Wednesday, July 30, 2008

Soneto da fúria

Trouxa, Artur Barrio, 1969
Tecido, barbante, tinta industrial


Soneto da fúria

Porém meu ódio é o melhor de mim

A minha fúria só viu pasto
de onde come a sua ira,
que à distância zero parecia
merda pura, contra a qual achava
que lutava a luta justa.
Injusta e errada – eu assumo –
(não é pura, a merda, nem é tudo)
é ainda a minha mesma fúria
o motor maior que me comove.
Que a minha fúria, com a sua crosta,
açucarado rancor profundo
repetente na sua sina pobre
de chocar o medo em sua cova,
não me impeça a comunhão com o mundo.

1 comment:

Anonymous said...

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