Wednesday, February 10, 2016

Babylon & Pindorama entre o stop&frisk e o esculacho de todos os dias e os Michael Browns e as chacinas de todos os anos



Claudia Rankine, uma excelente poeta em atividade nos EUA
"Stop and Frisk" é o nome dado a uma prática policial. O policial aborda e revista um "indivíduo qualquer" baseado em "uma suspeita razoável" de atividade criminal. Os indivíduos quaiquer são quase invariavelmente negros ou latinos e a suspeita fica por conta da imaginação do policial em questão. Claudia Rankine fez um poema/script e John Lucas um vídeo com o título "Stop-and-Frisk", que vocês podem assistir acima. 

O refrão diz o seguinte:

E você não é o suspeito mas ainda assim você se enquadra na descrição do suspeito porque só há um suspeito que é sempre o suspeito que se enquadra na descrição.
[no original: And you are not the guy and still you fit the description because there is only one guy who is always the guy fitting the description.]

Práticas de abordagem frequentemente muito mais agressivas são rotina no Brasil e são conhecidas pela população pelo nome de "esculacho".
Ricardo Aleixo, um excelente poeta em atividade no Brasil

Claro que eventualmente o stop&frisk/esculacho de todos os dias descamba para algo bem mais chocante. Sobre esses momentos tristes que se repetem com uma regularidade ainda mais triste, convido vocês a lerem o poema de Ricardo Aleixo "Na noite calunga do bairro Cabula", que começa assim [o poema pode ser lido na íntegra com ilustrações feitas pelo autor aqui]:



Na noite imóvel, a
mais longa e espessa,


morri quantas vezes
na noite calunga?

A noite não passa
e eu dentro dela

morrendo de novo
sem nome e de novo

morrendo a cada
outro rombo aberto

na musculatura
do que um dia eu fui.

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