Tuesday, November 29, 2011

Mulheres enfezadas do Country 2 - Miranda Lambert

Mulheres enfezadas do Country 2 – Miranda Lambert

Miranda Lambert ao vivo no Austin City Limits, programa de shows ao vivo da PBS:

Watch Miranda Lambert "Gunpowder and Lead" on PBS. See more from AUSTIN CITY LIMITS.



Gunpowder & Lead
County road 233, under my feet
Nothin' on this white rock but little ole me
I've got two miles till, he makes bail
And if I'm right we're headed straight for hell

[Chorus:]
I'm goin' home, gonna load my shotgun
Wait by the door and light a cigarette
If he wants a fight well now he's got one
And he ain't seen me crazy yet
He slap my face and he shook me like a rag doll
Don't that sound like a real man
I'm going to show him what a little girl’s made of:
Gunpowder and lead

It's half past ten, another six pack in
And I can feel the rumble like a cold black wind
He pulls in the drive, the gravel flies
He dont know what's waiting here this time

chorus

His fist is big but my gun's bigger
He'll find out when I pull the trigger

Monday, November 28, 2011

Mulheres enfezadas do Country 1 - Gretchen Wilson



Redneck Woman

Well, I ain't never been the Barbie doll type
No, I can't swig that sweet Champagne, I'd rather drink beer all night
In a tavern or in a honky tonk or on a four-wheel drive tailgate
I've got posters on my wall of Skynyrd, Kid and Strait
Some people look down on me, but I don't give a rip
I'll stand barefooted in my own front yard with a baby on my hip
'Cause I'm a redneck woman
I ain't no high class broad
I'm just a product of my raising
I say, 'hey ya'll' and 'yee-haw'
And I keep my Christmas lights on
On my front porch all year long
And I know all the words to every Charlie Daniels song
So here's to all my sisters out there keeping it country
Let me get a big 'hell yeah' from the redneck girls like me, hell yeah
Victoria's Secret, well their stuff's real nice
But I can buy the same damn thing on a Wal-Mart shelf half price
And still look sexy, just as sexy as those models on TV
No, I don't need no designer tag to make my man want me
Well, you might think I'm trashy, a little too hardcore
But in my neck of the woods I'm just the girl next door
I'm a redneck woman
I ain't no high class broad
I'm just a product of my raising
I say, 'hey y'all' and 'yee-haw'
And I keep my Christmas lights on
On my front porch all year long
And I know all the words to every Tanya Tucker song
So here's to all my sisters out there keeping it country
Let me get a big 'hell yeah' from the redneck girls like me, hell yeah
Hey, I'm a redneck woman
And I ain't no high class broad
I'm just a product of my raising
And I say, 'hey y'all' and 'yee-haw'
And I keep my Christmas lights on
On my front porch all year long
And I know all the words to every ol' Bocephus song
So here's to all my sisters out there keeping it country
Let me get a big 'hell yeah' from the redneck girls like me, hell yeah
Hell yeah, hell yeah
Hell yeah
I said hell yeah!


gretchen wilson - redneck woman by lebira1

Vamos ver se esse aí toca no Brasil tbm!

Thursday, November 24, 2011

Copiando e sendo copiados ou o pior de dois mundos 2

No editorial do NYT, dados recentes do censo americano: 49.1 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza e 51 milhões quase lá, com renda menos de 50% acima da linha da pobreza. Somando os dois grupos dá um em cada três americanos vivendo no sufoco ou quase chegando lá. A desigualdade também caminha a passos largos no acesso à educação: a diferença entre a porcentagem de ricos e pobres que conseguem se formar na universidade cresceu 50% em 20 anos.

Monday, November 21, 2011

Copiando e sendo copiados ou o pior de dois mundos

[Ilustração:uma certa plataforma P36…]

Em 1995 a imprensa brasileira festejou a quebra do monopólio da Petrobrás sobre a exploração como um grande passo para a “modernização” da economia brasileira. Roberto Campos chegou a posar para os fotógrafos socando e chutando um um dinossauro de plástico que ele segurava pelo rabo enquanto dizia: "As estatais são assim. Têm o corpo pesado, uma cauda enorme e o cérebro mínimo."

