Monday, September 17, 2007

Soneto da fúria

"Porém meu ódio é o melhor de mim"

A minha fúria só viu pasto
de onde come a sua ira,
que à distância zero parecia
merda pura, contra a qual achava

que lutava a luta justa.
Injusta e errada – eu assumo –
(não é pura, a merda, nem é tudo)
é ainda a minha mesma fúria

o motor maior que me comove.
Que a minha fúria, com a sua crosta,
açucarado rancor profundo

repetente na sua sina pobre
de chocar o medo em sua cova,
não me impeça a comunhão com o mundo.

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