa para parar a barbárie, o clamor do dinheiro, o fascismo do dinheiro, que está a destruir as nossas cidades, mas antes temos de aprender um pouco sobre isso."

"De Pitágoras (e, claro, também antes) aos dias de hoje, tem sido uma viagem constante de descoberta, uma viagem constante de enriquecimento. É talvez a actividade mais peculiar do homem. A matemática pura está vedada a qualquer outro animal, a qualquer outra forma de vida. A tremendamente inútil beleza transcendental da matemática. Forneceu aos seres humanos uma das poucas provas de que, de facto, somos capazes de evoluir nem que seja um pouco."

"A música é a linguagem de toda a gente, não conhece fronteiras, não carece de tradução, recusa ser parafraseada. E a música é uma actividade que nos diz que somos capazes de sentir. Sim, sabemos que há algo mais. Há algo que não somos capazes de dizer, há algo que não conseguimos explicar. E a música lembra-nos continuamente da possibilidade da transcendência, a possibilidade de haver algo mais."

"O fosso entre as humanidades e as ciências é o aspecto mais preocupante e nocivo da nossa presente condição académica."

"Um dia, recentemente, o Senhor Deus tornou-se muito impaciente connosco. Basta, é suficiente, é suficiente. Desta vez o dilúvio é a valer. Não haverá Noé, nem Arca. Desta vez, adeus. A notícia corre. Deus disse-nos: “Dez dias, tendes mais dez dias.” E, na pequena aldeia, as pessoas vieram ter com o Rabino: “Dez dias?” O Rabino replica: “Dez dias é tempo mais que suficiente para aprendermos a respirar debaixo de água.” Nous tous, il faut prendre à respirer sur l’eau. Mas será uma aventura fabulosa."

O discurso inteiro está aqui.