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Quatro vezes 7 de setembro

 

Em 1841 o pintor René Moreaux imaginou assim a proclamação da independência do Brasil no dia 7 de setembro de 1822. A ideia de uma monarquia constitucional não era de todo estranha. Lafayette defendia o sistema na época da revolução francesa e os próprios franceses experimentariam com ela em 1830 com o "rei cidadão" Louis Philippe e o regime durou até a revolução de 1848.


no finalzinho da monarquia o pintor brasileiro Pedro Américo pintou o famoso Grito do Ipiranga, bem mais movimentado e com direito a uma audiência algo ambivalente do outro lado da cerca: um lavrador com seu carro de boi levando madeira recém-cortada, um fazendeiro no lombo do cavalo que parece estar olhando não exatamente para o imperador e sua trupe e de um segundo lavrador com uma mula carregada. Um ano depois a monarquia estaria aniquilada no dia 15 de outubro.



Praticamente a redação inteira do jornal independente O Pasquim tinha sido presa em 1970. Depois da publicação dessa charge, na qual Jaguar coloca a frase da canção de Jorge Benjor na boca de D. Pedro I, o cartunista também entrou pelo cano e ficou preso dois meses. O mocotó tinha poderes subversivos pelo jeito: Erlon Chaves tinha cantado a canção no V Festival da Canção e teve que depor na polícia. O periódico continuou nas bancas, trazendo material de colaboradores como Chico Buarque, Rubem Fonseca, Glauber Rocha e Odete Lara. No mesmo ano de 1970, um grupo de extrema-direita botou, de madrugada, uma bomba com 5 quilos de dinamite na sede do jornal, um sobrado em Botafogo. Por sorte, devido a um defeito no dispositivo detonador, a bomba não explodiu e foi desativada por peritos da polícia. 1971 marca o começo do fim do Pasquim. Os jornaleiros se recusavam a vender o jornal, com medo de terem suas bancas incendiadas. Os leitores não tinham coragem de levar O Pasquim na mão. Grandes anunciantes cancelavam contratos com receio de retaliação do regime militar. 


No dia 25 de abril de 1984, o cartunista Caruso publicou essa charge ligando o famoso quadro de Pedro Américo a luta pela volta das eleições diretas para presidente. Estão o futuro presidente Luís Inácio Lula da Silva [no papel de lavrador], o ultimo vice-presidente (civil) da ditadura militar Aureliano Chaves (fazendeiro com cara de paisagem) e figuras como Tancredo Neves, Franco Montoro, Leonel Brizola, Ulisses Guimarães, Dante de Oliveira (autor da emenda que não foi aprovada no congresso), o presidente militar João Batista FigueiredoPaulo Maluf, Válter Pires e o infame Newton Cruz. As primeiras eleições diretas para presidente infelizmente tiveram que esperar até 1989.







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