Tuesday, November 01, 2011

Da série tenho preguiça de:

4. E finalmente [já estou com preguiça dessa série preguiçosa] tenho preguiça de críticos que, muitas vezes partindo de um dado biográfico qualquer, tascam um rótulo vago no trabalho de alguém. Se o autor é mulher o cara já vem logo dizer que é uma escrita “delicada” ou “feminina”.

Esse uso meio descabelado de adjetivos só é pior na música, onde críticos que às vezes mal sabem tocar campainha falam em “harmonias de fundo”, “melodias hipnóticas”, “ritmos alucinantes”, “tambores selvagens”, “guitarras nervosas”, “vocais pungentes” e outras combinações igualmente estrambóticas.

2 comments:

Anonymous said...

Bom, eu devo confessar que "melodias hipnoticas" ou "ritmos alucinantes" me parecem bem plausiveis. Nao?

Paulodaluzmoreira said...

Plausíveis, mas também são imagens vagamente poéticas [geralmente basedas em prosopopéias, dando atributos humanos a elementos musicais] transformadas em clichés. Adjetivos como sonolento, hipnótico, cansado, cansativo, melancólico, sombrio, repetitivo, obsessivo não explicam muito se vc não conhece a música de que o sujeito está falando.