Dezesseis anos mais tarde a Chevron – que não é estatal mas parece ser também pesada, dona de um enorme rabo e de um cérebro convenientemente mínimo – traz, suponho que como oferenda evangélica à Iemanjá, petróleo que vazouuma média de 330 barris por dia durante mais de uma semana” e ainda não estancou.

O diretor da ANAP, criada pelo príncipe FHC para administrar esse lindo “mercado livre à competição” parece que descobriu só agora que os caras da Chevron “não estavam preparados para executar o plano de abandono do poço que eles mesmo nos apresentaram.” O tal poço, aliás, foi perfurado pela mesma Transocean que já tinha trabalhado tão bem para a British Petroleum no Golfo do México. A tal aluna do Idelber Avelar deve estar mesmo certa quando diz que

"os EUA estão copiando tudo de ruim do Brasil e o Brasil está copiando tudo de ruim dos EUA"

Nosso ex-ministro Minc disse aos jornais – aparentemente, nunca se sabe – que essa tal Transocean é “pé-frio”. Sinceramente espero que daqui há 16 anos não estejamos nos lamentando sobre os desastres causados pelos pés-frios modernizadores que parece que vão executar Monte Belo. O Brasil não tem o direito de entrar o século XXI repetindo as mesmas barbaridades de 500 anos.


Sunday, November 20, 2011

"Fresh off the Boat", como eu aprendi a ser bilíngue


Para além do discurso de tolerância e cultivo à diversidade, nos Estados Unidos vive-se uma imensa pressão diária para que o imenso contingente de imigrantes se enquadre à cultura desse que é o menos globalizado dos países do mundo, mesmo porque globalização em termos culturais significa primordialmente americanização. Uma expressão comum mesmo entre crianças representa bem essa pressão: um pessoa é FOB ou "fresh off the boat" [algo como "com cheiro de quem acabou de desembarcar"], que significa que a tal pessoa ainda não consegue se comportar de forma a não chamar nenhuma atenção para si mesmo como diferente. Como é que uma criança se revela como "fresh off the boat" na escola? Pelos sapatos, meias, calça, cinto, camisa, casaco, penteado, mochila, cadernos, hábitos alimentares na hora do recreio, lancheira, tipo de lancheira, sotaque, vocabulário e sintaxe, pelo jeito de assentar na carteira, de guardar os cadernos, de cumprimentar a professora, de brincar, de praticar esportes, pelo tipo de esporte, por assistir televisão, pelos tipos de programa de televisão etc.
Nada de disso me soa estranho: eu já fui o único carioca numa escola com quinhentos mineiros no coração de Belo Horizonte.

Friday, November 18, 2011

A Família é a Espinha Dorsal do Brasil - Parte 2

Provo ainda com um relato resumido da saga da família Ramos:


Tudo começa com a chegada à costa brasileira do Cacique de Ramos, que saiu dos cafundós do sertão para descobrir o mar e assentou seu portentoso clã no piscinão que hoje leva seu ilustre nome. A data de sua chegada ao sul-maravilha comemora-se desde então no famoso domingo de Ramos – que seria feriado nacional se já não fosse no domingo. O venerando Cacique casou-se com Eliana Ramos, modelo anoréxica uruguaia, com quem teve dois filhos: Lílian e Graciliano. Lílian se aproveitou do carnaval para transformar-se na poderosa Condessa de Itamar e teve dois filhos: Nereu, o político artista urubu de presidentes e Nuno, o artista político criador de urubus. Já seu irmão, o infeliz Graciliano, acabou seus dias em desgraça acusado de honestidade ideológica pela primeira visita da grande inquisição ao Brasil, entre 37 e 45. Antes da transferência da soberania nacional de Portugal para a Inglaterra, Nereu casou-se com a estrela erótica Helena e teve dois filhos, Tony e Lázaro – conhecidos como os reis das artes dramáticas pindorâmicas. Outro ramo [permita-me o trocadilho acidental] da família desceu de trem em busca de um sul mais sul e estabeleceu-se em Santa Catarina, em torno da presença frondosa do Governador Celso, meio-irmão do Cacique. Apesar das praias de água fria e infestadas de argentinos, o Governador Celso adaptou-se bem ao clima quase temperado e casou-se com Ofélia Ramos, cozinheira de mão cheia e cabeleira formidável. Juntos Ofélia e o Governador Celso tiveram quatro renomados filhos: Lucy (modelo de novela de renome), Mauro (beque central de renome), Arthur (psicólogo afro de renome) e Saulo (advogado Sarneyzólogo de renome).

