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O tango e a dança selvagem no Brasil ou vamos virar o disco




“Para cada problema complexo há uma resposta clara, simples e errada”.
"For every complex problem there is an answer that is clear, simple, and wrong."
H. L. Mencken

Cidadão brasileiro do século XXI amante da música brasileira, por favor, leve em consideração que:

1. Duas grandes, fundamentais composições da música brasileira [ "Odeon" de Ernesto Nazareth e "Gaúcho" também conhecida como "Corta-Jaca" de Chiquinha Gonzaga e] são TANGOS. 
Tendo isso em mente, re-ouçam "Odeon" com Yamandu Costa e Roee Ben Sira:


e re-ouçam "Gaúcho" com Paulo Moura e Clara Sverner:

2. Os dois compositores têm além de inúmeros tangos no seu repertório, várias composições em ritmos como polcas e valsas, tão "estrangeiros" quanto o jazz, o iê-iê-iê ou a discoteca.

3. A música dos dois (a de Ernesto Nazareth em 1922 e a de Chiquinha Gonzaga em 1914) causaram escândalo quando chegaram a ambientes elitistas. Para ter uma ideia do tom dos indignados da época, escute a nota desaforada de Rui Barbosa, lida por Mário Lago:

 
Será possível que CEM ANOS depois há quem ainda insista nesse tipo de elitismo mequetrefe torcendo o nariz para "a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens" do momento?! E será possível que CEM ANOS depois há quem ainda bata no peito para "a verdadeira música brasileira" sem nem um pinguinho de ironia?! Como se dizia nos meus tempos de vinil: vamos virar o disco, por favor!


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