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Ainda nos mares - um poema meu


Nós vamos afundar
Nós vamos afundar
devagar até o fundo da
garrafa e lá vamos nos encontrar
transformados em bestas
de corpo fosforescente, criaturas
vivendo sem luz, no fundo
mais fundo, submersos
no lodo, sem olhos
para abrir e ver,
só um par de antenas
cravadas no couro velho e duro.

E, no momento mais agudo,
esses monstros lá de baixo
vão nos mastigar devagar
e, como nossas irmãs, as hienas,
vão nos enterrar na areia
e voltar para comer
o resto mais tarde.
Mas um corpo morto é um copo
deitado, não segura mais nada;
aberto para o mundo,
não se fecha nunca mais.

Ah, nós vamos afundar
devagar, e vai ser bom demais.
Porque lá no fundo a felicidade vai estar
nos esperando com a boca aberta,
macia, sem dentes, pronta para
nos engolir sem mastigar.

Ah, vai ser bom demais.
Nós vamos afundar
agora, juntos.

Comments

oi, respondi lá no meu blog que aceito seu desafio... é simpático, pode ficar interessante.

mudando de assunto, você leu hoje o j.p.coutinho falando do saramago na ilustrada?

enfim, nem gosto muito desse coutinho, mas ele tem humor, e tudo somado gosto mais dele que do saramago.

ps: gostei do poema.

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