Thursday, November 17, 2011

A Família é a Espinha Dorsal do Brasil - Parte 1

[nota do editor: dizem que um comunista ateu fugido do campus da USP sabotou um encontro da SOTRAFABA - Sociedade Tradicional Família Paulista - derretendo cubos de substâncias ilícitas no chá das vetustas senhoras e senhôros. Não sei, mas aí está a ata da tal reunião.]


A Família é a Espinha Dorsal do Brasil - Parte 1


A família é a espinha dorsal do Brasil.

Provamos citando alguns dos nossos clãs mais famosos e seus luminares:


- os Maia, Agripino, Wolf, Tim e César;
- os Motta, Sérgio, Zezé e Ed;
- os de Andrade, Mário, Oswald e Carlos Drummond;
- os Santos, Milton, Nílton e Sílvio;
- os Gonçalves, Nelson, Dercy e Milton;
- os Santana, Dedé, Telê, Joel e Afonso Romano de;
- os Carreiro, Tônia e Beto;
- os Camargo, Hebe e Zezé di;
- os Cardoso, Fernando Henrique, Elizeth e Newton;
- os Vianna, Mário, Tião, Herbert e Hermano;
- os Duarte, Lima, Gabriela e Regina;
- os Gomes, Mário, Ciro, Cid e Dias;
- os Meireles, Cecília, Fernando e Henrique;
- os Morais, Vinícius, Antônio Ermírio e o sanguinário quarto-zagueiro do Cruzeiro.

Wednesday, November 16, 2011

Poesia Minha - Mash-Up

Mash-up – Cláudia Roquette-Pinto

Desde o centro, corpo adentro

dorme a explicação nos intervalos

entre lençóis de cal.

Emerge dum mar de águas anuladas

um dois pontos insólito,

espaçado, desatento:

uma idéia em combustão

deitada em dunas de pólvora;

um botão incipiente,

um fogo contido

no recorte da janela.

Mais tarde,

sob o fermento do sol,

sem margem de manobra,

com a lucidez estranha da vidraça

que a pedra acaba de acertar,

procuro me perdendo em coisas

que nos outros são migalhas.

No assédio de tudo que me toca,

sob o tampo da tarde que estupora,

emerge dum mar cachorro imenso,

vomitando espuma de bile,

a centopéia de carros

que se arrasta para dentro do viaduto.

A noite verte olhos de amoroso

interesse. Desabotoa

entre os meus dedos

as pálpebras de cobre.

Entre o vão das costelas

vejo as listras do tigre

aflorando do mergulho

na cortina de bambus.

Deste odre enganador

ou dessa vidraça alguma

coisa se debruça:

despenca ladeira abaixo

uma paisagem mental semente

do poema morte.

