Monday, June 06, 2011

Poesia Minha - Quinnipiac


[Foto: vista do rio Quinnipiac em New Haven. Do lado de cá o bairro latino e as fábricas abandonadas. Do lado de lá, mais do mesmo...]


Eu não costumo escrever poesia em inglês, mas apareceu um concurso numa livraria da minha cidade - iam dar um prêmio em vale-livros e pendurar o poema no café da livraria - e eu resolvi que queria concorrer.

Adoro esse trecho do rio Quinnipiac, cortando a cidade pouco antes de chegar ao mar. Há quem diga que o rio Charles [que passa perto de Harvard], rio que tem papel importante na parte narrada por Quentin Compson em The Sound and the Fury é na verdade o Quinnipiac, que Faulkner conhecia de perto por ter passado um tempo sapeando por New Haven. Misturei nesse caldo ainda uma pitada de Clarice Lispector e meia xícara de Guimarães Rosa, cujos contos estava ensinando em inglês nesse longo e tenebroso inverno que passou, e deu nisso aí.

Bom, terminei o trem uns cinco dias antes do prazo e fui cuidar da minha vida. Quando vi, deixei passar o prazo do concurso e não concorri a nada.


Quinnipiac

This was where I saw the river for the last time this morning, about here.

The Sound and the Fury

the last lights

supine and tranquil

pieces of broken mirror

glinting beyond things

its curves out of sight

beyond the twilight

beyond the dusk

the water

lights in the pale clear air trembling

a little like butterflies


I cross the Quinnipiac

the bridge arches slow

high between silence and nothingness


on the other side

all laid before me

cleansed of everything else

the food

not its name

in the name of nothing

in the name of nobody

empty of dreams

there was no sacrifice

hunger born

just as the ripe fruit

reach the open mouth


but it was also death

and I trembled down deep

and I turned away

and I ran away


that was the cold that comes with fear

this is the illness

in the droplet almost impalpable

the immense edifice

the old scars itching

the three cheers to resentment

spilled on the table

a million forms of solitude

everywhere in the house

something in the light itself

strongest until I lie in bed thinking

the draft in the door

a damp steady breath of water

when it blooms and rains in the spring


now I’m the one who never was

but hear me out

when I am dead and gone

lay me right smack in the middle

of the big deep quiet unceasing water

the deep undercurrent

between the two long cold endless banks

the third bank of this river

so far so wide apart

then I down the river

out in the river into the river

I, the Quinnipiac.

2 comments:

sabina anzuategui said...

gostei, embora seja muito estranho ler algo em ingles escrito por um brasileiro. (em geral) com exceção do clássico "feelings", claro.

a proposito, uma amiga me contou que tem uma moda das jovens moderninhas em são paulo de conversar misturando frases em ingles. que medo.

Paulodaluzmoreira said...

Eu escrevo no trabalho em inglês mas aí é outra história, né?
Agora essa novidade das modernetes de São Paulo... deve ser ótimo para se acompanhar aqueles baldes de café queimado que eles servem no estarbãques!