Thursday, January 16, 2014

Bomfim e os males de origem

Dois dos trechos mais contundentes de um livro contundente, América Latina - Males de Origem de Manuel Bomfim:

"Feita a independência, nós os vamos encontrar por toda parte – a
esses realistas de ontem, conservadores de sempre: “monarquistas e
clericais” no México, “conservadores” no Chile, “unitaristas” no Rio da
Prata, “bragantistas e moderados” no Brasil... Aderindo, incorporando-se
aos primitivos lutadores da liberdade, eles plantam a cizânia, deturpam os
ideais, fomentam ambições, exploram fraquezas e misérias, cavam
divergências; e a luta se reacende, revoltas e conflitos, em nome de outros
princípios, mas entretidos, no fundo, pelas mesmas causas."



"As classes dirigentes, herdeiras diretas, continuadoras indefectíveis das tradições
governamentais, políticas e sociais do Estado-metrópole, parecem incapazes
de vencer o peso dessa herança; e tudo o que o parasitismo peninsular
incrustou no caráter e na inteligência dos governantes de então, aqui se
encontra nas novas classes dirigentes; qualquer que seja o indivíduo,
qualquer que seja o seu ponto de partida e o seu programa, o traço ibérico lá
está – o conservantismo, o formalismo, a ausência de vida, o
tradicionalismo, a sensatez conselheiral, um horror instintivo ao progresso,
ao novo, ao desconhecido, horror bem instintivo e inconsciente, pois que é
herdado."

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