Monday, November 14, 2011

Identidade, língua e os penetras no baile da cultura

Três trechos interessantes do ensaio biográfico de Saul Bellow que o New York Review of Books publicou:

Sobre identidade:

“So, in my first consciousness, I was, among other things, a Jew, the child of Jewish immigrants. At home our parents spoke Russian to each other, we children spoke Yiddish with them, and we spoke English with one another. At the age of four we began to read the Old Testament in Hebrew, we observed Jewish customs, some of them superstitions, and we recited prayers and blessings all day long. Because I had to memorize most of Genesis, my first consciousness was that of a cosmos, and in that cosmos I was a Jew. I suppose it would be proper to apply the word ‘archaic’ to such a representation of the world as I had—archaic, prehistoric. This was my ‘given’ and it would be idle to quarrel with it, to try to revise or efface it.”

Sobre a língua materna:

“One’s language is a spiritual location, it houses your soul. If you were born in America all essential communications, your deepest communications with yourself, will be in English—in American English. You will neither lie nor tell the truth in any other language. Without it no basic reckonings can be made. You will not reflect on your own death in Hebrew or in French. Your English is the principal instrument of your humanity. And when the door of the gas chamber was shut many of the German Jews who called upon God for the last time inevitably used the language of their murderers, for they had no other.”

Sobre os “penetras” no baile da cultura ocidental:

In twentieth-century Europe the métèque writers appear in considerable numbers. Métèque is defined in French dictionaries as “outsider” or “resident alien,” and the term is pejorative. The word appears in the OED as “metic,” although it is not in general use here. The novelist Anthony Burgess refers to métèques and makes a strong defense of the métèque writer—the nonnative who, being on the fringe of a language and the culture that begot it, is alleged to lack respect (so say the pundits) for the finer rules of English idiom and grammar, for “the genius of the language.” For, says Burgess, the genius of the English language, being plastic, is as ready to yield to the métèque as to the racially pure and grammatically orthodox:

If we are to regard Poles and Irishmen as métèques there are grounds for supposing that the métèques have done more for English in the twentieth century (meaning that they have shown what the language is really capable of, or demonstrated what English is really like) than any of the pure-blooded men of letters who stick to the finer rules.

Burgess’s Irishman is Joyce, his Pole Joseph Conrad, and we can easily add to his list Apollinaire in French, Isaac Babel, Mandelstam, and Pasternak in Russian, Kafka in German, Svevo in Italian (or Triestine), and for good measure V.S. Naipaul or Vladimir Nabokov. Indeed it is not easy in this cosmopolitan age to remove the métèques from modern literature without leaving it very thin.

[…]

In the US, a land of foreigners who may or may not be in the process of forming a national type (who can predict how it will all turn out?), a term like métèque or metic is inapplicable. To renew the purity of the tribe was a French project, and a man whose French is acceptable to the French is, at least in the act of speaking, a claimant to aristocratic status. But gentile New York and Brahmin Boston never dominated American speech, and the aristocratic pretensions of easterners were good for a laugh in the rest of the country. Yet when our own metics, the Jewish, Italian, and Armenian descendants of immigrants, began after World War I to write novels, they caused great discomfort, and in some quarters, alarm and anger.”

Saturday, November 12, 2011

Calle 13 e Companhia

Latinoamérica – Calle 13

Os portorriquenhos do Calle 13 com a colombiana Totó La Momposina, a peruana Susana Baca e a brasileira Maria Rita:






Soy, Soy lo que dejaron, soy toda la sobra de lo que se robaron. Un pueblo escondido en la cima, mi piel es de cuero por eso aguanta cualquier clima. Soy una fábrica de humo, mano de obra campesina para tu consumo Frente de frio en el medio del verano, el amor en los tiempos del cólera, mi hermano. El sol que nace y el día que muere, con los mejores atardeceres. Soy el desarrollo en carne viva, un discurso político sin saliva. Las caras más bonitas que he conocido, soy la fotografía de un desaparecido. Soy la sangre dentro de tus venas, soy un pedazo de tierra que vale la pena. soy una canasta con frijoles , soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles. Soy lo que sostiene mi bandera, la espina dorsal del planeta es mi cordillera. Soy lo que me enseño mi padre, el que no quiere a su patria no quiere a su madre. Soy América latina, un pueblo sin piernas pero que camina.

