Wednesday, April 27, 2016

Sobre a proximidade entre cães e seres humanos

Arte minha: nó da terra

Sobre a proximidade entre cães e seres humanos

"Enquanto eu te fazia à minha imagem, tu me fazias à tua"
O crime do professor de matemática 


Um cão adora comer carne e beber sangue mas, não sendo nunca o mais forte, aprende a roer ossos. A metonímia é a pedagogia da pobreza. 

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Um cão vigia um osso e espera até que outro se aproxime. Só então, num súbito ataque de volúpia, ele agarra o osso que agora é seu e o esmaga entre as mandíbulas. 

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O ser humano acredita que o amor do seu cão é uma questão de temor reverencial. O cão acredita no amor daquele que o alimenta.

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O cão encontra o primeiro ovo e o come cru. O dono do galinheiro cozinha um segundo ovo em água fervendo e chama o cão, que chega abanando o rabo. O ser humano abre a boca do cão e enfia o ovo quente lá dentro, trancando com as mãos as mandíbulas do animal desesperado em volta do segundo ovo. A pedagogia do dono do galinheiro lhe custa dois ovos. O cão perde para a sempre a vontade de comer ovos cozidos. 

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Quatro cães escutam seu dono discursar sobre o poder supremo das ideias e da fé.
O primeiro decide crer no sabor delicado e poder nutritivo das pedras e quebra os seus dentes.
O segundo começa a descrer na gravidade e pula do telhado da casa estragando as pernas.
O terceiro passa a noite deitado na neve e inventa um novo processo de mumificação.
O quarto deixa de acreditar na necessidade de respirar, se joga em águas profundas e aprende a nadar. 

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Arte Minha: Pastor

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