Sunday, April 24, 2016

Poema meu: História Permanente / Democrazy / Out the Killer

Arte Minha: Democrazy for heaven's sake / Common Ground Jogo Bruto


História Permanente

Eis aqui meu primeiro novo mito:
Escrever é cantar e dançar
de dentro pra fora
a mão na caneta
no papel com tinta
Ler é dançar e cantar pelos olhos
de fora pra dentro.
Tudo distante, tudo deserto,
tudo cantado, tudo perfeito,
mas a cada respiro, um poema
e um novo intercâmbio
do mundo lá fora
com o mundo cá dentro.
Somos bichos de suspiros,
animais musicais
que amam a dança
e se recriam no canto.
Cantar e dançar
de dentro pra fora
de fora pra dentro.

Eis meu mito mais antigo:
Havia um tempo antes de todos nós,
quando a terra girava em torno do sol,
que parecia cruzar o céu de leste a oeste
iluminando tudo mais que já existia
e em torno da terra girava a lua,
que esvaziava e enchia no céu escuro,
justo com o inchar e desinchar das marés silenciosas.
E os animais nasciam, viviam e morriam
na mais pura e inocente injustiça,
e ninguém dava pela falta de absolutamente nada.
Tudo distante, tudo deserto,
tudo cantado, tudo perfeito:
nada mais a fazer senão assistir descarnado
esse deserto sem gente.
Nada a propor, nada a esperar, nada a crer.


Imagem minha: Out the Killer

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