Tú no puedes comprar al viento.

Tú no puedes comprar al sol.

Tú no puedes comprar la lluvia.

Tú no puedes comprar el calor.

Tú no puedes comprar las nubes.

Tú no puedes comprar los colores.

Tú no puedes comprar mi alegría.

Tú no puedes comprar mis dolores.

Tengo los lagos, tengo los ríos. Tengo mis dientes pa` cuando me sonrío. La nieve que maquilla mis montañas. Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña. Un desierto embriagado con bellos de un trago de pulque. Para cantar con los coyotes, todo lo que necesito. Tengo mis pulmones respirando azul clarito. La altura que sofoca. Soy las muelas de mi boca mascando coca. El otoño con sus hojas desmalladas. Los versos escritos bajo la noche estrellada. Una viña repleta de uvas. Un cañaveral bajo el sol en cuba. Soy el mar Caribe que vigila las casitas, Haciendo rituales de agua bendita. El viento que peina mi cabello. Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello. El jugo de mi lucha no es artificial, Porque el abono de mi tierra es natural. Tú no puedes comprar al viento.

Tú no puedes comprar al sol.

Tú no puedes comprar la lluvia.

Tú no puedes comprar el calor.

Tú no puedes comprar las nubes.

Tú no puedes comprar los colores.

Tú no puedes comprar mi alegría.

Tú no puedes comprar mis dolores.

Você não pode comprar o vento

Você não pode comprar o sol

Você não pode comprar chuva

Você não pode comprar o calor

Você não pode comprar as nuvens

Você não pode comprar as cores

Você não pode comprar minha felicidade

Você não pode comprar minha tristeza

Tú no puedes comprar al sol.

Tú no puedes comprar la lluvia.

(Vamos dibujando el camino, vamos caminando)

No puedes comprar mi vida.

MI TIERRA NO SE VENDE. Trabajo en bruto pero con orgullo, Aquí se comparte, lo mío es tuyo. Este pueblo no se ahoga con marullos, Y si se derrumba yo lo reconstruyo. Tampoco pestañeo cuando te miro, Para q te acuerdes de mi apellido. La operación cóndor invadiendo mi nido, ¡Perdono pero nunca olvido! (Vamos caminando) Aquí se respira lucha. (Vamos caminando) Yo canto porque se escucha. Aquí estamos de pie ¡Que viva Latinoamérica! No puedes comprar mi vida.

Friday, November 11, 2011

Falando com a língua do inimigo

Art Spiegelman em depoimento sobre os momentos que antecedem o projeto Maus em depoimento recente à New York Review of Books:


"I began to read what I could about the Nazi genocide, which really was very easy because there was actually rather little available in English. The most shockingly relevant anti-Semitic work I found was The Eternal Jew, a 1940 German “documentary” that portrayed Jews in a ghetto swarming in tight quarters, bearded caftaned creatures, and then a cut to Jews as mice—or rather rats—swarming in a sewer, with a title card that said “Jews are the rats” or the “vermin of mankind.” This made it clear to me that this dehumanization was at the very heart of the killing project.


In fact, Zyklon B, the gas used in Auschwitz and elsewhere as the killing agent, was a pesticide manufactured to kill vermin—like fleas and roaches.


As I began to do more detailed and more finely grained research for the longer Maus project, I found how regularly Jews were represented literally as rats. Caricatures by Fips (the pen name of Philippe Rupprecht) filled the pages of Der Stürmer; grubby, swarthy, Jewish apelike creatures in one drawing, ratlike creatures in the next. Posters of killing the vermin and making them flee were part of the overarching metaphor. It’s amazing how often the image still comes up in anti-Semitic cartoons in Arab countries today."


Quem não conhece Maus não sabe o que está perdendo!


