Monday, January 23, 2017

Recordar é viver: Luta Desarmada


Paulo de Tarso Celestino 1944-1971
"O Paulo [de Tarso Celestino] era moderado. [...] Ele era contra toda radicalização. Mas foi acuado pela ditadura de fio a pavio, escondeu-se e em seguida participou da luta armada. Acabou assassinado debaixo de uma tortura atroz naquela sinistra casa de Petrópolis. Foi um pouco o que poderia ter ocorrido com vários de nós e o que aconteceu com Honestino Guimarães, nosso sucessor na Feub. Outros não foram mortos, mas foram torturados, presos, tiveram que se esconder, e suas vidas sofreram graves transtornos. Nas ditaduras, na América Latina ou no resto do mundo,  você nem sempre escolhe a forma de fazer oposição. As circunstâncias e a própria repressão empurram às vezes parte dos oposicionistas para a clandestinidade e a luta armada. Quando vejo gente desinformada ou de má-fé dizer que Dilma “escolheu” a luta armada na sua juventude, acho um absurdo. Por que é que só teve luta armada no Brasil durante a ditadura, e não no regime constitucional, ao contrário do que aconteceu noutros países latino-americanos ou europeus? Por causa da ditadura, foi a ditadura que perseguiu uma parte dos oposicionistas e os empurrou para a luta armada."

Luiz Felipe Alencastro em entrevista a Estudos Históricos

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