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Showing posts from February, 2026

Pindorama e seus indesejáveis

O que é um vagabundo? No Brasil do século XIX o termo se referia a alguém que, não tendo domicílio fixo, "vagava" e portanto não podia responder a qualquer processo em liberdade. No momento em que procurava-se estabelecer formalmente um regime legal teoricamente democrático, os nossos respeitáveis homens de bem no congresso nacional faziam questão de deixar de fora os "vagabundos". Essas pessoas eram, portanto, privadas do direito básico da democracia liberal de serem inocentes até prova do contrário. Essas pessoas eram, na maioria, negros recém libertos com uma mão na frente e outra atrás.  No Brasil do século XXI, o termo vagabundo tornou-se o xingamento clássico do bolsonarismo. Não é por menos. Quem vaga sem domicílio pelas cidades brasileiras são os sem-teto (os sem lar [ homeless ] em inglês). Vejam o caso de declarações recentes do "moderno" governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Primeiro ele diz querer "resolver" o problema: Eu quero res...

RIP - João Adolfo Hansen

João Adolfo Hansen dando um pouco de rigor ao renascimento de Gregório de Matos no Brasil a partir do fim dos anos 60 em trecho do seu livro  Sátira e Engenho (1989), criticando o que ele chama de "anacronismo de noções interessadas":  Categorias como “pessimismo”, “ressentimento”, “plágio”, “imoralidade”, “realismo”, “oposição nativista crítica”, “antropofagia”, “libertinagem”, “revolução”, que vêm sendo aplicadas por várias críticas desde o século XIX aos poemas dittos da autoria de Gregório de Matos, podem ter algum valor metafórico de descrição de um efeito particular de sentido produzido pela recepção. Não dão conta historicamente, contudo, do seu funcionamento como prática discursivo de uma época que, desde a obra de Heinrich Wölfflin, o século XX constitui neokantianamente como “barroca”: como categorias analíticas, são apropriadas antes para o desejo e o interesse do lugar institucional da apropriação do que propriamente para o objeto dela. (33)    Em outras...

Fevereiro de 1987, Brasil

 Cinco momentos importantes do discurso que Ulysses Guimarães fez no dia dois de fevereiro de 1987, quando foi promulgada a Constituição Brasileira.  E é só cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa. Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. A sociedade sempre acaba vencendo, mesmo ante a inércia ou o antagonismo do Estado. A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram. (Aplausos acalorados) A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja o nosso grito. Mudar para vencer. Muda Brasil