Wednesday, November 09, 2011

Recordar é viver: Tocqueville e a trilha de lágrimas


Em 1831, durante sua longa viagem pelos Estados Unidos, Tocqueville viu os índios Chickasaw e Choctaw, expulsos do estado do Mississippi, atravessando o rio Mississippi em direção a Oklahoma, uma longa e dolorosa peregrinação conhecida como Trail of Tears [Trilha de Lágrimas, termo que algumas pessoas usam para todas as remoções de tribos e outros apenas para a dramática viagem dos Cheroquis da Geórgia até Oklahoma, quando um terço da tribo morreu - aqui uso o termo em geral]:

“Os índios traziam suas famílias consigo; entre eles estavam os feridos, os doentes, crianças recém-nascidas e idosos a ponto de morrer. Eles não tinham barracas nem carroças; apenas algumas provisões e armas. Eu os vi embarcar para atravessar o grande rio, e o que vi nunca vai se apagar da minha memória. Nenhum soluço ou queixa se levantava daquele agrupamento silencioso. Suas aflições vinham de muito tempo e eles as sentiam como irremediáveis.”

Segue-se uma reflexão arguta para quem quer realmente compreender a cultura dos Estados Unidos:

“Os espanhóis, com atrocidades que os marcaram com vergonha indelével, não conseguiram exterminar a raça indígena nem puderam fazer com que os índios não compartilhassem seus direitos. Os Estados Unidos conseguiu ambos resultados com incrível facilidade, calmamente, legalmente e filantropicamente, sem derramar sangue e sem violar sequer um dos grandes princípios da moralidade ante os olhos do mundo. Impossível destruir seres humanos com mais respeito pelas leis da humanidade.”

Tuesday, November 08, 2011

Nacional e importado - Parte 2


Por outro lado, andam circulando na internet umas fotografias de um lugar qualquer onde se lê na parede “lã rause”. Seguiram-se comentários diversos do tipo “coitados desses ignorantes”. Suponho que esses defensores da ortografia inglesa deveriam escrever assim:

Ela aparou as unhas e guardou seu allikkát no toilette. Pendurou seu peignoir um pouco demodée no cabide, ligou seu velho abat-jour de vitraux vermelho e se aconchegou sob o édredon de zaitum, pronta para ler um pouco mais do seu almanakh favorito.

Ou talvez assim:

Meu team de football tem um back terrível: escorrega o tempo todo como se o gramado fosse feito de al-zuleij, faz penalties a granel e não sabe nem cobrar um corner direito.

Ou ainda assim:

Dei ciao ao mecânico e fechei o capot do meu Ford mas, quando checkei minha mochila, percebi que deixei lá dentro um pacote de spaghetto, meu tabuleiro de shatranj e meu bonnet novo!

Monday, November 07, 2011

Poesia Americana 4: Claudia Rankine

Claudia Rankine conseguiu elogios de dois partidos da poesia americana que parece que nunca gostam da mesma coisa… O suficiente para atrair a implicância de muitos, o que parece ser sinal de sucesso inescapável no mundinho da poesia. Para mim, sem muita pretensão de dizer muito porque eu tenho muito o que fazer hoje, ela teve uma grande sacada ao escolher não fazer a velha e batida prosa poética mas sim uma coisa que a gente poderia chamar de poesia prosaica.


Um trecho:

“Minha mãe me diz que eu estou só ficando na espera. Ela diz isso com a intenção de me dar um empurrão para eu não ficar na espera. Ela quer que eu leve uma vida legível – uma vida que possa ser lida como algo que vale a pena, como um sucesso. Minha mãe não está preocupada demais com felicidade, a busca, infrutífera ou não, da felicidade. Até onde ela se lembra, só há dor ligada à alegria de dar a luz. Ela se lembra da dor e quer que a dor tenha valido a pena, em nome de uma vida razoável.

Eu observo a boca da minha mãe se movendo e me pergunto: eu tenho muita prisão de ventre? Já vomitei amor ou regurgitei vergonha? Tem alguma coisa errada comigo?”


Trecho de Don't Let Me Be Lonely

Friday, November 04, 2011

Rir para não chorar



Quem é que O Globo procura para discutir a crise na Europa? Ninguém menos que o pai do corralito argentino, um dos responsáveis por um desastre econômico de proporções cataclísmicas na Argentina em 2001: PIB encolhido em mais de 10%, mais da metade do país abaixo da linha pobreza e um quarto em pobreza extrema.
Só mesmo lembrando o filme de Pino Solanas, Memoria del saqueo.

Thursday, November 03, 2011

Nacional e importado


O Halloween é uma festa popular nos Estados Unidos. Uma multidão de crianças e jovens e alguns adultos de todas as classes veste fantasias de todo tipo [com destaque para o tétrico, especialmente nas crianças após os dez anos e adultos]. Várias lojas vazias [coisa muito comum na economia atual] são alugadas durante um mês por gente vendendo todo tipo de fantasia, inclusive uma farta sessão de lingerie mais ou menos vagamente erótica. Quando cai a noite ou logo depois do jantar [que aqui é servido bem mais cedo], essa multidão mascarada e fantasiada sai pelas ruas pedindo doces e dando trotes no frio ainda suportável do outono. Quem quer receber os “foliões” compra baldes e baldes de doces e balas e decora a casa com motivos de terror.

Parece que o Halloween está sendo adotado no Brasil, suponho que adaptado, mesmo que por ignorância. Isso causa horror em algumas pessoas que vêem nisso uma babação de ovo para com tudo o que vem dos Estados Unidos [verdade] e uma perigosa descaracterização da cultura nacional [mentira]. Se eu já acho defender a pureza cultural da França ou da Alemanha uma farsa mal-ajambrada, imagine fazer a mesma coisa com qualquer país das Américas.

Basta olhar para trás para descobrir que a “alma nacional” é tão pura quanto a água do Tietê. Um exemplo é nossa festa mais nacional: o carnaval. Para celebrar os quatro dias antes da quarta-feira de cinzas que marca o começo da quaresma sem os “excessos” do entrudo, o carnaval foi introduzido no Brasil como uma festa bem comportada, civilizada, claramente importada, européia. Um empréstimo estrangeirizante, assim como já foram a manga, a jaca, o coco, o trigo, o frango e o arroz. Empréstimos que após gerações tornaram-se parte integrante da cultura nacional.

A Europa é diferente? Pense na culinária “típica” dos países europeus sem as importações de ingredientes estrangeiros. A Itália sem o macarrão dos chineses e o tomate da América do sul. A Alemanha e Inglaterra sem a batata também sul-americana. A Suíça sem o chocolate centro-americano. A França sem a pimenta do reino. Portugal sem o bacalhau dos mares do norte.

Wednesday, November 02, 2011

Dia do mortos com José Guadalupe Posada e poesia minha


Cantiga da fratura exposta

Faustus: Where are you damn’d?

Mephistophilis: In Hell.

Faustus: How comes it then that thou art out of hell?

Mephistophilis: Why this is hell, nor am I out of it.

Pobre esqueleto enterrado em mim,

sonha em ser livre e não sabe:

do corpo ao caixão,

mudamos de cela;

A morte não leva a nada.

Tuesday, November 01, 2011

Da série tenho preguiça de:

4. E finalmente [já estou com preguiça dessa série preguiçosa] tenho preguiça de críticos que, muitas vezes partindo de um dado biográfico qualquer, tascam um rótulo vago no trabalho de alguém. Se o autor é mulher o cara já vem logo dizer que é uma escrita “delicada” ou “feminina”.

Esse uso meio descabelado de adjetivos só é pior na música, onde críticos que às vezes mal sabem tocar campainha falam em “harmonias de fundo”, “melodias hipnóticas”, “ritmos alucinantes”, “tambores selvagens”, “guitarras nervosas”, “vocais pungentes” e outras combinações igualmente estrambóticas.